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quinta-feira, 25 de julho de 2013

74 - Julieitnha e o Oficial do vapor - Final B

Dois planos seguiam a um só tempo : o de Pituca ,  e o dos Novos Mosqueteiros .  O plano de Paulo Becerra tinha duas pessoas infiltradas nele :  os mosqueteiros Quita ,  e  Aramis .  Quanto à Aramis , Pituca entendeu que ela , sendo  pessoa da maior importância para o furto que planejava ,  ofereceu-lhe  a participação de  cem mil dólares ; quantia que foi imediatamente aceita pela rapariga .  Aramis raciocinou prontamente que se desse uma resposta  al tiro  , isto aumentaria a confiança de Pedro , incentivando-o para que falasse ainda mais de seus planos .



Julitetinha reclamou de Pedro por ele não ter contado que fora à Caçapava .  É que Pedro fora  àquela cidadezinha , segundo contou gora à Julietinha , para informar-se de certas incursões de espeleólogos que estavam explorando algumas grutas que haviam na cidade . 

Julietinha : " Mas por que não me dissestes ,  Pedro ? "  

Pedro :  "Na verdade no dia que eu fui lá tu estavas visitando o Pituca em Porto Alegre .  Ou melhor ,  fostes ajudar a Valéria nas compras , nos preparativos para o casamento .  Depois disto eu até cheguei a me esquecer de que tinha ido à Caçapava . " 

Foi verdade . Pedro também interessava-se por espeleologia , e foi à cidadezinha fazer um contato com os exploradores de cavernas .



D ´Artagnan , que estava sempre atento aos detalhes ,  achou que o fato  de Aramis  morar do lado de lá da fronteira ,  na República Oriental , isto  era  algo bem  importante para eles  todos.  Tudo porque no plano que começava a cristalizar-se em sua cabeça ;  Aramis  seria  a pessoa sobre a qual recairiam todas as suspeitas e ,  evadir-se de pronto para o país vizinho garantiria totalmente o seu total distanciamento do alívio que os Novos Mosqueteiros fariam  ante os acumuladores de realizações pecuniárias . Bastaria-lhes manter  Aramis  distante de tudo e de todos para que  todas as suspeitas morressem no nascedouro .



Valéria  confidenciou  à Quita que Pituca teria fraquejado na mútua decisão  de  ambos voltarem  ao estado de quase reconstrução das virgindades .  Ante ao argumento do noivo de que por faltar tão pouco tempo para as núpcias  terminada estaria  a necessidade de manterem  a  candura  , Valéria  agarrou-se  à promessa como um náufrago  a um salva-vidas :

" Se esperamos até aqui , se sofremos juntos as maiores tentações , por que haveremos de  quebrar a promessa de nos mantermos alvos como a  neve ,  limpos como águas  que descem das montanhas , claros  com as  luz das estrelas .  Não , amado Pituca ,  o que você quer , o que me pede , só terá depois do casamento ... e aí sim , serei toda tua ... e para sempre .  "

Pituca , que estava ajoelhado aos pés da amada , levantou-se e , sem despedir-se , caminhou  para o seu apartamento parecendo que estava  algo assim  meio  curvado .


sexta-feira, 31 de maio de 2013

57 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B .

Com seu pai gerenciando os negócios da família  e com Paulo longe das estâncias , sobrava tempo para o Pedro fazer o  que dava-lhe prazer :  escrever , pesquisar , estudar e  , além disto ,  viver os prazeres da lua de mel .

Pedro : " .... que bom que saiu das minhas costas  aquele  peso todo de não saber o porquê das poesias serem publicadas  sem mais nem menos  pelo Francisco Rosa . Só agora eu  sei que meus versos não foram furtados ;  eles saíram  daqui de Boca do Monte por esta traquitana inventada pelo Padre Landell de Moura , este tal de RPGS,  que  envia  para  locais distantes aquilo que for colocado no leitor do seu canhão  de feixes elétricos. "

Julietinha :" E eu que tanto esperei para que este dia chegasse ,  para que pudéssemos aproveitar a nossa mocidade , os prazeres que a juventude que pulsa em nós pudessem brindar-nos com estes momentos de amor intenso , paixão mesmo ... "

Pedro :  " Só que eu tenho que saber separar  o joio do trigo . Uma coisa é a alegria de ver que a minha vida ficou cada dia mais  tranquila ; só que a vida não é um mar de rosas .  O  centro do país  pulsa como nunca.  No Rio de Janeiro comunistas  assaltaram  a casa do  Adhemar de Barros levando o cofre com  20 milhões de  dólares.  Falei com o Luis  Doleiro  que  me disse que outros políticos corruptos estão com medo de também serem  desapropriados . Mas  ladrão que rouba  ladrão  tem  cem anos de perdão .    Eu não sei porque , mas acho que isto ainda vai  acabar  nesta  fronteira com a República Oriental ..."

