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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
95- Julietinha e o oficial do vapor - Final B
A palavra foi dada ao Mosqueteiro Athos , que não decepcionou quanto as espectativas dos demais evolucionários. " Estimada Aramis . Tão firme é a união entre nós , que até chegamos a esquecer do gênero que nossos codinomes representam na literatura universal . Você mesmo , Aramis , recebeu - aqui em nossa confraria - um nome masculino , Aramis . Mas - confesso com muito prazer - tornou-se para mim o mais belo nome que uma mulher pode ter. Desde que abracei esta causa , a de recuperar para nós , pessoas comuns , pobres e antes sem perspectivas pessoais - eu mesmo sou um professor , e ensinar crianças no nosso país é sinônimo de quase indigência - eu mesmo , repito , percebi - logo que fui convocado por D ´Artagnan - que a minha única chance de viver num futuro de dignidade seria buscar no dinheiro dos corruptos que construiram Brasilia , os que vinham desovar os seus ERP s qui na nossa vizinha , a República Oriental . Sim , buscar a nossa parte aliviando-os do dinheiro que apropriaram-se ilicitamente , para não dizer criminosamente . Mas mesmo usando todo o meu esforço na obtenção do sucesso do nosso plano , confesso que eu desde o começo olhei a irmã de armas de um modo que , tanta era a atração inexplicável , não poucas vezes geravam em mim uma quase ruptura da realidade ; prá pegá-la em meus braços e perder-me nos encantos que tu possuis . Mesmo , sendo um Mosqueteiro da primeira hora , digo-lhes que não tive suficiente coragem para dizer-te , como digo agora ... eu te amo , Aramis . Te amo desde o momento que meus olhos tiveram a alegria de pousar nos seus , no seu corpo , nos seus cabelos . Mas see não fui eu quem teve a coragem de primeiro pedir-te em casamento , mesmo assim eu te digo agora , renovo o convite a mim feito : Aramis , queres entregar-te aos meus cuidados , casar-se comigo - ainda que isto va´ acontecer no teu Uruguay ? Quanto a mim , eu estou maravihado com o teu convite , Aramis . E , se tambem renovares o "sim" tenho certeza que farei de ti a mulher mais feliz no mundo . "
domingo, 26 de maio de 2013
51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B
Prezados Leitores !
Por um equívoco , o capítulo 51 foi publicado no blog " Sem Chaveco " . Mas vou ( em algumas horas ) copiá-lo aqui para o " Com Chaveco" . Mil perdões !
51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B . " Mas Pedro , repercutiu aqui em Boca do Monte o tiro que vocês deram num mascate nordestino . Como eu posso , de repente , ver meu marido e meu irmão envolvidos numa tentativa de morte , Pedro ? " " Julietinha , tu bem sabes da minha vontade de jamais faltar com a verdade , principalmente para ti , que és a razão maior de eu seguir no caminho certo . Mas eu fui chamado por Pituca - em razão dele ter pressentido , percebido mesmo , claros sinais de que estava sendo tocaiado - à dar-lhe cobertura para tentar enganar quem queria matá-lo . Paulo é teu irmão , e eu não podia quedar-me inerte sabendo que era quase certo que alguém poderia matá-lo em instantes . Foi assim que acertei ficar num hipotético lugar do Paulo ( que logo depois confirmou-se não ser hipotético , porque o matador veio de revolver em punho ) ... " " E você , meu amado , esteve na linha de tiro do matador ? " Nesta hora , por mais honesto que fosse , Pedro aproveitou para ganhar ainda mais a admiração de Julietinha .... " Não me cabia nada a fazer a não ser ficar na linha de tiro para que o Paulo pudesse por em prática o seu plano . Só o que fiz foi lembrar de ti com todas as forças da minha alma , mas recuar em defender Paulo , confesso que isto nunca me passou pela idéia ... " Julitinha abraçou-o longamente aquele que agora era mais do que seu marido , amante , confidente ... agora Pedro passara a ser também um herói ... o seu herói . "Mas Pedro , e tú não pensastes em ti mesmo ? ... como pudestes aceitar uma missão destas ... ? estes nordestinos costumam nunca errar ... atiram para matar ... " " Confesso que o plano do Paulo era bom , e - apesar dos riscos - confiei que tudo ia dar certo . Pituca escondeu-se no carro bem em frente ao portão . O matador prestava a atenção para dentro da casa . Foi ele passar no portão , ainda de arma em punho , para ser alvejado na nádega e , pelo choque do tiro , caiu de bruços no chão deixando escapar a arma ." " Mas o que fez Paulo para ter em seu encalço um matador ? " " Até que eu desconfio ... é destas confusões que sabemos que ele se metia ... " " Se metia ... ? " Sim , isto ainda são consequências de um Paulo que não existe mais , esta foi uma das principais razões de eu ter me determinado a ajuda-lo : ele não podia cair nas mãos de um assassino de aluguel logo depois de estar totalmente no caminho certo , no lado do bem .... "
Por um equívoco , o capítulo 51 foi publicado no blog " Sem Chaveco " . Mas vou ( em algumas horas ) copiá-lo aqui para o " Com Chaveco" . Mil perdões !
