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domingo, 17 de novembro de 2013

97 - Julietinha e o Oficial do Vapor - final B

Levaram  os dólares para o Caverá .   No mais  esquecido e distante cerro , praticamente enterraram  o furgão numa fenda de pedra do monte .   Não foi por acaso ,  Athos  criara-se por ali .
Estava decidido  que contariam tão somente três caixas de dólares . As demais  só  seriam abertas para que o conteúdo fosse constatado por todos .  Quanto ao destino  , o lugar em que cada um guardaria seu tesouro , isto ainda não estava resolvido .  Poucas horas depois chegara ,  montado ,  o pastor  Gualter que  novamente ficou  de guarda - agora a dois quilômetros de distância -  na única estrada existente e , mesmo já sendo noite ,  andava incessantemente de um ponto a outro  para  que assim  pudesse perceber qualquer modificação  nas cercanias do local onde se dava a reunião . Gualter  olhava  não só para onde era possível alguém chegar ,  mas também para o ponto onde a reunião acontecia , eis que mesmo que quase não fosse possível  avistar-se  aquele  acampamento ,  mesmo assim isto não o desobrigava de  manter  os sentidos totalmente ligados aos riscos representados  - independentemente de outros - pela simples passagem por aqueles ermos de quantia  tão grande :  algo em torno de vinte milhões de dólares .Três horas se passaram para que a primeira parte do plano fosse concluída , momento em que D ´ Artagnan pediu  a palavra. "Caros irmãos ,  confirmadas nossas melhores expectativas  sobre a  quantia  existente nas primeiras caixas que empacotavam os  Excessos  de Realizações Pecuniárias  ,  cabe agora decidirmos sobre o destino  de montante tão valioso ... "

"Peço a palavra !  "   quase berrou  Quita   para  surpresa de todos !

"É evidente , Mosqueteira Quita , que  eu passo-lhe  a palavra . E com um misto de honra  e prazer  mosqueteiros ! "   Completou  D ´Artagnan .

" Irmãos ,  quantas serão as partes  em que serão divididos os Excessos  que  aqui temos ? "

Tão óbvia era a resposta que ninguém atreveu-se  a dá-la ,  ganhando  a noite  escura só  silêncio  como réplica . O pouco tempo que passou pareceu  algo que tendia a perpetuar-se  , até  que  Athos arriscou-se  :

" É claro que somos quatro  a repartir o monte  de dólares , irmã  Quita .  Você ,  Aramis , D ´Artagnan  e eu .   Então , desculpe-me , mas  não percebo qual seja a  sua dúvida . "

" Não ,  valente mosqueteiro Athos . Não somos quatro .  E , a manter-se  seu prognóstico  estaremos cometendo o que tanto  criticamos ... uma  injustiça  a mais ....  afinal , Novos Mosqueteiros , a que vem esta irmandade ?  "

Um  óóó  geral  de dúvida e exclamação   quebrou o súbito silêncio ...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

94 - Julietinha e o oficial do vapor - final B

Chegou a vez de Aramis falar . Athos , que tinha arranjado uma forma de sentar do lado dela , por baixo da mesa colou sua perna na da bela descendente dos indios guaranis. Ela , por sua vez , não fugiu do singelo assédio de Athos . Admitiu que , por baixo da mesa se tocassem cada vez com mais ansiedade. Acostumada à realidade crua da vida , Aramis não tremeu . " Todos sabem a minha origem neste país . Mas nem todos reconhecem que uma bailarina de cabaret , como eu fui antes de que os Novos Mosqueteiros cruzassem meus caminhos , não vive para dançar nos muitos Bocas de Ouro , pelo mundo afora . Mas sim , dança para viver . Athos , quando foi ao meu pluebo , Colcabamba , no interior do meu país viu a nossa realidade de pobreza . Minha mãe , ainda criança foi trazida para o Brasil , sendo forçada a relacionar-se com o estancieiro para quem trabalhava. Grávida , foi novamente forçada a deixar por lá uma hija que , todavia , nunca esqueceu um minuto sequer . Sem pai , restou-me a alternativa de sobrevivência que vocês , irmãos Mosqueteiros , conhecem . Hoje eu , como todos vocês , sinto-me digna de poder receber a minha parte destes alívios de excessos realizados . Nunca passou pela minha cabeça , convencida que fui por vocês , estar fazendo algo que fosse ainda que de longe , errado . Estamos , estou lançando mão do que é meu , do que é nosso no grande latifúndio chamado mundo . Mas nem tudo foram tristezas . Há não muito tempo conheci uma pessoa que me tratou com amor e respeito . Assim é que eu penso receber a minha parte e - tão rapidamente quanto me for possível - procurar tal pessoa , tal senhor que , pelo que eu sei é um homem desquitado neste país , portanto livre para receber-me - se assim quiser . E é com ele que eu irei dividir a minha parte , os meus dólares . " D ´Artagnan nem pediu a palavra , interrompeu firmemente : " Irmã de armas Aramis , este é o risco que eu sempre temi . Um de nós afeiçoar-se por pessoa de fora do nosso grupo e , por amor - talvez até por carência - abrir para o terceiro os nossos segredos . Sendo assim , eu volto a enfatizar o risco que é liberarmos os alivios para qualquer dos Mosqueteiros . O que os irmãos acham ? Foi Aramis quem voltou a falar , eis que ela tinha sido abruptamente interrompida por D ´Artagnan : " Que me desculpe o primeiro dos mosqueteiros . Mas o que eu vou dizer contraria suas conclusões . Eu pretendo mesmo abrir minhas conquistas pecuniárias ao meu escolhido . Que sequer sabe que eu o escolhi " Neste momento Athos , ao ver que Aramis já era comprometida com alguém recolheu-se , com o rosto totalmente retráido . O Mosqueteiro Athos teve uma última dúvida : " Mas será que ela não notou que , ao roçar a minha coxa na dela , eu estava passando a ela que eu a queria muito ? " Athos retariu-se ainda mais , como se fosse possível vontar-se totalmente para dentro de si mesmo . Mas Aramis continuou : " Não , Novo Mosqueteiro D ´Artagnan . Eu não vou revelar a quem quer que seja a nossa aventura , que - esperamos - resultará na nossa própria ventura . A pessoa que tocou o meu coração , está aqui presente e a ele eu entregarei de bom grado o meu dote : " Athos , você quer casar comigo ? "

