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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
94 - Julietinha e o oficial do vapor - final B
Chegou a vez de Aramis falar . Athos , que tinha arranjado uma forma de sentar do lado dela , por baixo da mesa colou sua perna na da bela descendente dos indios guaranis. Ela , por sua vez , não fugiu do singelo assédio de Athos . Admitiu que , por baixo da mesa se tocassem cada vez com mais ansiedade. Acostumada à realidade crua da vida , Aramis não tremeu . " Todos sabem a minha origem neste país . Mas nem todos reconhecem que uma bailarina de cabaret , como eu fui antes de que os Novos Mosqueteiros cruzassem meus caminhos , não vive para dançar nos muitos Bocas de Ouro , pelo mundo afora . Mas sim , dança para viver . Athos , quando foi ao meu pluebo , Colcabamba , no interior do meu país viu a nossa realidade de pobreza . Minha mãe , ainda criança foi trazida para o Brasil , sendo forçada a relacionar-se com o estancieiro para quem trabalhava. Grávida , foi novamente forçada a deixar por lá uma hija que , todavia , nunca esqueceu um minuto sequer . Sem pai , restou-me a alternativa de sobrevivência que vocês , irmãos Mosqueteiros , conhecem . Hoje eu , como todos vocês , sinto-me digna de poder receber a minha parte destes alívios de excessos realizados . Nunca passou pela minha cabeça , convencida que fui por vocês , estar fazendo algo que fosse ainda que de longe , errado . Estamos , estou lançando mão do que é meu , do que é nosso no grande latifúndio chamado mundo . Mas nem tudo foram tristezas . Há não muito tempo conheci uma pessoa que me tratou com amor e respeito . Assim é que eu penso receber a minha parte e - tão rapidamente quanto me for possível - procurar tal pessoa , tal senhor que , pelo que eu sei é um homem desquitado neste país , portanto livre para receber-me - se assim quiser . E é com ele que eu irei dividir a minha parte , os meus dólares . " D ´Artagnan nem pediu a palavra , interrompeu firmemente : " Irmã de armas Aramis , este é o risco que eu sempre temi . Um de nós afeiçoar-se por pessoa de fora do nosso grupo e , por amor - talvez até por carência - abrir para o terceiro os nossos segredos . Sendo assim , eu volto a enfatizar o risco que é liberarmos os alivios para qualquer dos Mosqueteiros . O que os irmãos acham ? Foi Aramis quem voltou a falar , eis que ela tinha sido abruptamente interrompida por D ´Artagnan : " Que me desculpe o primeiro dos mosqueteiros . Mas o que eu vou dizer contraria suas conclusões . Eu pretendo mesmo abrir minhas conquistas pecuniárias ao meu escolhido . Que sequer sabe que eu o escolhi " Neste momento Athos , ao ver que Aramis já era comprometida com alguém recolheu-se , com o rosto totalmente retráido . O Mosqueteiro Athos teve uma última dúvida : " Mas será que ela não notou que , ao roçar a minha coxa na dela , eu estava passando a ela que eu a queria muito ? " Athos retariu-se ainda mais , como se fosse possível vontar-se totalmente para dentro de si mesmo . Mas Aramis continuou : " Não , Novo Mosqueteiro D ´Artagnan . Eu não vou revelar a quem quer que seja a nossa aventura , que - esperamos - resultará na nossa própria ventura . A pessoa que tocou o meu coração , está aqui presente e a ele eu entregarei de bom grado o meu dote : " Athos , você quer casar comigo ? "
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
78 - Julietinha e o Oficial do vapor . Final B
No meio da madrugada - e pouco depois de D´Artagnan aliviar o furgão original - Pituca e Aramis escorregaram ladeira abaixo o furgão deles . Pouco a pouco , muito devagar mesmo, o carro foi ganhando alguma velocidade - mas só pela lei da gravidade - na descida da baixada . Os pretensos sócios - Pituca e Aramis - rezavam para que nenhum dos capa-pretas aparecesse na porta , certamente de arma na mão , provavelmente dando tiros na direção daqueles que furtavam a que seria a maior das remessas de dólares - estimava-se que estariam ali vinte milhões deles - que , em princípio , deveriam estar guardados pelos Capa Pretas até que fossem entregues à agência cisplatina do banco nos Alpes .
