Levaram os dólares para o Caverá . No mais esquecido e distante cerro , praticamente enterraram o furgão numa fenda de pedra do monte . Não foi por acaso , Athos criara-se por ali .
Estava decidido que contariam tão somente três caixas de dólares . As demais só seriam abertas para que o conteúdo fosse constatado por todos . Quanto ao destino , o lugar em que cada um guardaria seu tesouro , isto ainda não estava resolvido . Poucas horas depois chegara , montado , o pastor Gualter que novamente ficou de guarda - agora a dois quilômetros de distância - na única estrada existente e , mesmo já sendo noite , andava incessantemente de um ponto a outro para que assim pudesse perceber qualquer modificação nas cercanias do local onde se dava a reunião . Gualter olhava não só para onde era possível alguém chegar , mas também para o ponto onde a reunião acontecia , eis que mesmo que quase não fosse possível avistar-se aquele acampamento , mesmo assim isto não o desobrigava de manter os sentidos totalmente ligados aos riscos representados - independentemente de outros - pela simples passagem por aqueles ermos de quantia tão grande : algo em torno de vinte milhões de dólares .Três horas se passaram para que a primeira parte do plano fosse concluída , momento em que D ´ Artagnan pediu a palavra. "Caros irmãos , confirmadas nossas melhores expectativas sobre a quantia existente nas primeiras caixas que empacotavam os Excessos de Realizações Pecuniárias , cabe agora decidirmos sobre o destino de montante tão valioso ... "
"Peço a palavra ! " quase berrou Quita para surpresa de todos !
"É evidente , Mosqueteira Quita , que eu passo-lhe a palavra . E com um misto de honra e prazer mosqueteiros ! " Completou D ´Artagnan .
" Irmãos , quantas serão as partes em que serão divididos os Excessos que aqui temos ? "
Tão óbvia era a resposta que ninguém atreveu-se a dá-la , ganhando a noite escura só silêncio como réplica . O pouco tempo que passou pareceu algo que tendia a perpetuar-se , até que Athos arriscou-se :
" É claro que somos quatro a repartir o monte de dólares , irmã Quita . Você , Aramis , D ´Artagnan e eu . Então , desculpe-me , mas não percebo qual seja a sua dúvida . "
" Não , valente mosqueteiro Athos . Não somos quatro . E , a manter-se seu prognóstico estaremos cometendo o que tanto criticamos ... uma injustiça a mais .... afinal , Novos Mosqueteiros , a que vem esta irmandade ? "
Um óóó geral de dúvida e exclamação quebrou o súbito silêncio ...
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domingo, 17 de novembro de 2013
sábado, 26 de outubro de 2013
96 - Julietinha e o oficial do vapor - final B
Gualter avisou que naquele dia chegara uma patrulha do exército para , com pesadas máquinas fotográficas , documentarem o silo onde estavam os alívios de excessos de realizações pecuniárias ; que , aliás , já estavam sendo chamados por D Ártagnan , pela sigla de AERP . Como sempre , a sorte estava do lado dos Novos Mosqueteiros . Naquela noite . quando já estavam com tudo pronto para retiraram do silo , tudo que lhes pertencia , alguém também preparava-lhes uma péssima surpresa . Mas os Mosqueteiros estavam com todos os preparativos prontos . Principalmente os que trariam o furgão de novo à mobilidade . Traziam bomba para encher os pneus movida por gerador móvel ; bateria nova , para fazer a transferência de uma para outra bateria , gasolina de alta octanagem para facilitar a ignição rápida , luzes de emergência , contados elétrico , tudo o que poderia ser necessário para fazerem o automóvel andar . Naquele momento o grupo era formado sem Quita , que não pudera vir por não ter uma desculpa razoável para seus patrões . Abriram o silo e viram que a montanha de soja estava intacta . Apressaram-se , porque tudo teria que ser feito naquela noite , e mesmo nela , o mais rapidamente possível . Para o bem de todos , era uma noite de inverno , as que escuridão é muito mais longa do que os momentos de luz solar . O pastor Gualter estava sempre por perto , ajudando . Desta feita , ele ficou com uma lanterna a cerca de mil metros , para avisar com sinais luminosos , a aproximação de intrusos . Foi quando os Mosqueteiros começaram a remover o soja que cobria o automóvel . Quanto ao pastor de ovelhas Gualter , a fidelidade canina em relação a D ´Artagnan ampliara-se quando o Mosqueteiro , anos atrás , levara Dna . Prendoca - mãe de Gualter -, até a Argentina para uma operação médica que salvou-lhe a vida . Com Juan Domingo Perón presidindo o país , qualquer necessitado de cuidados médicos que lá chegassem - ainda que cidadão brasileiro ou uruguaio recebia de graça todos os cuidados médicos , que - em última análise - eram patrocinados pelos lucros da Argentina com a exportação de trigo , carne e lã para a Europa - eis que Perón habilmente não tomara partido na segunda guerra para obter o máximo de vantagens nas trocas internacionais . A devastação da Europa gerou ~fartura de dinheiro nunca vista no Pais . E , porque não, na vizinhança próxima da fronteira . Foi assim que D´Artagnan aumentou a amizade de Gualter para ele . Encheram os pneus , deram carga na bateria e o auto respondeu como todos esperavam . Ainda faltavam umas três horas para o sol nascer quando , entre vivas , urros de alegria , o furgão movimentou-se , saiu de seu sepulcro de soja . Mas , naquele momento isnsitentes sinais de luz de Gualter anunciavam que chagava alguma visita . Rapidamente os homens tiveram o cuidado de novamente re-empilhar a soja da forma msid lógica e natural possível . Quando acabaram de fechar o cadeado viram , longe , muito longe , uma luz em começo bruxuleante , ir aumentado no horizonte da estrada . Quanto à Gualter , ele já estava pré-avisado de que deveria devria voltar para a ermida que passsara a viver depois que os AERP ´s chegaram por ali , para descobrir tudo sobre de quem era a visita que chegara no veículo da luz que crescia rapidamente , agora já muito mais próxima . Sem acender qualquer tipo de iluminação o furgão dos Mosqueteiros afastou-se tão rapidamente quanto lhes era possível para que não permitisse ser percebido por quem quer que fosse . Em cima da mais alta coxilha - sempre com as luzes apagadas - viram claramente que o que chegara ao silo era , nada menos do que uma patrulha de soldados . Sempre com o maior cuidado ligaram o motor do furgão e desapareceram na ainda noite , na direção do Alegrete , só que pararam muito antes de lá chegar .
Prezados Leitores . A partir deste episódio estarei em ( creio eu ) merecidas férias . Prometo firmemente não perturbá-los , de la´- onde eu estiver ( talvez em Colcabamba , quem sabe ... - com meus escritos , agora centrados em como os Novos Mosqueteiros tomarão posse efetiva de seus AERP´ s . Serão uns vinte e cinco dias de descanso para vocês , queridos leitores . Aproveitem , pois a volta será plena de ação , amor , dinheiro - muito dinheiro para os Mosqueteiros , e paixão para Paulo e sua Polaquinha ( que, lembro a vocês , estão no Taythi ) . Até a volta , e sorte para todos ! D ´Artagnan , e os demais Mosqueteiros , com a escuridão total não perceberam que outrso boletos da Casa Piano , com valores impressos das operações de câmbio negro de dólares dispersaram-se , dentro e fora do silo , podendo negar , para um atento observador , que o soja estava tão bem empilhado em razão de que alguem tentara camuflar algo de estranho , grave mesmo , acontecido por ali .
Prezados Leitores . A partir deste episódio estarei em ( creio eu ) merecidas férias . Prometo firmemente não perturbá-los , de la´- onde eu estiver ( talvez em Colcabamba , quem sabe ... - com meus escritos , agora centrados em como os Novos Mosqueteiros tomarão posse efetiva de seus AERP´ s . Serão uns vinte e cinco dias de descanso para vocês , queridos leitores . Aproveitem , pois a volta será plena de ação , amor , dinheiro - muito dinheiro para os Mosqueteiros , e paixão para Paulo e sua Polaquinha ( que, lembro a vocês , estão no Taythi ) . Até a volta , e sorte para todos ! D ´Artagnan , e os demais Mosqueteiros , com a escuridão total não perceberam que outrso boletos da Casa Piano , com valores impressos das operações de câmbio negro de dólares dispersaram-se , dentro e fora do silo , podendo negar , para um atento observador , que o soja estava tão bem empilhado em razão de que alguem tentara camuflar algo de estranho , grave mesmo , acontecido por ali .
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
95- Julietinha e o oficial do vapor - Final B
A palavra foi dada ao Mosqueteiro Athos , que não decepcionou quanto as espectativas dos demais evolucionários. " Estimada Aramis . Tão firme é a união entre nós , que até chegamos a esquecer do gênero que nossos codinomes representam na literatura universal . Você mesmo , Aramis , recebeu - aqui em nossa confraria - um nome masculino , Aramis . Mas - confesso com muito prazer - tornou-se para mim o mais belo nome que uma mulher pode ter. Desde que abracei esta causa , a de recuperar para nós , pessoas comuns , pobres e antes sem perspectivas pessoais - eu mesmo sou um professor , e ensinar crianças no nosso país é sinônimo de quase indigência - eu mesmo , repito , percebi - logo que fui convocado por D ´Artagnan - que a minha única chance de viver num futuro de dignidade seria buscar no dinheiro dos corruptos que construiram Brasilia , os que vinham desovar os seus ERP s qui na nossa vizinha , a República Oriental . Sim , buscar a nossa parte aliviando-os do dinheiro que apropriaram-se ilicitamente , para não dizer criminosamente . Mas mesmo usando todo o meu esforço na obtenção do sucesso do nosso plano , confesso que eu desde o começo olhei a irmã de armas de um modo que , tanta era a atração inexplicável , não poucas vezes geravam em mim uma quase ruptura da realidade ; prá pegá-la em meus braços e perder-me nos encantos que tu possuis . Mesmo , sendo um Mosqueteiro da primeira hora , digo-lhes que não tive suficiente coragem para dizer-te , como digo agora ... eu te amo , Aramis . Te amo desde o momento que meus olhos tiveram a alegria de pousar nos seus , no seu corpo , nos seus cabelos . Mas see não fui eu quem teve a coragem de primeiro pedir-te em casamento , mesmo assim eu te digo agora , renovo o convite a mim feito : Aramis , queres entregar-te aos meus cuidados , casar-se comigo - ainda que isto va´ acontecer no teu Uruguay ? Quanto a mim , eu estou maravihado com o teu convite , Aramis . E , se tambem renovares o "sim" tenho certeza que farei de ti a mulher mais feliz no mundo . "
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
94 - Julietinha e o oficial do vapor - final B
Chegou a vez de Aramis falar . Athos , que tinha arranjado uma forma de sentar do lado dela , por baixo da mesa colou sua perna na da bela descendente dos indios guaranis. Ela , por sua vez , não fugiu do singelo assédio de Athos . Admitiu que , por baixo da mesa se tocassem cada vez com mais ansiedade. Acostumada à realidade crua da vida , Aramis não tremeu . " Todos sabem a minha origem neste país . Mas nem todos reconhecem que uma bailarina de cabaret , como eu fui antes de que os Novos Mosqueteiros cruzassem meus caminhos , não vive para dançar nos muitos Bocas de Ouro , pelo mundo afora . Mas sim , dança para viver . Athos , quando foi ao meu pluebo , Colcabamba , no interior do meu país viu a nossa realidade de pobreza . Minha mãe , ainda criança foi trazida para o Brasil , sendo forçada a relacionar-se com o estancieiro para quem trabalhava. Grávida , foi novamente forçada a deixar por lá uma hija que , todavia , nunca esqueceu um minuto sequer . Sem pai , restou-me a alternativa de sobrevivência que vocês , irmãos Mosqueteiros , conhecem . Hoje eu , como todos vocês , sinto-me digna de poder receber a minha parte destes alívios de excessos realizados . Nunca passou pela minha cabeça , convencida que fui por vocês , estar fazendo algo que fosse ainda que de longe , errado . Estamos , estou lançando mão do que é meu , do que é nosso no grande latifúndio chamado mundo . Mas nem tudo foram tristezas . Há não muito tempo conheci uma pessoa que me tratou com amor e respeito . Assim é que eu penso receber a minha parte e - tão rapidamente quanto me for possível - procurar tal pessoa , tal senhor que , pelo que eu sei é um homem desquitado neste país , portanto livre para receber-me - se assim quiser . E é com ele que eu irei dividir a minha parte , os meus dólares . " D ´Artagnan nem pediu a palavra , interrompeu firmemente : " Irmã de armas Aramis , este é o risco que eu sempre temi . Um de nós afeiçoar-se por pessoa de fora do nosso grupo e , por amor - talvez até por carência - abrir para o terceiro os nossos segredos . Sendo assim , eu volto a enfatizar o risco que é liberarmos os alivios para qualquer dos Mosqueteiros . O que os irmãos acham ? Foi Aramis quem voltou a falar , eis que ela tinha sido abruptamente interrompida por D ´Artagnan : " Que me desculpe o primeiro dos mosqueteiros . Mas o que eu vou dizer contraria suas conclusões . Eu pretendo mesmo abrir minhas conquistas pecuniárias ao meu escolhido . Que sequer sabe que eu o escolhi " Neste momento Athos , ao ver que Aramis já era comprometida com alguém recolheu-se , com o rosto totalmente retráido . O Mosqueteiro Athos teve uma última dúvida : " Mas será que ela não notou que , ao roçar a minha coxa na dela , eu estava passando a ela que eu a queria muito ? " Athos retariu-se ainda mais , como se fosse possível vontar-se totalmente para dentro de si mesmo . Mas Aramis continuou : " Não , Novo Mosqueteiro D ´Artagnan . Eu não vou revelar a quem quer que seja a nossa aventura , que - esperamos - resultará na nossa própria ventura . A pessoa que tocou o meu coração , está aqui presente e a ele eu entregarei de bom grado o meu dote : " Athos , você quer casar comigo ? "
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
82 - Julietinha e o Oficial do vapor - final B
Quando cessou a rolagem do carro , que até então descia somente pela inércia , D´ Artagnan virou a chave certo de que a distância que o separava do Boca de Ouro era suficiente para que ruido algum do motor chegasse aos ouvidos de quem ficara no bordel .
O cuidado era mesmo extremo : mesmo sendo certo que o caminho comumente não seria usado por quem quer que fosse ; mesmo assim eventuais rastros deveriam ser apagados . Este seriam , daí para frente os cuidados próprios d ´ Os novos Mosqueteiros .
Somente a título de curiosidade , no dia em que Athos passava a vassoura de chirca apareceu , já a uns três quilômetros do lugar onde entrara o furgão , que muito estranhou a atitude de Athos .
