Páginas

Mostrando postagens com marcador transposto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador transposto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de julho de 2013

69 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B

Os  raros selecionados para ser um Mosqueteiro haveriam  de passar  por um severíssimo ritual de entrada  . Uma das últimas provações a serem  vencidas era a da  "brasa na língua" , que consistia em que alguém contasse um mexerico ( o que em Boca do Monte começava a ser chamado de  "fofoca" )  sob solicitação de que o dito maldoso não fosse passado adiante .  Dias depois o segredo  era  , de alguma forma , conferido pelo Mosqueteiro que  fora  designado para aplicação do " brasa na língua". Assim  era  testado o candidato conferindo  se  dispunha - ou não -  da  capacidade de guardar as  importantes confidências que , certamente ,  chegariam-lhe aos ouvidos por ser um Mosqueteiro .  As tais  "fofocas"  .  Quanto à coragem , necessária à um Mosqueteiro ,  para os naturais medos das muitas quase-ficções originadas na metafísica regional ; ela seria posta  em cheque na  derradeira prova , e consistia em que o  pré-escolhido  passasse sozinho a meia-noite de uma sexta-feria na Lagoa da Música , na Hulha Negra .  Ainda que distanciadamente ,  um dos Mosqueteiros declarou  que entendeu como macabra tal  exigência .  Mesmo assim a prova  não foi abolida.  Para  para serem sagrados  "Mosqueteiro"  os  futuros irmãos de espada  teriam mesmo que continuarem a  serem testados  em  "Sexta-Feiras  da  Lagoa da Música " .  Assim é   que o noviço era informado pelos  iniciados  de que  teria que ficar toda a  aziaga noitada  meditando margens da lagoa sobre os meandros da morte ,  sem  que  - pelo que ele soubesse -  pessoa viva  permanecesse  a menos de  uma légua de sesmaria dali .  Em  verdade ,  os demais Mosqueteiros ficavam por perto, no meio da escuridão  geral . Tão logo transcorresse a meia-noite -   momento em que os gritos dos degolados eram ouvidos com muito mais nitidez  ; e  ,   se  o  noviço  permanecesse  - ainda que minimamente -  no  controle  de  seu corpo e  de sua mente  ; se  conseguisse manter  a  calma  ante as lembranças ,  aflições  e sons que até então emanavam do fundo da lagoa onde ainda jaziam os despojos  da matança  acontecida naquele exato  de  centenas ;  transposto estes momento logo chegariam os  irmãos de capa-e-espada  ;  enfim ,  os  demais  mosqueteiros -  que em verdade  ficavam  por perto -  ante os riscos inerentes àquele  quase limite da resistência humana ao sobrenatural  ; e ,  saindo-se o candidato vencedor ,  eles cortavam o silêncio da madrugada  entoando cânticos greogorianos ,  repartindo o  pão ,  o queijo e  o vinho  e  ,  - vencida a provação -  sagravam ali mesmo o novo  Mosqueteiro .

Pasme , mas o certo é que o mais novo dos Três  Mosqueteiros  (  diga-se  que  passou  com louvor  em todas  as provas  foi , ninguém menos ,  do que  a  Quita  ; de quem - a bem da verdade - nenhum dos irmãos esperava  a coragem  por ela demonstrada .  Sequer  tremeu uma fibra do seu corpo ao ouvir  o de sempre : gritos lancinantes dos  espíritos  dos corpos  penadas ali  degolados

Talvez , sejamos francos , por uma resquício  do quase permanente  preconceito  contra  os  negros que  naquela época   ainda era muito mais intenso  do que  hoje  .









Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Marcadores

abriram acariciavam-se acaso Adhemar África ajoelhar-se alcance Alegrete. alemão alma Almerinda amizades amor anônima antítese apartamento apresentação Aramis arataca Argentina argumentos arranjado asas Athos atracar atrevimento Austrália autor aviso aziaga balzaquiana banco bandido Banho barrigas-verdes Becerra Becerras Bicicleta bienvenidos binóculo biógrafo blusa Boca de Ouro Boca do Monte Bóldedalma Boleto bolso borbotões bordel Brasília Brown Cow Bank bruxuleante Bubi cabaret cabeça cabelos Caçapava cachorro cadeado cadeia calado calça de baixo cama campeia canalha capa-e-espada capa-pretas capital capítulo 1 capítulo 12 capítulo 13 capítulo 14 capítulo 15 capítulo 16 capítulo 17 capítulo 18 A capítulo 18 B capítulo 19 capítulo 2 capítulo 20 capítulo 21 capítulo 22 capítulo 23 capítulo 24 capítulo 3 capítulo 4 capítulo 47 capítulo 48 capítulo 49 capítulo 5 capítulo 50 capítulo 51 capítulo 52 capítulo 53 capítulo 54 capítulo 55 capítulo 55 R2 capítulo 56 capítulo 57 capítulo 58 capítulo 59 capítulo 6 capítulo 60 capítulo 62 capítulo 63 capítulo 64 capítulo 65 capítulo 66 capítulo 67 capítulo 68 capítulo 69 capítulo 70 capítulo 71 capítulo 72 capítulo 73 capítulo 74 capítulo 75 capítulo 76 capítulo 77 capítulo 78 capítulo 79 capítulo 80 capítulo 81 capítulo 82 capítulo 94 capítulo 95 capítulo 96 capítulo 97 carancho Carlão Carlos Gardel Carmem casamento casariam-se castrava Caverá cerveja cervejaria champanhe Chatô chefatura de polícia cidadezinha ciências humanas classe Claudia Cardinalle Colcabamba Com Chaveco complacente comportadamente confidenciou confraria confusão consumaria Coração corazón corredor Correio do Norte crise. Curunilha cusco D ´Artagnan D´Artagnan D´Orsay datilografia declama dedicação democraticamente desculpa desembarque destino determinar detetive Deus devastação diário de bordo dinheirama dinheiro Dionísio Dirceu disfarçou Dona Almerinda Dona Flora Dona Julietinha Dona Marica Dotô Doutor Elizabeth Taylor Emagrecido embolsar empreitada Encargo enganando enrodilharam equívoco Ernesto ERP esbaforida escolha escritos escuridão espalhar esquerdo estafermo estância estancieiro este blog estudos Eunuco ou Hermafrodita? Europa evidente F100 fazendeiros fechadura Federal ficção filosófico fim final B fineza fita flores fofocas fortuna Fortunas frigorificação fronteira fronteiriço furgão futuro galena gaudério Gauguin gente ghost writer Gian Giancarlo Giancarlo Petrucci gran- puta grávida gritando Gualter Guapos da Fronteira guarda-chuva Guilain guri herança hipotesis História honra horizonte Hulha imaginação independentes índio maula intensamente internacionales interrupção Ipanema irmandade italiano J. Proudhon Joaquim jogos de Eros Jorge Luis Borges jornalista José Amaral Judas Julietinha junção ladrão Lagoa da música lágrimas Lampião lembrar Leonel liberação lições Lisboa literária Livro lógica lolitas Londres Lotto Lua de Mel madrugada madura mafiosos Maranhão marido Mastroiani matador Mecenas Mediterrâneo memórias menino Mercedes mesa Milczarek missão moça moças molestado molhados monastério Mosqueteira Mosqueteiro mosqueteiros mulher mundo naba Namorada namorado navio negócio nosotros novo-rico novos mosqueteiros NRBZ nudez O Cruzeiro Oficial oficial italiano Old Parr olvidastes Oriental Pá pagos paixão palavra Paniagua Paraguai. parente Paris pastor patrimônio Paulo Paulo Becerra pecuniárias Pedro pentear pernambucano perseguição Pio XII Pipoquinha pistoleiro Pituca plagas plata platônica Polaquinha polaquinha. portão Porthos Porto Alegre português Portunhol povo assassino. prazo Prendoca primeira Professor Pery promessa propriedade pulgas Pulo Becerra Punta del Leste quadradinha quebra-cabeças quéra Quita raça raros rataca Recife relógio remessas Renguiá República Oriental reunião Rio Rio de Janeiro Rio Grande roleta Roma RPGS Rússia Salustiano San Martin Santa Maria Sapiran segredos segurança Sem Chaveco Serra sessões Seu Salim Severino Sevilha silêncio Silvério sonhar Sul Taquarembó Tchê te amo tenente teorias tesouro Thaiti Toscana traído trampa tranquila transposto travesseiro Três Mosqueteiros única urdida urso-panda Uruguay Valéria Vaticano Velho Testamento verdade vereador viagem Vigo Vinícius de Morais Vinicius Gullar Violão Vira-Latas vitória Zé Manél