Enfim Pituca colocou a segunda marcha para com ela dar o tranco no carro que fez o motor pegar . Ainda que olhasse no retrovisor - e como ele olhava ! - o estancieiro nada via , só a escuridão do momento mais escuro da madrugada . Além disto , ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas dormiam não representando perigo algum para quem fugiu com , ou melhor , sem a carga dólares . Pituca e Aramis deram altas gargalhadas ao pensarem como os guardas despertariam . Será que entrariam em choque ?
Era provável ; muito provável , que eles queimariam as próprias naves para - então - estabelecerem-se naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os espertos , os que furtaram os dólares que acabaram de vazar ladeira abaixo , os construtores de Brasilia não perdoariam aqueles capa-pretas que sempre foram pagos regiamente pelo serviços que prometeram fazer com total dedicação .
Mas foi o amor , a paixão por àquelas belas gauchas que modificou o caráter dos seguranças , vindo-se mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas que diz que mais puxa um par de pentelhos do que uma junta de boi brazino .
Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante . Tudo porque sabia que Aramis era do Taquarembó - um pueblo perdido no interior da República Oriental - também conhecida como república cisplatina . Pela sua forma de ver a vida , as pessoas , e o mundo , Pituca pensou que Aramis se emocionaria tanto , ao ver em suas mãos cem mil dólares , que não se daria conta da relatividade entre os valores que restariam para cada um dos hipotéticos sócios . Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados - , duzentas vezes o que caberia á Aramis .
O certo é que Pituca nunca desconfiou que isto poderia o seu plano ao fracasso . E , certamente , ajudou no seu fracasso . Imaginemos que Pituca dividisse meio a meio os vinte milhões . Provavelmente , nem assim Aramis trairia Os Mosqueteiros . Provavelmente .
Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .
Aramis despediu-se de Pituca , ficando certo que daí há duas horas encontrariam-se no saguão do hotel , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .
O dinheiro de Brasilia tornou-se agora a esperança de Pituca entrar numa bolada federal .
Enfim Pituca colocou a segunda marcha para com ela dar o tranco no carro que fez o motor pegar . Ainda que olhasse no retrovisor - e como ele olhava ! - o estancieiro nada via , só a escuridão do momento mais escuro da madrugada . Além disto , ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas dormiam não representando perigo algum para quem fugiu com , ou melhor , sem a carga dólares . Pituca e Aramis deram altas gargalhadas ao pensarem como os guardas despertariam . Será que entrariam em choque ?
Era provável ; muito provável , que eles queimariam as próprias naves para - então - estabelecerem-se naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os espertos , os que furtaram os dólares que acabaram de vazar ladeira abaixo , os construtores de Brasilia não perdoariam aqueles capa-pretas que sempre foram pagos regiamente pelo serviços que prometeram fazer com total dedicação .
Mas foi o amor , a paixão por àquelas belas gauchas que modificou o caráter dos seguranças , vindo-se mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas que diz que mais puxa um par de pentelhos do que uma junta de boi brazino .
Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante . Tudo porque sabia que Aramis era do Taquarembó - um pueblo perdido no interior da República Oriental - também conhecida como república cisplatina . Pela sua forma de ver a vida , as pessoas , e o mundo , Pituca pensou que Aramis se emocionaria tanto , ao ver em suas mãos cem mil dólares , que não se daria conta da relatividade entre os valores que restariam para cada um dos hipotéticos sócios . Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados - , duzentas vezes o que caberia á Aramis .
