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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

95- Julietinha e o oficial do vapor - Final B

A palavra foi dada ao Mosqueteiro Athos , que não decepcionou quanto as espectativas dos demais evolucionários. " Estimada Aramis . Tão firme é a união entre nós , que até chegamos a esquecer do gênero que nossos codinomes representam na literatura universal . Você mesmo , Aramis , recebeu - aqui em nossa confraria - um nome masculino , Aramis . Mas - confesso com muito prazer - tornou-se para mim o mais belo nome que uma mulher pode ter. Desde que abracei esta causa , a de recuperar para nós , pessoas comuns , pobres e antes sem perspectivas pessoais - eu mesmo sou um professor , e ensinar crianças no nosso país é sinônimo de quase indigência - eu mesmo , repito , percebi - logo que fui convocado por D ´Artagnan - que a minha única chance de viver num futuro de dignidade seria buscar no dinheiro dos corruptos que construiram Brasilia , os que vinham desovar os seus ERP s qui na nossa vizinha , a República Oriental . Sim , buscar a nossa parte aliviando-os do dinheiro que apropriaram-se ilicitamente , para não dizer criminosamente . Mas mesmo usando todo o meu esforço na obtenção do sucesso do nosso plano , confesso que eu desde o começo olhei a irmã de armas de um modo que , tanta era a atração inexplicável , não poucas vezes geravam em mim uma quase ruptura da realidade ; prá pegá-la em meus braços e perder-me nos encantos que tu possuis . Mesmo , sendo um Mosqueteiro da primeira hora , digo-lhes que não tive suficiente coragem para dizer-te , como digo agora ... eu te amo , Aramis . Te amo desde o momento que meus olhos tiveram a alegria de pousar nos seus , no seu corpo , nos seus cabelos . Mas see não fui eu quem teve a coragem de primeiro pedir-te em casamento , mesmo assim eu te digo agora , renovo o convite a mim feito : Aramis , queres entregar-te aos meus cuidados , casar-se comigo - ainda que isto va´ acontecer no teu Uruguay ? Quanto a mim , eu estou maravihado com o teu convite , Aramis . E , se tambem renovares o "sim" tenho certeza que farei de ti a mulher mais feliz no mundo . "

domingo, 26 de maio de 2013

51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B

Prezados Leitores !

Por um equívoco , o capítulo 51 foi publicado no blog " Sem Chaveco " . Mas vou ( em algumas horas )  copiá-lo aqui para o " Com Chaveco" . Mil perdões !

51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B . " Mas Pedro , repercutiu aqui em Boca do Monte o tiro que vocês deram num mascate nordestino . Como eu posso , de repente , ver meu marido e meu irmão envolvidos numa tentativa de morte , Pedro ? " " Julietinha , tu bem sabes da minha vontade de jamais faltar com a verdade , principalmente para ti , que és a razão maior de eu seguir no caminho certo . Mas eu fui chamado por Pituca - em razão dele ter pressentido , percebido mesmo , claros sinais de que estava sendo tocaiado - à dar-lhe cobertura para tentar enganar quem queria matá-lo . Paulo é teu irmão , e eu não podia quedar-me inerte sabendo que era quase certo que alguém poderia matá-lo em instantes . Foi assim que acertei ficar num hipotético lugar do Paulo ( que logo depois confirmou-se não ser hipotético , porque o matador veio de revolver em punho ) ... " " E você , meu amado , esteve na linha de tiro do matador ? " Nesta hora , por mais honesto que fosse , Pedro aproveitou para ganhar ainda mais a admiração de Julietinha .... " Não me cabia nada a fazer a não ser ficar na linha de tiro para que o Paulo pudesse por em prática o seu plano . Só o que fiz foi lembrar de ti com todas as forças da minha alma , mas recuar em defender Paulo , confesso que isto nunca me passou pela idéia ... " Julitinha abraçou-o longamente aquele que agora era mais do que seu marido , amante , confidente ... agora Pedro passara a ser também um herói ... o seu herói . "Mas Pedro , e tú não pensastes em ti mesmo ? ... como pudestes aceitar uma missão destas ... ? estes nordestinos costumam nunca errar ... atiram para matar ... " " Confesso que o plano do Paulo era bom , e - apesar dos riscos - confiei que tudo ia dar certo . Pituca escondeu-se no carro bem em frente ao portão . O matador prestava a atenção para dentro da casa . Foi ele passar no portão , ainda de arma em punho , para ser alvejado na nádega e , pelo choque do tiro , caiu de bruços no chão deixando escapar a arma ." " Mas o que fez Paulo para ter em seu encalço um matador ? " " Até que eu desconfio ... é destas confusões que sabemos que ele se metia ... " " Se metia ... ? " Sim , isto ainda são consequências de um Paulo que não existe mais , esta foi uma das principais razões de eu ter me determinado a ajuda-lo : ele não podia cair nas mãos de um assassino de aluguel logo depois de estar totalmente no caminho certo , no lado do bem .... "

