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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Julietinha e o oficial do valor - 16

O jovem Paulo passava por momentos de grande euforia só por olhar  , pelo  buraco da fechadura  da  porta do seu quarto ,   a bela jovem passar para o banheiro  com pouquíssima ( quase  nenhuma ) roupa talvez certa de que ninguém a  mirava .   Valéria , este era o nome dela , era de uma beleza de  enlouquecer qualquer homem .  Jovem , muito jovem ,  seus seios não precisavam de qualquer corpinho para ficarem  apontando  firmes  para frente .  O corpo era de uma perfeição quase impossível de existir .  O rosto ,  se não era  uma Elizabeth Taylor  , tinha o frescor  da menina-moça que Valéria   era  .  E quando ela sorria suas feições ficavam  verdadeiramente muito bonitas .  E Paulo , para enlouquecer completamente ,não precisava de mais nada .

Num dia não resistiu , ficou esperando a moça  com a porta de seu quarto aberta  até  que ela passou  para o banheiro . Foi quando ele a abordou com  um plano mil vezes pensado .

"Tudo bem  ?           Eu sou o Paulo , e moro aqui ao seu lado , como é o teu nome ?
"Meu nome é Valéria ...."
"Pois é , eu vim da fronteira , vim estudar aqui na capital ... minha família é pobre mas estão me ajudando a pagar os estudos . "

" Que bom , você tão jovem , um menino e tanto querendo estudar , progredir ... "

A história era  abem urdida  e funcionou ....  , Valéria caíra prontamente na conversa  insincera de Paulo ... além disto ele fizera uma cara de abandonado na cidade grande que  prontamente tocou o coração dela 

" E onde tu fazes as refeições , Paulo ;  quem cuida da tua roupa ... ?

" Quem cuidava era minha mãe ,  por aqui  eu as vezes aproveito o tanque daí de baixo , no domingo eu desço e lavo o que posso , deixo secar .... as calças eu boto em baixo do colchão para ver se pegam algum vinco .... "

Valéria  se compadeceu  do rapaz  que deveria ser muito estudioso , e dele se despediu ...

Paulo percebeu que seu plano começava a colar e ficou  eufórico ...chegando   a , por vezes ,  pular de alegria  . Mas só quando  longe da casa ,  para que a farsa não ficasse evidente.




sábado, 29 de setembro de 2012

Julietinha e o Oficial - 6

-  Onde tu andavas , Quita  ?

- Dona Julietinha , eu fui  na ponte do Guilain , fui ver a enchente ... á água já tá a mais de metro do vau .

- Há dois dias que não vejo o Paulo ,  você sabe onde ele foi ?

-  Pela galena  o Salustiano disse que tem uma vaca que não consegue parir ... parece que o terneiro já tá morto .... ele tá lá ja faz dois dias , levou o Doutor ..

- Hoje não é dia do Pedro vir ?

- É sim , Dona Julietinha ,

- Você sabe como ele se arrumou .....

- Não , ninguém mais viu ele por lá  .... até o Boleto que ele nunca  largavam ele deixou com a Dona Marica , que ele sabe que gosta muito de cachorro ...

......

Pedro chegou e , ao contrário do  que pensava Julietinha , veio com  o olhar distante  , como quem  mira  um  cerro  no horizonte .

- "Bom dia Dona Julietinha ..."

"- Bom dia Pedro .... tu me pareces tão tranquilo .....`"

"-  Embora não pareça ,  eu procuro ser profissional ,  não posso trazer sentimentos pessoais para o trabalho ..."


Julietinha vestia-se ainda mais comportadamente . A única coisa diferente de antes foi que ela neste dia ousou cruzar as pernas deixando à mostra , de vez em quando , uns dez centímetros para cima dos joelhos .
A simples mirada de tais dez centímetros  já  era o bastante para quebrar a determinação de  Pedro de tratá-la  com  a maior distância  possível .

Outra coisa deixou Pedro com a pulga atrás da orelha ..... em cima da mesinha que aparava copos ao lado do sofá  estava nada mais , nada menos do que um livro de Jorge Luis Borges .....  Jorge Luis Borges ..... logo Borges ....  Não havia a menor possibilidade de Paulo ler Borges ..... além de Paulo só Julietinha ..... não , não é possível que ela estivesse lendo aquele volume .... mas ..

"- Dona Julietinha , quem está lendo este livro ....