O certo é que Pituca nunca desconfiou que isto poderia o seu plano ao fracasso . E , certamente , ajudou no seu fracasso . Imaginemos que Pituca dividisse meio a meio os vinte milhões . Provavelmente , nem assim Aramis trairia Os Mosqueteiros . Provavelmente .
Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .
Aramis despediu-se de Pituca , ficando certo que daí há duas horas encontrariam-se no saguão do hotel , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .
O dinheiro de Brasilia tornou-se agora a esperança de Pituca entrar numa bolada federal .
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Julietinha e o oficial do vapor . 24
Julieitinha e Pedro viviam a felicidade dos apaixonados . Sabiam que ninguém na cidade , e muito menos Paulo , aprovaria aquela vontade intensa de estarem juntos , de se tocarem e até mesmo , de se cheirarem . Foi quando Paulo recebeu uma carta anônima . Nela dizia , com poucas palavras , que a irmã e o amigo estavam se encontrando às escondidas numa casinha de cor verde , quase uma tapera , situada no Povo Novo , do lado esquerdo da igrejinha do João Turco. Paulo sentiu-se logo traído por ambos ; mais pela irmã porque ela não ouviu seus conselhos de continuar tentando encontrar um partido de boa família , pertencente ao mesmo nível social que eles . Paulo achava que que era inaceitável Julietinha se entregar a uma pessoa da categoria de Pedro . Bebeu copos de conhaque e quanto mais a bebida subia , mais ele pensava nas razões de , havendo tantas moças , tantas mulheres prontas para casar na cidade , Pedro ter escolhido logo a sua Julinha , a irmã única que ele cuidava com tanta dedicação . Claro , só podia ser pelo dinheiro . Um pelado daqueles decidira o caminho mais fácil de livrar-se da miséria : fazer a corte para a moça, já madura , de uma família bem posta , com fortuna originada em trabalho honesto , desimpedido de qualquer trampa ; dinheiro limpo que lhe estaria disponível no mesmo momento em que se amarrasse com ela . Paulo não se conformava. Foi quando resolveu ir até o que pensava ser o ninho de amor bastardo do casal. Subiu na Caminhonete Chevrolet recém comprada com o dinheiro entrado pela venda de uma boiada carneada no frigorífico construído pela associação dos estancieiros da região e exportada para a Europa ; e foi para o Povo Novo . Chegou e ficou parado por um bom tempo nas proximidades da igreja do João Turco , mirando a pequeníssima casa verde , e logo percebeu a possibilidade de que naquele momento o casal estivesse por lá , " talvez atados por largos momentos como fazem os cachorros " .
Na verdade , Julietinha e Pedro aproveitavam o aconchego das pequenas peças para cochilarem um nos braços do outro . A felicidade apaixonada foi interrompida por batidas fortes na porta , o sobressalto foi imediato . Como alguém poderia bater numa casa de moradores completamente desconhecidos para todo mundo ? Paulo esticou o braço , já protegendo Julietinha . " Não te preocupes , fiques aí que eu vou atender " . Deve ser o cobrador do aluguel que deve ter vencido ontem , ou hoje . Beijou rapidamente a mulher , vestiu a calça quando ouviu-se novas batidas ainda mais ameaçadoras . Pedro abriu a porta e viu Paulo já com o braço esticado , com o revólver há não mais do que meio metro do seu peito : Te prepares para morrer , canalha ! A distância era suficiente para que Pedro sentisse o cheiro de álcool que a boca de Paulo exalava fortemente . "Não faça isto ! " gritou em vão Pedro . O meio-pedido , a meia-advertência , não foram ouvidos pelo já naquele momento quase assassino ... Paulo puxou o gatilho duas vezes . Pá ! Pá !