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Julietinha e o oficial do vapor . 52 - FIM

"O que ela vem perguntando ?"   Disse o Primeiro Oficial à camareira .
 " O que ela quer mesmo saber é se o senhor é Gianpaolo  ou  Giancarlo . "

" Se é assim , conte a verdade , de novo . "

Tal diálogo , entre os dois tripulantes ,  não causaria surpresa alguma a quem porventura o escutasse  ( e, principalmente,   o  assistisse )  ,  não fosse um -  não mais do que um -   reticente piscar do olho esquerdo de Petrucci  .  Assim mesmo , tal   hipotético observador iria se perguntar  se aquela piscadela  (  - que , convenhamos -  tem a simbologia universal de  quem camufla uma mentiria  )  bem poderia ser um tique nervoso , como devem ter milhões de pessoas na face da Terra a piscar um olho só , ainda que mentiras não estejam querendo sugerir .


" Buon diorno Signora  Giulietinha .... Signora Giulietinha .... buon giorno ! "   ...  repetiu a camareira  para a  estancieira que dormitava ao sol  da  manhã ... "

" Olá Rafella , buon giorno para você  também ! "

" Eu tenho algo para dizer que talvez lhe interesse .... "

" O que é , Rafaella ...., porque este segredo todo ? "

" É que eu descobri qual dos dois  "  G "  é o Primeiro Oficial ? "

"Como é ?    Por Deus , diga logo o que você descobriu .... "

" Eu soube , com certeza , que o Oficial Petrucci  trata-se  de Giancarlo Petrucci . "

Com o coração aos pulos ,  a moça emudeceu , embora seus olhos se voltassem de maneira brusca para  todos os  diversos  pontos  cardeais das vistas .

" Você tem certeza do que me falou agora  ? "

"Tenho mais certeza de que se trata de Giancarlo  do que eu me chamo Rafaella . "

" Obrigada , muito obrigada Rafaella . Não deixe de dar uma passada na minha suite para eu agradecer-lhe ainda mais pelo que agora me dizes . "

" Não será preciso outro agradecimento sobre o que eu revelei  agora  ;  basta que eu venha a saber que  (   nem que tenha sido por um  só  momento  ) que  a senhora  chegou  a  ser  uma mulher verdadeiramente feliz ... "



Julietinha surpreendeu-se ao saber que o atalho por que a levara  ontem  ao  convés   passava pelos corredores das cabines dos tripulantes graduados .

Com o marido no salão de jogos  ,  a morena de Boca do Monte  , vestiu-se  - mais uma vez -  da maneira mais sensual que podia  compor-se   - só que de saltos  baixos -   e foi  para onde sabia   que  Giancarlo  estaria acomodado ;  sob  a  promessa  interior  de que  não  exitaria  em bater em sua porta

Uma surpresa  :  á  distância de  apenas um  passo do ninho do italiano  a porta abriu-se  antes dela  ali chegar  ,  não sendo necessário  diminuir-se  moralmente  por bater naquela porta .  Até  neste detalhe Gian fora um cavalheiro , deixando  claro que não era só ela  quem  esperava  ansiosamente por aquele momento.    Gian envolveu-a num abraço apertado , e ,  num piscar de olhos,  colocou-a  para dentro da cabine .

