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sábado, 21 de junho de 2014

O premio - 38

Era voz corrente na Academia de Ciências da Suécia que o brasileiro tinha um pé na canoa da realidade - representada pela boa atuação como técnico do juvenil do IFK Varnamo - mas o outro pé estava na canoa de um plano maluco: contestar frontalmente a Academia de Ciências da Suécia. Complicando, ainda mais, havia o fato de Brzil estar ilegal na Suécia; e, assim mesmo, não admitir  que pedisse ajuda anormal a quem poderia - talvez -  "resolver"  o problema. Uma das piores consequências disso era não poder dispor de um cartão de crédito. Mais do que ninguém Björn sabia que nesta época é  impossível viver sem aquele retângulo de plástico no bolso. Mas por admirar a determinação do brasileiro,  Björn B admirava-o.   E , por isso , queria aplainar seu  caminho, limar as arestas que pudessem revelar-lhe abruptamente o auto-engano em que  Bjorn  achava que  Brzil vivia. Foi por isto que Björn não revelou a verdade sobre  quem pagaria as suas despesas a serem feitas em Oslo, levando-lhe a crer que seria a Academia Sueca de Ciências; mas, na verdade, o próprio Björn B é quem as pagaria . 

Foi por querer que Brizl desse continuidade ao seu exótico plano   que Björn  concordou em encaminhar o brasileiro à sua amiga Kari Kristiansen, que trabalhava no The Norwegian Nobel Institute. Num longo telefonema explicou-lhe tudo o que acontecia. Disse-lhe que, apesar da excentricidade explicitada na tese de Brzil; assim mesmo ele conseguira que conselheiros da Academia de Ciências  pelo menos ouvissem suas reclamações. Mas, deixou claro à norueguesa, que isto não deveria obriga-la a tolerar o brasileiro  além do que poderia ser aceitável de uma reclamação feita por um cidadão norueguês. Que bastaria que ela percorresse o caminho lógico, ainda que - se possível  -  dentro da realidade possível para a percepção do brasileiro; talvez com palavras de quem trata com uma pessoa sem  a objetividade própria dos nórdicos. E, talvez, imprópria aos sul-americanos. Para ser claro,   Björn B  concordava com muitos :  ... " ele o Don Quixote  do século vinte e um".

A própria Kari foi quem fez a reserva do hotel, o escolhido foi o Smarthotel, na Saint Olavs gate 26. Björn comprou a passagem aérea e mandou entregá-la para  Brzil , mas sem que este soubesse a origem pagadora, naturalmente. Viajaria no dia 30 de Julho. E chamou Johan Svensson para perguntar quanto tinha sido o prêmio pago pelo IFK Varnamo.  O rapaz respondeu que ampliaram a quantia para  60.000 coroas em reconhecimento ao esforço do brasileiro. Na verdade, pela promessa ela seria umas 58.000 coroas.  

" Mas eles já entregaram o dinheiro ? "  Perguntou o  Björn .

" Sim , ele já recebeu . " 

"Que bom. Brzil terá no bolso as suas 60.000 coroas, ganhas   pelos seus mérito , para algum passeio que queira  fazer  em Oslo ... "

" Perdoe-me, Dr. Björn. Sou obrigado a informá-lo que Brzil  ofereceu-me dez por cento do seu premio como recompensa pela  ajuda que lhe prestei ... "

"Mas você já recebia um salário do clube; estou certo ?  E mesmo assim aceitou participar no dinheiro dele ?  "

" Não tive como recusar. A insistência foi grande. Ao final, eu não quis ofende-lo. "

Björn sacudiu a cabeça, em sinal de desaprovação  do que ouvia, e despediu-se de Johan Svensson .



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