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

82 - Julietinha e o Oficial do vapor - final B

Quando  cessou  a rolagem do carro , que  até  então descia  somente pela inércia , D´ Artagnan  virou  a chave certo de que a distância que o separava do Boca de Ouro era suficiente para que  ruido algum do motor chegasse  aos ouvidos  de quem ficara no bordel .

A noite ajudava na retirada do furgão que , verdadeiramente , estava com o tesouro .  Nem a lua apareceu no céu .   Pouco antes  da  escapada  de  D ´  Artagnan  e Aramis  ,   Athos ,  serviu-lhes de  batedor  . Tudo  na tentativa  de afastar  o  mais do que improvável  risco  de que alguém  percebesse o automóvel que ia com a dinheirama .  Também por isto , fizeram um caminho muito mais longo . Na verdade atravessaram - pelo campos - a Serra de Caçapava ,  um  lugar absolutamente despovoado , e ainda sem arames farpados .  Aliás  , sobre arames farpados os pobres do lugar diziam , como outros tantos ,  que  "Deus criou  a terra e o diabo o arame farpado. " 

Até  que  D ´Artagnan   chegou  ao silo  pelo lado contrário  à  única estrada  de acesso  para  quem ali  pudesse chegar .   Só assim  conseguiram  que  na estrada  normal ,  no caminho comum a todos , não restasse  qualquer rastro dos  seus  automóveis .  Os  que , enfim ,  chegaram  no fim do mundo onde ficava o silo .

 D Ártagnan e  Athos   levaram  em conta  que  a região  é  de  árvores esparsas , e baixas  , entremeadas  de  grama  ,  que também é  vegetação nativa naqueles campos  que vão  do Sul do país  , atravessam  o Uruguai todo ,  e entram  na Argentina, tudo praticamente com a  mesma topografia ;  de  planície  imensa  , os chamados pampas  .  Por ser  um quase infinito gramado , naquele  ponto só  interrompido  por árvores de pequeno porte ;  é  comum aos  que conhecem  seus  segredos que  -  desde que tenham  boa  orientação -   atravessem-na  de carro ,  que segue sempre costeando  a mata  que - aqui e ali -  compõe a  natureza  viva que só existe naquele lugar .  Foi assim que  D ´Artagnan  chegou  ao galpão em que o furgão viria a ser  inteiramente  coberto  de soja .  O  silo estava no pé da serra , no  seu limite  onde  começa a  planura  total . Dali em diante já  encontrariam  tão somente fazendas . Ou , como chamavam os nativos dali , as  estâncias . Este  era o termo  mais indicado , talvez em razão de ser comum a ambos idiomas : espanhol e português .  Já  o vocábulo  "fazenda"  era um pouco diferente em espanhol : hacienda .

Estância , estancieiros ... tudo igual , dos dois lados da fronteira .