Era um cavaleiro que por acaso pegara aquele atalho , que depois dos cumprimentos de praxe perguntou :
- Que pasa ? Por que estás hoje aqui pelas Palmas ?
- Te olvidastes de que é no primeiro do ano que nós , lá de Camaquã , viemos para os campos para pegar as ervas que usaremos nas nossas macacoas , nas enxaquecas ?
- Pois eu te juro que não me lembrava disto . É que nós , lá das Palmas , pegamos as ervas na Semana Santa ... sendo assim ... buenas tardes indio velho !
- Buenas ! Respondeu Athos para o cavaleiro que começava a se afastar .
A noite ajudava na retirada do furgão que , verdadeiramente , estava com o tesouro . Nem a lua apareceu no céu . Pouco antes da escapada de D ´ Artagnan e Aramis , Athos , serviu-lhes de batedor . Tudo na tentativa de afastar o mais do que improvável risco de que alguém percebesse o automóvel que ia com a dinheirama . Também por isto , fizeram um caminho muito mais longo . Na verdade atravessaram - pelo campos - a Serra de Caçapava , um lugar absolutamente despovoado , e ainda sem arames farpados . Aliás , sobre arames farpados os pobres do lugar diziam , como outros tantos , que "Deus criou a terra e o diabo o arame farpado. "
Até que D ´Artagnan chegou ao silo pelo lado contrário à única estrada de acesso para quem ali pudesse chegar . Só assim conseguiram que na estrada normal , no caminho comum a todos , não restasse qualquer rastro dos seus automóveis . Os que , enfim , chegaram no fim do mundo onde ficava o silo .
D Ártagnan e Athos levaram em conta que a região é de árvores esparsas , e baixas , entremeadas de grama , que também é vegetação nativa naqueles campos que vão do Sul do país , atravessam o Uruguai todo , e entram na Argentina, tudo praticamente com a mesma topografia ; de planície imensa , os chamados pampas . Por ser um quase infinito gramado , naquele ponto só interrompido por árvores de pequeno porte ; é comum aos que conhecem seus segredos que - desde que tenham boa orientação - atravessem-na de carro , que segue sempre costeando a mata que - aqui e ali - compõe a natureza viva que só existe naquele lugar . Foi assim que D ´Artagnan chegou ao galpão em que o furgão viria a ser inteiramente coberto de soja . O silo estava no pé da serra , no seu limite onde começa a planura total . Dali em diante já encontrariam tão somente fazendas . Ou , como chamavam os nativos dali , as estâncias . Este era o termo mais indicado , talvez em razão de ser comum a ambos idiomas : espanhol e português . Já o vocábulo "fazenda" era um pouco diferente em espanhol : hacienda .
Estância , estancieiros ... tudo igual , dos dois lados da fronteira .
D Ártagnan e Athos levaram em conta que a região é de árvores esparsas , e baixas , entremeadas de grama , que também é vegetação nativa naqueles campos que vão do Sul do país , atravessam o Uruguai todo , e entram na Argentina, tudo praticamente com a mesma topografia ; de planície imensa , os chamados pampas . Por ser um quase infinito gramado , naquele ponto só interrompido por árvores de pequeno porte ; é comum aos que conhecem seus segredos que - desde que tenham boa orientação - atravessem-na de carro , que segue sempre costeando a mata que - aqui e ali - compõe a natureza viva que só existe naquele lugar . Foi assim que D ´Artagnan chegou ao galpão em que o furgão viria a ser inteiramente coberto de soja . O silo estava no pé da serra , no seu limite onde começa a planura total . Dali em diante já encontrariam tão somente fazendas . Ou , como chamavam os nativos dali , as estâncias . Este era o termo mais indicado , talvez em razão de ser comum a ambos idiomas : espanhol e português . Já o vocábulo "fazenda" era um pouco diferente em espanhol : hacienda .
Estância , estancieiros ... tudo igual , dos dois lados da fronteira .
D ´ Artagnan tinha ido atrás - e conseguiu - de um novo cadeado para o portão do silo . Seu problema foi encontrar um cadeado novo em seu segredo , mas igualmente velho na sua aparência , eis que um cadeado totalmente novo poderia evidenciar que algo ocorrera de diferente no galpão , que era quase abandonado . E usar o mesmo cadeado de antes , o cadeado velho , traria um risco a mais : o de que alguém , que também tivesse a chave velha e , por razões desconhecidas , até mesmo o de ir procurar uma enchada , poderia descobrir o carro bilionário . O fato é que Mas D ´Artagnan achou um velho cadeado numa cidadezinha do Uruguai de nome estranho : Treinta e tres . Mui provavelmente , trintra e três foram os espanhóis que resistiram bravamente aos portugueses . É comum que nestes casos , digam as lendas que os trinta e três heróis enfrentaram - e venceram ! - centenas de inimigos . Neste caso hipotético , portugueses . Não é a toa que o hino da República Cisplatina , depois República Oriental do Uruguai , diz " orientales , o la pátria o la tumba " . Mas esta escolha , entre a hipotética honra e a morte , é um mote comum a quase todos os hinos daquelas paragens tordesilhanas .
O furgão foi estacionado , e fechado a chave , exatamente embaixo da bica , que com soja , na segunda-feira de manhã inundaria o carro transformando-o numa montanha de soja totalmente recheada de notas de cem dólares . Tudo levava a crer que a soja só voltaria a ser solicitada na próxima safra . E mesmo assim , se esta resultasse em uma colheita ruim . Ao contrário , se as safras permanecessem favoráveis , a soja sequer seria lembrada. Ficaria ali mesmo , como estoque regulador do governo
Mas restava um problema : D Ártagnan ; ou melhor , um seu bem- mandado , deveria vigiar para que durante todo o tempo não fosse aceso o secador de grãos . Os motivos eram óbvios : o calor que serviria para secar a soja poderia danificar os muito prováveis vinte milhões de dólares .
E aqui tem-se que lembrar do que representa o dólar do norteamericano naquele ponto do planeta .
Pelas condições especialíssimas de ser a região carente de algum outro meio de reserva efetiva - e fungível - de valor ; por ali o dólar era de garantia e praticidade únicas .
Sim , o dólar que , se não tinha o antigo brilho das libras esterlinas , consistia numa libra de papel tão aceita com a inglesa um dia foi e , por motivos de que em sua essência ser tão somente um papel , tornava-o muito mais fácil de ser internacionalizado . Principalmente porque ele trazia uma jura , tão solene como podem sera as juras americanas , a de que qualquer um poderia exigir o seu valor em ouro. Ou , por outra , um papel filosofal fungível em ouro 999,99 % .
Além de tantos cuidados , mais um eles tomaram : Athos ficou encarregado de , já no dia seguinte - um domingo , passar um fecho de chirca nas prováveis , ou hipotéticas , marcas que os pneus poderiam ter deixado , na terra do solo que - porventura - estivesse sem pasto ( assim é denominada a grama naqueles confins ) .
Nenhum rastro poderia ser percebido , ainda que por um gaudério desgarrado - destes que conhecem as pegadas como a palma da própria mão - que porventura andasse a esmo como eles tanto gostam de vadear .
A distância dos dez últimos quilômetros seria no outro dia batida pelo próprio Athos que , no último dia do feriadão de fim de ano , com um vassourão de chirca , varreria os lugares que tivessem sido em algo modificados pelos carros ; a menos chovesse . Aí as hipotéticas pegadas seriam apagadas pela chuva mesmo .
E aqui tem-se que lembrar do que representa o dólar do norteamericano naquele ponto do planeta .
Pelas condições especialíssimas de ser a região carente de algum outro meio de reserva efetiva - e fungível - de valor ; por ali o dólar era de garantia e praticidade únicas .
Sim , o dólar que , se não tinha o antigo brilho das libras esterlinas , consistia numa libra de papel tão aceita com a inglesa um dia foi e , por motivos de que em sua essência ser tão somente um papel , tornava-o muito mais fácil de ser internacionalizado . Principalmente porque ele trazia uma jura , tão solene como podem sera as juras americanas , a de que qualquer um poderia exigir o seu valor em ouro. Ou , por outra , um papel filosofal fungível em ouro 999,99 % .
Além de tantos cuidados , mais um eles tomaram : Athos ficou encarregado de , já no dia seguinte - um domingo , passar um fecho de chirca nas prováveis , ou hipotéticas , marcas que os pneus poderiam ter deixado , na terra do solo que - porventura - estivesse sem pasto ( assim é denominada a grama naqueles confins ) .
Nenhum rastro poderia ser percebido , ainda que por um gaudério desgarrado - destes que conhecem as pegadas como a palma da própria mão - que porventura andasse a esmo como eles tanto gostam de vadear .
A distância dos dez últimos quilômetros seria no outro dia batida pelo próprio Athos que , no último dia do feriadão de fim de ano , com um vassourão de chirca , varreria os lugares que tivessem sido em algo modificados pelos carros ; a menos chovesse . Aí as hipotéticas pegadas seriam apagadas pela chuva mesmo .
O cuidado era mesmo extremo : mesmo sendo certo que o caminho comumente não seria usado por quem quer que fosse ; mesmo assim eventuais rastros deveriam ser apagados . Este seriam , daí para frente os cuidados próprios d ´ Os novos Mosqueteiros .
Somente a título de curiosidade , no dia em que Athos passava a vassoura de chirca apareceu , já a uns três quilômetros do lugar onde entrara o furgão , que muito estranhou a atitude de Athos .
Era um cavaleiro que por acaso pegara aquele atalho , que depois dos cumprimentos de praxe perguntou :
- Que pasa ? Por que estás hoje aqui pelas Palmas ?
- Te olvidastes de que é no primeiro do ano que nós , lá de Camaquã , viemos para os campos para pegar as ervas que usaremos nas nossas macacoas , nas enxaquecas ?
- Pois eu te juro que não me lembrava disto . É que nós , lá das Palmas , pegamos as ervas na Semana Santa ... sendo assim ... buenas tardes indio velho !
- Buenas ! Respondeu Athos para o cavaleiro que começava a se afastar .
81 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B .
Como o furgão entrou no Uruguai pela estância de Pituca ele chegou até a praça dos bancos de Rivera como se tivesse realmente vindo do Uruguai . Se entrasse pela chamada Fronteira da Amizade ele viria do lado contrário . Contornou a praça General Artigas passando pela igreja , depois pela prefeitura , a chefatura de polícia , cruzou a esquina e parou na frente do Banco NRBZ . Ali na porta do banco Paulo Becerra Filho despediria-se de Aramis , que - com sangue frio - disse que esperaria pela praça , até que o dinheiro fosse conferido , para que Pituca lhe desse a sua parte . Tranquilizou-o dizendo que ele não se preocupasse ; que conhecia bem a cidade , os lugares onde poderia fazer um lanche .
Com um ar contido , mas de vitória , Aramis afastou-se do estancieiro , que por sua vez virou as costas para bater na porta - ou melhor - na garagem do banco . Em ato contínuo Aramis virou a esquina onde , na Calle San Martin , já lhe esperava uma bicicleta . O banco era numa casa antiga, mas bem pintada e com a marca internacional do banco estrategicamente fixada na esquina que confrontava com a praça General Artigas.
Quanto a topografia , o Uruguai é uma grande planície onde de bicicleta pode ir-se muito longe . E Aramis foi de pronto para o seu Pueblo , Colcabamba .
Na porta do NRBZ apareceu Don Paniagua , que cumprimentou Pituca , desejando-lhe um Feliz Ano Novo. Pituca abriu os braços e , eufórico , deu um abraço no banqueiro .
Entraram com o furgão na pequena garagem do banco , momento em que Pituca pegou o chaveiro - que até há pouco , para ele , estivera em poder de Silvério - experimentou chave por chave até que achou a que de fato virou a fechadura .
Com um ar contido , mas de vitória , Aramis afastou-se do estancieiro , que por sua vez virou as costas para bater na porta - ou melhor - na garagem do banco . Em ato contínuo Aramis virou a esquina onde , na Calle San Martin , já lhe esperava uma bicicleta . O banco era numa casa antiga, mas bem pintada e com a marca internacional do banco estrategicamente fixada na esquina que confrontava com a praça General Artigas.
Quanto a topografia , o Uruguai é uma grande planície onde de bicicleta pode ir-se muito longe . E Aramis foi de pronto para o seu Pueblo , Colcabamba .
Na porta do NRBZ apareceu Don Paniagua , que cumprimentou Pituca , desejando-lhe um Feliz Ano Novo. Pituca abriu os braços e , eufórico , deu um abraço no banqueiro .
Entraram com o furgão na pequena garagem do banco , momento em que Pituca pegou o chaveiro - que até há pouco , para ele , estivera em poder de Silvério - experimentou chave por chave até que achou a que de fato virou a fechadura .
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
80 - Julietinha e o Oficial do vapor . Final B
Silvério , só para confirmar o que já percebera , vestiu as calças e a camisa e foi até a porta do Boca de Ouro . Ali não tinha carro forte algum . Nada , além de um cachorro ovelheiro que olhou amistosamente para aquele que até ontem fora um segurança que escoltava as grandes somas de dinheiro que trazia do centro do país .
Mas se o mundo desabara , a vida continuava . Como sabia que seria inútil tentar encontrar , perseguir mesmo , Aramis ; porque, mais do que certamente ela fugira para o Uruguay ; e sendo ela uma nacional da República Oriental , inviabilizada estava qualquer perseguição "àquela vagabunda" .
Foi ao quarto de Carlão , bateu na porta quase derrubando-a : " Carlão , Carlão .... acabou tudo ... " . Foi quando apareceu no pequeníssimo corredor o terceiro capa preta , o Cabrito , já totalmente vestido ,,, " O que é isto Silvério ? Tu não estás parecendo um dos nossos .... "
Silvério foi direto : " Não somos mais o que fomos até ontem , Cabrito . Não somos mais nada . Roubaram a encomenda toda , até o carro foi levado ... "
Os dois correram para verem com os próprios olhos que nada mais havia que pudesse sequer oferecer alguma lembrança da profissão que os três tiveram até momentos atrás .
Um deles , o Carlão chorava em altos brados , mas foi Silvério quem tentou trazer-lhes para a realidade : " Esta era a maior das remessas; mesmo se fosse a menor delas , nem assim seríamos compreendidos , desculpados . Quer dizer que agora só nos resta nos dividirmos , porque juntos seremos presas ainda mais fáceis da vingança que daqui a pouco será mandada contra nós . Só nos resta fugir , sair daqui o mais depressa possível . Como hoje é fim de ano , o dia primeiro do ano , isto deve nos dar uma luz , um tempo de vantagem sobre os nossos perseguidores .
Silvério botou a mão no bolso e retirou todo o dinheiro que tinha , dividindo-o com exatidão para logo depois entregar a cada um dos outros dois o que restara .