Na verdade , Julietinha e Pedro aproveitavam o aconchego das pequenas peças para cochilarem um nos braços do outro . A felicidade apaixonada foi interrompida por batidas fortes na porta , o sobressalto foi imediato . Como alguém poderia bater numa casa de moradores completamente desconhecidos para todo mundo ? Paulo esticou o braço , já protegendo Julietinha . " Não te preocupes , fiques aí que eu vou atender " . Deve ser o cobrador do aluguel que deve ter vencido ontem , ou hoje . Beijou rapidamente a mulher , vestiu a calça quando ouviu-se novas batidas ainda mais ameaçadoras . Pedro abriu a porta e viu Paulo já com o braço esticado , com o revólver há não mais do que meio metro do seu peito : Te prepares para morrer , canalha ! A distância era suficiente para que Pedro sentisse o cheiro de álcool que a boca de Paulo exalava fortemente . "Não faça isto ! " gritou em vão Pedro . O meio-pedido , a meia-advertência , não foram ouvidos pelo já naquele momento quase assassino ... Paulo puxou o gatilho duas vezes . Pá ! Pá !
sábado, 24 de novembro de 2012
Julieitinha e o oficial do vapor - 18 A
- "Afinal , como é que acabou a história do oficial italiano ? Por que vocês não chegaram até o final esperado de um casal que está sozinho num navio em alto mar ? "
" Bem , para mim foi o destino que me levou a que eu fosse só do homem para quem nasci . Só que a parte prática disto foi muito engraçada . Resolvi viajar para a Europa para tentar mudar a história da minha vida , eu estava saturada dessa gente que acha que não podemos conviver com os pobres ... te confesso que ao chegar aos trinta resolvi buscar novos ares ..."
" É com todo este preconceito que teremos que nos bater agora ... imagines tu , a estancieira , casando com um naba ...."
Pedro olhava a nudez de Julietinha que , abraçada a ele , falava com a ternura que só os novos amantes conseguem ter : " Não , não ! tú não és um naba , isto não ! "
"Julietinha , se me sacudirem pelas pernas não cai um centavo ...."
" Mas se falta dinheiro ... sobra-te , e muito , coisas muito mais importantes do que os outros possam ter, Pedro querido."
" Mas voltando ao italiano . Por outras palavras ... tu naquele momento quisestes mesmo o belo Giancarlo ? "
"Não é bem que eu o quisesse - ou não - , porque quem eu queria mesmo era a ti ; mas a providência fez com que a minha falta de vontade de ser do Gian não chegasse a ser comprovada ... "
" Sinceramente não entendi " - respondeu Pedro de forma hipócrita ...
" Bom , tu te lembras que na hora em que estávamos abraçados - eu e o Giancarlo - tocou uma sirena de alarme avisando de que algo de perigoso estava acontecendo no navio ? "
" A minha sirena salvadora , não foi ? " disse Pedro acariciando o corpo da mulher ...
" as tuas ironias de sempre ... ; pois é .... chegamos lá fora .... eu tropeçando nos saltos altos ... só que nada de anormal acontecia no navio .... tudo tranquilo ... mesmo assim Giancarlo correu para a ponte de comando ... "
" já vistes O Belo Antonio , com o Mastroiani e a Cardinalle ? ...
" Vi sim .... e acho que tu estás querendo comparar as histórias ... agradeço por ter sido para ti - naquele navio - a Claudia Cardinalle ... "
" A Cardinalle é uma mulher bonita ...mas tu és mais do que isto ... tu és linda ... " .. e rolaram na cama com Pedro sussurrando no seu ouvido uma poesia feita para ela pouco antes dele chegar ali , no esconderijo que agora dividiam ...
... um dia ele chegou diferente do seu jeito de sempre chegar
olhou-a dum jeito mais quente do que sempre costumava olhar
e não maldisse a vida quanto era seu jeito de sempre falar ...
.....
" Bem , para mim foi o destino que me levou a que eu fosse só do homem para quem nasci . Só que a parte prática disto foi muito engraçada . Resolvi viajar para a Europa para tentar mudar a história da minha vida , eu estava saturada dessa gente que acha que não podemos conviver com os pobres ... te confesso que ao chegar aos trinta resolvi buscar novos ares ..."
