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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

94 - Julietinha e o oficial do vapor - final B

Chegou a vez de Aramis falar . Athos , que tinha arranjado uma forma de sentar do lado dela , por baixo da mesa colou sua perna na da bela descendente dos indios guaranis. Ela , por sua vez , não fugiu do singelo assédio de Athos . Admitiu que , por baixo da mesa se tocassem cada vez com mais ansiedade. Acostumada à realidade crua da vida , Aramis não tremeu . " Todos sabem a minha origem neste país . Mas nem todos reconhecem que uma bailarina de cabaret , como eu fui antes de que os Novos Mosqueteiros cruzassem meus caminhos , não vive para dançar nos muitos Bocas de Ouro , pelo mundo afora . Mas sim , dança para viver . Athos , quando foi ao meu pluebo , Colcabamba , no interior do meu país viu a nossa realidade de pobreza . Minha mãe , ainda criança foi trazida para o Brasil , sendo forçada a relacionar-se com o estancieiro para quem trabalhava. Grávida , foi novamente forçada a deixar por lá uma hija que , todavia , nunca esqueceu um minuto sequer . Sem pai , restou-me a alternativa de sobrevivência que vocês , irmãos Mosqueteiros , conhecem . Hoje eu , como todos vocês , sinto-me digna de poder receber a minha parte destes alívios de excessos realizados . Nunca passou pela minha cabeça , convencida que fui por vocês , estar fazendo algo que fosse ainda que de longe , errado . Estamos , estou lançando mão do que é meu , do que é nosso no grande latifúndio chamado mundo . Mas nem tudo foram tristezas . Há não muito tempo conheci uma pessoa que me tratou com amor e respeito . Assim é que eu penso receber a minha parte e - tão rapidamente quanto me for possível - procurar tal pessoa , tal senhor que , pelo que eu sei é um homem desquitado neste país , portanto livre para receber-me - se assim quiser . E é com ele que eu irei dividir a minha parte , os meus dólares . " D ´Artagnan nem pediu a palavra , interrompeu firmemente : " Irmã de armas Aramis , este é o risco que eu sempre temi . Um de nós afeiçoar-se por pessoa de fora do nosso grupo e , por amor - talvez até por carência - abrir para o terceiro os nossos segredos . Sendo assim , eu volto a enfatizar o risco que é liberarmos os alivios para qualquer dos Mosqueteiros . O que os irmãos acham ? Foi Aramis quem voltou a falar , eis que ela tinha sido abruptamente interrompida por D ´Artagnan : " Que me desculpe o primeiro dos mosqueteiros . Mas o que eu vou dizer contraria suas conclusões . Eu pretendo mesmo abrir minhas conquistas pecuniárias ao meu escolhido . Que sequer sabe que eu o escolhi " Neste momento Athos , ao ver que Aramis já era comprometida com alguém recolheu-se , com o rosto totalmente retráido . O Mosqueteiro Athos teve uma última dúvida : " Mas será que ela não notou que , ao roçar a minha coxa na dela , eu estava passando a ela que eu a queria muito ? " Athos retariu-se ainda mais , como se fosse possível vontar-se totalmente para dentro de si mesmo . Mas Aramis continuou : " Não , Novo Mosqueteiro D ´Artagnan . Eu não vou revelar a quem quer que seja a nossa aventura , que - esperamos - resultará na nossa própria ventura . A pessoa que tocou o meu coração , está aqui presente e a ele eu entregarei de bom grado o meu dote : " Athos , você quer casar comigo ? "

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

78 - Julietinha e o Oficial do vapor . Final B

No meio da madrugada - e pouco depois de  D´Artagnan  aliviar  o  furgão original  -  Pituca e Aramis escorregaram ladeira abaixo  o furgão  deles .  Pouco a pouco , muito devagar mesmo,   o carro foi ganhando alguma velocidade - mas só pela lei da gravidade -  na descida  da baixada .  Os pretensos sócios - Pituca e Aramis -   rezavam para que nenhum dos capa-pretas aparecesse  na porta , certamente  de  arma na mão , provavelmente  dando tiros na direção  daqueles  que furtavam  a  que  seria  a maior das remessas de dólares -  estimava-se que estariam ali vinte milhões deles  -  que  , em princípio , deveriam estar guardados pelos Capa Pretas   até  que fossem  entregues à  agência  cisplatina do banco  nos Alpes .