Desta vez nada de diferente  dos  encontros apaixonados em cabines apertadas , de trens ou navios al mare  e a paixão até então  recolhida  a  , digamos , tão  somente dentro de  seus  corações , explodiu  em carícias que , como disse um poeta ... foram infinitas enquanto duraram .

E duraram até às duas e meia  da madrugada , eis que o cassino fechava sempre às três.

O navio voltou à Barcelona . Foi quando Julietinha sugeriu à Pedro que tivesse  uma tarde sozinha  para comprar lembranças para as amigas , os parentes .  Ele  concordou , dizendo que queria conhecer bares de  comidas típicas da Catalunha .  E , como sempre , beber algumas copas de bom vinho .

Dentro da bela estancieira um prazer a mais . O de saber que o que acontecera tempos atrás , em que Gian não tinha chegado a penetrar nos sonhos de Julietinha ,  agora  tudo acontecera muito mais do que em  suas melhores expectativas .  Ocorre que  a jovem senhora não tinha por Giancarlo somente desejos  ardentes . Ela aprendera a admirá-lo como pessoa , talvez mais bonita por fora do que por dentro . E ela  saber agora que ele tinha recuperado totalmente a sua condição de homem , de amante completo - e não apenas distanciado dos atos de amor propriamente ditos -  trouxe para Julietinha uma calma que há muito tempo não conseguia ter.

Na verdade o que Julietinha fez foi procurar uma igreja  que tivesse a luzinha vermelha acesa , aquelas que identificam  a presença de um confessor .  E a encontrou .  Ajoelhou-se  e , com a confiança das
verdadeiras  católicas   contou tudo ao padre ;  dizendo também  que estava certa de que o que tinha feito não chegava a ser  um pecado ;  abrindo  toda a história trazida na ponta da língua : de que o tempo entre ela e Giancarlo  fora  (  infelizmente para seu marido )   al revés  .  Mas que - apesar da ressalva -   ela e Giancarlo tinham direito pleno - pelo menos por uma única vez -  de se  acostarem , como de fato  aconteceu  .  Sim ,  se fossem à bíblia , se procurassem nos arquivos secretos do Vaticano , lá haveria de estar registrado pelo menos um precedente de que uma entrega naquelas circunstâncias extremas não poderia ser capitulada de pecado .

Foi quando o confessor - com  um evidente sotaque italiano - falou-lhe com uma tranquilidade própria dos monges ....

" Quem  pede perdão sou eu , Senhora Julietinha .... "

" Santo  Deus , como agora este Padre ,  falando este Espanhol capenga,  sabe o meu nome ? "   ( pensou  a  signora ) .

Novamente  o padre interrompeu seus pensamentos :  " Perdão senhora , mas deve haver um engano nisto tudo ; o  que - pressinto  -   no cambiará  o  que eu , em nome de Deus , poderei fazer para aliviar a sua alma ...  pero  ,  eu é que sou  Giancarlo Petrucci  - il vero ! -   ,  aquele  que  -  logo depois de conhece-la naquelas  circunstâncias  -   ... retirou-se  para servir de forma integral ao Senhor.  Prego , Signora , pero  Giancarlo era el mio nombre  civile  , ahora  soy  Fratello  Francesco ...  " .

FIM


  N.d .  A  :   O verso  "que seja infinito enquanto dure "   é de Vinícius de Morais .

domingo, 31 de março de 2013

Julieitinha e o oficial do vapor - 50

O  Primeiro  Oficial  chamou , tão discretamente quanto pode ,  uma  funcionária  ,  e perguntou-lhe   :  "Quem é aquela moça que está lá  no convés com o violão  ? "  .

  "É a  esposa de  um  brasileiro  muito rico . Estão  numa cabine master , e ele passa as noites jogando bacarat no cassino "  .  Ela me parece cada dia mais triste . Dizem que  o marido  não passa de um novo-rico brasileiro . E o senhor sabe como são os novos-ricos ;  mas  ela  seria  uma pessoa muito sensível , terna mesmo ;  que , por isto , estaria  em conflito  com  as maneiras que seu marido adotou depois que a fortuna lhe sorriu .  Mas ela , cada dia é mais triste ... .  Seu nome é Julieta , mais precisamente Julietinha - assim mesmo ,  no grau diminutivo . "