" De agora em diante é cada um por si . Quanto mais longe daqui , mais próximos estaremos da salvação de nossas vidas . Eu dei uma olhada no mapa e já sei onde vou tentar me esconder . Bem que eu poderia dar uma opinião , um palpite de para onde vocês poderiam fugir . Mas só vou falar sobre isto por alto . Acho mesmo que vocês vocês poderiam mudar de cara , de jeito de falar , mas nada vou impor . Só sei que a partir de agora teremos que nos camuflar . E fugir . Fugir para salvar nossas vidas . Fugir , se quisermos nos salvar . Não se esqueçam que temos uma vantagem de um dia sobre nossos perseguidores . E não devemos deixar que esta vantagem diminua .
Pelos meus cálculos , este dia de vantagem é crucial . Também não se esqueçam que teremos , cada um ter uma história que seja aceitável , na ponta da língua . "
A seguir , Silvério narrou a passagem do Velho Testamento que falava da mulher que , por arriscar sentir saudades da vida anterior que levava, foi por Deus castigada , transformando-a numa estátua de sal . Enfatizou que todos era jovens , e que também isto seria um fator que facilitaria as coisas .
Ainda que não quisesse algo determinar , lembrou que estavam há umas seis a oito horas do porto de Rio Grande , e que a marinha mercante não costumava fazer muitas perguntas aos voluntários dispostos a trabalhar dentro de suas duras condições . Disse-lhes , ainda , que o Paraguai também estava há poucas horas dali , com um tráfego ininterrupto de caminhões para os país guarani , lugar espetacularmente desorganizado , em que , certamente não faltariam chances de manter alguém distanciado do risco maior : ser abatido pelos justiceiros que logo estariam em seu encalço . Por fim , Silvério lembrou-lhes que numa cidade grande , como a capital do estado , não seria difícil esconder-se .
Mas se o mundo desabara , a vida continuava . Como sabia que seria inútil tentar encontrar , perseguir mesmo , Aramis ; porque, mais do que certamente ela fugira para o Uruguay ; e sendo ela uma nacional da República Oriental , inviabilizada estava qualquer perseguição "àquela vagabunda" .
Foi ao quarto de Carlão , bateu na porta quase derrubando-a : " Carlão , Carlão .... acabou tudo ... " . Foi quando apareceu no pequeníssimo corredor o terceiro capa preta , o Cabrito , já totalmente vestido ,,, " O que é isto Silvério ? Tu não estás parecendo um dos nossos .... "
Silvério foi direto : " Não somos mais o que fomos até ontem , Cabrito . Não somos mais nada . Roubaram a encomenda toda , até o carro foi levado ... "
Os dois correram para verem com os próprios olhos que nada mais havia que pudesse sequer oferecer alguma lembrança da profissão que os três tiveram até momentos atrás .
Um deles , o Carlão chorava em altos brados , mas foi Silvério quem tentou trazer-lhes para a realidade : " Esta era a maior das remessas; mesmo se fosse a menor delas , nem assim seríamos compreendidos , desculpados . Quer dizer que agora só nos resta nos dividirmos , porque juntos seremos presas ainda mais fáceis da vingança que daqui a pouco será mandada contra nós . Só nos resta fugir , sair daqui o mais depressa possível . Como hoje é fim de ano , o dia primeiro do ano , isto deve nos dar uma luz , um tempo de vantagem sobre os nossos perseguidores .
Silvério botou a mão no bolso e retirou todo o dinheiro que tinha , dividindo-o com exatidão para logo depois entregar a cada um dos outros dois o que restara .
" De agora em diante é cada um por si . Quanto mais longe daqui , mais próximos estaremos da salvação de nossas vidas . Eu dei uma olhada no mapa e já sei onde vou tentar me esconder . Bem que eu poderia dar uma opinião , um palpite de para onde vocês poderiam fugir . Mas só vou falar sobre isto por alto . Acho mesmo que vocês vocês poderiam mudar de cara , de jeito de falar , mas nada vou impor . Só sei que a partir de agora teremos que nos camuflar . E fugir . Fugir para salvar nossas vidas . Fugir , se quisermos nos salvar . Não se esqueçam que temos uma vantagem de um dia sobre nossos perseguidores . E não devemos deixar que esta vantagem diminua .
Pelos meus cálculos , este dia de vantagem é crucial . Também não se esqueçam que teremos , cada um ter uma história que seja aceitável , na ponta da língua . "
A seguir , Silvério narrou a passagem do Velho Testamento que falava da mulher que , por arriscar sentir saudades da vida anterior que levava, foi por Deus castigada , transformando-a numa estátua de sal . Enfatizou que todos era jovens , e que também isto seria um fator que facilitaria as coisas .
Ainda que não quisesse algo determinar , lembrou que estavam há umas seis a oito horas do porto de Rio Grande , e que a marinha mercante não costumava fazer muitas perguntas aos voluntários dispostos a trabalhar dentro de suas duras condições . Disse-lhes , ainda , que o Paraguai também estava há poucas horas dali , com um tráfego ininterrupto de caminhões para os país guarani , lugar espetacularmente desorganizado , em que , certamente não faltariam chances de manter alguém distanciado do risco maior : ser abatido pelos justiceiros que logo estariam em seu encalço . Por fim , Silvério lembrou-lhes que numa cidade grande , como a capital do estado , não seria difícil esconder-se .
sábado, 10 de agosto de 2013
79 - Julietinha e o Oficial do Vapor - Final B
Naquele momento , fronteiriço entre o dormir e o estar desperto , Silvério , o chefe dos Capa-Pretas , esticou o braço na altura de onde deveria estar a concha de Aramis . Já era hábito que no despertar os amantes renovassem os votos da paixão que os unia com uma reiteração matinal do seu intenso amor . Não foi preciso uma segunda tentativa de apalpar sua amada para que , num estalo , percebesse a traição da uruguaia . Não , não era uma intuição . A cama , vazia da amante , era um sinal claro de que aquela vida que Silvério vivera até ali tinha se acabado .
Lembrou-se que uma das exigências que os corruptos fizeram ao montar o time de capa-pretas que guardaria os valores em suas realocações para o paraíso fiscal era que os guardas fossem solteiros . Achavam , tais pessoas , que sendo solteiro o homem que escoltaria os valores teria , na possibilidade de precisar resistir a um assalto , muito mais desprendimento para arriscar verdadeiramente sua vida na defesa dos bens que jurou transportar .
Assim , quis o destino que os três capa-pretas desfrutassem agora , que a montanha de dólares batera as asas para outros donos , da possibilidade única para as suas sobrevivências : desaparecerem na poeira da estrada que os trouxera até o Boca de Ouro .
Nos demais quartinhos do bordel , as moças permaneceram com seus companheiros , era a confirmação de que quem traíra fora Aramis .
Na mesinha do pequeno quarto uma folha de papel com a bela letra de Aramis : " La mujer tiene alas en la punta del corazón " . Silvério leu e chorou como nunca tinha chorado em toda a sua vida .
Lembrou-se que uma das exigências que os corruptos fizeram ao montar o time de capa-pretas que guardaria os valores em suas realocações para o paraíso fiscal era que os guardas fossem solteiros . Achavam , tais pessoas , que sendo solteiro o homem que escoltaria os valores teria , na possibilidade de precisar resistir a um assalto , muito mais desprendimento para arriscar verdadeiramente sua vida na defesa dos bens que jurou transportar .
Assim , quis o destino que os três capa-pretas desfrutassem agora , que a montanha de dólares batera as asas para outros donos , da possibilidade única para as suas sobrevivências : desaparecerem na poeira da estrada que os trouxera até o Boca de Ouro .
Nos demais quartinhos do bordel , as moças permaneceram com seus companheiros , era a confirmação de que quem traíra fora Aramis .
Na mesinha do pequeno quarto uma folha de papel com a bela letra de Aramis : " La mujer tiene alas en la punta del corazón " . Silvério leu e chorou como nunca tinha chorado em toda a sua vida .
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
78 - Julietinha e o Oficial do vapor . Final B
No meio da madrugada - e pouco depois de D´Artagnan aliviar o furgão original - Pituca e Aramis escorregaram ladeira abaixo o furgão deles . Pouco a pouco , muito devagar mesmo, o carro foi ganhando alguma velocidade - mas só pela lei da gravidade - na descida da baixada . Os pretensos sócios - Pituca e Aramis - rezavam para que nenhum dos capa-pretas aparecesse na porta , certamente de arma na mão , provavelmente dando tiros na direção daqueles que furtavam a que seria a maior das remessas de dólares - estimava-se que estariam ali vinte milhões deles - que , em princípio , deveriam estar guardados pelos Capa Pretas até que fossem entregues à agência cisplatina do banco nos Alpes .
Enfim Pituca colocou a segunda marcha para com ela dar o tranco no carro que fez o motor pegar . Ainda que olhasse no retrovisor - e como ele olhava ! - o estancieiro nada via , só a escuridão do momento mais escuro da madrugada . Além disto , ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas dormiam não representando perigo algum para quem fugiu com , ou melhor , sem a carga dólares . Pituca e Aramis deram altas gargalhadas ao pensarem como os guardas despertariam . Será que entrariam em choque ?
Era provável ; muito provável , que eles queimariam as próprias naves para - então - estabelecerem-se naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os espertos , os que furtaram os dólares que acabaram de vazar ladeira abaixo , os construtores de Brasilia não perdoariam aqueles capa-pretas que sempre foram pagos regiamente pelo serviços que prometeram fazer com total dedicação .
Mas foi o amor , a paixão por àquelas belas gauchas que modificou o caráter dos seguranças , vindo-se mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas que diz que mais puxa um par de pentelhos do que uma junta de boi brazino .
Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante . Tudo porque sabia que Aramis era do Taquarembó - um pueblo perdido no interior da República Oriental - também conhecida como república cisplatina . Pela sua forma de ver a vida , as pessoas , e o mundo , Pituca pensou que Aramis se emocionaria tanto , ao ver em suas mãos cem mil dólares , que não se daria conta da relatividade entre os valores que restariam para cada um dos hipotéticos sócios . Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados - , duzentas vezes o que caberia á Aramis .
O certo é que Pituca nunca desconfiou que isto poderia o seu plano ao fracasso . E , certamente , ajudou no seu fracasso . Imaginemos que Pituca dividisse meio a meio os vinte milhões . Provavelmente , nem assim Aramis trairia Os Mosqueteiros . Provavelmente .
Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .
Aramis despediu-se de Pituca , ficando certo que daí há duas horas encontrariam-se no saguão do hotel , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .
O dinheiro de Brasilia tornou-se agora a esperança de Pituca entrar numa bolada federal .
Enfim Pituca colocou a segunda marcha para com ela dar o tranco no carro que fez o motor pegar . Ainda que olhasse no retrovisor - e como ele olhava ! - o estancieiro nada via , só a escuridão do momento mais escuro da madrugada . Além disto , ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas dormiam não representando perigo algum para quem fugiu com , ou melhor , sem a carga dólares . Pituca e Aramis deram altas gargalhadas ao pensarem como os guardas despertariam . Será que entrariam em choque ?
Era provável ; muito provável , que eles queimariam as próprias naves para - então - estabelecerem-se naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os espertos , os que furtaram os dólares que acabaram de vazar ladeira abaixo , os construtores de Brasilia não perdoariam aqueles capa-pretas que sempre foram pagos regiamente pelo serviços que prometeram fazer com total dedicação .
Mas foi o amor , a paixão por àquelas belas gauchas que modificou o caráter dos seguranças , vindo-se mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas que diz que mais puxa um par de pentelhos do que uma junta de boi brazino .
Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante . Tudo porque sabia que Aramis era do Taquarembó - um pueblo perdido no interior da República Oriental - também conhecida como república cisplatina . Pela sua forma de ver a vida , as pessoas , e o mundo , Pituca pensou que Aramis se emocionaria tanto , ao ver em suas mãos cem mil dólares , que não se daria conta da relatividade entre os valores que restariam para cada um dos hipotéticos sócios . Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados - , duzentas vezes o que caberia á Aramis .
O certo é que Pituca nunca desconfiou que isto poderia o seu plano ao fracasso . E , certamente , ajudou no seu fracasso . Imaginemos que Pituca dividisse meio a meio os vinte milhões . Provavelmente , nem assim Aramis trairia Os Mosqueteiros . Provavelmente .
Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .
Aramis despediu-se de Pituca , ficando certo que daí há duas horas encontrariam-se no saguão do hotel , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .
O dinheiro de Brasilia tornou-se agora a esperança de Pituca entrar numa bolada federal .
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quarta-feira, 31 de julho de 2013
77 - Julietinha e o Oficial do vapor - final B
Se olhassemos com uma lente que pegasse a amplitude do plano dos Mosqueteiros veria-se que boa parte dele estava fechado . Tudo vinha acontecendo como fora previsto . Pituca veio mesmo conversar com Aramis , que mostrou-se hábil na dissimulação de que estaria absolutamente comprometida com o estancieiro , inclusive mostrando-se muito feliz pelo prêmio que receberia . Mesmo assim , alguns problemas permaneciam . Um dos seguranças , dos Capa-Pretas , não bebia álcool . A questão agora - de Pituca e Aramis - era como embebeda-lo . Aramis lembrou que , apesar de beber somente sucos de frutas , sobressaia a fama dele ser muito interessado em sexo - nas suas formas mais , digamos , originais e excêntricas . Pelo menos foi o que confidenciou Prendoca , que era a moça que atendia o vigilante .
Foi quando Pituca sugeriu que um sonífero fosse jogado no suco que o homem beberia . Aramis lembrou-se que D´Artagnan certamente não concordaria com o artifício , eis que o alívio de excessos pecuniários só admitia meios naturais para a requisição deles . Também lembrou-se que Prendoca segredou que por mais de uma vez o amante sugerira que ela chamasse outras meninas para participarem de sexo a três , ou quantas mais quisessem divertir-se com a orgia .
Pituca exultou , dizendo que : " Contratarei desde já moças dispostas a tudo que passar pela cabeça do quéra ! " Prendoca , mais duas , teriam a missão mantê-lo totalmente envolvido no bacanal .
Fechando mais um pouco o foco : D ´Artagnan , sabendo que o acesso de carros ao Boca de Ouro ( que , aliás , estava de há muito tempo fechado para funcionamento exclusivo dos planos de Pituca ) concluiu que o pequeno caminhão adquirido por Athos deveria chegar com o motor desligado . Logo a seguir , já com os Capa-Pretas anestesiados pela atuação das prostitutas , D ´ Artagnan se apossaria da chave do caminhão , onde estava o dinheiro , deixando a chave do caminhão falso para que , em breves minutos , fosse furtado por Pituca , que também as chaves entregues por Aramis . A Mosqueteira informaria o Pituca da hora prevista para ele chegar , momento em que os seguranças estariam fora de combate .
