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domingo, 23 de setembro de 2012

Julietinha e o Oficial do vapor - Primeira parte .

Eu  naquela época  tinha cinco anos ,  e estas memórias estão entre as coisas mais remotas que tenho registrado na mente .   Paulo era um rico estancieiro ,  formado como advogado e  candidato invicto à  vereador : nunca conseguira  se eleger.  Tinha uma irmã  de nome Julietinha ,   no diminutivo mesmo , como não era incomum naqueles anos idos.  Se Paulo era um estancieiro e candidato a vereador encalhado , Julietinha  - por sua vez -  nunca conseguira casar .  Com meios, com dinheiro  para viajar  o quanto quizesse ,  Paulo  ofertou à irmã  uma  passagem de navio ( que chamavam  de  vapor )  para a Europa. Nestes casos , ao voltarem  da viagem ,  os ricaços  da época ,  como Julietinha  e Pulo Becerra  ,  botavam no jornal da cidade algo como "O diário de bordo" .  O  certo é que  Julietinha  chamou Pedro ( o primeiro ghost writer de que  ouvi falar ) -  para por no papel  as  suas aventuras européias  .   Pedro - além de pretender  conseguir com tal trabalho por os aluguéis atrasados em dia  também  comungava da  curiosidade da cidadezinha  que era a de  saber se Julietinha tinha  - enfim -  se  entregado aos jogos de Eros . Para poder publicar  o diário de bordo , Julietinha teria que se confessar à Pedro  .  Assim foi ...  ela  no começo falou ...  falou ...  mas  nada  de  contar  algo na direção ansiada ;  sobre  se  teria  se entregue  aos jogos de Eros  .   Pedro perguntava , sugeria ,  tentava  cercar Julietinha  , mas ela ... nada . Sem que Pedro soubesse o porque , num belo dia  ela começou  a tangenciar o assunto  por dizer que  " .... conheci o oficial "  .   Pedro aos poucos  descobriu  que se tratava  do  marujo  de patente  inferior  ao Comandante  do navio .  É que o jornalista  já  era   mestre no  ( para ele )   nascente gênero de fantasma escrevedor  ,  dando  corda : - fale  mais , Dona Julietinha ,  fale do tenente  .... do tenente  do navio  , como ele era Dona Julietinha .....

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