" É com todo este preconceito que teremos que nos bater agora ... imagines tu , a estancieira , casando com um naba ...."
Pedro olhava a nudez de Julietinha que , abraçada a ele , falava com a ternura que só os novos amantes conseguem ter : " Não , não ! tú não és um naba , isto não ! "
"Julietinha , se me sacudirem pelas pernas não cai um centavo ...."
" Mas se falta dinheiro ... sobra-te , e muito , coisas muito mais importantes do que os outros possam ter, Pedro querido."
" Mas voltando ao italiano . Por outras palavras ... tu naquele momento quisestes mesmo o belo Giancarlo ? "
"Não é bem que eu o quisesse - ou não - , porque quem eu queria mesmo era a ti ; mas a providência fez com que a minha falta de vontade de ser do Gian não chegasse a ser comprovada ... "
" Sinceramente não entendi " - respondeu Pedro de forma hipócrita ...
" Bom , tu te lembras que na hora em que estávamos abraçados - eu e o Giancarlo - tocou uma sirena de alarme avisando de que algo de perigoso estava acontecendo no navio ? "
" A minha sirena salvadora , não foi ? " disse Pedro acariciando o corpo da mulher ...
" as tuas ironias de sempre ... ; pois é .... chegamos lá fora .... eu tropeçando nos saltos altos ... só que nada de anormal acontecia no navio .... tudo tranquilo ... mesmo assim Giancarlo correu para a ponte de comando ... "
" já vistes O Belo Antonio , com o Mastroiani e a Cardinalle ? ...
" Vi sim .... e acho que tu estás querendo comparar as histórias ... agradeço por ter sido para ti - naquele navio - a Claudia Cardinalle ... "
" A Cardinalle é uma mulher bonita ...mas tu és mais do que isto ... tu és linda ... " .. e rolaram na cama com Pedro sussurrando no seu ouvido uma poesia feita para ela pouco antes dele chegar ali , no esconderijo que agora dividiam ...
... um dia ele chegou diferente do seu jeito de sempre chegar
olhou-a dum jeito mais quente do que sempre costumava olhar
e não maldisse a vida quanto era seu jeito de sempre falar ...
.....
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Julietinha e o oficial do navio - 15
Quarta-feira , Pedro bate na porta para a sessão de colheita de informações do relato da viagem de Julietinha . Ela mesmo vem atender .
- Pedro , entra ...
- Pedro , que trazia um ramo de flores do campo bem variadas sorriu ... Dona Julietinha ... a senhora quer namorar comigo ?
Julietinha ficou séria : " Tu não achas que é muito cedo " ?
" - Muito cedo ..... eu estou esperando por este momento há anos e tu me dizes que é muito cedo ? "
- Por mim eu daria o sim agora , mas antes tenho que falar com o meu irmão ..
Pedro fechou o rosto ..... " - O que teu irmão tem a ver com nós dois ... ? "
"- É que moramos aqui ; desde que meus pais partiram o Paulo assumiu a casa .... tenho que falar com ele antes de te dar uma resposta "
"- Não Julietinha , não adiantes nada a ele ... com o Paulo eu falo ... mas eu quero saber é de ti ... aceitas ter-me como namorado ? "
"- Não só aceito como sou a pessoa mais feliz do mundo por ouvir isto de teus lábios , só que quanto ao Paulo , eu te peço para que eu mesma fale com ele ... no mais , tudo fica como antes ... tá bem ?
Entraram e passaram à formalidade de sempre .
- Dona Julietinha , em que dia o vapor aportou em Vigo ?
- Foi no dia 27 de fevereiro .....
Conversavam sobre o que agora pareciam ser generalidades até que Quita surgiu para perguntar se já poderia ir à feira da praça do relógio ...
- Sim , Quita , deixei a lista de compras em cima da mesa da cozinha ...