D ´ Artagnan , por sua vez , também desceria a rua com o motor apagado , vindo a ligá-lo somente quando o ruído do motor já não pudesse ser ouvido pelos seguranças .
Aramis seguiria com Pituca , que tomaria a direção da República Oriental onde - ainda que fosse feriado - teria Don Paniagua a esperar-lhe , com funcionários de sua estrita confiança , prontos para conferir , receber e dar recibo do depósito .
Don Paniagua dissera à Pituca que tão logo o depósito fosse noticiado , e desde que o telex passado por Paniagua fosse recebido no paraíso fiscal , tudo isto resultaria em que tudo estivesse praticamente consumado : Sim , o dinheiro estando lá na Europa já seria , praticamente , uma propriedade de Pituca ; que mesmo assim , perguntou ao banqueiro :
" Vou ser franco , Don Paniagua ... não gostei do senhor ter usado duas vezes o tal de "praticamente " Minha pergunta é : e quando eu serei teórica - além de praticamente - totalmente dono do dinheiro ? "
" Usted solamente será dueño de la plata , en toda la plenitud del termo , después que se passar um dia , um dia de veinte e quatro horas pasadas , um dia después del dinero estar em mis manos , niño Pituca . "
Por tal aviso , Pituca soube que o dinheiro seria verdadeiramente seu somente depois de dormir por vinte e quatro horas com os banqueiros . Naquele momento o dinheiro seria definitivamente propriedade sua , nada mais podendo ser feito por quem quer que fosse para modificar tal estado de propriedade .
Aramis despediria-se de Pituca na entrada de Rivera , e desapareceria no interior do país . A moça seguiria para o pueblo onde nascera ; totalmente distanciado de qualquer novidade que pudesse ser filtrada , de Rivera para o pueblo . Além disto , em po ali ninguém sabia da profissão de Aramis .
Sim , o tesouro seria sepultado em trigo , dentro de um grande silo , onde o pequeno caminhão hibernaria temporariamente . Até mesmo as marcas dos pneus do verdadeiro carro transportador seriam apagadas , confundidas , de forma a impossibilitar a quem que - por remota possibilidade - ali passasse , mesmo que fosse no outro dia , pudesse perceber qualquer marca do carro pagador desaparecido .
Logo para o outro dia , D Ártagnan - com suas amizades aos gaúchos daquele fim de mundo , já programara a chegada de quatro grandes carretas de trigo a ser depositado no silo , que - por sinal - já estava limpo , tão somente com o pequeno caminhão que , não por acaso , ficaria exatamente onde a esteira despejaria o cereal .
Os Mosqueteiros sabiam que riscos sempre existiriam . Mas esta alternativa de esconderijo foi a escolhida porque concluiu-se que nenhum dos que se sentiriam prejudicados poderiam reclamar a perda do tesouro ; para quem quer que fosse , na República Oriental , ou mesmo no Brasil .
Restaria aos Mosqueteiros a missão de ocultação do alívio de realizações pecuniárias , até que a toda a areia passasse pelo buraco da ampulheta .
D ´ Artagnan , por sua vez , também desceria a rua com o motor apagado , vindo a ligá-lo somente quando o ruído do motor já não pudesse ser ouvido pelos seguranças .
Aramis seguiria com Pituca , que tomaria a direção da República Oriental onde - ainda que fosse feriado - teria Don Paniagua a esperar-lhe , com funcionários de sua estrita confiança , prontos para conferir , receber e dar recibo do depósito .
Don Paniagua dissera à Pituca que tão logo o depósito fosse noticiado , e desde que o telex passado por Paniagua fosse recebido no paraíso fiscal , tudo isto resultaria em que tudo estivesse praticamente consumado : Sim , o dinheiro estando lá na Europa já seria , praticamente , uma propriedade de Pituca ; que mesmo assim , perguntou ao banqueiro :
" Vou ser franco , Don Paniagua ... não gostei do senhor ter usado duas vezes o tal de "praticamente " Minha pergunta é : e quando eu serei teórica - além de praticamente - totalmente dono do dinheiro ? "
" Usted solamente será dueño de la plata , en toda la plenitud del termo , después que se passar um dia , um dia de veinte e quatro horas pasadas , um dia después del dinero estar em mis manos , niño Pituca . "
Por tal aviso , Pituca soube que o dinheiro seria verdadeiramente seu somente depois de dormir por vinte e quatro horas com os banqueiros . Naquele momento o dinheiro seria definitivamente propriedade sua , nada mais podendo ser feito por quem quer que fosse para modificar tal estado de propriedade .
Aramis despediria-se de Pituca na entrada de Rivera , e desapareceria no interior do país . A moça seguiria para o pueblo onde nascera ; totalmente distanciado de qualquer novidade que pudesse ser filtrada , de Rivera para o pueblo . Além disto , em po ali ninguém sabia da profissão de Aramis .
Sim , o tesouro seria sepultado em trigo , dentro de um grande silo , onde o pequeno caminhão hibernaria temporariamente . Até mesmo as marcas dos pneus do verdadeiro carro transportador seriam apagadas , confundidas , de forma a impossibilitar a quem que - por remota possibilidade - ali passasse , mesmo que fosse no outro dia , pudesse perceber qualquer marca do carro pagador desaparecido .
Logo para o outro dia , D Ártagnan - com suas amizades aos gaúchos daquele fim de mundo , já programara a chegada de quatro grandes carretas de trigo a ser depositado no silo , que - por sinal - já estava limpo , tão somente com o pequeno caminhão que , não por acaso , ficaria exatamente onde a esteira despejaria o cereal .
Os Mosqueteiros sabiam que riscos sempre existiriam . Mas esta alternativa de esconderijo foi a escolhida porque concluiu-se que nenhum dos que se sentiriam prejudicados poderiam reclamar a perda do tesouro ; para quem quer que fosse , na República Oriental , ou mesmo no Brasil .
Restaria aos Mosqueteiros a missão de ocultação do alívio de realizações pecuniárias , até que a toda a areia passasse pelo buraco da ampulheta .
domingo, 28 de julho de 2013
76 - Julietinha e o oficial do vapor - final B
D - Artagnan , ao voltarem do almoço na reunião de Santa Maria , fez mais uma preleção aos Mosqueteiros , o que ele chamava de "base moral para os atos de alívio " .
" Não pensem , Mosqueteiros , que vocês serão os primeiros a porem em prática esta espécie de obtenção de propriedade numa de suas formas de aquisição originária . Não , muitos outros já o fizeram através dos séculos . Daí eu ter que , agora , fazer uma distinção entre o que diz o aforismo " Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " e o alívio que vamos em breves dias praticar. Embora nos seus aspectos religiosos o dito popular sirva para uma expiação prévia de algo - o roubo - defeso , eis que proibido pela leis da Santa Madre Igreja ; por isto é preciso diferenciar , separar mesmo , o joio do trigo . Companheiros , neste balaio , o roubo é o joio ; mas o trigo ... o trigo é o justo , é o natural alívio de excessos de realizações pecuniárias . A propósito : um exemplo recente , mas que já se tornou um clássico , deu-se quando um dos mais grandes maiorais de Brasilia - agora mesmo , com a construção da nova capital - usou daquilo que a gíria chama de "laranja" , para ampliar suas realizações excessivas .
Tal Maioral ( por sinal , de graduação máxima na hierarquia de tais peixes grandes ) tinha um preposto , uma terceira pessoa de sua absoluta confiança ; repito : um laranja . Sabe-se que o Maioral recebeu um edifício , de muitos andares , naquilo que chama de "dação em pagamento" , só que de origem corrupta . Ganhou , como parte de pagamento de uma excessiva realização pecuniária , um prédio numa das ruas mais valorizadas do Bairro de Ipanema , no Rio de Janeiro . Mas como o nome do Maioral não podia aparecer na transação , pediu para o terceiro de sua confiança receber como se fosse seu o imóvel , no que foi atendido pelo preposto sem maiores indagações . Tudo sob o juramento tácito de que o edifício ficasse às ordens do Maioral , inclusive para eventual transferência do domínio a quem ele mandasse . E não é que o preposto morreu logo depois e , vindo um terceiro moço de recados informar - a mando do Maioral - à viúva que ele queria que o imóvel fosse transferido a outro preposto . Mas a viúva respondeu que desconhecia qualquer acordo ou combinação de seu finado marido com quem quer que fosse ; e , que para todos os fins , o imóvel pertencia ao marido , mas também a ela própria , eis que casados em regime de comunhão universal de bens . É claro que o Maioral teve que comer com casca e tudo o fruto servido pela viúva . Pergunto-lhes , corajosos Mosqueteiros : o que fez a viúva ? Como pode ser classificado o ato praticado pela senhora ? "
Foi Athos o primeiro a responder : " Ela praticou um alívio de excessos de realizações " . O que foi confirmado pelos demais mosqueteiros com um balançar afirmativo de cabeça muito bem explicitado .
"Certo , Mosqueteiro Athos ! a viúva agiu como nós deveremos agir : sem violência - eis que o uso da força bruta descaracteriza o alívio , que jamais pode ser confundido com qualquer outra forma de aquisição da propriedade . Obter propriedade pela força caracteriza o roubo . Mas consegui-la - quando excessiva - pelo alívio , aí tem-se - seguramente - uma forma lícita de adquirir o que foi obtido - aí sim - de forma ilícita , criminosa mesmo . E , para concluir , pergunto : por que o objeto dos alívios tem que - antes - serem tisnados pelo crime , pela ilicitude ? "
D´Artagnan não demorou a , ele próprio , responder : " Porque também a obtenção da propriedade tem condicionantes a serem respeitadas . E se isto não acontecer de forma criteriosa , e - além disto - ela for excessiva , pode ser - tranquilamente - aliviada . " Concluiu D ´Artagnan sob aplauso dos companheiros.
" Não pensem , Mosqueteiros , que vocês serão os primeiros a porem em prática esta espécie de obtenção de propriedade numa de suas formas de aquisição originária . Não , muitos outros já o fizeram através dos séculos . Daí eu ter que , agora , fazer uma distinção entre o que diz o aforismo " Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " e o alívio que vamos em breves dias praticar. Embora nos seus aspectos religiosos o dito popular sirva para uma expiação prévia de algo - o roubo - defeso , eis que proibido pela leis da Santa Madre Igreja ; por isto é preciso diferenciar , separar mesmo , o joio do trigo . Companheiros , neste balaio , o roubo é o joio ; mas o trigo ... o trigo é o justo , é o natural alívio de excessos de realizações pecuniárias . A propósito : um exemplo recente , mas que já se tornou um clássico , deu-se quando um dos mais grandes maiorais de Brasilia - agora mesmo , com a construção da nova capital - usou daquilo que a gíria chama de "laranja" , para ampliar suas realizações excessivas .
Tal Maioral ( por sinal , de graduação máxima na hierarquia de tais peixes grandes ) tinha um preposto , uma terceira pessoa de sua absoluta confiança ; repito : um laranja . Sabe-se que o Maioral recebeu um edifício , de muitos andares , naquilo que chama de "dação em pagamento" , só que de origem corrupta . Ganhou , como parte de pagamento de uma excessiva realização pecuniária , um prédio numa das ruas mais valorizadas do Bairro de Ipanema , no Rio de Janeiro . Mas como o nome do Maioral não podia aparecer na transação , pediu para o terceiro de sua confiança receber como se fosse seu o imóvel , no que foi atendido pelo preposto sem maiores indagações . Tudo sob o juramento tácito de que o edifício ficasse às ordens do Maioral , inclusive para eventual transferência do domínio a quem ele mandasse . E não é que o preposto morreu logo depois e , vindo um terceiro moço de recados informar - a mando do Maioral - à viúva que ele queria que o imóvel fosse transferido a outro preposto . Mas a viúva respondeu que desconhecia qualquer acordo ou combinação de seu finado marido com quem quer que fosse ; e , que para todos os fins , o imóvel pertencia ao marido , mas também a ela própria , eis que casados em regime de comunhão universal de bens . É claro que o Maioral teve que comer com casca e tudo o fruto servido pela viúva . Pergunto-lhes , corajosos Mosqueteiros : o que fez a viúva ? Como pode ser classificado o ato praticado pela senhora ? "
Foi Athos o primeiro a responder : " Ela praticou um alívio de excessos de realizações " . O que foi confirmado pelos demais mosqueteiros com um balançar afirmativo de cabeça muito bem explicitado .
"Certo , Mosqueteiro Athos ! a viúva agiu como nós deveremos agir : sem violência - eis que o uso da força bruta descaracteriza o alívio , que jamais pode ser confundido com qualquer outra forma de aquisição da propriedade . Obter propriedade pela força caracteriza o roubo . Mas consegui-la - quando excessiva - pelo alívio , aí tem-se - seguramente - uma forma lícita de adquirir o que foi obtido - aí sim - de forma ilícita , criminosa mesmo . E , para concluir , pergunto : por que o objeto dos alívios tem que - antes - serem tisnados pelo crime , pela ilicitude ? "
D´Artagnan não demorou a , ele próprio , responder : " Porque também a obtenção da propriedade tem condicionantes a serem respeitadas . E se isto não acontecer de forma criteriosa , e - além disto - ela for excessiva , pode ser - tranquilamente - aliviada . " Concluiu D ´Artagnan sob aplauso dos companheiros.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
75 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Em reunião , os Novos Mosqueteiros decidiram que haveria a cada dois dias , e por telefone , a coleta das novidades aliviantes . Os esgrimistas daqueles pampas usariam os aparelhos comunitários que a empresa de telefonia colocara nas ruas que permitiam o recebimento de ligações por quem estivesse por perto deles. Com este meio , D´ Artagnan saberia as novidades e daria as novas diretrizes aos colegas.
De agora para frente o mais importante seria que todos se recordassem de suas experiências de vida para que as soluções dos problemas tivessem base na realidade de cada um dos Mosqueteiros .
De agora para frente o mais importante seria que todos se recordassem de suas experiências de vida para que as soluções dos problemas tivessem base na realidade de cada um dos Mosqueteiros .
Foi para incentivarem-se mutuamente que marcaram a reunião de Santa Maria , uma cidade situada bem no centro do estado . Naquela reunião , D ´Artagnan mostrou o progresso nos planos , por ele denominado , agora oficialmente , de " Plano Geral do Alívio de Excessos de Realizações Pecuniárias " .
Por sua vez , o primeiro mosqueteiro refletiu interiormente sobre o amadurecimento mental por que passavam todos os outros . Mesmo os de origem mais humilde agora raciocinavam com grande lógica , o que vinha confirmar o que ele já desconfiara ; que a exclusividade na singeleza de idéias - ma maioria das vezes - é própria do ambiente de pobreza que cada um vive . A proximidade - ainda que como potência - da pecúnia ; a possibilidade de que cada uma daquelas pessoas viesse a - em breve - tornar-se alguém de posses fazia com que cada um deles raciocinasse como gente das altas finanças . Mas , é claro , a correção deste pensamento a que chegara D Ártagnan só seria comprovada com o sucesso do alívio de excessos pecuniários que estava em curso .