Enfim Pituca colocou a  segunda marcha  para  com ela  dar o tranco no carro  que fez  o motor  pegar .   Ainda que olhasse no retrovisor  -  e como ele  olhava !  -   o estancieiro nada via , só  a escuridão  do  momento  mais escuro da madrugada . Além disto ,  ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas  dormiam  não  representando  perigo algum  para quem  fugiu  com  , ou  melhor , sem  a carga   dólares .  Pituca e Aramis  deram altas gargalhadas  ao  pensarem  como os guardas  despertariam . Será que  entrariam em choque  ?
Era provável ;   muito provável  ,  que  eles queimariam as próprias  naves para  - então -  estabelecerem-se  naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os  espertos ,  os  que  furtaram  os dólares    que  acabaram  de  vazar ladeira abaixo ,  os construtores de Brasilia   não perdoariam  aqueles  capa-pretas que  sempre foram pagos  regiamente  pelo serviços que prometeram  fazer  com total  dedicação .

Mas foi  o amor ,  a paixão  por  àquelas belas gauchas que  modificou  o caráter  dos seguranças , vindo-se  mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas  que diz que mais puxa um  par de pentelhos do que uma junta de boi  brazino .

Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante .  Tudo porque sabia que  Aramis era do Taquarembó  -  um pueblo perdido  no interior  da República  Oriental  -  também conhecida como república cisplatina .  Pela sua forma de ver a vida , as pessoas ,  e o mundo ,    Pituca  pensou que Aramis  se  emocionaria tanto ,   ao ver em suas mãos cem mil dólares  , que  não se daria conta  da  relatividade  entre  os valores  que restariam para  cada um dos hipotéticos sócios .  Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados -  ,  duzentas vezes o que  caberia  á  Aramis .

O certo  é que  Pituca  nunca  desconfiou  que isto  poderia  o seu  plano  ao fracasso .  E , certamente , ajudou  no seu  fracasso  .  Imaginemos que  Pituca dividisse  meio a meio  os  vinte milhões  . Provavelmente , nem assim Aramis  trairia  Os Mosqueteiros . Provavelmente .

Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .

Aramis despediu-se de  Pituca ,  ficando  certo que daí há duas horas encontrariam-se  no  saguão do hotel  , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .

O dinheiro de Brasilia tornou-se  agora a esperança  de  Pituca  entrar numa bolada federal .






sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Julietinha e o oficial do vapor . 24