Mal Quita batera a porta Julietinha abraçou Pedro com todas as suas forças ...
- Sim , até que eu tentei me aproximar de outras moças , mas você sempre aparecia e daí para frente nada mais dava certo ....
Ao ouvir isto lágrimas praticamente saltaram dos olhos da moça .... " não repare , eu me contive lá fora ... mas ao ouvir isto ...é que comigo acontecia o mesmo , deves ter percebido a forma que eu olhava para ti , quando nos aproximávamos parece que tinhas um imã ao qual eu tinha que resistir muito , ainda bem que agora não preciso mais fugir de ti ... . desde cedo guris vinham conversar , mas eles eram tão diferentes de ti , todos estancieiros , se bem que nós também somos proprietários ... mas é que eles desde meninos já se preocupam com o preço da arroba do boi ... essas coisa daqui . Mas tu és diferente ... olhas e falas o que sempre eu quero ouvir ... mas vamos mudar de assunto , eu tenho tanto para te perguntar ... fiquei preocupada quando contaram que tivestes que ir ao quartel ... "
" - Sim , foram me buscar e me levaram até lá ..."
- Mas o que eles perguntaram ? eu nunca soube que tinhas preferências neste assuntos ..
- São meus escritos no jornal .... eu escrevi no natal uma crônica que eles não gostaram .... foi A Ceia dos Vira-Latas ....." ; em determinado momento o Bandeira me perguntou ... " tu és um dos do contra , não és ? " . Eu respondi .... "não , e o senhor é ? " " Ele chegou a levantar a mão para me dar um tapa , mas o Orlando segurou-a já no ar .... "
"- Pedro , por que responder assim ? Tu sabes como eles estão .... por qualquer coisa já explodem , daí para à perseguição aberta é um nada ."
.....
" E esta camisa ? vejo que a tua roupa é nova , um misto do cheiro do corpo com o do algodão recém vestido ... "
" - Consegui receber um dinheiro e aproveitei para comprar duas camisas e mais umas roupas ... afinal eu vinha te pedir em namoro .... "
" - Mas como estás bonito meu Pedro , ainda mais do que ontem ...."
Passou um bom tempo , ditado pela intuição e generosidade de Quita , até que a porta se abriu .....
- Só não trouxe o mogango , Dona Julietinha , não me pareceram estar bons ....
- Não faz mal Quita , espero que tenhas comprado outra coisa para fazermos o doce ....
- Sim , comprei origones ...
Com Quita por ali voltou a conversa sobre a viagem , Pedro agora fazia perguntas com duplo sentido , maliciosas mesmo ( pensando que o italiano era mesmo impossibilitado a uma relação mais íntima ) ...
Até que de repente parou tal assunto e sua voz demonstrava tensão . Contou o que acontecera com seu caderno ... de suas conclusões sobre uma das suas melhores poesias terem sido publicadas por ninguém menos do que Chico Rosa ... Julietinha preocupou-se muito .... logo ela que tanto admirava o príncipe dos poetas .....
" De agora em diante eu preciso manter um arquivo dos meus escritos em mãos confiáveis ... e quem melhor do que tu para guardá-los .... ? "
" Sim podes deixar comigo , teu trabalho , para mim valerá tanto como um tesouro ."
" Além disto , eu queria que me ouvisses sobre umas mudanças acontecidas om o modo de eu escrever ; é que antes eu costumava redigir uma passagem , um texto qualquer e depois sair fazendo aquilo que eu chamo de catar pulgas ; revisando-o até que ele me contentasse totalmente ... "
" Mas isto é assim com todo mundo ... "
" Mas agora é diferente .... Julietinha . Tem determinados escritos que já me vêem prontos à cabeça sendo inútil tentar melhorá-los .... nesses momentos, não em todos , escrevo num impulso só ...
Foi quando chegou Paulo, o que ocasionou as despedidas do jornalista ... " eu já estava de saída ... " .