Julietinha :  " Mas enquanto esta dinheirama não aparece para ocupar todos os teus neurônios em investigações e descobertas ; antes que  possas entrar em campo para investigar ... me dá um beijo  bem gostoso. "   - disse Julietinha ,  não sem  ao mesmo tempo apalpar carinhosamente as partes mais sensíveis do marido  .

domingo, 26 de maio de 2013

51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B

Prezados Leitores !

Por um equívoco , o capítulo 51 foi publicado no blog " Sem Chaveco " . Mas vou ( em algumas horas )  copiá-lo aqui para o " Com Chaveco" . Mil perdões !

51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B . " Mas Pedro , repercutiu aqui em Boca do Monte o tiro que vocês deram num mascate nordestino . Como eu posso , de repente , ver meu marido e meu irmão envolvidos numa tentativa de morte , Pedro ? " " Julietinha , tu bem sabes da minha vontade de jamais faltar com a verdade , principalmente para ti , que és a razão maior de eu seguir no caminho certo . Mas eu fui chamado por Pituca - em razão dele ter pressentido , percebido mesmo , claros sinais de que estava sendo tocaiado - à dar-lhe cobertura para tentar enganar quem queria matá-lo . Paulo é teu irmão , e eu não podia quedar-me inerte sabendo que era quase certo que alguém poderia matá-lo em instantes . Foi assim que acertei ficar num hipotético lugar do Paulo ( que logo depois confirmou-se não ser hipotético , porque o matador veio de revolver em punho ) ... " " E você , meu amado , esteve na linha de tiro do matador ? " Nesta hora , por mais honesto que fosse , Pedro aproveitou para ganhar ainda mais a admiração de Julietinha .... " Não me cabia nada a fazer a não ser ficar na linha de tiro para que o Paulo pudesse por em prática o seu plano . Só o que fiz foi lembrar de ti com todas as forças da minha alma , mas recuar em defender Paulo , confesso que isto nunca me passou pela idéia ... " Julitinha abraçou-o longamente aquele que agora era mais do que seu marido , amante , confidente ... agora Pedro passara a ser também um herói ... o seu herói . "Mas Pedro , e tú não pensastes em ti mesmo ? ... como pudestes aceitar uma missão destas ... ? estes nordestinos costumam nunca errar ... atiram para matar ... " " Confesso que o plano do Paulo era bom , e - apesar dos riscos - confiei que tudo ia dar certo . Pituca escondeu-se no carro bem em frente ao portão . O matador prestava a atenção para dentro da casa . Foi ele passar no portão , ainda de arma em punho , para ser alvejado na nádega e , pelo choque do tiro , caiu de bruços no chão deixando escapar a arma ." " Mas o que fez Paulo para ter em seu encalço um matador ? " " Até que eu desconfio ... é destas confusões que sabemos que ele se metia ... " " Se metia ... ? " Sim , isto ainda são consequências de um Paulo que não existe mais , esta foi uma das principais razões de eu ter me determinado a ajuda-lo : ele não podia cair nas mãos de um assassino de aluguel logo depois de estar totalmente no caminho certo , no lado do bem .... "

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Julietinha e o oficial do vapor -51

Pelo menos em seus  pensamentos noturnos  Julietinha já  resolvera  que se algo acontecesse entre ela e Giancarlo , fosse o que fosse ,   não seria propriamente uma quebra da promessa de fidelidade feita a Pedro no altar da igreja de Nossa Senhora  Auxiliadora  , em Boca do Monte .  Deus haveria de compreender que   o ocorrido teria sido  tão somente uma  acomodação do tempo  assim como os  ajustes  feitos de vez em quando até  pela própria Igreja .   Algo de que  os dois , ela e Gian ,  já  teriam  direito  adquirido e   recíproco ,   desde há muito tempo e ,  se ainda não  posto ,  fora  tão somente  por um detalhe  sem  tanta   importância , que agora , talvez daqui a pouco , já faria parte de um passado a esquecer  . Falhar  todos nós um dia falhamos ,  o que passou ....  passou .   O  direito de  se  encontrarem  afastava  qualquer outra jura que com  ele  conflitasse  com   a paixão ainda não  consumada   que  sobrevivera  , ainda que de  forma latente , como bulbos adormecidos no inverno gelado.