51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B . " Mas Pedro , repercutiu aqui em Boca do Monte o tiro que vocês deram num mascate nordestino . Como eu posso , de repente , ver meu marido e meu irmão envolvidos numa tentativa de morte , Pedro ? " " Julietinha , tu bem sabes da minha vontade de jamais faltar com a verdade , principalmente para ti , que és a razão maior de eu seguir no caminho certo . Mas eu fui chamado por Pituca - em razão dele ter pressentido , percebido mesmo , claros sinais de que estava sendo tocaiado - à dar-lhe cobertura para tentar enganar quem queria matá-lo . Paulo é teu irmão , e eu não podia quedar-me inerte sabendo que era quase certo que alguém poderia matá-lo em instantes . Foi assim que acertei ficar num hipotético lugar do Paulo ( que logo depois confirmou-se não ser hipotético , porque o matador veio de revolver em punho ) ... " " E você , meu amado , esteve na linha de tiro do matador ? " Nesta hora , por mais honesto que fosse , Pedro aproveitou para ganhar ainda mais a admiração de Julietinha .... " Não me cabia nada a fazer a não ser ficar na linha de tiro para que o Paulo pudesse por em prática o seu plano . Só o que fiz foi lembrar de ti com todas as forças da minha alma , mas recuar em defender Paulo , confesso que isto nunca me passou pela idéia ... " Julitinha abraçou-o longamente aquele que agora era mais do que seu marido , amante , confidente ... agora Pedro passara a ser também um herói ... o seu herói . "Mas Pedro , e tú não pensastes em ti mesmo ? ... como pudestes aceitar uma missão destas ... ? estes nordestinos costumam nunca errar ... atiram para matar ... " " Confesso que o plano do Paulo era bom , e - apesar dos riscos - confiei que tudo ia dar certo . Pituca escondeu-se no carro bem em frente ao portão . O matador prestava a atenção para dentro da casa . Foi ele passar no portão , ainda de arma em punho , para ser alvejado na nádega e , pelo choque do tiro , caiu de bruços no chão deixando escapar a arma ." " Mas o que fez Paulo para ter em seu encalço um matador ? " " Até que eu desconfio ... é destas confusões que sabemos que ele se metia ... " " Se metia ... ? " Sim , isto ainda são consequências de um Paulo que não existe mais , esta foi uma das principais razões de eu ter me determinado a ajuda-lo : ele não podia cair nas mãos de um assassino de aluguel logo depois de estar totalmente no caminho certo , no lado do bem .... "
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Julietinha e o oficial do vapor . 52 - FIM
"O que ela vem perguntando ?" Disse o Primeiro Oficial à camareira .
" O que ela quer mesmo saber é se o senhor é Gianpaolo ou Giancarlo . "
" Se é assim , conte a verdade , de novo . "
Tal diálogo , entre os dois tripulantes , não causaria surpresa alguma a quem porventura o escutasse ( e, principalmente, o assistisse ) , não fosse um - não mais do que um - reticente piscar do olho esquerdo de Petrucci . Assim mesmo , tal hipotético observador iria se perguntar se aquela piscadela ( - que , convenhamos - tem a simbologia universal de quem camufla uma mentiria ) bem poderia ser um tique nervoso , como devem ter milhões de pessoas na face da Terra a piscar um olho só , ainda que mentiras não estejam querendo sugerir .