Paulo , que nas conversas com amigos estancieiros sempre dizia que " o amor pode muito , mas o dinheiro pode tudo " , a cada dia se preocupava mais com aquela aproximação da irmã com um pelado , como Pedro era .
- Pedro , entra ...
- Pedro , que trazia um ramo de flores do campo bem variadas sorriu ... Dona Julietinha ... a senhora quer namorar comigo ?
Julietinha ficou séria : " Tu não achas que é muito cedo " ?
" - Muito cedo ..... eu estou esperando por este momento há anos e tu me dizes que é muito cedo ? "
- Por mim eu daria o sim agora , mas antes tenho que falar com o meu irmão ..
Pedro fechou o rosto ..... " - O que teu irmão tem a ver com nós dois ... ? "
"- É que moramos aqui ; desde que meus pais partiram o Paulo assumiu a casa .... tenho que falar com ele antes de te dar uma resposta "
"- Não Julietinha , não adiantes nada a ele ... com o Paulo eu falo ... mas eu quero saber é de ti ... aceitas ter-me como namorado ? "
"- Não só aceito como sou a pessoa mais feliz do mundo por ouvir isto de teus lábios , só que quanto ao Paulo , eu te peço para que eu mesma fale com ele ... no mais , tudo fica como antes ... tá bem ?
Entraram e passaram à formalidade de sempre .
- Dona Julietinha , em que dia o vapor aportou em Vigo ?
- Foi no dia 27 de fevereiro .....
Conversavam sobre o que agora pareciam ser generalidades até que Quita surgiu para perguntar se já poderia ir à feira da praça do relógio ...
- Sim , Quita , deixei a lista de compras em cima da mesa da cozinha ...
Mal Quita batera a porta Julietinha abraçou Pedro com todas as suas forças ...
- Sim , até que eu tentei me aproximar de outras moças , mas você sempre aparecia e daí para frente nada mais dava certo ....
Ao ouvir isto lágrimas praticamente saltaram dos olhos da moça .... " não repare , eu me contive lá fora ... mas ao ouvir isto ...é que comigo acontecia o mesmo , deves ter percebido a forma que eu olhava para ti , quando nos aproximávamos parece que tinhas um imã ao qual eu tinha que resistir muito , ainda bem que agora não preciso mais fugir de ti ... . desde cedo guris vinham conversar , mas eles eram tão diferentes de ti , todos estancieiros , se bem que nós também somos proprietários ... mas é que eles desde meninos já se preocupam com o preço da arroba do boi ... essas coisa daqui . Mas tu és diferente ... olhas e falas o que sempre eu quero ouvir ... mas vamos mudar de assunto , eu tenho tanto para te perguntar ... fiquei preocupada quando contaram que tivestes que ir ao quartel ... "
" - Sim , foram me buscar e me levaram até lá ..."
- Mas o que eles perguntaram ? eu nunca soube que tinhas preferências neste assuntos ..
- São meus escritos no jornal .... eu escrevi no natal uma crônica que eles não gostaram .... foi A Ceia dos Vira-Latas ....." ; em determinado momento o Bandeira me perguntou ... " tu és um dos do contra , não és ? " . Eu respondi .... "não , e o senhor é ? " " Ele chegou a levantar a mão para me dar um tapa , mas o Orlando segurou-a já no ar .... "
"- Pedro , por que responder assim ? Tu sabes como eles estão .... por qualquer coisa já explodem , daí para à perseguição aberta é um nada ."
.....
" E esta camisa ? vejo que a tua roupa é nova , um misto do cheiro do corpo com o do algodão recém vestido ... "
" - Consegui receber um dinheiro e aproveitei para comprar duas camisas e mais umas roupas ... afinal eu vinha te pedir em namoro .... "
" - Mas como estás bonito meu Pedro , ainda mais do que ontem ...."
Passou um bom tempo , ditado pela intuição e generosidade de Quita , até que a porta se abriu .....