Foi o bastante para o Oficial  imediatamente entristecer-se .  A sua musa platônica definhando moralmente e ele sem  poder ajudar em nada .   Só que começou , com o passar do tempo , a sufocar-se   com aquela situação .  Tão perto de seu  amor  platônico  e não poder sequer dirigir-lhe a palavra . O certo é que , tão discretamente quanto podia , o binóculo , que deveria mirar possíveis obstáculos  , perigos  a que  às naves  estão sujeitas , cada vez mais desviavam-se para os mais diversos locais do navio : onde Julietinha  estivesse , ainda que por poucos momentos .  Um átimo de tempo já era suficiente para que o marujo soubesse algo ,   ou  pelo menos mirasse a paixão que vivia  tamponada em sua alma .

domingo, 23 de setembro de 2012

Julietinha e o Oficial do vapor .



Nesta sessão Julietinha viera de banho recém tomado . De cabelos molhados penteados junto à cabeça ; mas , como sempre , de saia ( esta era plissada )  com altura respeitosa  e de blusa quase que totalmente abotoada .  A única coisa que mudara é que naquele dia ela viera de sandálias que deixavam boa parte dos pés a  mostra  fazendo  com que  Pedro se fixasse neles ainda que em luta íntima para não fazê-lo .  Bom , pensou Pedro , tenho que manter-me como o profissional que sou , um  memorialista , um biógrafo  do interior.  "Chega de olhar tanto para os pés da balzaquiana !  ". Balzaquiana eram todas as que passassem ( um dia que fosse ) dos trinta anos .  Julietinha fizera trinta há dois meses , a viagem á Europa fora presente do irmão Paulo pelos trinta .  Começou  a narrativa  contando  a aproximação do navio ao porto de Vigo na Espanha .  Só a aproximação , não chegando  a  falar do desembarque . Contou que muitas pessoas  no navio começaram -  ali mesmo -  namoros , até mesmo envolvimentos mais sérios  .  Depois das particularidades do dia  ( shows de piano e mágicos ,  longos drinques , para ela sempre de frutas com um pouquinho de algum licor )  Julietinha  jantou e  foi para o convés pegar o vento do mar. Foi  quando se aproximou o Oficial .  Neste momento Pedro perguntou  se ele era inglês , talvez alemão , ou sueco ...  estas nacionalidades têm tradição no moderno transporte  marítimo ;  "não é Dona Julietinha ?"          " Não"  , respondeu ;    " Giancarlo é  italiano , Pedro"  ,  que deu uma tossida mais forte . "O que foi  ? "  , perguntou ela .  " Não , eu acho que estou com a garganta irritada , Dona Julietinha " .  Neste momento Pedro , como de outras vezes , pediu para ir ao banheiro e foi avisado de que hoje deveria usar o banheiro da alcova ( assim eram denominados os quartos de casas de gente com dinheiro )  da moça porque o banheiro da sala estava sendo arrumado por Quita .  Julietinha acompanhou-o  e Pedro ao fechar a porta olhou  e  ficou  extasiado vendo a  calça de baixo  estendida num porta-toalhas  ( sim naquela época era " calça de baixo "  a peça mais íntima das mulheres ).   Pedro olhava por longos momentos  apoiado na parede  . Chegou mesmo  a esquecer-se do que viera fazer no banheiro .  A calça de baixo  era de um branco muito alvo , com delicadíssimas rendas branquinhas nos locais mais mais adequados para tanto  .  Pensou rápido   "...   a renda é de Sevilha , ela pode ter parado nas Canárias , sei lá ; e comprou a calça de baixo com rendas de Sevilha " . E ele,  que sempre pensara que Nelson Gonçalves quando cantava "tinha rendas de Sevilha a pequena maravilha que seu corpinho adornava " mencionava Sevilha  só  para  conseguir uma boa  rima para maravilha .... quanto engano ... ali  estava ele frente a frente - já não tinha dúvidas - alem de existirem mesmo, eram lindas  as rendas  Sevilha  !    Pedro continuava muito mais do que sufocado , ele tremia por dentro e por fora quando ; sem saber porque ,  seu nariz passou perto , mais do que perto da tal "pequena maravilha  que seu corpinho adornara " .   Só que - ainda bem - foi despertado pelo forte cheiro de sabão , que   deveria ser da UFE  carioca .  Pedro  detestava qualquer cheiro vindo de sabão de côco .  Enfim desperto , deu uma falsa descarga no vaso e lavou as  mãos . Já na sala , de novo  reflexivamente  olhou para os pés de Julietinha .   Pensou ... meu Deus , porque isto agora ....   Despertou com  a pergunta : tudo bem Pedro ?   Sim , Dona Julietinha , vamos continuar ?