" Buon diorno Signora Giulietinha .... Signora Giulietinha .... buon giorno ! " ... repetiu a camareira para a estancieira que dormitava ao sol da manhã ... "
" Olá Rafella , buon giorno para você também ! "
" Eu tenho algo para dizer que talvez lhe interesse .... "
" O que é , Rafaella ...., porque este segredo todo ? "
" É que eu descobri qual dos dois " G " é o Primeiro Oficial ? "
"Como é ? Por Deus , diga logo o que você descobriu .... "
" Eu soube , com certeza , que o Oficial Petrucci trata-se de Giancarlo Petrucci . "
Com o coração aos pulos , a moça emudeceu , embora seus olhos se voltassem de maneira brusca para todos os diversos pontos cardeais das vistas .
" Você tem certeza do que me falou agora ? "
"Tenho mais certeza de que se trata de Giancarlo do que eu me chamo Rafaella . "
" Obrigada , muito obrigada Rafaella . Não deixe de dar uma passada na minha suite para eu agradecer-lhe ainda mais pelo que agora me dizes . "
" Não será preciso outro agradecimento sobre o que eu revelei agora ; basta que eu venha a saber que ( nem que tenha sido por um só momento ) que a senhora chegou a ser uma mulher verdadeiramente feliz ... "
Julietinha surpreendeu-se ao saber que o atalho por que a levara ontem ao convés passava pelos corredores das cabines dos tripulantes graduados .
Com o marido no salão de jogos , a morena de Boca do Monte , vestiu-se - mais uma vez - da maneira mais sensual que podia compor-se - só que de saltos baixos - e foi para onde sabia que Giancarlo estaria acomodado ; sob a promessa interior de que não exitaria em bater em sua porta
Uma surpresa : á distância de apenas um passo do ninho do italiano a porta abriu-se antes dela ali chegar , não sendo necessário diminuir-se moralmente por bater naquela porta . Até neste detalhe Gian fora um cavalheiro , deixando claro que não era só ela quem esperava ansiosamente por aquele momento. Gian envolveu-a num abraço apertado , e , num piscar de olhos, colocou-a para dentro da cabine .
Desta vez nada de diferente dos encontros apaixonados em cabines apertadas , de trens ou navios al mare e a paixão até então recolhida a , digamos , tão somente dentro de seus corações , explodiu em carícias que , como disse um poeta ... foram infinitas enquanto duraram .
E duraram até às duas e meia da madrugada , eis que o cassino fechava sempre às três.
O navio voltou à Barcelona . Foi quando Julietinha sugeriu à Pedro que tivesse uma tarde sozinha para comprar lembranças para as amigas , os parentes . Ele concordou , dizendo que queria conhecer bares de comidas típicas da Catalunha . E , como sempre , beber algumas copas de bom vinho .
Dentro da bela estancieira um prazer a mais . O de saber que o que acontecera tempos atrás , em que Gian não tinha chegado a penetrar nos sonhos de Julietinha , agora tudo acontecera muito mais do que em suas melhores expectativas . Ocorre que a jovem senhora não tinha por Giancarlo somente desejos ardentes . Ela aprendera a admirá-lo como pessoa , talvez mais bonita por fora do que por dentro . E ela saber agora que ele tinha recuperado totalmente a sua condição de homem , de amante completo - e não apenas distanciado dos atos de amor propriamente ditos - trouxe para Julietinha uma calma que há muito tempo não conseguia ter.
Na verdade o que Julietinha fez foi procurar uma igreja que tivesse a luzinha vermelha acesa , aquelas que identificam a presença de um confessor . E a encontrou . Ajoelhou-se e , com a confiança das
verdadeiras católicas contou tudo ao padre ; dizendo também que estava certa de que o que tinha feito não chegava a ser um pecado ; abrindo toda a história trazida na ponta da língua : de que o tempo entre ela e Giancarlo fora ( infelizmente para seu marido ) al revés . Mas que - apesar da ressalva - ela e Giancarlo tinham direito pleno - pelo menos por uma única vez - de se acostarem , como de fato aconteceu . Sim , se fossem à bíblia , se procurassem nos arquivos secretos do Vaticano , lá haveria de estar registrado pelo menos um precedente de que uma entrega naquelas circunstâncias extremas não poderia ser capitulada de pecado .