D ´ Artagnan   tinha ido  atrás - e conseguiu -  de  um novo cadeado para o portão  do silo . Seu problema foi encontrar um cadeado novo em seu segredo  , mas igualmente velho na  sua aparência  , eis que um  cadeado  totalmente   novo poderia evidenciar que algo ocorrera de diferente no galpão , que era  quase abandonado .  E usar o mesmo cadeado de antes , o cadeado velho ,   traria um risco a mais : o de que alguém  , que também tivesse a chave velha e , por razões  desconhecidas , até mesmo o de ir  procurar uma enchada  ,  poderia  descobrir  o carro  bilionário . O fato é que  Mas  D ´Artagnan  achou um velho cadeado numa cidadezinha  do Uruguai  de nome estranho : Treinta  e tres .  Mui  provavelmente , trintra e três  foram os espanhóis que resistiram  bravamente  aos portugueses .  É comum  que  nestes casos  , digam  as lendas  que os trinta e três heróis  enfrentaram - e venceram ! -  centenas  de inimigos .  Neste caso hipotético , portugueses .   Não é a toa que o hino da República Cisplatina ,  depois  República  Oriental do Uruguai ,  diz  " orientales , o la pátria o la tumba " .    Mas esta escolha , entre a hipotética honra  e  a morte ,  é  um mote  comum  a quase todos os hinos daquelas paragens  tordesilhanas .

O  furgão foi  estacionado  ,  e fechado a chave ,  exatamente  embaixo  da bica  ,  que com soja ,   na segunda-feira de manhã inundaria o carro transformando-o  numa  montanha  de soja  totalmente recheada de notas de cem dólares .  Tudo levava a crer que  a soja  só   voltaria  a ser  solicitada  na próxima safra . E mesmo assim , se esta resultasse em uma  colheita  ruim .  Ao contrário ,  se  as safras permanecessem  favoráveis ,  a soja sequer seria  lembrada.  Ficaria  ali mesmo , como  estoque regulador do governo 

Mas restava  um problema :   D Ártagnan  ; ou melhor ,  um  seu bem- mandado  ,  deveria  vigiar para que durante todo o tempo não fosse aceso  o  secador  de grãos  . Os motivos eram óbvios :  o calor que serviria para secar a soja  poderia  danificar  os muito prováveis  vinte milhões de dólares .

E aqui tem-se que lembrar  do que representa o dólar do norteamericano naquele ponto do planeta .
Pelas condições especialíssimas de ser a região carente de algum outro meio de reserva efetiva - e fungível -  de valor ; por ali o dólar  era de garantia e praticidade únicas .

Sim , o dólar  que , se não tinha o antigo brilho das libras esterlinas ,  consistia  numa libra  de papel tão aceita com  a  inglesa um dia  foi e , por motivos de que em sua essência ser tão somente um papel  , tornava-o  muito mais fácil de ser internacionalizado .  Principalmente porque  ele  trazia  uma jura  , tão solene como podem sera as juras  americanas ,  a de  que qualquer um poderia exigir  o seu valor  em ouro.  Ou , por outra , um  papel filosofal  fungível  em ouro 999,99 % .

Além  de tantos cuidados ,  mais um eles  tomaram :  Athos  ficou  encarregado de ,  já  no  dia seguinte  - um domingo ,   passar  um  fecho  de chirca  nas prováveis , ou hipotéticas ,   marcas que os pneus poderiam ter  deixado ,  na terra  do solo que - porventura -   estivesse sem pasto ( assim é denominada  a grama naqueles confins )  .

Nenhum  rastro poderia  ser percebido , ainda que  por um gaudério  desgarrado -  destes  que conhecem  as pegadas  como a palma da própria mão -  que porventura  andasse  a esmo como eles tanto gostam de  vadear .

A distância dos  dez últimos  quilômetros  seria  no outro dia  batida pelo próprio  Athos  que ,   no último dia do feriadão de fim de ano , com um vassourão de chirca  ,  varreria  os lugares que tivessem sido em algo modificados pelos  carros  ;    a menos chovesse .  Aí  as hipotéticas pegadas seriam apagadas pela chuva mesmo .

O cuidado era mesmo extremo :  mesmo sendo certo que o caminho comumente não seria usado por quem quer que fosse ; mesmo assim eventuais rastros deveriam ser apagados .  Este  seriam ,  daí  para frente   os cuidados  próprios  d ´ Os novos Mosqueteiros .

Somente a título de  curiosidade , no dia em que  Athos  passava  a vassoura de chirca apareceu  , já a  uns três quilômetros  do lugar onde entrara o furgão , que muito estranhou  a atitude de Athos .

Era  um cavaleiro que por acaso  pegara aquele atalho , que depois dos cumprimentos de praxe perguntou :

- Que pasa  ?   Por que  estás  hoje  aqui  pelas Palmas ?

-  Te olvidastes  de que é no primeiro do ano que nós  , lá  de  Camaquã ,  viemos  para os campos para pegar  as ervas que usaremos nas nossas macacoas , nas enxaquecas ?

