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quarta-feira, 3 de julho de 2013

70 - Julieitinha e o oficial do vapor - Final B

Quita ,  no apartamento de Valéria e Paulo Becerra  na capital  do estado , limpava a poeira dos móveis com um pano umedecido  ,  ao mesmo tempo que ouvia  Pituca  falar  ao telefone ,  com Zé  Arataca  em Recife  .

Pituca :  "  Se  tú achas que é tão importante assim ... ? 

   Mas tudo não está  tão bem , Chê  ....  ?  "

.......

Pituca :  " Mas bááh  Tchê .... então é em razão de tudo estar dando  certo que o pessoal quer ampliar as remessas ... mas isto é tri-legal , Tchê  ! "

......

Pituca : " Tá bom barbaridade , eu estarei  no Rio no dia e hora combinada ,  lá  na Churrascaria  Gaúcha  ....  "


Quita ,   a Mosqueteira ,  não só ouvia , mas também gravava em seu cérebro o que acabara de presenciar .  A negra lembrou naquele instante que sua família trabalhava há décadas para os Becerras  sem  que tivessem um salário que lhes proporcionasse quaisquer confortos ou mesmo  possibilidades de ter uma família normal , uma família cujo destino na  fosse  continuar  servindo de mão de obra barata para os patrões.   "Enquanto isto  , os Becerras enriqueciam  , multiplicavam  sua fortuna ,  "  pensava a preta  .   "Não , eu  não vou tremer ...  eu  vou conseguir deixar de lado o servilismo que se abate sobre a minha raça desde que nos trouxeram acorrentados da  África . "

Por incrível que pareça ,  Quita  notou que Pituca  também  refletia  ... decidia intimamente alguma coisa que ela  , porém , imaginava do que se tratava  .  Na verdade  , Paulo também  vacilara um pouco em   dar continuidade  no plano de apropriar-se de uma das remessas .   Pensava ,  pensava  ... até que seu semblante desanuviou-se , momento em que chamou , quase gritando , Valéria ....  :  " Polaquinha ....;. Polaquinhaaaa ...  meus planos estão se concretizando ...  ligaram-me  para uma reunião no Rio ,  e  será para fechar  um negócio que eu esperava a meses . "

Como  Valéria  não respondesse ,  Pituca  abriu de vagar  a porta do quarto  e viu - nada menos do que  a sua polaquinha  dormindo , ou pelo menos fazendo que dormia .  A inércia  da mulher -  estática  como  se fosse  um quadro do  D´Orsay -    despertou  no Gaúcho  vontades  e desejos  que , de  pronto ,  fizeram-no  ajoelhar-se  e  beijar  , lamber mesmo , um a um os dedos dos pés de sua  Pipoquinha , que  mexeu o corpo  acusando  a carícia  , mas  sem tirar o pé  da boca do  amante .

sábado, 15 de junho de 2013

62 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B

Paniágua :  " Don Pituca ,  continuam  a llegar  volumes  fantásticos de dólares . Dicen  que la primeira llegada  seria mismo  de un  grande  asalto  a  la  casa da amante de um  político , de mayorales .  Mas  ahora   otros tesoros estarian  llegando ,  no total  fueran  quatro las  partidas en  dolares ...

Paulo Becerra  respondeu como se nada soubesse de tais fortunas : " Mas é comum este contrabando de valores tão altos ? "

Paniágua : " La cosa son por ciclos .  Cuando  las personas desconfian  - en Brasil o en Argentina -  de que algo no esta bien en la seguridad ,  o  en la politica ...  entonces  ellos  hacen  verdaderas romarias,  que llegan por las mas distintas formas  y medios de transportes .

Paulo : " E porque somente em dolares ... ?