Foi quando o confessor - com um evidente sotaque italiano - falou-lhe com uma tranquilidade própria dos monges ....
" Quem pede perdão sou eu , Senhora Julietinha .... "
" Santo Deus , como agora este Padre , falando este Espanhol capenga, sabe o meu nome ? " ( pensou a signora ) .
Novamente o padre interrompeu seus pensamentos : " Perdão senhora , mas deve haver um engano nisto tudo ; o que - pressinto - no cambiará o que eu , em nome de Deus , poderei fazer para aliviar a sua alma ... pero , eu é que sou Giancarlo Petrucci - il vero ! - , aquele que - logo depois de conhece-la naquelas circunstâncias - ... retirou-se para servir de forma integral ao Senhor. Prego , Signora , pero Giancarlo era el mio nombre civile , ahora soy Fratello Francesco ... " .
FIM
N.d . A : O verso "que seja infinito enquanto dure " é de Vinícius de Morais .
" O que ela quer mesmo saber é se o senhor é Gianpaolo ou Giancarlo . "
" Se é assim , conte a verdade , de novo . "
Tal diálogo , entre os dois tripulantes , não causaria surpresa alguma a quem porventura o escutasse ( e, principalmente, o assistisse ) , não fosse um - não mais do que um - reticente piscar do olho esquerdo de Petrucci . Assim mesmo , tal hipotético observador iria se perguntar se aquela piscadela ( - que , convenhamos - tem a simbologia universal de quem camufla uma mentiria ) bem poderia ser um tique nervoso , como devem ter milhões de pessoas na face da Terra a piscar um olho só , ainda que mentiras não estejam querendo sugerir .
" Buon diorno Signora Giulietinha .... Signora Giulietinha .... buon giorno ! " ... repetiu a camareira para a estancieira que dormitava ao sol da manhã ... "
" Olá Rafella , buon giorno para você também ! "
" Eu tenho algo para dizer que talvez lhe interesse .... "
" O que é , Rafaella ...., porque este segredo todo ? "
" É que eu descobri qual dos dois " G " é o Primeiro Oficial ? "
"Como é ? Por Deus , diga logo o que você descobriu .... "
" Eu soube , com certeza , que o Oficial Petrucci trata-se de Giancarlo Petrucci . "
Com o coração aos pulos , a moça emudeceu , embora seus olhos se voltassem de maneira brusca para todos os diversos pontos cardeais das vistas .
" Você tem certeza do que me falou agora ? "
"Tenho mais certeza de que se trata de Giancarlo do que eu me chamo Rafaella . "
" Obrigada , muito obrigada Rafaella . Não deixe de dar uma passada na minha suite para eu agradecer-lhe ainda mais pelo que agora me dizes . "
" Não será preciso outro agradecimento sobre o que eu revelei agora ; basta que eu venha a saber que ( nem que tenha sido por um só momento ) que a senhora chegou a ser uma mulher verdadeiramente feliz ... "
Julietinha surpreendeu-se ao saber que o atalho por que a levara ontem ao convés passava pelos corredores das cabines dos tripulantes graduados .
Com o marido no salão de jogos , a morena de Boca do Monte , vestiu-se - mais uma vez - da maneira mais sensual que podia compor-se - só que de saltos baixos - e foi para onde sabia que Giancarlo estaria acomodado ; sob a promessa interior de que não exitaria em bater em sua porta
Uma surpresa : á distância de apenas um passo do ninho do italiano a porta abriu-se antes dela ali chegar , não sendo necessário diminuir-se moralmente por bater naquela porta . Até neste detalhe Gian fora um cavalheiro , deixando claro que não era só ela quem esperava ansiosamente por aquele momento. Gian envolveu-a num abraço apertado , e , num piscar de olhos, colocou-a para dentro da cabine .
Desta vez nada de diferente dos encontros apaixonados em cabines apertadas , de trens ou navios al mare e a paixão até então recolhida a , digamos , tão somente dentro de seus corações , explodiu em carícias que , como disse um poeta ... foram infinitas enquanto duraram .