- Pois eu te juro que não  me lembrava disto . É que nós , lá das Palmas  ,  pegamos as ervas na Semana Santa ... sendo assim  ... buenas  tardes  indio velho !

- Buenas !     Respondeu  Athos  para o cavaleiro que começava a se afastar .

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

78 - Julietinha e o Oficial do vapor . Final B

No meio da madrugada - e pouco depois de  D´Artagnan  aliviar  o  furgão original  -  Pituca e Aramis escorregaram ladeira abaixo  o furgão  deles .  Pouco a pouco , muito devagar mesmo,   o carro foi ganhando alguma velocidade - mas só pela lei da gravidade -  na descida  da baixada .  Os pretensos sócios - Pituca e Aramis -   rezavam para que nenhum dos capa-pretas aparecesse  na porta , certamente  de  arma na mão , provavelmente  dando tiros na direção  daqueles  que furtavam  a  que  seria  a maior das remessas de dólares -  estimava-se que estariam ali vinte milhões deles  -  que  , em princípio , deveriam estar guardados pelos Capa Pretas   até  que fossem  entregues à  agência  cisplatina do banco  nos Alpes .

Enfim Pituca colocou a  segunda marcha  para  com ela  dar o tranco no carro  que fez  o motor  pegar .   Ainda que olhasse no retrovisor  -  e como ele  olhava !  -   o estancieiro nada via , só  a escuridão  do  momento  mais escuro da madrugada . Além disto ,  ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas  dormiam  não  representando  perigo algum  para quem  fugiu  com  , ou  melhor , sem  a carga   dólares .  Pituca e Aramis  deram altas gargalhadas  ao  pensarem  como os guardas  despertariam . Será que  entrariam em choque  ?
Era provável ;   muito provável  ,  que  eles queimariam as próprias  naves para  - então -  estabelecerem-se  naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os  espertos ,  os  que  furtaram  os dólares    que  acabaram  de  vazar ladeira abaixo ,  os construtores de Brasilia   não perdoariam  aqueles  capa-pretas que  sempre foram pagos  regiamente  pelo serviços que prometeram  fazer  com total  dedicação .

Mas foi  o amor ,  a paixão  por  àquelas belas gauchas que  modificou  o caráter  dos seguranças , vindo-se  mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas  que diz que mais puxa um  par de pentelhos do que uma junta de boi  brazino .

Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante .  Tudo porque sabia que  Aramis era do Taquarembó  -  um pueblo perdido  no interior  da República  Oriental  -  também conhecida como república cisplatina .  Pela sua forma de ver a vida , as pessoas ,  e o mundo ,    Pituca  pensou que Aramis  se  emocionaria tanto ,   ao ver em suas mãos cem mil dólares  , que  não se daria conta  da  relatividade  entre  os valores  que restariam para  cada um dos hipotéticos sócios .  Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados -  ,  duzentas vezes o que  caberia  á  Aramis .

O certo  é que  Pituca  nunca  desconfiou  que isto  poderia  o seu  plano  ao fracasso .  E , certamente , ajudou  no seu  fracasso  .  Imaginemos que  Pituca dividisse  meio a meio  os  vinte milhões  . Provavelmente , nem assim Aramis  trairia  Os Mosqueteiros . Provavelmente .

Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .

Aramis despediu-se de  Pituca ,  ficando  certo que daí há duas horas encontrariam-se  no  saguão do hotel  , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .

O dinheiro de Brasilia tornou-se  agora a esperança  de  Pituca  entrar numa bolada federal .






quinta-feira, 18 de julho de 2013

73 - Julietinha e o Oficial do Vapor - Final B .

Conforme já  tinham combinado , foi a mosqueteira Quita que convocou uma reunião para informar o  grupo sobre as  novidades colhidas  .  Desta vez ficou acertado que o encontro seria em  Caçapava  , uma cidadezinha no alto de uma pequena serra ,  que vive  da mineração de calcário , com paisagens das mais tranquilas de todo o planeta Terra .   Quita não bebia álcool ; assim ,   o brinde em que todos os Mosqueteiros levantavam as taças , para ela foi com refrigerante .  Para os demais foi com um excelente vinho da Campanha   .

Quita passou por um tempo de amadurecimento . Se antes só pensava em servir seus senhores , agora sua auto-estima  crescera ,  ela sabia que era uma pessoa como as outras , que tinha  suas prerrogativas ,  por isto queria sacar o seu quinhão que , sem dúvida ,  estava em outras  mãos . Nela  viviam  duas pessoas . Uma  ,  a antiga ,  era a que  gostava de mexericos ,  de  fofocas .  E foi  este lado que contou aos colegas dois fatos que ela achou inusitados :  Pituca  ,  nesta segunda vez que co-habitava com Valéria ,  adquirira  o apartamento ao lado do que já possuía para ali  abrigar  sua amada . Paulo Becerra nunca esqueceu que ambos prometeram-se mutuamente que sem o casamento eles não se pertenceriam , tivessem a vontade que tivessem um do outro .

