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quinta-feira, 23 de maio de 2013

49 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B .

Severino aceitou não se matar até pelo menos que Paulo Becerra voltasse do encontro com Zé Arataca em  Recife  .  Se o Arataca o liberasse voltaria à vida normal.

Em Recife  Paulo foi ao restaurante Alfaiate e chamou um garçon que tinha certeza que faria o contato . Deu um nome fictício , mas disse que vinha  em nome de  Severino Belarmino .  E  passo a passo foi fechando o ponto,   até que ficaram  frente a  frente  .  Depois de vários instantes de mútuas exposições de força os ânimos foram serenando , principalmente quando Paulo Becerra declarou que aceitava  assumir a sua parte na perda da remessa de ouro que fora tomado pela polícia no acidente do carro .

A conversa terminou em brinde no próprio restaurante da Praia da Boa Viagem ,  com  Arataca levando Pituca até o Hotel , despedindo-se com abraço e tapas nas costas .  Ficaram de encontrar-se  na manhã seguinte , oportunidade em que o contrabandista nordestino apresentaria a conta a ser paga pelo gaúcho de Boca do Monte .

No outro dia Arataca  foi direto : " Ocê me deve nada menos do que 10 quilos , que hoje vale  300 mil . Mas não se avexe não ,  nós podemos dar um jeito de ocê  não precisar  de botar a mão no bolso e ,   mesmo deixando  tudo  certo  com este seu amigo pernambucano ,  ainda poderá  embolsar  um  por fora .   É que agora temos negócios  mais lucrativos a explorar . "

Paulo entendeu que Zé Arataca estava jogando a rede para vôos ainda mais altos e complicados  do que o de  contrabandear ouro para a Europa através da fronteira do extremo Sul do país .

- " E quanto à liberação do Severino ,
O homem está lá  dizendo que é eu ou ele ... e não sendo eu ...."

- " Pensando bem ele fez muito bem em não cumprir  a encomenda ... diga  pro cabra que ele pode voltar ...  que nada vai lhe acontecer ... mas que eu fico com o crédito na mão dele . "

Marcaram  reunião  para o outro dia  , oportunidade em que se adiantariam  nas  decisões a serem tomadas.

Mesmo com tanta cerveja tomada , Paulo  não dormiu direito só pensando  na  possibilidade de economizar a dinheirama e  - como disse Arataca -  ainda  ganhar  um por fora .  Demorou , mas o sono chegou .




sábado, 24 de novembro de 2012

Julieitinha e o oficial do vapor - 18 A

- "Afinal , como é que acabou a história do oficial italiano ?    Por que vocês não chegaram até o final esperado de um casal que está sozinho num  navio em alto mar  ?  "

" Bem ,  para mim  foi  o destino que  me  levou  a que eu fosse só  do homem  para quem nasci .  Só que a parte prática disto foi  muito engraçada  .  Resolvi viajar para a Europa   para tentar  mudar a  história da minha vida ,  eu estava saturada dessa   gente  que  acha  que  não podemos  conviver  com os  pobres ...     te confesso que  ao chegar aos  trinta  resolvi  buscar  novos ares  ..."

" É  com  todo este preconceito  que teremos  que  nos  bater  agora  ...  imagines  tu  ,  a  estancieira ,  casando com um naba ...."

Pedro olhava  a  nudez de Julietinha que , abraçada a ele  ,  falava  com a ternura que só os  novos amantes conseguem ter :  " Não , não  !   tú não és um naba  , isto não !  "

"Julietinha , se me sacudirem  pelas  pernas  não cai  um centavo ...."

" Mas se   falta  dinheiro  ... sobra-te  , e  muito ,  coisas muito  mais importantes do que os outros  possam ter,  Pedro querido."

" Mas  voltando  ao  italiano .  Por outras palavras ...  tu  naquele momento quisestes  mesmo o belo Giancarlo ? "

"Não é bem que eu  o  quisesse - ou não -   ,   porque quem eu queria mesmo era  a  ti  ;  mas  a providência fez com que a minha  falta de vontade de ser do Gian  não chegasse a ser comprovada  ... "

" Sinceramente  não entendi "  -  respondeu Pedro de forma hipócrita ...

" Bom , tu te lembras que na hora em que estávamos abraçados  - eu e o Giancarlo -  tocou uma  sirena de alarme avisando  de  que algo  de perigoso estava acontecendo  no  navio ? "

" A minha  sirena salvadora , não foi ? "    disse Pedro acariciando o corpo da mulher ...

"  as  tuas  ironias  de sempre  ... ;  pois é .... chegamos lá fora  ....  eu tropeçando nos saltos altos  ...  só  que    nada de anormal acontecia no navio .... tudo tranquilo ...   mesmo assim Giancarlo correu para a ponte de comando ... "

"  já vistes   O   Belo Antonio  , com  o  Mastroiani   e  a Cardinalle ?  ...