E duraram até às duas e meia da madrugada , eis que o cassino fechava sempre às três.
O navio voltou à Barcelona . Foi quando Julietinha sugeriu à Pedro que tivesse uma tarde sozinha para comprar lembranças para as amigas , os parentes . Ele concordou , dizendo que queria conhecer bares de comidas típicas da Catalunha . E , como sempre , beber algumas copas de bom vinho .
Dentro da bela estancieira um prazer a mais . O de saber que o que acontecera tempos atrás , em que Gian não tinha chegado a penetrar nos sonhos de Julietinha , agora tudo acontecera muito mais do que em suas melhores expectativas . Ocorre que a jovem senhora não tinha por Giancarlo somente desejos ardentes . Ela aprendera a admirá-lo como pessoa , talvez mais bonita por fora do que por dentro . E ela saber agora que ele tinha recuperado totalmente a sua condição de homem , de amante completo - e não apenas distanciado dos atos de amor propriamente ditos - trouxe para Julietinha uma calma que há muito tempo não conseguia ter.
Na verdade o que Julietinha fez foi procurar uma igreja que tivesse a luzinha vermelha acesa , aquelas que identificam a presença de um confessor . E a encontrou . Ajoelhou-se e , com a confiança das
verdadeiras católicas contou tudo ao padre ; dizendo também que estava certa de que o que tinha feito não chegava a ser um pecado ; abrindo toda a história trazida na ponta da língua : de que o tempo entre ela e Giancarlo fora ( infelizmente para seu marido ) al revés . Mas que - apesar da ressalva - ela e Giancarlo tinham direito pleno - pelo menos por uma única vez - de se acostarem , como de fato aconteceu . Sim , se fossem à bíblia , se procurassem nos arquivos secretos do Vaticano , lá haveria de estar registrado pelo menos um precedente de que uma entrega naquelas circunstâncias extremas não poderia ser capitulada de pecado .
Foi quando o confessor - com um evidente sotaque italiano - falou-lhe com uma tranquilidade própria dos monges ....
" Quem pede perdão sou eu , Senhora Julietinha .... "
" Santo Deus , como agora este Padre , falando este Espanhol capenga, sabe o meu nome ? " ( pensou a signora ) .
Novamente o padre interrompeu seus pensamentos : " Perdão senhora , mas deve haver um engano nisto tudo ; o que - pressinto - no cambiará o que eu , em nome de Deus , poderei fazer para aliviar a sua alma ... pero , eu é que sou Giancarlo Petrucci - il vero ! - , aquele que - logo depois de conhece-la naquelas circunstâncias - ... retirou-se para servir de forma integral ao Senhor. Prego , Signora , pero Giancarlo era el mio nombre civile , ahora soy Fratello Francesco ... " .
FIM
N.d . A : O verso "que seja infinito enquanto dure " é de Vinícius de Morais .
domingo, 31 de março de 2013
Julieitinha e o oficial do vapor - 50
O Primeiro Oficial chamou , tão discretamente quanto pode , uma funcionária , e perguntou-lhe : "Quem é aquela moça que está lá no convés com o violão ? " .
"É a esposa de um brasileiro muito rico . Estão numa cabine master , e ele passa as noites jogando bacarat no cassino " . Ela me parece cada dia mais triste . Dizem que o marido não passa de um novo-rico brasileiro . E o senhor sabe como são os novos-ricos ; mas ela seria uma pessoa muito sensível , terna mesmo ; que , por isto , estaria em conflito com as maneiras que seu marido adotou depois que a fortuna lhe sorriu . Mas ela , cada dia é mais triste ... . Seu nome é Julieta , mais precisamente Julietinha - assim mesmo , no grau diminutivo . "
Foi o bastante para o Oficial imediatamente entristecer-se . A sua musa platônica definhando moralmente e ele sem poder ajudar em nada . Só que começou , com o passar do tempo , a sufocar-se com aquela situação . Tão perto de seu amor platônico e não poder sequer dirigir-lhe a palavra . O certo é que , tão discretamente quanto podia , o binóculo , que deveria mirar possíveis obstáculos , perigos a que às naves estão sujeitas , cada vez mais desviavam-se para os mais diversos locais do navio : onde Julietinha estivesse , ainda que por poucos momentos . Um átimo de tempo já era suficiente para que o marujo soubesse algo , ou pelo menos mirasse a paixão que vivia tamponada em sua alma .