Por sua vez , o primeiro mosqueteiro refletiu interiormente sobre o amadurecimento mental por que passavam todos os outros . Mesmo os de origem mais humilde agora raciocinavam com grande lógica , o que vinha confirmar o que ele já desconfiara ; que a exclusividade na singeleza de idéias - ma maioria das vezes - é própria do ambiente de pobreza que cada um vive . A proximidade - ainda que como potência - da pecúnia ; a possibilidade de que cada uma daquelas pessoas viesse a - em breve - tornar-se alguém de posses fazia com que cada um deles raciocinasse como gente das altas finanças . Mas , é claro , a correção deste pensamento a que chegara D Ártagnan só seria comprovada com o sucesso do alívio de excessos pecuniários que estava em curso .
Athos informou que , ainda que usando seus últimos recursos , compraria na República Oriental um pequeno caminhão totalmente idêntico ao que os Capa Pretas chegavam com os dólares . Como Athos dispunha de um derradeiro dinheiro no exterior , e sendo a República Oriental um paraíso fiscal , isto facilitaria a compra . Outro ponto importante : Athos compraria o caminhão em nome de um terceiro , na verdade tal estratégia era algo comum entre os comerciantes do lado de lá da fronteira . Muito brasileiros faziam negócios , abriam contas bancárias , compravam bens com nomes chamados por eles mesmos de "frios" . Era um costume já pacificado nos usos e costumes locais .
Por sua vez , Aramis disse que o seu acompanhante costumava dedicar as duas primeiras horas de seus encontros para os jogos de amor , só depois deles entregava-se à bebida , tomando dois , quase três copos de uísque , passando logo a dormir com sono completamente profundo nas próximas três horas . A jovem propôs - a título de ideia possível de ser executada - o artifício usado por um cliente seu , um jovem - quase menino - que , apesar de ter pouquíssimos recursos , queria dispor de seus serviços amorosos . O jovem combinou o preço , chegando a mostra-lhe o dinheiro com que , certamente , honraria o contratado . Já no leito , o rapaz pôs o dinheiro da paga debaixo do travesseiro . Tudo aconteceu normalmente , tendo mesmo Aramis tecido algum elogio ao cliente. Admitido a permanecer no leito , o soldado , que por sinal cumpria o tempo de serviço militar obrigatório , avisou que teria que ir embora muito cedo . Assim foi , o sol ainda não se levantara quando o jovem propôs - e foi aceito por Aramis - um novo enlace - , agora matinal . Logo depois vestiu-se apressadamente e saiu quase correndo em direção ao quartel ; mas não sem antes puxar pelo lado de fora da janela o fio que amarrara ao dinheiro do hipotético pagamento . Ao acordar , a moça tateou , procurando o dinheiro embaixo do travesseiro do freguês , mas nada encontrou . Revistou o quarto , quando notou a janela estrategicamente entreaberta . Foi ao lado de fora e encontrou o fio de linha jogado ao chão , sendo ele a prova que permitiu que ela descobrisse a trama do gentil soldadinho .
Concluindo , Aramis informou que fora despertada para aquela solução do recruta pelo hábito do seu Capa Preta que , assim como soldado, guardava a chave do caminhão de dólares embaixo do próprio travesseiro. Sendo assim , ela lembrou-se que também os Mosqueteiros poderiam valerem-se da criatividade do recruta . Ela bem que poderia dar um jeito de amarrá-la a um barbante para que D Artagnan , ou mesmo Porthos , puxassem- nas para fora do quarto .
D ´Artagnan achou a ideia muito criativa . E disse que seria levada em conta na elaboração final do plano.
Neste momento interromperam a reunião para almoçarem .
quinta-feira, 25 de julho de 2013
74 - Julieitnha e o Oficial do vapor - Final B
Dois planos seguiam a um só tempo : o de Pituca , e o dos Novos Mosqueteiros . O plano de Paulo Becerra tinha duas pessoas infiltradas nele : os mosqueteiros Quita , e Aramis . Quanto à Aramis , Pituca entendeu que ela , sendo pessoa da maior importância para o furto que planejava , ofereceu-lhe a participação de cem mil dólares ; quantia que foi imediatamente aceita pela rapariga . Aramis raciocinou prontamente que se desse uma resposta al tiro , isto aumentaria a confiança de Pedro , incentivando-o para que falasse ainda mais de seus planos .
Julitetinha reclamou de Pedro por ele não ter contado que fora à Caçapava . É que Pedro fora àquela cidadezinha , segundo contou gora à Julietinha , para informar-se de certas incursões de espeleólogos que estavam explorando algumas grutas que haviam na cidade .
Julietinha : " Mas por que não me dissestes , Pedro ? "
Pedro : "Na verdade no dia que eu fui lá tu estavas visitando o Pituca em Porto Alegre . Ou melhor , fostes ajudar a Valéria nas compras , nos preparativos para o casamento . Depois disto eu até cheguei a me esquecer de que tinha ido à Caçapava . "
Foi verdade . Pedro também interessava-se por espeleologia , e foi à cidadezinha fazer um contato com os exploradores de cavernas .
D ´Artagnan , que estava sempre atento aos detalhes , achou que o fato de Aramis morar do lado de lá da fronteira , na República Oriental , isto era algo bem importante para eles todos. Tudo porque no plano que começava a cristalizar-se em sua cabeça ; Aramis seria a pessoa sobre a qual recairiam todas as suspeitas e , evadir-se de pronto para o país vizinho garantiria totalmente o seu total distanciamento do alívio que os Novos Mosqueteiros fariam ante os acumuladores de realizações pecuniárias . Bastaria-lhes manter Aramis distante de tudo e de todos para que todas as suspeitas morressem no nascedouro .
Valéria confidenciou à Quita que Pituca teria fraquejado na mútua decisão de ambos voltarem ao estado de quase reconstrução das virgindades . Ante ao argumento do noivo de que por faltar tão pouco tempo para as núpcias terminada estaria a necessidade de manterem a candura , Valéria agarrou-se à promessa como um náufrago a um salva-vidas :
" Se esperamos até aqui , se sofremos juntos as maiores tentações , por que haveremos de quebrar a promessa de nos mantermos alvos como a neve , limpos como águas que descem das montanhas , claros com as luz das estrelas . Não , amado Pituca , o que você quer , o que me pede , só terá depois do casamento ... e aí sim , serei toda tua ... e para sempre . "
Pituca , que estava ajoelhado aos pés da amada , levantou-se e , sem despedir-se , caminhou para o seu apartamento parecendo que estava algo assim meio curvado .
Julitetinha reclamou de Pedro por ele não ter contado que fora à Caçapava . É que Pedro fora àquela cidadezinha , segundo contou gora à Julietinha , para informar-se de certas incursões de espeleólogos que estavam explorando algumas grutas que haviam na cidade .
Julietinha : " Mas por que não me dissestes , Pedro ? "
Pedro : "Na verdade no dia que eu fui lá tu estavas visitando o Pituca em Porto Alegre . Ou melhor , fostes ajudar a Valéria nas compras , nos preparativos para o casamento . Depois disto eu até cheguei a me esquecer de que tinha ido à Caçapava . "
Foi verdade . Pedro também interessava-se por espeleologia , e foi à cidadezinha fazer um contato com os exploradores de cavernas .
D ´Artagnan , que estava sempre atento aos detalhes , achou que o fato de Aramis morar do lado de lá da fronteira , na República Oriental , isto era algo bem importante para eles todos. Tudo porque no plano que começava a cristalizar-se em sua cabeça ; Aramis seria a pessoa sobre a qual recairiam todas as suspeitas e , evadir-se de pronto para o país vizinho garantiria totalmente o seu total distanciamento do alívio que os Novos Mosqueteiros fariam ante os acumuladores de realizações pecuniárias . Bastaria-lhes manter Aramis distante de tudo e de todos para que todas as suspeitas morressem no nascedouro .
Valéria confidenciou à Quita que Pituca teria fraquejado na mútua decisão de ambos voltarem ao estado de quase reconstrução das virgindades . Ante ao argumento do noivo de que por faltar tão pouco tempo para as núpcias terminada estaria a necessidade de manterem a candura , Valéria agarrou-se à promessa como um náufrago a um salva-vidas :
" Se esperamos até aqui , se sofremos juntos as maiores tentações , por que haveremos de quebrar a promessa de nos mantermos alvos como a neve , limpos como águas que descem das montanhas , claros com as luz das estrelas . Não , amado Pituca , o que você quer , o que me pede , só terá depois do casamento ... e aí sim , serei toda tua ... e para sempre . "
Pituca , que estava ajoelhado aos pés da amada , levantou-se e , sem despedir-se , caminhou para o seu apartamento parecendo que estava algo assim meio curvado .
quinta-feira, 18 de julho de 2013
73 - Julietinha e o Oficial do Vapor - Final B .
Conforme já tinham combinado , foi a mosqueteira Quita que convocou uma reunião para informar o grupo sobre as novidades colhidas . Desta vez ficou acertado que o encontro seria em Caçapava , uma cidadezinha no alto de uma pequena serra , que vive da mineração de calcário , com paisagens das mais tranquilas de todo o planeta Terra . Quita não bebia álcool ; assim , o brinde em que todos os Mosqueteiros levantavam as taças , para ela foi com refrigerante . Para os demais foi com um excelente vinho da Campanha .
" Tudo bem ". respondeu Porthos . Mas voltemos à nossa causa primeira : quanto hoje progredimos no nosso plano de ir buscar - como sempre me diz D ´Artagnan ... o nosso quinhão ... ao , tão somente , aliviar os excessos de realizações perpetradas por terceiros ? "
D ´Artagnan respondeu : " Posso garantir que hoje andamos muito , mosqueteiro Porthos . "
Foi Aramis quem abortou a aridez da falação que , certamente , iniciaria o primeiro mosqueteiro ( "primeiro" por que foi quem organizou o grupo , eis que entre Os Novos Mosqueteiros não existia qualquer hierarquia ) : " Eu estava esperando um tempo para dizer que Pituca convocou todas as meninas do Boca de Ouro para a semana que vai do Natal até o dia 2 de janeiro . Ele quer todas a postos neste período. "
Depois de Aramis , Quita aproveitou para dar mais uma notícia : " Ouvi o Seu Pituca dizendo para Valéria que estava cada vez mais satisfeito com o trabalho do Seu Bandido ; que , até agora , Bandido não atrasara um dia sequer no pagamento de sua mesada de dez mil dólares . Eu ainda não sei bem o que isto tem a ver com tudo que nós queremos . Mas a intuição me diz que em alguma coisa isto é bom para nós todos . "
Foi o próprio D ´Artagnan quem completou . " Todos nós devemos ficar atentos , mas também felizes ! Diversos passos já foram dados por nós , Porthos . E todos com absoluta precisão . Nem que eu quisesse só olhar para o lado frio da lógica , despindo-o de interpretações que pudessem nos favorecer ; nem assim eu poderia esquecer que temos boa parte do caminho andado . Tudo joga a nosso favor ! Vejam a alegria de Pituca quando confirma que o senhor Bandido paga com absoluta pontualidade o que lhe prometeu . Qual a leitura disto , Novos Mosqueteiros ? Qual ? : Pituca , já decidiu que mudará de vida no momento em que casar-se . E quer ter uma dupla garantia : o pinga-pinga , pelo menos para ele , de dez mil dólares por mês depositados em sua conta , mais um depósito de nada menos do que vinte milhões de dólares . Tudo depositado no pais da cruz branca . Posso garantir que todas as terras , todas as estâncias de de Pituca não valem a metade disto ."
Foi Porthos quem cortou D ´Artagnan : " Vinte milhões de dólares .... de onde tu tirastes este número ? "
" É fácil , Porthos . Tantos avisos , tantas preparações levam a uma conclusão evidente : O pequeno caminhão virá lotado . Eu me dei ao trabalho de calcular , pelo volume do caminhão , quantas notas de cem dólares cabem ali . Dá mais de vinte milhões de dólares . Outra evidência é que a situação política está dia a dia se complicando . Eu me convenci que os detentores da pecúnia concluream que chegou a hora dos excessos de realizações serem retirados do país . E o quanto antes . Vejam , companheiros , temos que agir como um relógio inglês , com exatidão , sem titubeios . Absolutamente precisos nos alívios pecuniários a que nos propomos ; se o casamento de Pituca está marcado para o dia 15 de Dezembro ; e , se além disto , ele vendeu os apartamentos , é porque quer abandonar a região . Como ouvimos nossos pais dizer : Pituca quer ver o anoitecer , mas não o amanhecer . Quer desaparecer na calada da noite . E por que Pituca faz isto ? : porque a maior parte de seu plano também, já deu certo . Recordam que eu disse que todos os carregamentos de dólares chegaram num feriado de longa duração ? Este é o motivo de Pituca botar o Boca de Ouro de prontidão geral na semana de fim de ano . " Todos os mosqueteiros balançaram a cabeça afirmativamente , quando D ´Artagnan voltou à sua explanação : " Pois bem , daqui a 40 dias teremos um grande feriado , o maior de todos : a semana de Natal , sempre colada nas festas de passagem do ano . E , como neste ano o Natal cai numa terça-feira teremos praticamente a junção de dois grandes feriados . Tem-se aí um momento mágico em que as estradas param , os postos policiais fecham por completo seus postos logo depois que acham que todo o tráfego vazou para seu destino final . Companheiros , a polícia também para , recolhe-se a seus lares . E não só no Brasil . Tudo para nos dois lados da fronteira . Para todos que estão nesta aventura o final do ano é a hora . O dia é este : o primeiro do ano . "
Porthos aproveitou para levantar uma dúvida : " Pensei , pensei e percebi , D ´Artagnan , que não precisamos de que exista um duplo furto . Ora , se a nossa fé aponta para que o dito de "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " seja suficiente - pelo menos quanto ao tempo necessário para uma ampla anistia divina ; e , considerando-se os obstáculos que teríamos ao ter que esperar que Pituca faça o seu desapossamento ; para , aí sim , aliviarmos o gauchão ; digo com certeza que não vale a pena o risco originado nesse duplo perdão . Diante disto eu peço a Democrática para que seja resolvido este incidente : se poderemos promover um alívio simples , mesmo que com isto só tenhamos a garantia de tão somente cem anos de perdão , não existe motivos lógicos ou religiosos para que o risco se multiplique . Ou , então , se for da vontade do Grupo , esperemos que Pituca furte os dólares , para - depois dele delinquir - aí sim aliviar o Paulo Becerra . "
D ´Artagnan pediu que , pela ordem , ele esclarecesse : " Muito bem , Porthos . Já vi que nosso convívio tem feito sua cabeça se abrir aos clássicos . Você tem razão ! O que Pituca faria seria um furto ; isto mesmo , o estancieiro não dispõe de status filosófico , ou mesmo religioso , que todos nós , Os Novos Mosqueteiros , dispomos . Tudo porque nós , qualquer um dos Novos Mosqueteiros , nada têm de acumulação , real ou pecuniária . Inexiste , para Pituca , qualquer possibilidade do perdão divino . Isto nem de longe vale para Pituca . Ele é um grande proprietário de terras ; e , o que para nós será um aliviar de excessos de realizações , para ele seria mais uma acumulação ampliadora de realizações . Parabéns , Athos ! E eu espero que Aramis e Quita estejam abrindo suas consciências para o fato de que não nos interessa ser igual aos outros acumuladores insaciáveis . O que queremos é a nossa parte nas apropriações de bens naturais embolsados ao longo das eras , das gerações . "
Desta vez , Quita foi a única pessoa que não demonstrou segurança no balançar a cabeça afirmativamente . Mesmo assim , balançou-a .