E , se acariciavam-se  por longos momentos , tais carícias , acreditem , não transpunham os limites de afagos mas  sem que - como Valéria confidenciou à Quita -  chegassem sequer a masturbar-se .  Ambos respeitavam a palavra  empenhada . E num determinado momento depois de cearem juntos ,   despediam-se .  Cada um para o seu apartamento . Para ambos , aquele resistir , ainda que a paixão explodisse neles ,  era assim como  a expiação necessária  à purificação de seus espíritos . E  corpos .  Guardavam-se  para as núpcias que - segundo Pituca vinha comentando -   seriam  - nada mais , nada menos - do que no Tahiti .  Mais precisamente  , em Pappete .  

Mas ainda sobravam  outros segredos ,  também captados por Quita :  O nome verdadeiro de Valéria não era este , mas sim Valeska .  E  agora  Pituca começara uma campanha para que Valéria  , no dia do casamento , no instante em que juraria fidelidade ao marido ,  voltasse  ao seu verdadeiro nome  . Assim , o ritual do casamento teria  mais  uma purificação .  Ali morreria Valéria e  renasceria  Valeska.

Quita encerraria sua  fala  com mais duas novidades . Paulo já estava na posse dos passaportes e , ainda mais intrigante : Quita presenciou um telefonema de Pituca para  um corretor de imóveis no qual  tratava da venda dos dois apartamentos ,  e  que o comprador  fosse  avisado  que  o vendedor  permaneceria no imóvel por mas  algum tempo - não muito .

Se os demais Mosqueteiros estavam  boquiabertos , D ´Artagnan  não demonstrou  surpresa .  E ,   novamente , fez um  discurso  pelo qual quis clarear  ainda mais  a cabeça dos companheiros :  "  Acho que já  não temos dúvida de que a  propriedade  também pode vir sem máculas .   Mesmo assim  cabe uma observação :    as coisas  industrializadas ,   e vendidas ,  têm nelas  bens  extraídos da  natureza  que são   propriedade de todos , de todo mundo .  Ou seja  (  e D ´Artagnan levantou as voz , ainda que os companheiros já estivessem-no bem  escutando  )   aqui  nestes confins da nação - se não no País  inteiro , no mundo inteiro -  as classes que mandam ficam não só com aquilo  que elas  agregam  nais coisas que  produzem . Mas , também ,  com  aquilo que seria de todos por  virem  das entranhas da terra , de  antes mesmo que o homem se conhecesse como tal . "

Quita   e  Porthos  se entreolharam ,  mas foi  Aramis quem arriscou uma pergunta :  " Mas os impostos  ?   ; eles  não servem  para que esta parte  que é  de todos , a que é  retirada da natureza , eles não são para  que ela  se volte para  os que não participam diretamente da  industrialização  ? "

D ´ Artagnan  , que jurava que  os motivos que sempre  o levavam  a  enfatizar para os outros Mosqueteiros o lado filosófico/religioso  do alívio de  excessos de realidades  que  fariam  deveria  servir  tão somente para que todos não ficassem com sentimentos de culpa  pela  requisição que fariam  ;  completou : " pode até ser que em outras plagas , em outros países , os impostos sirvam como paga deste quinhão natural e coletivo  . Só que aqui ,  nestas paragens , os mais  hábeis  ficam não só com o que eles porventura agregam  às coisas ; mas também , com  os benefícios  originados na quase totalidade dos impostos  que sobre elas  incidem  .  Enfim , apropriam-se também  ,  pelo exercício das mais diversas formas de poder , da quase totalidade das riquezas naturais .  Não ;  a propriedade nem sempre é um  roubo  , Aramis . Mas por aqui , quase sempre é  . "

" Tudo bem ". respondeu Porthos . Mas voltemos  à nossa causa primeira :  quanto hoje  progredimos no nosso plano de ir buscar - como sempre me diz  D ´Artagnan ...  o nosso quinhão ... ao  ,   tão somente ,   aliviar  os excessos de realizações  perpetradas por terceiros ?  "

D ´Artagnan  respondeu :  " Posso garantir que hoje andamos muito , mosqueteiro  Porthos . "

Foi Aramis quem abortou  a aridez da falação  que , certamente , iniciaria o primeiro mosqueteiro  ( "primeiro"  por que foi quem organizou  o grupo , eis que entre  Os Novos Mosqueteiros não  existia qualquer hierarquia ) :  " Eu estava esperando um tempo para dizer que Pituca  convocou todas as meninas do Boca de Ouro  para a semana que vai do Natal  até  o dia 2  de janeiro .  Ele quer todas a postos neste período. "