"É a esposa de um brasileiro muito rico . Estão numa cabine master , e ele passa as noites jogando bacarat no cassino " . Ela me parece cada dia mais triste . Dizem que o marido não passa de um novo-rico brasileiro . E o senhor sabe como são os novos-ricos ; mas ela seria uma pessoa muito sensível , terna mesmo ; que , por isto , estaria em conflito com as maneiras que seu marido adotou depois que a fortuna lhe sorriu . Mas ela , cada dia é mais triste ... . Seu nome é Julieta , mais precisamente Julietinha - assim mesmo , no grau diminutivo . "
Foi o bastante para o Oficial imediatamente entristecer-se . A sua musa platônica definhando moralmente e ele sem poder ajudar em nada . Só que começou , com o passar do tempo , a sufocar-se com aquela situação . Tão perto de seu amor platônico e não poder sequer dirigir-lhe a palavra . O certo é que , tão discretamente quanto podia , o binóculo , que deveria mirar possíveis obstáculos , perigos a que às naves estão sujeitas , cada vez mais desviavam-se para os mais diversos locais do navio : onde Julietinha estivesse , ainda que por poucos momentos . Um átimo de tempo já era suficiente para que o marujo soubesse algo , ou pelo menos mirasse a paixão que vivia tamponada em sua alma .
domingo, 23 de setembro de 2012
Julietinha e o Oficial do vapor .
Nesta sessão Julietinha viera de banho recém tomado . De cabelos molhados penteados junto à cabeça ; mas , como sempre , de saia ( esta era plissada ) com altura respeitosa e de blusa quase que totalmente abotoada . A única coisa que mudara é que naquele dia ela viera de sandálias que deixavam boa parte dos pés a mostra fazendo com que Pedro se fixasse neles ainda que em luta íntima para não fazê-lo . Bom , pensou Pedro , tenho que manter-me como o profissional que sou , um memorialista , um biógrafo do interior. "Chega de olhar tanto para os pés da balzaquiana ! ". Balzaquiana eram todas as que passassem ( um dia que fosse ) dos trinta anos . Julietinha fizera trinta há dois meses , a viagem á Europa fora presente do irmão Paulo pelos trinta . Começou a narrativa contando a aproximação do navio ao porto de Vigo na Espanha . Só a aproximação , não chegando a falar do desembarque . Contou que muitas pessoas no navio começaram - ali mesmo - namoros , até mesmo envolvimentos mais sérios . Depois das particularidades do dia ( shows de piano e mágicos , longos drinques , para ela sempre de frutas com um pouquinho de algum licor ) Julietinha jantou e foi para o convés pegar o vento do mar. Foi quando se aproximou o Oficial . Neste momento Pedro perguntou se ele era inglês , talvez alemão , ou sueco ... estas nacionalidades têm tradição no moderno transporte marítimo ; "não é Dona Julietinha ?" " Não" , respondeu ; " Giancarlo é italiano , Pedro" , que deu uma tossida mais forte . "O que foi ? " , perguntou ela . " Não , eu acho que estou com a garganta irritada , Dona Julietinha " . Neste momento Pedro , como de outras vezes , pediu para ir ao banheiro e foi avisado de que hoje deveria usar o banheiro da alcova ( assim eram denominados os quartos de casas de gente com dinheiro ) da moça porque o banheiro da sala estava sendo arrumado por Quita . Julietinha acompanhou-o e Pedro ao fechar a porta olhou e ficou extasiado vendo a calça de baixo estendida num porta-toalhas ( sim naquela época era " calça de baixo " a peça mais íntima das mulheres ). Pedro olhava por longos momentos apoiado na parede . Chegou mesmo a esquecer-se do que viera fazer no banheiro . A calça de baixo era de um branco muito alvo , com delicadíssimas rendas branquinhas nos locais mais mais adequados para tanto . Pensou rápido "... a renda é de Sevilha , ela pode ter parado nas Canárias , sei lá ; e comprou a calça de baixo com rendas de Sevilha " . E ele, que sempre pensara que Nelson Gonçalves quando cantava "tinha rendas de Sevilha a pequena maravilha que seu corpinho adornava " mencionava Sevilha só para conseguir uma boa rima para maravilha .... quanto engano ... ali estava ele frente a frente - já não tinha dúvidas - alem de existirem mesmo, eram lindas as rendas Sevilha ! Pedro continuava muito mais do que sufocado , ele tremia por dentro e por fora quando ; sem saber porque , seu nariz passou perto , mais do que perto da tal "pequena maravilha que seu corpinho adornara " . Só que - ainda bem - foi despertado pelo forte cheiro de sabão , que deveria ser da UFE carioca . Pedro detestava qualquer cheiro vindo de sabão de côco . Enfim desperto , deu uma falsa descarga no vaso e lavou as mãos . Já na sala , de novo reflexivamente olhou para os pés de Julietinha . Pensou ... meu Deus , porque isto agora .... Despertou com a pergunta : tudo bem Pedro ? Sim , Dona Julietinha , vamos continuar ?