" Bem ....  acho que o Gian obedecia a  regras rígidas , próprias da marinha  porque  ........   ( " Pedro , tal já  é a nossa fraternal convivência ,  já me acostumei tanto com você  que  vou confidenciar-te  , ainda que pedindo que isto não seja  colocado no jornal " )  ... ele  nunca chegava a passar  o tempo que eu ansiava .... que eu precisava que ele ficasse comigo .... "  . Novamente Pedro tossiu , agora ainda mais nervosamente que antes .      "  Eu  estava cada vez mais apaixonada pelo Giancarlo e , ainda  mais .  pelo distanciamento de todos estes limites que temos por aqui ;  minha cabeça girava , girava só de pensar nele ,  e não  pelos longos  drinques  que eu tomava cada vez mais frequentemente ".    

Pedro ainda quis atravessar um pensamento , uma palavra  que se opusesse aquilo que achava ser uma  insensatez  própria da  idade de Julietinha ... " mas ele era italiano Dona Julietinha ,  italianos ....  assim como estes colonos italianos que andam pelas ruas em farrapos ,  fedendo  " .   " Não !  Mas não mesmo , Pedro !  "   Giancarlo é alto e esbelto como um toureiro espanhol . E tinha os olhos mais azuis do que as águas do Mediterrâneo , tinha a  cara do Mastroiani .... rescendia  a campos de  outono  na Toscana .... "



Julietinha e o Oficial do vapor - Primeira parte .

Eu  naquela época  tinha cinco anos ,  e estas memórias estão entre as coisas mais remotas que tenho registrado na mente .   Paulo era um rico estancieiro ,  formado como advogado e  candidato invicto à  vereador : nunca conseguira  se eleger.  Tinha uma irmã  de nome Julietinha ,   no diminutivo mesmo , como não era incomum naqueles anos idos.  Se Paulo era um estancieiro e candidato a vereador encalhado , Julietinha  - por sua vez -  nunca conseguira casar .  Com meios, com dinheiro  para viajar  o quanto quizesse ,  Paulo  ofertou à irmã  uma  passagem de navio ( que chamavam  de  vapor )  para a Europa. Nestes casos , ao voltarem  da viagem ,  os ricaços  da época ,  como Julietinha  e Pulo Becerra  ,  botavam no jornal da cidade algo como "O diário de bordo" .  O  certo é que  Julietinha  chamou Pedro ( o primeiro ghost writer de que  ouvi falar ) -  para por no papel  as  suas aventuras européias  .   Pedro - além de pretender  conseguir com tal trabalho por os aluguéis atrasados em dia  também  comungava da  curiosidade da cidadezinha  que era a de  saber se Julietinha tinha  - enfim -  se  entregado aos jogos de Eros . Para poder publicar  o diário de bordo , Julietinha teria que se confessar à Pedro  .  Assim foi ...  ela  no começo falou ...  falou ...  mas  nada  de  contar  algo na direção ansiada ;  sobre  se  teria  se entregue  aos jogos de Eros  .   Pedro perguntava , sugeria ,  tentava  cercar Julietinha  , mas ela ... nada . Sem que Pedro soubesse o porque , num belo dia  ela começou  a tangenciar o assunto  por dizer que  " .... conheci o oficial "  .   Pedro aos poucos  descobriu  que se tratava  do  marujo  de patente  inferior  ao Comandante  do navio .  É que o jornalista  já  era   mestre no  ( para ele )   nascente gênero de fantasma escrevedor  ,  dando  corda : - fale  mais , Dona Julietinha ,  fale do tenente  .... do tenente  do navio  , como ele era Dona Julietinha .....

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