Depois  de  Aramis ,  Quita aproveitou para dar mais uma notícia :  "  Ouvi o Seu Pituca dizendo para Valéria que estava cada vez mais satisfeito com o trabalho do Seu Bandido ;  que , até agora ,  Bandido não atrasara um dia sequer no pagamento de sua mesada de dez mil dólares  . Eu ainda não sei bem  o que isto tem a ver com  tudo que nós queremos . Mas  a intuição me diz que em alguma coisa isto é bom para nós todos .  "

Foi o próprio  D ´Artagnan quem  completou .  "  Todos nós devemos ficar  atentos ,  mas também felizes ! Diversos passos  já foram dados por nós ,  Porthos .  E todos com absoluta  precisão .   Nem que eu quisesse  só olhar para o lado frio da lógica ,  despindo-o  de  interpretações  que pudessem nos favorecer ;  nem assim  eu poderia  esquecer que temos boa parte do caminho andado .   Tudo  joga a nosso favor !  Vejam  a alegria de Pituca quando confirma que o senhor Bandido  paga com absoluta pontualidade o que lhe prometeu .  Qual a leitura disto , Novos Mosqueteiros ?  Qual ?   :    Pituca , já decidiu  que  mudará de vida  no momento em que casar-se .  E quer ter uma dupla garantia :  o pinga-pinga  , pelo menos para ele ,  de  dez mil dólares por mês depositados em sua conta   ,  mais um depósito de nada menos do que vinte  milhões de dólares . Tudo depositado  no pais da cruz branca . Posso garantir que  todas as terras , todas as estâncias  de de Pituca  não valem a metade disto ."

Foi Porthos quem cortou  D ´Artagnan :  " Vinte milhões de dólares ....  de onde tu tirastes este número  ? "

" É fácil , Porthos .  Tantos avisos , tantas preparações levam a uma conclusão  evidente :  O pequeno caminhão  virá lotado .  Eu me dei ao trabalho de calcular  , pelo volume do caminhão , quantas notas de cem dólares cabem ali .  Dá mais de vinte milhões de dólares .  Outra  evidência é que a situação política está  dia a dia se complicando .  Eu  me convenci  que  os  detentores  da pecúnia  concluream que  chegou a hora dos excessos de realizações serem retirados do país .  E  o quanto antes  .  Vejam ,  companheiros  ,   temos que  agir como um relógio inglês ,  com exatidão ,   sem  titubeios . Absolutamente precisos nos alívios pecuniários a que nos propomos ;  se o casamento de Pituca  está marcado para o dia 15 de Dezembro ; e , se além disto , ele  vendeu os apartamentos , é porque quer abandonar a região .   Como ouvimos nossos pais dizer : Pituca quer ver o anoitecer , mas não o  amanhecer  .  Quer  desaparecer na calada da noite . E por que Pituca faz isto ? :  porque  a maior parte de seu plano  também, já  deu certo .  Recordam  que eu disse que todos os carregamentos de dólares chegaram num  feriado de longa duração ?    Este é o motivo de  Pituca  botar  o Boca de Ouro de prontidão  geral  na semana de fim de ano .  "   Todos os mosqueteiros balançaram a cabeça afirmativamente , quando   D ´Artagnan  voltou  à  sua explanação : "  Pois bem , daqui a  40  dias  teremos  um grande feriado , o maior de todos :  a semana  de Natal , sempre colada  nas festas de passagem do ano .  E , como neste  ano o  Natal cai  numa terça-feira teremos  praticamente a  junção  de dois grandes feriados .  Tem-se aí  um momento mágico em que as estradas param ,  os postos policiais fecham  por completo seus postos logo depois que acham que todo o tráfego  vazou  para seu  destino  final .  Companheiros ,   a  polícia também para , recolhe-se  a seus lares .  E não só no Brasil .  Tudo  para  nos dois lados da fronteira .  Para todos que estão nesta  aventura  o  final  do ano  é a hora .   O dia é este :  o primeiro do ano . "

Porthos aproveitou para levantar uma dúvida :  " Pensei , pensei  e  percebi ,  D ´Artagnan , que não precisamos  de que  exista um  duplo furto .  Ora ,  se  a nossa  fé  aponta para que o dito  de "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão "   seja  suficiente - pelo menos quanto ao tempo  necessário para uma ampla anistia  divina  ; e ,  considerando-se  os  obstáculos  que teríamos  ao ter que esperar que Pituca  faça  o seu  desapossamento ; para , aí sim ,  aliviarmos  o  gauchão  ;  digo com certeza que não vale a pena o risco originado  nesse  duplo perdão .  Diante disto eu peço a  Democrática para que seja resolvido este incidente :  se  poderemos  promover um alívio simples  , mesmo que com isto só tenhamos a garantia de tão somente  cem anos de perdão ,  não existe motivos lógicos ou religiosos  para  que o risco  se multiplique .  Ou  , então ,  se for da vontade do Grupo , esperemos  que Pituca  furte  os dólares , para - depois dele  delinquir -  aí sim  aliviar  o Paulo  Becerra  . "