Paniágua : " Es evidente , Don Paulo Becerra ...  la moneda americana minimiza fantasticamente el riesgo ... basta que la persona - no caso , las personas - consigan  reconocer  la plata verde , si es falsa , o verdadera . .  E esto nos es asi tan dificil .  Los ojos y el  tato  aún son  los mejores instrumentos ... . Es que los falsficadores de dolares  no conseguiran  , todavia ,  hacer  el relevo que la tinta  imprime   nel  papel  moneda  es un  excelente indicio que el  dolar es verdadero .   Aun que  no  se tenga  certeza  de que es  cien por ciento  veraz   (  mire que  de las  falsificaciones  colombianas son casi perfectas )   pero , asi mismo   , es casi  imposible que una persona  comum  , pero entrenada ,  no descubra una nota falsa en centenas  de otras verdaderas .  E mas importante : para nosotros , con la tradicion  inflacionaria que tenemos ,  el dolar  americano llega a ser  tambien  una  vacuna  contra  la inflacion .   Aqui  en la Republica  Oriental  tenemos  esta modalidad de  depositos , que son las cuentas en dolares americanos . Asi , despues  que la guita llega acá    ganan ustedes , gana Tio Sam  que solamente gasta tinta e papel  e  lleva para norte-america casi toda la plata ... ganamos nosotros que recibimos  estes regallos para nuestra economia ... gana todo mundo ,  niño   Pituca ...   "     Disse  o banqueiro Paniágua ao mesmo tempo que abria-se numa gargalhada .

Paulo : "  Se es asi  ,  Don Paniágua , eu estou pensando em .... quem sabe .... vender uma ou outra propriedade para   trazer la plata para você . As coisas parecem que estão se complicando  la na minha terra ...  e na vida  sempre temos que ter uma alternativa ... um segundo plano ...

Paniágua : "  Solamente no te olvides de que hay que pagar nuestras comisiones  y  pequeñas tajas ...   desde que no te olvides  desto  , puedes traer  hastá mismo todos los dolares  de la construccion de Brasilia  ...

Uma coisa ambos não sabiam .... que  , também estava ali com eles ,  nas mesas da calçada , da cervejaria da  Calle General  Artigas , mais precisamente na mesa de trás à que estavam sentados ,  um  brasileiro  com  seus  60  anos que , usando  roupas  típicas de  gaúcho uruguaio ,   parecia ler  um jornal  da República Oriental ,  que ,  tomando  cerveja  passava  totalmente despercebido de que era um  espião que , além de ouvir ,  rabiscava algo num bloco de anotações .

Mas  plantado por quem ?

Afinal  , quem seria  o espião ,   de quem estava ali a soldo  ?



quinta-feira, 30 de maio de 2013

56 - Julietinha e o Oficial do Vapor - final B .

Bandido :  "  Mas tá de renguiá cusco , menino Pituca "       [  O minuano cortava a pele e gelava os ossos .   No galpão da  estância  ,  Bandido e  Paulo Becerra  se aboletaram à beira da fogueira em  pequenos bancos toscos  em  meio de bois ,  e ovelhas  que  de vez em quando roçavam  os mourões de   angico que ,  de tanto  o gado  ali  esfregar-se  ,  já estavam  lustrados como se  alguém os fizessem  brilhar diariamente com  pano de  flanela ;   Bandido passou a cuia do mate amargo fumegando  para Paulo Becerra .  "De renguiá cusco "  era a expressão com que o homem  do campo exortava o frio ,  mormente quando  a temperatura descia  abaixo de zero . A expressão  " de renguiá cusco " - se é que isto  pode ser  explicado  com exatidão   -  origina-se  da  percepção do  gaúcho de quando o frio é intenso  faz  com que os cachorros de pequeno porte  - chamados pelo povo de "cuscos"  -   andem somente em três patas ( ficando "rengos" , mancos  portanto ), ocasionando  esta  quase atrofia no andar dos animaizinhos  , mas que se desfaz logo que a temperatura  aumenta  .  ]     "  É isto mesmo ... "      esfregava as mãos tentando aquecê-las  .   É isto mesmo  "  ...   tá  do carancho comer os filhos ... "   [ já esta fala  refere-se a uma espécie de toupeira - o carancho -   que , quando o frio é demasiado , não sai da toca para comer ,  alimentando-se dos próprios filhotes ]    " Na verdade  eu queria falar contigo  menino Pituca  sobre as  experiências  e modificações  no trabalho  , no  manejo  em geral , que tenho feito  em diversos setores  das propriedades . Mas te digo que  não estou me dando mal com tais experimentos , muitos deles  aprendidos na Austrália ... "


Paulo Becerra , o Pituca  :  " Ninguém mais do que eu admira o sucesso de sua administração ,  Amigo Bandido .  Estou de boca aberta com o senhor eis que sempre pensei que só eu - e ninguém mais -  poderia  tirar o melhor resultado econômico de nossas terras .  Para te falar a verdade , concluí  que  sem a minha presença nas estâncias  as coisas andam melhor do que quando  eu estou  por lá  ... "   Disse Pituca abrindo-se numa gargalhada .