" Bem .... acho que o Gian obedecia a regras rígidas , próprias da marinha porque ........ ( " Pedro , tal já é a nossa fraternal convivência , já me acostumei tanto com você que vou confidenciar-te , ainda que pedindo que isto não seja colocado no jornal " ) ... ele nunca chegava a passar o tempo que eu ansiava .... que eu precisava que ele ficasse comigo .... " . Novamente Pedro tossiu , agora ainda mais nervosamente que antes . " Eu estava cada vez mais apaixonada pelo Giancarlo e , ainda mais . pelo distanciamento de todos estes limites que temos por aqui ; minha cabeça girava , girava só de pensar nele , e não pelos longos drinques que eu tomava cada vez mais frequentemente ".
Pedro ainda quis atravessar um pensamento , uma palavra que se opusesse aquilo que achava ser uma insensatez própria da idade de Julietinha ... " mas ele era italiano Dona Julietinha , italianos .... assim como estes colonos italianos que andam pelas ruas em farrapos , fedendo " . " Não ! Mas não mesmo , Pedro ! " Giancarlo é alto e esbelto como um toureiro espanhol . E tinha os olhos mais azuis do que as águas do Mediterrâneo , tinha a cara do Mastroiani .... rescendia a campos de outono na Toscana .... "
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Julietinha e o Oficial do vapor - Primeira parte .
Eu naquela época tinha cinco anos , e estas memórias estão entre as coisas mais remotas que tenho registrado na mente . Paulo era um rico estancieiro , formado como advogado e candidato invicto à vereador : nunca conseguira se eleger. Tinha uma irmã de nome Julietinha , no diminutivo mesmo , como não era incomum naqueles anos idos. Se Paulo era um estancieiro e candidato a vereador encalhado , Julietinha - por sua vez - nunca conseguira casar . Com meios, com dinheiro para viajar o quanto quizesse , Paulo ofertou à irmã uma passagem de navio ( que chamavam de vapor ) para a Europa. Nestes casos , ao voltarem da viagem , os ricaços da época , como Julietinha e Pulo Becerra , botavam no jornal da cidade algo como "O diário de bordo" . O certo é que Julietinha chamou Pedro ( o primeiro ghost writer de que ouvi falar ) - para por no papel as suas aventuras européias . Pedro - além de pretender conseguir com tal trabalho por os aluguéis atrasados em dia também comungava da curiosidade da cidadezinha que era a de saber se Julietinha tinha - enfim - se entregado aos jogos de Eros . Para poder publicar o diário de bordo , Julietinha teria que se confessar à Pedro . Assim foi ... ela no começo falou ... falou ... mas nada de contar algo na direção ansiada ; sobre se teria se entregue aos jogos de Eros . Pedro perguntava , sugeria , tentava cercar Julietinha , mas ela ... nada . Sem que Pedro soubesse o porque , num belo dia ela começou a tangenciar o assunto por dizer que " .... conheci o oficial " . Pedro aos poucos descobriu que se tratava do marujo de patente inferior ao Comandante do navio . É que o jornalista já era mestre no ( para ele ) nascente gênero de fantasma escrevedor , dando corda : - fale mais , Dona Julietinha , fale do tenente .... do tenente do navio , como ele era Dona Julietinha .....
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