Era claro que tal  exceção  só valiam para paixões verdadeiramente antigas , eis que a desculpa carecia de uma posse distanciada.

Estes pensamentos tomavam seu cérebro , e tanto que  agora  não causavam mais  dúvidas .  Agora só faltava  um nada  para  que  os  destinos  os aproximassem  tanto  que os seus cheiros desaparecessem    tornando  impossível  a cada um de negar-se ao que  mais  ansiavam :   acariciar-se até que as mais  recônditas  fibras de seus corpos  penetrassem-lhes o quanto possível .

E a cada poesia que lia , que lembrava , ou  declamava para si própria , mais Julietinha  se convencia de que se o encontrasse , se se encantasse num estalido   perdidamente por Giancarlo , assim mesmo ,  traindo Pedro ela não  estaria  .

Eram umas onze  horas do penúltimo dia , o decimo quarto  , com  Pedro  de há muito no cassino ,  quando a cabine ficou pequena para ela .  Num salto levantou-se da cama  com os cabelos assim mesmo e buscou o caminho mais curto para o vento do convés,  do que agora precisava muito , mal sabendo que aquele atalho passava justo por outra cabine de alguém igualmente insone , igualmente aflito,    por  espera igualmente cruel .

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Julietinha e o oficial do vapor . 24

Julieitinha e Pedro viviam a felicidade dos  apaixonados .   Sabiam que ninguém na cidade , e muito menos Paulo , aprovaria aquela vontade intensa de estarem juntos , de se tocarem e até mesmo , de se cheirarem .  Foi quando Paulo recebeu uma carta anônima . Nela dizia , com poucas palavras , que a irmã e o amigo estavam se encontrando às escondidas numa casinha de cor verde , quase uma tapera ,  situada no Povo Novo , do lado esquerdo da igrejinha do João Turco.  Paulo sentiu-se logo traído por ambos ; mais  pela irmã porque ela não ouviu  seus conselhos de continuar tentando encontrar um partido de boa família , pertencente ao mesmo nível social que eles . Paulo achava que que era inaceitável  Julietinha  se entregar a uma pessoa da categoria de Pedro .   Bebeu  copos  de conhaque e quanto mais  a bebida  subia , mais ele pensava nas razões de , havendo tantas moças , tantas  mulheres prontas para casar na cidade ,   Pedro  ter  escolhido logo a sua Julinha , a irmã única que ele cuidava com tanta dedicação .  Claro ,  só podia ser pelo dinheiro  . Um pelado daqueles decidira o caminho  mais fácil  de  livrar-se da miséria :  fazer a corte para a moça,  já madura ,   de uma família bem posta ,  com fortuna originada em trabalho honesto ,  desimpedido de qualquer trampa ; dinheiro limpo que lhe estaria disponível no mesmo momento em que se  amarrasse  com ela .  Paulo não se conformava.  Foi  quando resolveu ir até o que pensava ser o  ninho de amor bastardo do casal.   Subiu  na  Caminhonete Chevrolet recém comprada com o dinheiro entrado pela venda  de uma  boiada carneada  no frigorífico construído pela associação dos estancieiros da região e exportada para a Europa ;  e foi para o Povo Novo .  Chegou e  ficou parado por um bom tempo nas proximidades da igreja do João Turco , mirando a pequeníssima casa verde , e logo  percebeu a possibilidade de que naquele momento o  casal estivesse por lá ,  " talvez  atados por largos momentos como fazem os cachorros " .
Na verdade , Julietinha e Pedro aproveitavam o aconchego das pequenas peças para cochilarem um nos braços do outro .  A felicidade apaixonada foi interrompida por batidas fortes na porta ,  o sobressalto  foi imediato . Como alguém poderia bater numa casa de moradores completamente desconhecidos para todo mundo ?   Paulo esticou o braço , já protegendo Julietinha . " Não te preocupes , fiques aí que eu vou atender "  .  Deve ser o cobrador do aluguel que deve ter vencido ontem , ou hoje .  Beijou rapidamente a mulher , vestiu a calça quando ouviu-se  novas batidas ainda mais ameaçadoras .  Pedro abriu a porta e viu Paulo  já  com o braço esticado , com o revólver há não mais do que meio metro do  seu peito :  Te prepares para morrer , canalha !   A distância era suficiente para que Pedro sentisse o cheiro de álcool   que a boca de Paulo exalava fortemente .  "Não faça isto ! "   gritou em vão Pedro .  O meio-pedido ,  a meia-advertência , não foram ouvidos pelo   já  naquele momento quase assassino ...  Paulo puxou o gatilho duas vezes .  Pá !  Pá !
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