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quinta-feira, 30 de maio de 2013

56 - Julietinha e o Oficial do Vapor - final B .

Bandido :  "  Mas tá de renguiá cusco , menino Pituca "       [  O minuano cortava a pele e gelava os ossos .   No galpão da  estância  ,  Bandido e  Paulo Becerra  se aboletaram à beira da fogueira em  pequenos bancos toscos  em  meio de bois ,  e ovelhas  que  de vez em quando roçavam  os mourões de   angico que ,  de tanto  o gado  ali  esfregar-se  ,  já estavam  lustrados como se  alguém os fizessem  brilhar diariamente com  pano de  flanela ;   Bandido passou a cuia do mate amargo fumegando  para Paulo Becerra .  "De renguiá cusco "  era a expressão com que o homem  do campo exortava o frio ,  mormente quando  a temperatura descia  abaixo de zero . A expressão  " de renguiá cusco " - se é que isto  pode ser  explicado  com exatidão   -  origina-se  da  percepção do  gaúcho de quando o frio é intenso  faz  com que os cachorros de pequeno porte  - chamados pelo povo de "cuscos"  -   andem somente em três patas ( ficando "rengos" , mancos  portanto ), ocasionando  esta  quase atrofia no andar dos animaizinhos  , mas que se desfaz logo que a temperatura  aumenta  .  ]     "  É isto mesmo ... "      esfregava as mãos tentando aquecê-las  .   É isto mesmo  "  ...   tá  do carancho comer os filhos ... "   [ já esta fala  refere-se a uma espécie de toupeira - o carancho -   que , quando o frio é demasiado , não sai da toca para comer ,  alimentando-se dos próprios filhotes ]    " Na verdade  eu queria falar contigo  menino Pituca  sobre as  experiências  e modificações  no trabalho  , no  manejo  em geral , que tenho feito  em diversos setores  das propriedades . Mas te digo que  não estou me dando mal com tais experimentos , muitos deles  aprendidos na Austrália ... "


Paulo Becerra , o Pituca  :  " Ninguém mais do que eu admira o sucesso de sua administração ,  Amigo Bandido .  Estou de boca aberta com o senhor eis que sempre pensei que só eu - e ninguém mais -  poderia  tirar o melhor resultado econômico de nossas terras .  Para te falar a verdade , concluí  que  sem a minha presença nas estâncias  as coisas andam melhor do que quando  eu estou  por lá  ... "   Disse Pituca abrindo-se numa gargalhada .


Bandido :  " Eu agradeço tuas palavras ,  Pituca  -  mormente por vir de ti  , filho  de  uma das melhores almas que Deus pôs em meu caminho , o saudoso  amigo Paulo Becerra . "


Pituca : " Da minha parte eu fico feliz em termos , nós os Becerras ,  unido as  nossas famílias :  Becerras  e  Santiagos ,  também agora pelos laços do matrimônio de  Julietinha  com o seu filho  Pedro  ,   tão  correto  ,  sempre tão gentil  ,   de tantos  bons princípios morais   ... "

Dito isto devolveu a cuia à Bandido que deu uma cevada na erva mate , enchendo novamente a cuia com a água que assobiava na chaleira ...


Pituca : " Mas amigo Bandido ... "   (  re- começou  Pituca já com os olhos mareados )    " ....  eu quero aproveitar o momento para  confessar-lhe algo que eu só diria  a meu próprio pai se vivo estivesse . Tudo porque  que estou numa situação complicada e preciso desabafar com alguém ... "


Bandido : " Pode confiar , como se eu fosse mesmo o teu querido  Pai ,  guri Pituca ! "

Paulo contou em detalhes ,  o fato de a  sociedade local , preconceituosa  como poucas , não estar  preparada para - de forma tranquila -  receber a mulher que ele tanto amava : a sua Valéria .


Pituca :   " E vou confessar ,  Amigo Bandido ,   eu não sei do que seria  capaz se alguém , pelo mínimo que fosse  , viesse  a  desfeitear  a minha polaquinha . "

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