Foi quando D ´Artagnan completou : " Por mim , eu - por mais que isto nos custasse - consumaria compulsoriamente o duplo alívio . Por mais que nos custasse , deixaria que Pituca furtasse os Capa-Pretas para só então aliviá-lo ; para com isto garantir uma anistia celestial de duzentos anos . Mas eu não vou quebrar a jura que fiz : submeto-me à Democrática . "
Foi quando D ´ Artagnan completou : " Companheira Quita ... você lembra o que seria a Democrática ? "
Quita , que todos os dias lia o Guia dos Novos Mosqueteiros que tão bem escondia nos seus guardados, não titubeou . Trazia na ponta da língua a definição do Manual elaborado por D ´ Artagnan : " A Democrática é o pedido oficial posto por um dos Mosqueteiros de que a vexata quaestio seja colocada em votação aberta . "
D ´ Artagnan não se conteve : " Para concluir , companheira Quita : e o que viria a ser vexata quaestio ? "
Quita : " Vexata quaestio , para nós , os Novos Mosqueteiros , é uma como chamamos as questões sumamente intrincadas ."
D ´Artagnan : " Parabéns Mosqueteiro Quita ! Vamos à Democrática ... "
D ´ Artagnan : " Mosqueteiro Quita , em que tu votas , no duplo perdão , que nos garantiria duzentos anos de indulto divino , ou no alívio uno , representado num só passo aliviante ? "
Quita : " Concordo com Athos . Nossas vidas não chegarão a cem anos . E , pelo que ouvi dizer , pelo menos no campo terreno , a penalização de alguém não pode ser transferida para a sua família . 'A nossa descendência só restaria os bônus de uma pequena montanha de dólares . "
D ´Artagnan : " Submeto-me à vontade da maioria , mas devo esclarecer que quando pedi a comprovação de dois roubos para a quantia almejada que será aliviada, eu me referia tão somente aos limites religiosos que a questão compreende ... Aramis , qual o seu voto ? "
Aramis : " Mais do que ninguém , eu compreendo as preocupações político/ filosóficas/religiosas do primeiro Mosqueteiro . Mas , como na profissão que abracei , devo ser prática : não vale a pena a relação custo/benefício de termos que correr o risco de dois alívios seguidos , não vale a pena . Voto com o Mosqueteiro Athos . "
Assim , democraticamente , foi decidido que somente um alívio era suficiente para livrar os Mosqueteiros dos desdobramentos terrestres esperáveis . E , por que não ? com o rigor lógico adotado desde o início por D ´Artagnan , que também os impedia moralmente de correr riscos de estarem perpetrando algum furto . Algum roubo .
D´Artagnan foi complacente ao calar-se para a questão relativa à eternidade das almas no tempo posterior ao Juízo Final . Até D ´Artagnan convenceu-se que seria um excesso abrir mais uma discussão para , nela , discutir o tempo ulterior ao dia do Juízo Final . E , imediatamente , bateu o martelo .
Quita passou por um tempo de amadurecimento . Se antes só pensava em servir seus senhores , agora sua auto-estima crescera , ela sabia que era uma pessoa como as outras , que tinha suas prerrogativas , por isto queria sacar o seu quinhão que , sem dúvida , estava em outras mãos . Nela viviam duas pessoas . Uma , a antiga , era a que gostava de mexericos , de fofocas . E foi este lado que contou aos colegas dois fatos que ela achou inusitados : Pituca , nesta segunda vez que co-habitava com Valéria , adquirira o apartamento ao lado do que já possuía para ali abrigar sua amada . Paulo Becerra nunca esqueceu que ambos prometeram-se mutuamente que sem o casamento eles não se pertenceriam , tivessem a vontade que tivessem um do outro .
E , se acariciavam-se por longos momentos , tais carícias , acreditem , não transpunham os limites de afagos mas sem que - como Valéria confidenciou à Quita - chegassem sequer a masturbar-se . Ambos respeitavam a palavra empenhada . E num determinado momento depois de cearem juntos , despediam-se . Cada um para o seu apartamento . Para ambos , aquele resistir , ainda que a paixão explodisse neles , era assim como a expiação necessária à purificação de seus espíritos . E corpos . Guardavam-se para as núpcias que - segundo Pituca vinha comentando - seriam - nada mais , nada menos - do que no Tahiti . Mais precisamente , em Pappete .
Mas ainda sobravam outros segredos , também captados por Quita : O nome verdadeiro de Valéria não era este , mas sim Valeska . E agora Pituca começara uma campanha para que Valéria , no dia do casamento , no instante em que juraria fidelidade ao marido , voltasse ao seu verdadeiro nome . Assim , o ritual do casamento teria mais uma purificação . Ali morreria Valéria e renasceria Valeska.
Quita encerraria sua fala com mais duas novidades . Paulo já estava na posse dos passaportes e , ainda mais intrigante : Quita presenciou um telefonema de Pituca para um corretor de imóveis no qual tratava da venda dos dois apartamentos , e que o comprador fosse avisado que o vendedor permaneceria no imóvel por mas algum tempo - não muito .
Se os demais Mosqueteiros estavam boquiabertos , D ´Artagnan não demonstrou surpresa . E , novamente , fez um discurso pelo qual quis clarear ainda mais a cabeça dos companheiros : " Acho que já não temos dúvida de que a propriedade também pode vir sem máculas . Mesmo assim cabe uma observação : as coisas industrializadas , e vendidas , têm nelas bens extraídos da natureza que são propriedade de todos , de todo mundo . Ou seja ( e D ´Artagnan levantou as voz , ainda que os companheiros já estivessem-no bem escutando ) aqui nestes confins da nação - se não no País inteiro , no mundo inteiro - as classes que mandam ficam não só com aquilo que elas agregam nais coisas que produzem . Mas , também , com aquilo que seria de todos por virem das entranhas da terra , de antes mesmo que o homem se conhecesse como tal . "
Quita e Porthos se entreolharam , mas foi Aramis quem arriscou uma pergunta : " Mas os impostos ? ; eles não servem para que esta parte que é de todos , a que é retirada da natureza , eles não são para que ela se volte para os que não participam diretamente da industrialização ? "
D ´ Artagnan , que jurava que os motivos que sempre o levavam a enfatizar para os outros Mosqueteiros o lado filosófico/religioso do alívio de excessos de realidades que fariam deveria servir tão somente para que todos não ficassem com sentimentos de culpa pela requisição que fariam ; completou : " pode até ser que em outras plagas , em outros países , os impostos sirvam como paga deste quinhão natural e coletivo . Só que aqui , nestas paragens , os mais hábeis ficam não só com o que eles porventura agregam às coisas ; mas também , com os benefícios originados na quase totalidade dos impostos que sobre elas incidem . Enfim , apropriam-se também , pelo exercício das mais diversas formas de poder , da quase totalidade das riquezas naturais . Não ; a propriedade nem sempre é um roubo , Aramis . Mas por aqui , quase sempre é . "
" Tudo bem ". respondeu Porthos . Mas voltemos à nossa causa primeira : quanto hoje progredimos no nosso plano de ir buscar - como sempre me diz D ´Artagnan ... o nosso quinhão ... ao , tão somente , aliviar os excessos de realizações perpetradas por terceiros ? "
D ´Artagnan respondeu : " Posso garantir que hoje andamos muito , mosqueteiro Porthos . "
Foi Aramis quem abortou a aridez da falação que , certamente , iniciaria o primeiro mosqueteiro ( "primeiro" por que foi quem organizou o grupo , eis que entre Os Novos Mosqueteiros não existia qualquer hierarquia ) : " Eu estava esperando um tempo para dizer que Pituca convocou todas as meninas do Boca de Ouro para a semana que vai do Natal até o dia 2 de janeiro . Ele quer todas a postos neste período. "
Depois de Aramis , Quita aproveitou para dar mais uma notícia : " Ouvi o Seu Pituca dizendo para Valéria que estava cada vez mais satisfeito com o trabalho do Seu Bandido ; que , até agora , Bandido não atrasara um dia sequer no pagamento de sua mesada de dez mil dólares . Eu ainda não sei bem o que isto tem a ver com tudo que nós queremos . Mas a intuição me diz que em alguma coisa isto é bom para nós todos . "
Foi o próprio D ´Artagnan quem completou . " Todos nós devemos ficar atentos , mas também felizes ! Diversos passos já foram dados por nós , Porthos . E todos com absoluta precisão . Nem que eu quisesse só olhar para o lado frio da lógica , despindo-o de interpretações que pudessem nos favorecer ; nem assim eu poderia esquecer que temos boa parte do caminho andado . Tudo joga a nosso favor ! Vejam a alegria de Pituca quando confirma que o senhor Bandido paga com absoluta pontualidade o que lhe prometeu . Qual a leitura disto , Novos Mosqueteiros ? Qual ? : Pituca , já decidiu que mudará de vida no momento em que casar-se . E quer ter uma dupla garantia : o pinga-pinga , pelo menos para ele , de dez mil dólares por mês depositados em sua conta , mais um depósito de nada menos do que vinte milhões de dólares . Tudo depositado no pais da cruz branca . Posso garantir que todas as terras , todas as estâncias de de Pituca não valem a metade disto ."
Foi Porthos quem cortou D ´Artagnan : " Vinte milhões de dólares .... de onde tu tirastes este número ? "
" É fácil , Porthos . Tantos avisos , tantas preparações levam a uma conclusão evidente : O pequeno caminhão virá lotado . Eu me dei ao trabalho de calcular , pelo volume do caminhão , quantas notas de cem dólares cabem ali . Dá mais de vinte milhões de dólares . Outra evidência é que a situação política está dia a dia se complicando . Eu me convenci que os detentores da pecúnia concluream que chegou a hora dos excessos de realizações serem retirados do país . E o quanto antes . Vejam , companheiros , temos que agir como um relógio inglês , com exatidão , sem titubeios . Absolutamente precisos nos alívios pecuniários a que nos propomos ; se o casamento de Pituca está marcado para o dia 15 de Dezembro ; e , se além disto , ele vendeu os apartamentos , é porque quer abandonar a região . Como ouvimos nossos pais dizer : Pituca quer ver o anoitecer , mas não o amanhecer . Quer desaparecer na calada da noite . E por que Pituca faz isto ? : porque a maior parte de seu plano também, já deu certo . Recordam que eu disse que todos os carregamentos de dólares chegaram num feriado de longa duração ? Este é o motivo de Pituca botar o Boca de Ouro de prontidão geral na semana de fim de ano . " Todos os mosqueteiros balançaram a cabeça afirmativamente , quando D ´Artagnan voltou à sua explanação : " Pois bem , daqui a 40 dias teremos um grande feriado , o maior de todos : a semana de Natal , sempre colada nas festas de passagem do ano . E , como neste ano o Natal cai numa terça-feira teremos praticamente a junção de dois grandes feriados . Tem-se aí um momento mágico em que as estradas param , os postos policiais fecham por completo seus postos logo depois que acham que todo o tráfego vazou para seu destino final . Companheiros , a polícia também para , recolhe-se a seus lares . E não só no Brasil . Tudo para nos dois lados da fronteira . Para todos que estão nesta aventura o final do ano é a hora . O dia é este : o primeiro do ano . "
Porthos aproveitou para levantar uma dúvida : " Pensei , pensei e percebi , D ´Artagnan , que não precisamos de que exista um duplo furto . Ora , se a nossa fé aponta para que o dito de "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " seja suficiente - pelo menos quanto ao tempo necessário para uma ampla anistia divina ; e , considerando-se os obstáculos que teríamos ao ter que esperar que Pituca faça o seu desapossamento ; para , aí sim , aliviarmos o gauchão ; digo com certeza que não vale a pena o risco originado nesse duplo perdão . Diante disto eu peço a Democrática para que seja resolvido este incidente : se poderemos promover um alívio simples , mesmo que com isto só tenhamos a garantia de tão somente cem anos de perdão , não existe motivos lógicos ou religiosos para que o risco se multiplique . Ou , então , se for da vontade do Grupo , esperemos que Pituca furte os dólares , para - depois dele delinquir - aí sim aliviar o Paulo Becerra . "
D ´Artagnan pediu que , pela ordem , ele esclarecesse : " Muito bem , Porthos . Já vi que nosso convívio tem feito sua cabeça se abrir aos clássicos . Você tem razão ! O que Pituca faria seria um furto ; isto mesmo , o estancieiro não dispõe de status filosófico , ou mesmo religioso , que todos nós , Os Novos Mosqueteiros , dispomos . Tudo porque nós , qualquer um dos Novos Mosqueteiros , nada têm de acumulação , real ou pecuniária . Inexiste , para Pituca , qualquer possibilidade do perdão divino . Isto nem de longe vale para Pituca . Ele é um grande proprietário de terras ; e , o que para nós será um aliviar de excessos de realizações , para ele seria mais uma acumulação ampliadora de realizações . Parabéns , Athos ! E eu espero que Aramis e Quita estejam abrindo suas consciências para o fato de que não nos interessa ser igual aos outros acumuladores insaciáveis . O que queremos é a nossa parte nas apropriações de bens naturais embolsados ao longo das eras , das gerações . "
Desta vez , Quita foi a única pessoa que não demonstrou segurança no balançar a cabeça afirmativamente . Mesmo assim , balançou-a .