D ´Artagnan   pediu que , pela ordem , ele  esclarecesse : "  Muito bem , Porthos .  Já vi que nosso convívio tem  feito  sua cabeça se abrir  aos clássicos  .  Você tem razão !   O que Pituca faria seria um furto ;  isto mesmo ,  o estancieiro  não dispõe de status  filosófico  , ou mesmo religioso , que todos nós  ,  Os Novos Mosqueteiros , dispomos .   Tudo porque nós , qualquer um dos  Novos Mosqueteiros , nada têm  de acumulação ,  real  ou pecuniária .  Inexiste , para Pituca , qualquer possibilidade do perdão divino . Isto  nem de longe vale para Pituca .   Ele é um grande proprietário de terras ;  e  , o que para nós será  um aliviar de excessos de realizações , para ele seria  mais uma  acumulação  ampliadora de realizações .  Parabéns , Athos !   E eu espero que  Aramis  e Quita  estejam  abrindo suas consciências para o fato de que não nos interessa  ser igual aos outros acumuladores insaciáveis . O que queremos é a nossa parte nas  apropriações de bens naturais embolsados ao longo das eras ,  das  gerações .  "

Desta vez , Quita foi a única pessoa que não demonstrou  segurança no balançar  a cabeça afirmativamente . Mesmo assim , balançou-a .

Foi quando   D ´Artagnan  completou :  "  Por mim , eu  - por mais que isto  nos custasse  -  consumaria  compulsoriamente o duplo alívio .   Por mais que nos custasse ,  deixaria que  Pituca furtasse os Capa-Pretas  para  só então  aliviá-lo ;  para  com isto garantir  uma  anistia celestial  de duzentos anos .  Mas  eu não vou quebrar a jura que fiz : submeto-me à Democrática . "

Foi quando D ´ Artagnan completou : " Companheira Quita ... você lembra o que seria a  Democrática ? "

Quita , que todos os dias lia o Guia dos Novos Mosqueteiros  que tão bem escondia nos seus guardados,  não titubeou  . Trazia  na ponta da língua  a definição do  Manual  elaborado  por  D ´  Artagnan : "  A Democrática  é  o pedido oficial posto por um dos  Mosqueteiros de que a vexata quaestio seja  colocada  em  votação aberta . "

D ´ Artagnan  não se conteve :  " Para concluir ,  companheira Quita : e o que viria a ser vexata quaestio ? "

Quita :  " Vexata quaestio , para nós , os  Novos Mosqueteiros , é  uma  como  chamamos  as questões   sumamente intrincadas ."

D ´Artagnan :  " Parabéns Mosqueteiro Quita !    Vamos à  Democrática ... "

D ´ Artagnan  :  " Mosqueteiro  Quita  ,  em que tu votas ,  no duplo  perdão , que nos garantiria duzentos anos de indulto  divino ,  ou  no  alívio  uno , representado  num só  passo aliviante ? "

Quita : "  Concordo com Athos . Nossas vidas não chegarão a  cem anos .  E , pelo que ouvi dizer , pelo menos no campo terreno , a penalização de alguém não pode ser transferida para a sua família . 'A  nossa descendência só   restaria  os bônus de  uma pequena montanha de dólares . "

D ´Artagnan : "  Submeto-me à vontade da maioria , mas devo esclarecer que quando pedi  a comprovação de dois roubos para a quantia almejada que será  aliviada,  eu me referia tão somente  aos  limites religiosos que a questão compreende ...    Aramis ,  qual o seu voto ?  "

Aramis :  " Mais do que ninguém , eu compreendo as preocupações político/ filosóficas/religiosas  do primeiro Mosqueteiro . Mas , como na profissão que abracei ,  devo ser prática :  não vale a pena a relação custo/benefício de termos que correr o risco de dois alívios seguidos ,  não vale a pena .  Voto com o Mosqueteiro Athos . "

Assim , democraticamente , foi decidido que somente um alívio era suficiente para livrar  os Mosqueteiros dos  desdobramentos terrestres  esperáveis  . E ,  por que não ?  com o rigor lógico  adotado desde o início por D ´Artagnan ,  que também os impedia moralmente de correr riscos de estarem perpetrando  algum furto .  Algum roubo .