Bandido :  " Eu agradeço tuas palavras ,  Pituca  -  mormente por vir de ti  , filho  de  uma das melhores almas que Deus pôs em meu caminho , o saudoso  amigo Paulo Becerra . "


Pituca : " Da minha parte eu fico feliz em termos , nós os Becerras ,  unido as  nossas famílias :  Becerras  e  Santiagos ,  também agora pelos laços do matrimônio de  Julietinha  com o seu filho  Pedro  ,   tão  correto  ,  sempre tão gentil  ,   de tantos  bons princípios morais   ... "

Dito isto devolveu a cuia à Bandido que deu uma cevada na erva mate , enchendo novamente a cuia com a água que assobiava na chaleira ...


Pituca : " Mas amigo Bandido ... "   (  re- começou  Pituca já com os olhos mareados )    " ....  eu quero aproveitar o momento para  confessar-lhe algo que eu só diria  a meu próprio pai se vivo estivesse . Tudo porque  que estou numa situação complicada e preciso desabafar com alguém ... "


Bandido : " Pode confiar , como se eu fosse mesmo o teu querido  Pai ,  guri Pituca ! "

Paulo contou em detalhes ,  o fato de a  sociedade local , preconceituosa  como poucas , não estar  preparada para - de forma tranquila -  receber a mulher que ele tanto amava : a sua Valéria .


Pituca :   " E vou confessar ,  Amigo Bandido ,   eu não sei do que seria  capaz se alguém , pelo mínimo que fosse  , viesse  a  desfeitear  a minha polaquinha . "

55 - R 2 - Julietinha e o oficial do vapor - Final B - versão do Portunhol para o Português.



Paulo Becerra :  - " Volto aqui para receber do senhor mais lições sobre como são estes bancos ; principalmente  , os  de lá  ..... do país dos lagos , dos queijos furados e dos deliciosos chocolates .... "

Senhor Paniagua :  "Pode perguntar o que quiseres , amigo Paulo Becerra ."

Paulo : " O que acontece se eu trouxer aqui para o senhor uma grande quantia para depositar em seu banco ? "

Paniagua : " Estes bancos internacionais seguem o princípio de que o dinheiro não tem cheiro . E se alguém consegue transpor nossas fronteiras com uma certa quantia em seu poder  e sem  ser  notar-se que está sendo perseguido quando de sua entrada em nosso país , esta é a presunção para nós necessária a que se entenda que o dinheiro é propriedade sua . É o suficiente para nós . "

Paulo : " Mas há um limite para tais depósitos ? "

Paniagua :  "Desde que pague nossas taxas e comissões .... o céu é o limite .... "

Paulo : " E daqui mesmo , da República Oriental ,  eu posso abrir uma conta em bancos do país que eu quiser ?  "

Paniagua :  " Basta que o banco do país  escolhido tenha correspondente aqui , e que todos os papéis da abertura da conta sejam preeenchidos regularmente . "

Paulo : "E qual é o banco que o senhor representa lá daquele paraíso fiscal ? "

Paniagua : "  Somos correspondentes do Brow Cow Bank .  É do interior , um banco pequeno mas extremamente seguro . "

 Paulo :  " Qual seria a menor quantia que se poderia  depositar na da conta ? "

Paniagua : " Em princípio os papéis podem ficar prontos sem que seja necessário fazer um depósito .  O dinheiro pode vir depois . "

Na verdade , Paulo Becerra saiu dali  com tudo  assinado e pronto  no Brown Cow Bank .  Tudo porque sempre quis ter  conta  num  paraiso fiscal ,  não sendo imaginável  outro objetivo , a não ser o aspecto lúdico de alguém ter conta lá fora .  Ou não ?


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