" Vi sim  ....  e  acho que tu estás querendo  comparar as histórias ...  agradeço por ter sido  para ti  -  naquele  navio  -  a Claudia Cardinalle ... "

" A Cardinalle é uma mulher bonita  ...mas tu és mais do que isto ... tu és linda ... "    ..  e  rolaram na cama  com  Pedro  sussurrando  no  seu ouvido uma poesia feita  para ela   pouco antes  dele chegar ali ,   no esconderijo  que agora  dividiam   ...

... um dia ele chegou diferente do seu jeito de sempre chegar
olhou-a dum jeito mais quente do que sempre costumava olhar
e não maldisse a vida quanto era seu jeito de sempre falar ...

.....





domingo, 23 de setembro de 2012

Julietinha e o tenente do vapor - Terceiro ato

Pedro cada vez insistia mais ... ' afinal Julietinha , o que aconteceu entre a senhora e o tenente .   Eu vim aqui    com um encargo , uma missão mesmo ... que é a de retratar o que em verdade aconteceu na sua viagem a Europa mas você .... a senhora não conclui , não vai ao ponto importante de sua viagem .   Neste ponto , Julietinha retrocede ... " não  eu tive outros fatos importantes . Conheci Lisboa , Londres , Paris ... " . Mas Dona Julietinha ... apesar de todas estas viagens serem importantes , eu , como um agora quase seu biógrafo , tenho - pelas responsabilidades que são próprias , são da honra do biógrafo ... !       de  mostrar  o que de fato aconteceu ....

Neste momento sem que os dois percebessem as suas pernas estavam mais do que simplesmente se tocando uma na outra  , Pedro contou-me depois que , mesmo sem que ele tivesse percebido,  sem que quisesse   ,  sua perna quase pressionava a de Julietinha . Só que , por cinfusào ,  não dava para perceber se a pressão vinha da perna dele ou dela . Ou de ambas , eu concluo .

Neste momento Paulo ( quase um mecenas para o literato da cidadezinha ) , o irmão,  chegou  à sala  e , instantaneamente ,  as  pernas retrocederam a uma distância digamos , normal.

Paulo pergunta se as sessões de coleta de lembranças estavam acontecendo normalmente e ambos respondem que tudo estava indo muito bem , só que demorava um pouco mais  em razão de as emoções , as alegrias vividas na Europa terem sido muitas e,  quase sempre , de arrepiar .


Prezadíssimos 60 s .   Tenho que extrair as lembranças que estão esmaecidas na memória .  Na verdade vou montando o quebra-cabeças de Pedro e Julietinha pouco a pouco , principalmente porque tenho que transcrever o que de fato pintou ... o que verdadeiramente rolou entre Julietinha e o tenente .  Mas prometo que  - ainda que tenha que falar com Pedro , ou com o Sapiran , que também foi confidente do Pedro , para
evitar qualquer equívoco .  Não percam os próximos capítulos !


Julietinha e o Oficial do vapor - Primeira parte .

Eu  naquela época  tinha cinco anos ,  e estas memórias estão entre as coisas mais remotas que tenho registrado na mente .   Paulo era um rico estancieiro ,  formado como advogado e  candidato invicto à  vereador : nunca conseguira  se eleger.  Tinha uma irmã  de nome Julietinha ,   no diminutivo mesmo , como não era incomum naqueles anos idos.  Se Paulo era um estancieiro e candidato a vereador encalhado , Julietinha  - por sua vez -  nunca conseguira casar .  Com meios, com dinheiro  para viajar  o quanto quizesse ,  Paulo  ofertou à irmã  uma  passagem de navio ( que chamavam  de  vapor )  para a Europa. Nestes casos , ao voltarem  da viagem ,  os ricaços  da época ,  como Julietinha  e Pulo Becerra  ,  botavam no jornal da cidade algo como "O diário de bordo" .  O  certo é que  Julietinha  chamou Pedro ( o primeiro ghost writer de que  ouvi falar ) -  para por no papel  as  suas aventuras européias  .   Pedro - além de pretender  conseguir com tal trabalho por os aluguéis atrasados em dia  também  comungava da  curiosidade da cidadezinha  que era a de  saber se Julietinha tinha  - enfim -  se  entregado aos jogos de Eros . Para poder publicar  o diário de bordo , Julietinha teria que se confessar à Pedro  .  Assim foi ...  ela  no começo falou ...  falou ...  mas  nada  de  contar  algo na direção ansiada ;  sobre  se  teria  se entregue  aos jogos de Eros  .   Pedro perguntava , sugeria ,  tentava  cercar Julietinha  , mas ela ... nada . Sem que Pedro soubesse o porque , num belo dia  ela começou  a tangenciar o assunto  por dizer que  " .... conheci o oficial "  .   Pedro aos poucos  descobriu  que se tratava  do  marujo  de patente  inferior  ao Comandante  do navio .  É que o jornalista  já  era   mestre no  ( para ele )   nascente gênero de fantasma escrevedor  ,  dando  corda : - fale  mais , Dona Julietinha ,  fale do tenente  .... do tenente  do navio  , como ele era Dona Julietinha .....

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