Foi quando D ´Artagnan completou : " Por mim , eu - por mais que isto nos custasse - consumaria compulsoriamente o duplo alívio . Por mais que nos custasse , deixaria que Pituca furtasse os Capa-Pretas para só então aliviá-lo ; para com isto garantir uma anistia celestial de duzentos anos . Mas eu não vou quebrar a jura que fiz : submeto-me à Democrática . "
Foi quando D ´ Artagnan completou : " Companheira Quita ... você lembra o que seria a Democrática ? "
Quita , que todos os dias lia o Guia dos Novos Mosqueteiros que tão bem escondia nos seus guardados, não titubeou . Trazia na ponta da língua a definição do Manual elaborado por D ´ Artagnan : " A Democrática é o pedido oficial posto por um dos Mosqueteiros de que a vexata quaestio seja colocada em votação aberta . "
D ´ Artagnan não se conteve : " Para concluir , companheira Quita : e o que viria a ser vexata quaestio ? "
Quita : " Vexata quaestio , para nós , os Novos Mosqueteiros , é uma como chamamos as questões sumamente intrincadas ."
D ´Artagnan : " Parabéns Mosqueteiro Quita ! Vamos à Democrática ... "
D ´ Artagnan : " Mosqueteiro Quita , em que tu votas , no duplo perdão , que nos garantiria duzentos anos de indulto divino , ou no alívio uno , representado num só passo aliviante ? "
Quita : " Concordo com Athos . Nossas vidas não chegarão a cem anos . E , pelo que ouvi dizer , pelo menos no campo terreno , a penalização de alguém não pode ser transferida para a sua família . 'A nossa descendência só restaria os bônus de uma pequena montanha de dólares . "
D ´Artagnan : " Submeto-me à vontade da maioria , mas devo esclarecer que quando pedi a comprovação de dois roubos para a quantia almejada que será aliviada, eu me referia tão somente aos limites religiosos que a questão compreende ... Aramis , qual o seu voto ? "
Aramis : " Mais do que ninguém , eu compreendo as preocupações político/ filosóficas/religiosas do primeiro Mosqueteiro . Mas , como na profissão que abracei , devo ser prática : não vale a pena a relação custo/benefício de termos que correr o risco de dois alívios seguidos , não vale a pena . Voto com o Mosqueteiro Athos . "
Assim , democraticamente , foi decidido que somente um alívio era suficiente para livrar os Mosqueteiros dos desdobramentos terrestres esperáveis . E , por que não ? com o rigor lógico adotado desde o início por D ´Artagnan , que também os impedia moralmente de correr riscos de estarem perpetrando algum furto . Algum roubo .
D´Artagnan foi complacente ao calar-se para a questão relativa à eternidade das almas no tempo posterior ao Juízo Final . Até D ´Artagnan convenceu-se que seria um excesso abrir mais uma discussão para , nela , discutir o tempo ulterior ao dia do Juízo Final . E , imediatamente , bateu o martelo .
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sábado, 13 de julho de 2013
72 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Pituca e Valeria casariam-se na cidade em que ela nascera . Decidiu-se que , do lado de Paulo, somente os parentes , e os amigos mais íntimos seriam convidados . Meses atrás , Paulo Becerra fora , com Julietinha , Pedro e o filho ; até a cidadezinha de Dom Feliciano , que era a região onde instalara-se a Família Milczarek , originária de Malbork , cidade polonesa bem próxima da fronteira com a Rússia , tendo esta vizinha dominado a região por volta de 1890 , momento em que o clã familiar imigrara para o Brasil . O motivo da visita era o de Paulo de pedir Valeria em casamento . O pai de Valéria disse à Pituca que nunca se conformara com a saída da filha de casa , para ir estudar na capital . Mas não pode evitar a sua partida em razão de uma enchente de grandes proporções na região que lhe fez perder todas as plantações , tendo mesmo a água da chuva levado rio abaixo as criações de porcos , galinhas e até mesmo gado leiteiro . A mãe da moça emocionou-se ao ouvir de Pituca que ele tinha grande honra em ingressar na família Mielczarek , caso lhe aceitassem como genro . É claro que o gaúcho da fronteira foi aceito ; tendo , inclusive , proposto uma data do casório , e bem próxima . Foram servidas comidas , e doces da tradição polaca que fizeram grande sucesso entre todos os Becerra / Fagundes . Mas Pituca quase botou tudo a perder quando , em conversa apartada com o Sr. Milczarek , ofereceu ajuda em dinheiro para os gastos com as bodas ; grosseria considerada humilhante pelo Senhor ; mas Pituca foi socorrido pela irmã que afirmou , em evidente remendo , ser a oferta uma tradição na sua região de origem , argumento que - muito a contragosto - foi aceito pelo futuro sogro . Foi quando Pituca tirou do bolso o anel de compromisso mandado fazer em joalheiro de sua família , dizendo a todos que as alianças foram forjadas de numa única pepita de ouro com o propósito de que a união fosse tão indissolúvel como aquele ouro guardado nas eras passadas , unido , atado como ele queria que fosse seu casamento com Valéria . À mesa também muitos licores , grapas , vinhos e cervejas , bebidas feitas ali mesmo em Dom Fernando , pelas mãos dos convidados daquele jantar , quase todos tendo algum grau de parentesco com os Milczarek .
A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral era Pedro que , mesmo querendo participar , fazendo força para alegrar-se de verdade , mesmo assim não conseguia entregar-se à festa como é sempre preciso para que todos vibrem . Julietinha , percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? " " Nada , nada , não é nada querida . Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e , ainda que eu não queira , isto tomou por um momento o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... " Foi quando Pedro levantou o copo de grapa num brinde entoando belas palavras de boa sorte ao casal e longa vida a todos presentes . "
A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral era Pedro que , mesmo querendo participar , fazendo força para alegrar-se de verdade , mesmo assim não conseguia entregar-se à festa como é sempre preciso para que todos vibrem . Julietinha , percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? " " Nada , nada , não é nada querida . Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e , ainda que eu não queira , isto tomou por um momento o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... " Foi quando Pedro levantou o copo de grapa num brinde entoando belas palavras de boa sorte ao casal e longa vida a todos presentes . "
terça-feira, 9 de julho de 2013
71 - Julietinha e Oficial do vapor . final B
Os Novos Mosqueteiros reuniram-se para estudos dos planos . A novidade de Quita caíra como uma bomba : Paulo Becerra , o Pituca , fora chamado ao Rio de Janeiro onde serão combinadas remessas de valores ainda maiores . Os Novos Mosqueteiros , todos eles , exultaram . D ´Artagnan expôs as dificuldades que era fazer desaparecer um carro do porte necessário para este novo , e ainda maior , volume de papel moeda norte-americano . Algumas premissas já eram consensuais : a carga ficaria escondida , intocada pelo tempo suficiente para sentar a poeira . Por um bom tempo Os Novos Mosqueteiros continuariam em suas atividades comuns . Como a confiança era total , D ´ Artagnan adiantou a sua ideia sobre a principal alternativa de esconderijo do caminhão pagador. Pensava primeiramente em ( dentro do tempo necessário e esperável que teriam para fazer o caminhão desaparecer com segurança ) usar as minas de carvão abandonadas . Outra alternativa seria usar um silo de cereal existente em terras muito confiáveis , e que servia para guardar o que era conhecido como "estoque regulador" comprado pelo governo quando - como acontecia naquele momento - colhia-se uma grande safra . Nesta hipótese , seria possível - usando somente a mão de obra dos próprios mosqueteiros -envolver totalmente o carro em soja . E como havia super-produção , ninguém haveria de resgatar a soja pelo tempo necessário para os gansos voltarem à calma . E o melhor : D´Artagnan era quem tinha a exclusividade da posse da chave do silo .
Foi neste ponto que D´ Artagnan mudou de tom para explicar a todos - ainda que nem tudo fosse compreendido pelos novos mosqueteiros - a importância de que Pituca também entrasse na posse do dinheiro , mas tão somente por um curtíssimo espaço de tempo . Só assim os mosqueteiros teriam a segurança de que , pelo menos pela moral judaico-cristã em que todos foram criados , somente o duplo-perdão daria-lhes a ampla garantia de que até mesmo os seus descendentes não arderiam nas chamas eternas por aquilo que estavam fazendo agora . E foi isto que D´Artagnan tentou explicar à Aramis e Quita : que os dois mosqueteiros primitivos - ele próprio , e Athos - não queriam simplesmente roubar , ou mesmo , furtar ; mas sim promover um desapossamento que fosse , a um tempo só , original e natural ; e , para tanto , a subtração da coisa teria que observar determinados requisitos , dentre eles a certeza absoluta de que o dinheiro viria de um duplo furto - se não , de uma cadeia interminável de furtos . A questão estava em que ele , D´ Artagnan , não aceitava afirmações genéricas, desprovidas de comprovação , como a de J. Proudhon que dizia que a propriedade é um roubo .
Ora , ao ver de D ´Artagnan , a propriedade poderia , ou não , ser um roubo . Daí , também o desapossamento - que recebeu dele a denominação técnica de " alívio de excessos de realizações " - , ser a espécie única do gênero " propriedade originária advinda de obtenção secundária . "
Reflitamos : a herança cultural de D´Artagnan , o líder natural de tais futuros aliviadores de excesso de realizações , viria - certamente - de Portugal . Tudo porque aquele lugar onde a ação se desenrolava era , dentre todos do mundo , a colônia mais influenciada pelo Tratado de Tordesilhas - de 1494 - em que Espanha e Portugal dividiram entre si o mundo . Em verdade , tudo levava a crer que D´ Artagnan vinha de nobres portugueses . Somente um português daria tanta importância a esta questão limítrofe até mesmo para a Lógica mais aprofundada : A possibilidade de existir alívio de pecúnia sem que o ato possa ser confundido com furto ; ou , muito menos , roubo . Mesmo assim a questão ainda comportava a preocupação com a bifurcação existente entre a ciência e a moral , principalmente a religiosa . Se a lógica estava , para D Ártagnan , satisfeita - ( " Por Deus ! é claro que a propriedade poderia ser - ou não ser - um roubo " ) ; subsistiu por um momento a questão religiosa . E esta , o primeiro mosqueteiro resolvera ao observar o dito popular ( era a voz do povo que vinha em seu socorro ; tudo porque a voz do povo era - para ele - verdadeiramente a Voz de Deus ) . E a voz do povo dizia-lhe que "Ladrão que rouba ladrão , tem cem anos de perdão . "
Por fim a que se registrar que mesmo Athos ( o segundo dos Novos Mosqueteiros ) muito pouco entendia destes limites da racionalidade levantados por D ´Artagnan ; quanto à Aramis e Quita , estas ficaram totalmente sem saber do que estava o primeiro mosqueteiro falando , ainda que o ouvissem tão respeitosamente quanto lhes era possível assim ouvir . E todos estes respiraram aliviados quando D ´ Artagnan , certo que a semente daquela sabedoria toda estava plantada em nos demais companheiros , concordaram em marcar uma nova reunião para tão logo Quita ou Aramis tivessem novidades .
Foi neste ponto que D´ Artagnan mudou de tom para explicar a todos - ainda que nem tudo fosse compreendido pelos novos mosqueteiros - a importância de que Pituca também entrasse na posse do dinheiro , mas tão somente por um curtíssimo espaço de tempo . Só assim os mosqueteiros teriam a segurança de que , pelo menos pela moral judaico-cristã em que todos foram criados , somente o duplo-perdão daria-lhes a ampla garantia de que até mesmo os seus descendentes não arderiam nas chamas eternas por aquilo que estavam fazendo agora . E foi isto que D´Artagnan tentou explicar à Aramis e Quita : que os dois mosqueteiros primitivos - ele próprio , e Athos - não queriam simplesmente roubar , ou mesmo , furtar ; mas sim promover um desapossamento que fosse , a um tempo só , original e natural ; e , para tanto , a subtração da coisa teria que observar determinados requisitos , dentre eles a certeza absoluta de que o dinheiro viria de um duplo furto - se não , de uma cadeia interminável de furtos . A questão estava em que ele , D´ Artagnan , não aceitava afirmações genéricas, desprovidas de comprovação , como a de J. Proudhon que dizia que a propriedade é um roubo .
Ora , ao ver de D ´Artagnan , a propriedade poderia , ou não , ser um roubo . Daí , também o desapossamento - que recebeu dele a denominação técnica de " alívio de excessos de realizações " - , ser a espécie única do gênero " propriedade originária advinda de obtenção secundária . "
Reflitamos : a herança cultural de D´Artagnan , o líder natural de tais futuros aliviadores de excesso de realizações , viria - certamente - de Portugal . Tudo porque aquele lugar onde a ação se desenrolava era , dentre todos do mundo , a colônia mais influenciada pelo Tratado de Tordesilhas - de 1494 - em que Espanha e Portugal dividiram entre si o mundo . Em verdade , tudo levava a crer que D´ Artagnan vinha de nobres portugueses . Somente um português daria tanta importância a esta questão limítrofe até mesmo para a Lógica mais aprofundada : A possibilidade de existir alívio de pecúnia sem que o ato possa ser confundido com furto ; ou , muito menos , roubo . Mesmo assim a questão ainda comportava a preocupação com a bifurcação existente entre a ciência e a moral , principalmente a religiosa . Se a lógica estava , para D Ártagnan , satisfeita - ( " Por Deus ! é claro que a propriedade poderia ser - ou não ser - um roubo " ) ; subsistiu por um momento a questão religiosa . E esta , o primeiro mosqueteiro resolvera ao observar o dito popular ( era a voz do povo que vinha em seu socorro ; tudo porque a voz do povo era - para ele - verdadeiramente a Voz de Deus ) . E a voz do povo dizia-lhe que "Ladrão que rouba ladrão , tem cem anos de perdão . "
Por fim a que se registrar que mesmo Athos ( o segundo dos Novos Mosqueteiros ) muito pouco entendia destes limites da racionalidade levantados por D ´Artagnan ; quanto à Aramis e Quita , estas ficaram totalmente sem saber do que estava o primeiro mosqueteiro falando , ainda que o ouvissem tão respeitosamente quanto lhes era possível assim ouvir . E todos estes respiraram aliviados quando D ´ Artagnan , certo que a semente daquela sabedoria toda estava plantada em nos demais companheiros , concordaram em marcar uma nova reunião para tão logo Quita ou Aramis tivessem novidades .
quarta-feira, 3 de julho de 2013
70 - Julieitinha e o oficial do vapor - Final B
Quita , no apartamento de Valéria e Paulo Becerra na capital do estado , limpava a poeira dos móveis com um pano umedecido , ao mesmo tempo que ouvia Pituca falar ao telefone , com Zé Arataca em Recife .
Pituca : " Se tú achas que é tão importante assim ... ?
Mas tudo não está tão bem , Chê .... ? "
.......
Pituca : " Mas bááh Tchê .... então é em razão de tudo estar dando certo que o pessoal quer ampliar as remessas ... mas isto é tri-legal , Tchê ! "
......