D´Artagnan foi complacente ao calar-se para a questão relativa à eternidade das almas no tempo posterior ao Juízo Final .  Até D ´Artagnan  convenceu-se que seria um excesso abrir mais uma discussão para , nela ,  discutir  o tempo ulterior ao dia do Juízo Final . E , imediatamente , bateu o martelo .








quinta-feira, 27 de junho de 2013

68 - Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B .

Um ano se passara e quatro remessas de valores tinham chegado do centro do país .  A maior parte deles seguira para a Europa , quantias de menor monta ficaram  mesmo na República Oriental .  Como Pituca previra  , os capa-pretas fizeram-se íntimos das moças do Boca de Ouro  .  O que Paulo não sabia  é  que  a  jovenzinha  , que praticamente amigara-se com  Silvério  o capa-preta chefe ,  fora  convidada  pelos Mosqueteiros a fazer parte do grupo . E  aceitara  juntar-se  à  D´ Artagnan  e  Athos  adquirindo  o codinome de  Aramis ; aliás , o único dos mosqueteiros que falava o idioma  Espanhol .  Assim ,  Aramis  recebeu  a promessa de que quaisquer  desapropriações , qualquer lucro vindo daquela sociedade, seria dividia  de forma igual entre os mosqueteiros .  Reviveriam  o   "Um por todos , todos por um " .
O certo é que a moça  era  nacional da República Oriental  e ,   se antes de pertencer aos Mosqueteiros  já se esforçava em agradar Silvério (  aliás , ele confidenciou-lhe numa noite  daquelas  que "Silvério"  era um codinome ;  que seu nome de batismo seria Dirceu  . Mas  foi  preciso  de muito uísque irlandês na cabeça  para que Dirceu  revelasse  este seu segredo  maior  )  agora ela  se aplicava  mais e mais nos jogos de amor .  Ainda  que  a jovem  exercesse  a  antiga profissão , é certo que ela  não o fazia  tão somente  por interesse  pecuniário .  Assim ,  ampliar os limites das possibilidades amorosas era não só um desafio na missão de agradar  totalmente Silvério ;  a verdade é que  uma possibilidade  - a de  trabalhar em prol do ideal do Mosqueteiros -  não anulava  a chance de  entregar-se aos prazeres que  quase sempre  co-habitam com os demais resultados práticos de seu ofício .   Aramis soltava-se  e  imergia  no clima ;  e , se proporcionava a Silvério tudo o que a imaginação do capa-preta  criava  ,  ela também aproveitava  a sede , misturada com fome mesmo  , com que o homem chegava ao Boca de Ouro .  Nada , mas nada mesmo , do que constava do menu dos amantes , fossem eles franceses , tailandeses , indianos ou de qualquer outra nacionalidade tida como íntima do erotismo mais profundo  era deixado de lado . Silvério trazia-lhe  fotos ,  cadernos  pornográficos com  as  posições eróticas mais  intensas para  reforçar os laços amorosos  , mas cuidava  de levá-los todos de volta quando  , quase ao amanhecer ,  seguia  para Rivera .  O fato é que  Aramis , com  Silvério , sentia  de verdade quase todo o prazer que exteriorizava ;  e  que  com outros clientes ,   fingia sentir .  Por isto , se  do seu lado Silvério  gemia sem sentir dor  em cima  Aramis  cortava o silêncio daqueles pampas só povoado de gado  bramindo de prazer.  Para  o bem de todos  , a moça convencera o capa-preta  de que  ele  nascera para dar prazer aquela  sua amante .  E  é bem possível que isto fosse verdade .   Só o que  Silvério não sabia , era que a mulher , além do prazer que proporcionava e desfrutava  -além disto - ela  ficava  com  olho de águia  nos hábitos  de  Dirceu   ;  como e onde  guardava as chaves da caminhonete que trazia o tesouro ,  por quanto tempo a quantidade  bebida  naqueles encontros  o mantinha  quase anestesiado  .   Todas as informações eram  passadas  para   D´ Ártagnan e Athos  .

Por sua vez , Paulo - o Pituca -  ao perceber que Silvério  caíra mais  e mais  o beiço  por Aramis  ,   aumentou  substancialmente o cachê  da  prostituta .  Ao mesmo tempo que lhe criara um problema  : quanto mais pagava ,   mais   informações sobre os costumes do capa-preta  exigia ; que , não por acaso , eram  os mesmos detalhes  que  D´ Artagnan  e  Athos  pedidos .

Aramis  , assim que pode , pediu uma reunião com D Ártagnan e Athos  para que os três avaliassem qual seriam as melhores  respostas  que ela teria que dar ao Pituca ,  que  em vez de aproximá-lo  da fortuna  que ambos os lados  disputavam ,  deixassem-no cada vez mais distante da dinheirama .


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