Julieitinha e Pedro viviam a felicidade dos  apaixonados .   Sabiam que ninguém na cidade , e muito menos Paulo , aprovaria aquela vontade intensa de estarem juntos , de se tocarem e até mesmo , de se cheirarem .  Foi quando Paulo recebeu uma carta anônima . Nela dizia , com poucas palavras , que a irmã e o amigo estavam se encontrando às escondidas numa casinha de cor verde , quase uma tapera ,  situada no Povo Novo , do lado esquerdo da igrejinha do João Turco.  Paulo sentiu-se logo traído por ambos ; mais  pela irmã porque ela não ouviu  seus conselhos de continuar tentando encontrar um partido de boa família , pertencente ao mesmo nível social que eles . Paulo achava que que era inaceitável  Julietinha  se entregar a uma pessoa da categoria de Pedro .   Bebeu  copos  de conhaque e quanto mais  a bebida  subia , mais ele pensava nas razões de , havendo tantas moças , tantas  mulheres prontas para casar na cidade ,   Pedro  ter  escolhido logo a sua Julinha , a irmã única que ele cuidava com tanta dedicação .  Claro ,  só podia ser pelo dinheiro  . Um pelado daqueles decidira o caminho  mais fácil  de  livrar-se da miséria :  fazer a corte para a moça,  já madura ,   de uma família bem posta ,  com fortuna originada em trabalho honesto ,  desimpedido de qualquer trampa ; dinheiro limpo que lhe estaria disponível no mesmo momento em que se  amarrasse  com ela .  Paulo não se conformava.  Foi  quando resolveu ir até o que pensava ser o  ninho de amor bastardo do casal.   Subiu  na  Caminhonete Chevrolet recém comprada com o dinheiro entrado pela venda  de uma  boiada carneada  no frigorífico construído pela associação dos estancieiros da região e exportada para a Europa ;  e foi para o Povo Novo .  Chegou e  ficou parado por um bom tempo nas proximidades da igreja do João Turco , mirando a pequeníssima casa verde , e logo  percebeu a possibilidade de que naquele momento o  casal estivesse por lá ,  " talvez  atados por largos momentos como fazem os cachorros " .
Na verdade , Julietinha e Pedro aproveitavam o aconchego das pequenas peças para cochilarem um nos braços do outro .  A felicidade apaixonada foi interrompida por batidas fortes na porta ,  o sobressalto  foi imediato . Como alguém poderia bater numa casa de moradores completamente desconhecidos para todo mundo ?   Paulo esticou o braço , já protegendo Julietinha . " Não te preocupes , fiques aí que eu vou atender "  .  Deve ser o cobrador do aluguel que deve ter vencido ontem , ou hoje .  Beijou rapidamente a mulher , vestiu a calça quando ouviu-se  novas batidas ainda mais ameaçadoras .  Pedro abriu a porta e viu Paulo  já  com o braço esticado , com o revólver há não mais do que meio metro do  seu peito :  Te prepares para morrer , canalha !   A distância era suficiente para que Pedro sentisse o cheiro de álcool   que a boca de Paulo exalava fortemente .  "Não faça isto ! "   gritou em vão Pedro .  O meio-pedido ,  a meia-advertência , não foram ouvidos pelo   já  naquele momento quase assassino ...  Paulo puxou o gatilho duas vezes .  Pá !  Pá !

sábado, 24 de novembro de 2012

Julieitinha e o oficial do vapor - 18 A

- "Afinal , como é que acabou a história do oficial italiano ?    Por que vocês não chegaram até o final esperado de um casal que está sozinho num  navio em alto mar  ?  "

" Bem ,  para mim  foi  o destino que  me  levou  a que eu fosse só  do homem  para quem nasci .  Só que a parte prática disto foi  muito engraçada  .  Resolvi viajar para a Europa   para tentar  mudar a  história da minha vida ,  eu estava saturada dessa   gente  que  acha  que  não podemos  conviver  com os  pobres ...     te confesso que  ao chegar aos  trinta  resolvi  buscar  novos ares  ..."

" É  com  todo este preconceito  que teremos  que  nos  bater  agora  ...  imagines  tu  ,  a  estancieira ,  casando com um naba ...."

Pedro olhava  a  nudez de Julietinha que , abraçada a ele  ,  falava  com a ternura que só os  novos amantes conseguem ter :  " Não , não  !   tú não és um naba  , isto não !  "

"Julietinha , se me sacudirem  pelas  pernas  não cai  um centavo ...."

" Mas se   falta  dinheiro  ... sobra-te  , e  muito ,  coisas muito  mais importantes do que os outros  possam ter,  Pedro querido."

" Mas  voltando  ao  italiano .  Por outras palavras ...  tu  naquele momento quisestes  mesmo o belo Giancarlo ? "

"Não é bem que eu  o  quisesse - ou não -   ,   porque quem eu queria mesmo era  a  ti  ;  mas  a providência fez com que a minha  falta de vontade de ser do Gian  não chegasse a ser comprovada  ... "

" Sinceramente  não entendi "  -  respondeu Pedro de forma hipócrita ...