Pituca : " Tá bom barbaridade , eu estarei no Rio no dia e hora combinada , lá na Churrascaria Gaúcha .... "
Quita , a Mosqueteira , não só ouvia , mas também gravava em seu cérebro o que acabara de presenciar . A negra lembrou naquele instante que sua família trabalhava há décadas para os Becerras sem que tivessem um salário que lhes proporcionasse quaisquer confortos ou mesmo possibilidades de ter uma família normal , uma família cujo destino na fosse continuar servindo de mão de obra barata para os patrões. "Enquanto isto , os Becerras enriqueciam , multiplicavam sua fortuna , " pensava a preta . "Não , eu não vou tremer ... eu vou conseguir deixar de lado o servilismo que se abate sobre a minha raça desde que nos trouxeram acorrentados da África . "
Por incrível que pareça , Quita notou que Pituca também refletia ... decidia intimamente alguma coisa que ela , porém , imaginava do que se tratava . Na verdade , Paulo também vacilara um pouco em dar continuidade no plano de apropriar-se de uma das remessas . Pensava , pensava ... até que seu semblante desanuviou-se , momento em que chamou , quase gritando , Valéria .... : " Polaquinha ....;. Polaquinhaaaa ... meus planos estão se concretizando ... ligaram-me para uma reunião no Rio , e será para fechar um negócio que eu esperava a meses . "
Como Valéria não respondesse , Pituca abriu de vagar a porta do quarto e viu - nada menos do que a sua polaquinha dormindo , ou pelo menos fazendo que dormia . A inércia da mulher - estática como se fosse um quadro do D´Orsay - despertou no Gaúcho vontades e desejos que , de pronto , fizeram-no ajoelhar-se e beijar , lamber mesmo , um a um os dedos dos pés de sua Pipoquinha , que mexeu o corpo acusando a carícia , mas sem tirar o pé da boca do amante .
Pituca : " Se tú achas que é tão importante assim ... ?
Mas tudo não está tão bem , Chê .... ? "
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Pituca : " Mas bááh Tchê .... então é em razão de tudo estar dando certo que o pessoal quer ampliar as remessas ... mas isto é tri-legal , Tchê ! "
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Pituca : " Tá bom barbaridade , eu estarei no Rio no dia e hora combinada , lá na Churrascaria Gaúcha .... "
Quita , a Mosqueteira , não só ouvia , mas também gravava em seu cérebro o que acabara de presenciar . A negra lembrou naquele instante que sua família trabalhava há décadas para os Becerras sem que tivessem um salário que lhes proporcionasse quaisquer confortos ou mesmo possibilidades de ter uma família normal , uma família cujo destino na fosse continuar servindo de mão de obra barata para os patrões. "Enquanto isto , os Becerras enriqueciam , multiplicavam sua fortuna , " pensava a preta . "Não , eu não vou tremer ... eu vou conseguir deixar de lado o servilismo que se abate sobre a minha raça desde que nos trouxeram acorrentados da África . "
Por incrível que pareça , Quita notou que Pituca também refletia ... decidia intimamente alguma coisa que ela , porém , imaginava do que se tratava . Na verdade , Paulo também vacilara um pouco em dar continuidade no plano de apropriar-se de uma das remessas . Pensava , pensava ... até que seu semblante desanuviou-se , momento em que chamou , quase gritando , Valéria .... : " Polaquinha ....;. Polaquinhaaaa ... meus planos estão se concretizando ... ligaram-me para uma reunião no Rio , e será para fechar um negócio que eu esperava a meses . "
Como Valéria não respondesse , Pituca abriu de vagar a porta do quarto e viu - nada menos do que a sua polaquinha dormindo , ou pelo menos fazendo que dormia . A inércia da mulher - estática como se fosse um quadro do D´Orsay - despertou no Gaúcho vontades e desejos que , de pronto , fizeram-no ajoelhar-se e beijar , lamber mesmo , um a um os dedos dos pés de sua Pipoquinha , que mexeu o corpo acusando a carícia , mas sem tirar o pé da boca do amante .
terça-feira, 2 de julho de 2013
69 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Os raros selecionados para ser um Mosqueteiro haveriam de passar por um severíssimo ritual de entrada . Uma das últimas provações a serem vencidas era a da "brasa na língua" , que consistia em que alguém contasse um mexerico ( o que em Boca do Monte começava a ser chamado de "fofoca" ) sob solicitação de que o dito maldoso não fosse passado adiante . Dias depois o segredo era , de alguma forma , conferido pelo Mosqueteiro que fora designado para aplicação do " brasa na língua". Assim era testado o candidato conferindo se dispunha - ou não - da capacidade de guardar as importantes confidências que , certamente , chegariam-lhe aos ouvidos por ser um Mosqueteiro . As tais "fofocas" . Quanto à coragem , necessária à um Mosqueteiro , para os naturais medos das muitas quase-ficções originadas na metafísica regional ; ela seria posta em cheque na derradeira prova , e consistia em que o pré-escolhido passasse sozinho a meia-noite de uma sexta-feria na Lagoa da Música , na Hulha Negra . Ainda que distanciadamente , um dos Mosqueteiros declarou que entendeu como macabra tal exigência . Mesmo assim a prova não foi abolida. Para para serem sagrados "Mosqueteiro" os futuros irmãos de espada teriam mesmo que continuarem a serem testados em "Sexta-Feiras da Lagoa da Música " . Assim é que o noviço era informado pelos iniciados de que teria que ficar toda a aziaga noitada meditando margens da lagoa sobre os meandros da morte , sem que - pelo que ele soubesse - pessoa viva permanecesse a menos de uma légua de sesmaria dali . Em verdade , os demais Mosqueteiros ficavam por perto, no meio da escuridão geral . Tão logo transcorresse a meia-noite - momento em que os gritos dos degolados eram ouvidos com muito mais nitidez ; e , se o noviço permanecesse - ainda que minimamente - no controle de seu corpo e de sua mente ; se conseguisse manter a calma ante as lembranças , aflições e sons que até então emanavam do fundo da lagoa onde ainda jaziam os despojos da matança acontecida naquele exato de centenas ; transposto estes momento logo chegariam os irmãos de capa-e-espada ; enfim , os demais mosqueteiros - que em verdade ficavam por perto - ante os riscos inerentes àquele quase limite da resistência humana ao sobrenatural ; e , saindo-se o candidato vencedor , eles cortavam o silêncio da madrugada entoando cânticos greogorianos , repartindo o pão , o queijo e o vinho e , - vencida a provação - sagravam ali mesmo o novo Mosqueteiro .
Pasme , mas o certo é que o mais novo dos Três Mosqueteiros ( diga-se que passou com louvor em todas as provas foi , ninguém menos , do que a Quita ; de quem - a bem da verdade - nenhum dos irmãos esperava a coragem por ela demonstrada . Sequer tremeu uma fibra do seu corpo ao ouvir o de sempre : gritos lancinantes dos espíritos dos corpos penadas ali degolados
Talvez , sejamos francos , por uma resquício do quase permanente preconceito contra os negros que naquela época ainda era muito mais intenso do que hoje .
Pasme , mas o certo é que o mais novo dos Três Mosqueteiros ( diga-se que passou com louvor em todas as provas foi , ninguém menos , do que a Quita ; de quem - a bem da verdade - nenhum dos irmãos esperava a coragem por ela demonstrada . Sequer tremeu uma fibra do seu corpo ao ouvir o de sempre : gritos lancinantes dos espíritos dos corpos penadas ali degolados
Talvez , sejamos francos , por uma resquício do quase permanente preconceito contra os negros que naquela época ainda era muito mais intenso do que hoje .
quinta-feira, 27 de junho de 2013
68 - Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B .
Um ano se passara e quatro remessas de valores tinham chegado do centro do país . A maior parte deles seguira para a Europa , quantias de menor monta ficaram mesmo na República Oriental . Como Pituca previra , os capa-pretas fizeram-se íntimos das moças do Boca de Ouro . O que Paulo não sabia é que a jovenzinha , que praticamente amigara-se com Silvério o capa-preta chefe , fora convidada pelos Mosqueteiros a fazer parte do grupo . E aceitara juntar-se à D´ Artagnan e Athos adquirindo o codinome de Aramis ; aliás , o único dos mosqueteiros que falava o idioma Espanhol . Assim , Aramis recebeu a promessa de que quaisquer desapropriações , qualquer lucro vindo daquela sociedade, seria dividia de forma igual entre os mosqueteiros . Reviveriam o "Um por todos , todos por um " .
O certo é que a moça era nacional da República Oriental e , se antes de pertencer aos Mosqueteiros já se esforçava em agradar Silvério ( aliás , ele confidenciou-lhe numa noite daquelas que "Silvério" era um codinome ; que seu nome de batismo seria Dirceu . Mas foi preciso de muito uísque irlandês na cabeça para que Dirceu revelasse este seu segredo maior ) agora ela se aplicava mais e mais nos jogos de amor . Ainda que a jovem exercesse a antiga profissão , é certo que ela não o fazia tão somente por interesse pecuniário . Assim , ampliar os limites das possibilidades amorosas era não só um desafio na missão de agradar totalmente Silvério ; a verdade é que uma possibilidade - a de trabalhar em prol do ideal do Mosqueteiros - não anulava a chance de entregar-se aos prazeres que quase sempre co-habitam com os demais resultados práticos de seu ofício . Aramis soltava-se e imergia no clima ; e , se proporcionava a Silvério tudo o que a imaginação do capa-preta criava , ela também aproveitava a sede , misturada com fome mesmo , com que o homem chegava ao Boca de Ouro . Nada , mas nada mesmo , do que constava do menu dos amantes , fossem eles franceses , tailandeses , indianos ou de qualquer outra nacionalidade tida como íntima do erotismo mais profundo era deixado de lado . Silvério trazia-lhe fotos , cadernos pornográficos com as posições eróticas mais intensas para reforçar os laços amorosos , mas cuidava de levá-los todos de volta quando , quase ao amanhecer , seguia para Rivera . O fato é que Aramis , com Silvério , sentia de verdade quase todo o prazer que exteriorizava ; e que com outros clientes , fingia sentir . Por isto , se do seu lado Silvério gemia sem sentir dor em cima Aramis cortava o silêncio daqueles pampas só povoado de gado bramindo de prazer. Para o bem de todos , a moça convencera o capa-preta de que ele nascera para dar prazer aquela sua amante . E é bem possível que isto fosse verdade . Só o que Silvério não sabia , era que a mulher , além do prazer que proporcionava e desfrutava -além disto - ela ficava com olho de águia nos hábitos de Dirceu ; como e onde guardava as chaves da caminhonete que trazia o tesouro , por quanto tempo a quantidade bebida naqueles encontros o mantinha quase anestesiado . Todas as informações eram passadas para D´ Ártagnan e Athos .
Por sua vez , Paulo - o Pituca - ao perceber que Silvério caíra mais e mais o beiço por Aramis , aumentou substancialmente o cachê da prostituta . Ao mesmo tempo que lhe criara um problema : quanto mais pagava , mais informações sobre os costumes do capa-preta exigia ; que , não por acaso , eram os mesmos detalhes que D´ Artagnan e Athos pedidos .
Aramis , assim que pode , pediu uma reunião com D Ártagnan e Athos para que os três avaliassem qual seriam as melhores respostas que ela teria que dar ao Pituca , que em vez de aproximá-lo da fortuna que ambos os lados disputavam , deixassem-no cada vez mais distante da dinheirama .
O certo é que a moça era nacional da República Oriental e , se antes de pertencer aos Mosqueteiros já se esforçava em agradar Silvério ( aliás , ele confidenciou-lhe numa noite daquelas que "Silvério" era um codinome ; que seu nome de batismo seria Dirceu . Mas foi preciso de muito uísque irlandês na cabeça para que Dirceu revelasse este seu segredo maior ) agora ela se aplicava mais e mais nos jogos de amor . Ainda que a jovem exercesse a antiga profissão , é certo que ela não o fazia tão somente por interesse pecuniário . Assim , ampliar os limites das possibilidades amorosas era não só um desafio na missão de agradar totalmente Silvério ; a verdade é que uma possibilidade - a de trabalhar em prol do ideal do Mosqueteiros - não anulava a chance de entregar-se aos prazeres que quase sempre co-habitam com os demais resultados práticos de seu ofício . Aramis soltava-se e imergia no clima ; e , se proporcionava a Silvério tudo o que a imaginação do capa-preta criava , ela também aproveitava a sede , misturada com fome mesmo , com que o homem chegava ao Boca de Ouro . Nada , mas nada mesmo , do que constava do menu dos amantes , fossem eles franceses , tailandeses , indianos ou de qualquer outra nacionalidade tida como íntima do erotismo mais profundo era deixado de lado . Silvério trazia-lhe fotos , cadernos pornográficos com as posições eróticas mais intensas para reforçar os laços amorosos , mas cuidava de levá-los todos de volta quando , quase ao amanhecer , seguia para Rivera . O fato é que Aramis , com Silvério , sentia de verdade quase todo o prazer que exteriorizava ; e que com outros clientes , fingia sentir . Por isto , se do seu lado Silvério gemia sem sentir dor em cima Aramis cortava o silêncio daqueles pampas só povoado de gado bramindo de prazer. Para o bem de todos , a moça convencera o capa-preta de que ele nascera para dar prazer aquela sua amante . E é bem possível que isto fosse verdade . Só o que Silvério não sabia , era que a mulher , além do prazer que proporcionava e desfrutava -além disto - ela ficava com olho de águia nos hábitos de Dirceu ; como e onde guardava as chaves da caminhonete que trazia o tesouro , por quanto tempo a quantidade bebida naqueles encontros o mantinha quase anestesiado . Todas as informações eram passadas para D´ Ártagnan e Athos .
Por sua vez , Paulo - o Pituca - ao perceber que Silvério caíra mais e mais o beiço por Aramis , aumentou substancialmente o cachê da prostituta . Ao mesmo tempo que lhe criara um problema : quanto mais pagava , mais informações sobre os costumes do capa-preta exigia ; que , não por acaso , eram os mesmos detalhes que D´ Artagnan e Athos pedidos .
Aramis , assim que pode , pediu uma reunião com D Ártagnan e Athos para que os três avaliassem qual seriam as melhores respostas que ela teria que dar ao Pituca , que em vez de aproximá-lo da fortuna que ambos os lados disputavam , deixassem-no cada vez mais distante da dinheirama .
sexta-feira, 21 de junho de 2013
67 - Julietinha e o Oficial do Vapor . Final B
Quanto à produção literária , Pedro Santiago vivia o melhor tempo de sua vida . Estava terminando um livro de poesias que dava ao ex-jornalista grande satisfação . Julietinha engravidara , e recolhera-se ao lar em razão de que os médicos de Boca do Monte prevenirem que sua gravidez era de risco em razão de que a gestante já tinha uma certa idade , o que poderia ampliar as complicações possíveis na gravidez .
Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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capítulo 17
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capítulo 2
capítulo 20
capítulo 21
capítulo 22
capítulo 23
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capítulo 3
capítulo 4
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capítulo 48
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capítulo 5
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