" - Sou eu , Pedro , comprei  em Madri , eu já tinha lido do  Borges    A História da Infâmia .... "

 Mas como ?  Eu só via por lá  fotonovelas ..... que mistério é este .  .... Julietinha lendo Borges ... ?

"Dona Julietinha .... Jorge Luis Borges ...? "

"Comprei porque gostei da capa ...... "

Pedro virou o olhar para a mesinha .... o incrível livro de Borges ,  mas logo  voltou  os olhos para frente ,  as coxas de Julietinha  parece que cresciam , que tomavam o espaço de toda a sala .... mas como eram  lindas ...

 " Começamos ?  ....   "        " Sim , começamos , Pedro "

"Estávamos no momento em que a senhora percebera que estava cada vez  mais atraída pelo tal italiano ..."


Julietinha sabia o quanto Pedro estava sofrendo  com tantas necessidades de dinheiro  ... sabe lá  em que desvão de escada dormira .... por dentro aquela enorme vontade de abraçá-lo em seu colo até  que  ficasse  calmo  ...    Mas ela não poderia mentir ;  e  não sabia enganar que estivera pronta para Giancarlo ...

" Pedro , naquele momento eu pensei .... o navio vai atracar em Vigo .... doze dias perto dele , perto do seu corpo , do seu cheiro  , mas nada acontecera ..... eu  , já na Europa , com trinta anos , e do mesmo jeito que nasci ....  era demais ...  Quando parecia que estávamos a ponto de nos unirmos .... ele escapava como água , pelo meio dos dedos ...   Foi assim que planejei  , para antes de chegarmos a Vigo , uma surpresa .  Vigiei até quando ele ficou no comando na torre e fiquei certa , convencida de que se eu fosse a cabine dele as nove da manhã ele estaria só , totalmente sozinho ...  Comprei  , na loja do navio  uma garrafa de Moet Chandon que coube exatamente no pequeno congelador da geladeira do camarote ,  o perfume era Chanel  número cinco , Pedro ,  mas meu corpo - confesso -  rescendia a um outro perfume muito mais acre , natural  , pleno  de ansiedades ...  de necessidades ...  Botei meu vestido mais bonito , os sapatos de salto bem altos que eu já planejara para aquele momento ...  estudei cada passo dos camareiros para que eles não me flagrassem quase assaltando a cabine de Gian ,  eu tremia  , mas acho que não era de medo , não ...  Bati na porta  , uma duas , diversas vezes .. até que ele apareceu muito mais lindo do que Adonis ...

Primeiramente ficou sem saber o que estava acontecendo , mas logo pegou  o champanhe , as duas flutes  , pegou-me pela cintura colando-me a ele ....  e aí ,  aí  Pedro  o inesperado , o que era impossível de acontecer  ....  aconteceu .....





domingo, 23 de setembro de 2012

Julietinha e o tenente do vapor . Segunda parte.

Pedro foi notando que  as atitudes de Julietinha eram contraditórias .Num momento seu rosto iluminava-se e ela deixava ver que algo havia acontecido entre os dois . Num momento de descontração contou um fato  que parecia ter-lhe marcado o coração . " numa noite ; fomos cear nas mesas do convés , foi quando a minha bolsa caiu no chão .  Ele logo abaixou-se e reçou os lábios em meu joelho .  Senti  meu corpo tremer por dentro , mas por fora fiquei  impassível  como se nada tivesse percebido " .   Neste ponto Pedro pensou que estava perto de seu objetivo : fazer com que Julietinha abrisse a alma , mostrasse a todos que , enfim .... bem ,  enfim ......
Só que  aí ela cortou para as histórias clássicas das baleias que seguiam o navio ,  a ameaça de tempestade ,  as estrelas  que apareciam no céu ao cruzarem o equador ,  a quantia que perdeu na roleta do cassino ...
E Pedro :     e o tenente , Dona Julietinha .... o tenente , que fim levou .... ?

Julietinha não só desconversou como fechou a cara .  Parece que  alguma lembrança ruim atravessava seu cérebro no justo momento em que entraria nos finalmentes . Novo sorriso , novas confissões :  "bem , o tenente era uma pessoa muito , muito ocupada . A noite ele tinha que permanecer no comando do novio , no timão .   Quando a champanhe começava a fervilhar em mim ele tinha que ir para a ponte de comando "

Não percam os próximos capítulos .





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