" Bom , tu te lembras que na hora em que estávamos abraçados  - eu e o Giancarlo -  tocou uma  sirena de alarme avisando  de  que algo  de perigoso estava acontecendo  no  navio ? "

" A minha  sirena salvadora , não foi ? "    disse Pedro acariciando o corpo da mulher ...

"  as  tuas  ironias  de sempre  ... ;  pois é .... chegamos lá fora  ....  eu tropeçando nos saltos altos  ...  só  que    nada de anormal acontecia no navio .... tudo tranquilo ...   mesmo assim Giancarlo correu para a ponte de comando ... "

"  já vistes   O   Belo Antonio  , com  o  Mastroiani   e  a Cardinalle ?  ...

" Vi sim  ....  e  acho que tu estás querendo  comparar as histórias ...  agradeço por ter sido  para ti  -  naquele  navio  -  a Claudia Cardinalle ... "

" A Cardinalle é uma mulher bonita  ...mas tu és mais do que isto ... tu és linda ... "    ..  e  rolaram na cama  com  Pedro  sussurrando  no  seu ouvido uma poesia feita  para ela   pouco antes  dele chegar ali ,   no esconderijo  que agora  dividiam   ...

... um dia ele chegou diferente do seu jeito de sempre chegar
olhou-a dum jeito mais quente do que sempre costumava olhar
e não maldisse a vida quanto era seu jeito de sempre falar ...

.....





quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Julietinha e o oficial do navio - 15

Quarta-feira ,   Pedro bate na porta para a sessão de  colheita de informações do relato da viagem de Julietinha . Ela mesmo vem atender  .

- Pedro , entra ...

- Pedro , que trazia um ramo de  flores do campo  bem  variadas  sorriu  ... Dona Julietinha ... a senhora quer namorar comigo ?

Julietinha ficou séria :  " Tu não achas que é muito cedo " ?

" -  Muito cedo .....  eu estou esperando por este momento há  anos e tu  me  dizes  que é muito cedo ? "

- Por mim eu  daria  o sim  agora , mas antes tenho que falar com o meu irmão  ..

Pedro fechou o rosto ..... " - O que  teu  irmão tem a ver com nós dois ... ? "

"- É que moramos aqui ; desde que  meus pais partiram  o Paulo  assumiu a casa  .... tenho que falar com ele antes de te dar uma resposta "

"- Não Julietinha , não adiantes nada a ele ...  com o Paulo eu falo ... mas eu quero saber é de ti ... aceitas  ter-me como namorado  ? "

"- Não só aceito como sou a pessoa mais feliz  do mundo  por ouvir isto de teus lábios  , só que  quanto ao  Paulo , eu  te peço para que eu mesma fale com ele ...  no mais ,  tudo fica  como antes ...  tá bem ?

Entraram e passaram  à formalidade de sempre .

- Dona Julietinha , em que dia  o vapor aportou em Vigo ?

-  Foi no dia  27 de fevereiro .....

Conversavam  sobre o que agora pareciam  ser  generalidades até que Quita surgiu para perguntar se já poderia ir à feira  da praça do relógio ...

- Sim , Quita , deixei a lista de compras em cima da mesa da cozinha ...


Mal Quita batera a porta  Julietinha  abraçou Pedro com todas as suas forças ...

-  Sim , até que eu tentei  me aproximar de outras moças , mas você sempre aparecia   e  daí para frente nada mais dava certo ....