- Só não trouxe o mogango , Dona Julietinha , não me pareceram estar bons ....
- Não faz mal Quita , espero que tenhas comprado outra coisa para fazermos o doce ....
- Sim , comprei origones ...
Com Quita por ali voltou a conversa sobre a viagem , Pedro agora fazia perguntas com duplo sentido , maliciosas mesmo ( pensando que o italiano era mesmo impossibilitado a uma relação mais íntima ) ...
Até que de repente parou tal assunto e sua voz demonstrava tensão . Contou o que acontecera com seu caderno ... de suas conclusões sobre uma das suas melhores poesias terem sido publicadas por ninguém menos do que Chico Rosa ... Julietinha preocupou-se muito .... logo ela que tanto admirava o príncipe dos poetas .....
" De agora em diante eu preciso manter um arquivo dos meus escritos em mãos confiáveis ... e quem melhor do que tu para guardá-los .... ? "
" Sim podes deixar comigo , teu trabalho , para mim valerá tanto como um tesouro ."
" Além disto , eu queria que me ouvisses sobre umas mudanças acontecidas om o modo de eu escrever ; é que antes eu costumava redigir uma passagem , um texto qualquer e depois sair fazendo aquilo que eu chamo de catar pulgas ; revisando-o até que ele me contentasse totalmente ... "
" Mas isto é assim com todo mundo ... "
" Mas agora é diferente .... Julietinha . Tem determinados escritos que já me vêem prontos à cabeça sendo inútil tentar melhorá-los .... nesses momentos, não em todos , escrevo num impulso só ...
Foi quando chegou Paulo, o que ocasionou as despedidas do jornalista ... " eu já estava de saída ... " .
Paulo , que nas conversas com amigos estancieiros sempre dizia que " o amor pode muito , mas o dinheiro pode tudo " , a cada dia se preocupava mais com aquela aproximação da irmã com um pelado , como Pedro era .
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capa-e-espada
capa-pretas
capital
capítulo 1
capítulo 12
capítulo 13
capítulo 14
capítulo 15
capítulo 16
capítulo 17
capítulo 18 A
capítulo 18 B
capítulo 19
capítulo 2
capítulo 20
capítulo 21
capítulo 22
capítulo 23
capítulo 24
capítulo 3
capítulo 4
capítulo 47
capítulo 48
capítulo 49
capítulo 5
capítulo 50
capítulo 51
capítulo 52
capítulo 53
capítulo 54
capítulo 55
capítulo 55 R2
capítulo 56
capítulo 57
capítulo 58
capítulo 59
capítulo 6
capítulo 60
capítulo 62
capítulo 63
capítulo 64
capítulo 65
capítulo 66
capítulo 67
capítulo 68
capítulo 69
capítulo 70
capítulo 71
capítulo 72
capítulo 73
capítulo 74
capítulo 75
capítulo 76
capítulo 77
capítulo 78
capítulo 79
capítulo 80
capítulo 81
capítulo 82
capítulo 94
capítulo 95
capítulo 96
capítulo 97
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Carlão
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Carmem
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casariam-se
castrava
Caverá
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cervejaria
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Chatô
chefatura de polícia
cidadezinha
ciências humanas
classe
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Colcabamba
Com Chaveco
complacente
comportadamente
confidenciou
confraria
confusão
consumaria
Coração
corazón
corredor
Correio do Norte
crise.
Curunilha
cusco
D ´Artagnan
D´Artagnan
D´Orsay
datilografia
declama
dedicação
democraticamente
desculpa
desembarque
destino
determinar
detetive
Deus
devastação
diário de bordo
dinheirama
dinheiro
Dionísio
Dirceu
disfarçou
Dona Almerinda
Dona Flora
Dona Julietinha
Dona Marica
Dotô
Doutor
Elizabeth Taylor
Emagrecido
embolsar
empreitada
Encargo
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