Ao  ouvir isto lágrimas  praticamente  saltaram  dos olhos  da moça ....  "  não repare ,   eu me contive lá fora ... mas ao ouvir isto ...é que comigo acontecia  o mesmo ,   deves ter percebido a forma que eu olhava para ti  ,   quando  nos aproximávamos  parece que tinhas um imã ao qual  eu tinha  que resistir muito , ainda bem que agora não preciso mais fugir de ti ...  .  desde cedo guris  vinham  conversar  , mas eles eram tão diferentes de ti , todos estancieiros , se bem que nós também somos  proprietários ...  mas é que  eles  desde  meninos  já  se  preocupam  com  o preço da  arroba do boi ...  essas  coisa daqui   .   Mas tu és diferente ... olhas  e falas  o que sempre eu quero ouvir ...  mas vamos mudar de assunto  , eu tenho tanto para  te perguntar ... fiquei preocupada quando contaram que tivestes que ir ao quartel  ... "

" - Sim , foram me buscar e me levaram até  lá  ..."

-  Mas o que eles perguntaram ?   eu nunca soube  que  tinhas  preferências neste assuntos ..

-  São meus escritos no jornal .... eu escrevi no natal uma crônica que eles não gostaram .... foi   A Ceia dos Vira-Latas ....."  ;   em  determinado momento o Bandeira  me perguntou ...  " tu  és  um  dos do contra , não és   ? "    .   Eu respondi ....  "não , e o senhor é ? "    " Ele chegou a levantar  a mão para me dar um tapa , mas o  Orlando segurou-a  já no ar .... "

"- Pedro , por que  responder assim ?     Tu sabes como eles estão .... por qualquer coisa  já  explodem , daí para à  perseguição aberta é um nada ."

.....

"  E  esta camisa  ?    vejo que a tua roupa  é nova ,  um misto do cheiro do corpo com  o do algodão recém    vestido ... "

" -  Consegui  receber  um dinheiro  e aproveitei para comprar duas camisas e mais umas roupas ... afinal  eu vinha te pedir em namoro .... "

" - Mas como estás bonito meu Pedro , ainda mais do que ontem   ...."


Passou um bom tempo ,  ditado  pela  intuição e generosidade de  Quita ,  até que  a porta se abriu .....

- Só não trouxe o mogango , Dona Julietinha   , não me pareceram  estar  bons ....

- Não faz mal Quita ,  espero que tenhas comprado  outra coisa para fazermos o doce ....

- Sim , comprei origones ...


Com Quita por ali  voltou a  conversa sobre a viagem , Pedro  agora fazia  perguntas com duplo sentido , maliciosas mesmo ( pensando que o italiano era mesmo impossibilitado a uma relação mais íntima )  ...

Até que  de repente parou tal assunto  e sua voz  demonstrava  tensão .   Contou  o  que acontecera com seu  caderno ... de suas conclusões sobre uma das suas melhores poesias terem sido publicadas por ninguém menos do que Chico Rosa ...   Julietinha preocupou-se muito .... logo ela que  tanto admirava o príncipe dos poetas .....

" De agora em diante eu preciso  manter um arquivo dos meus escritos em mãos confiáveis ... e quem melhor do que tu para guardá-los ....  ? "

" Sim podes deixar comigo ,   teu trabalho , para mim  valerá tanto como um tesouro ."

" Além disto , eu queria que me ouvisses sobre umas mudanças  acontecidas om o modo de eu escrever  ; é que antes eu  costumava redigir  uma passagem , um texto qualquer e depois sair fazendo aquilo que eu chamo  de catar pulgas ;   revisando-o  até  que ele  me contentasse  totalmente ... "

" Mas isto é assim com  todo mundo ... "

" Mas agora é  diferente .... Julietinha .   Tem determinados escritos que já me vêem prontos à cabeça   sendo inútil tentar melhorá-los .... nesses momentos, não em todos ,  escrevo  num impulso só  ...

Foi quando  chegou Paulo, o que ocasionou  as despedidas do jornalista ...  " eu já estava de saída ... " .

Paulo , que  nas conversas com amigos estancieiros sempre dizia que " o amor pode muito , mas o dinheiro pode tudo "   ,  a  cada  dia se  preocupava mais com aquela aproximação da irmã com um pelado , como  Pedro era  .




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