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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
94 - Julietinha e o oficial do vapor - final B
Chegou a vez de Aramis falar . Athos , que tinha arranjado uma forma de sentar do lado dela , por baixo da mesa colou sua perna na da bela descendente dos indios guaranis. Ela , por sua vez , não fugiu do singelo assédio de Athos . Admitiu que , por baixo da mesa se tocassem cada vez com mais ansiedade. Acostumada à realidade crua da vida , Aramis não tremeu . " Todos sabem a minha origem neste país . Mas nem todos reconhecem que uma bailarina de cabaret , como eu fui antes de que os Novos Mosqueteiros cruzassem meus caminhos , não vive para dançar nos muitos Bocas de Ouro , pelo mundo afora . Mas sim , dança para viver . Athos , quando foi ao meu pluebo , Colcabamba , no interior do meu país viu a nossa realidade de pobreza . Minha mãe , ainda criança foi trazida para o Brasil , sendo forçada a relacionar-se com o estancieiro para quem trabalhava. Grávida , foi novamente forçada a deixar por lá uma hija que , todavia , nunca esqueceu um minuto sequer . Sem pai , restou-me a alternativa de sobrevivência que vocês , irmãos Mosqueteiros , conhecem . Hoje eu , como todos vocês , sinto-me digna de poder receber a minha parte destes alívios de excessos realizados . Nunca passou pela minha cabeça , convencida que fui por vocês , estar fazendo algo que fosse ainda que de longe , errado . Estamos , estou lançando mão do que é meu , do que é nosso no grande latifúndio chamado mundo . Mas nem tudo foram tristezas . Há não muito tempo conheci uma pessoa que me tratou com amor e respeito . Assim é que eu penso receber a minha parte e - tão rapidamente quanto me for possível - procurar tal pessoa , tal senhor que , pelo que eu sei é um homem desquitado neste país , portanto livre para receber-me - se assim quiser . E é com ele que eu irei dividir a minha parte , os meus dólares . " D ´Artagnan nem pediu a palavra , interrompeu firmemente : " Irmã de armas Aramis , este é o risco que eu sempre temi . Um de nós afeiçoar-se por pessoa de fora do nosso grupo e , por amor - talvez até por carência - abrir para o terceiro os nossos segredos . Sendo assim , eu volto a enfatizar o risco que é liberarmos os alivios para qualquer dos Mosqueteiros . O que os irmãos acham ? Foi Aramis quem voltou a falar , eis que ela tinha sido abruptamente interrompida por D ´Artagnan : " Que me desculpe o primeiro dos mosqueteiros . Mas o que eu vou dizer contraria suas conclusões . Eu pretendo mesmo abrir minhas conquistas pecuniárias ao meu escolhido . Que sequer sabe que eu o escolhi " Neste momento Athos , ao ver que Aramis já era comprometida com alguém recolheu-se , com o rosto totalmente retráido . O Mosqueteiro Athos teve uma última dúvida : " Mas será que ela não notou que , ao roçar a minha coxa na dela , eu estava passando a ela que eu a queria muito ? " Athos retariu-se ainda mais , como se fosse possível vontar-se totalmente para dentro de si mesmo . Mas Aramis continuou : " Não , Novo Mosqueteiro D ´Artagnan . Eu não vou revelar a quem quer que seja a nossa aventura , que - esperamos - resultará na nossa própria ventura . A pessoa que tocou o meu coração , está aqui presente e a ele eu entregarei de bom grado o meu dote : " Athos , você quer casar comigo ? "
sábado, 10 de agosto de 2013
79 - Julietinha e o Oficial do Vapor - Final B
Naquele momento , fronteiriço entre o dormir e o estar desperto , Silvério , o chefe dos Capa-Pretas , esticou o braço na altura de onde deveria estar a concha de Aramis . Já era hábito que no despertar os amantes renovassem os votos da paixão que os unia com uma reiteração matinal do seu intenso amor . Não foi preciso uma segunda tentativa de apalpar sua amada para que , num estalo , percebesse a traição da uruguaia . Não , não era uma intuição . A cama , vazia da amante , era um sinal claro de que aquela vida que Silvério vivera até ali tinha se acabado .
Lembrou-se que uma das exigências que os corruptos fizeram ao montar o time de capa-pretas que guardaria os valores em suas realocações para o paraíso fiscal era que os guardas fossem solteiros . Achavam , tais pessoas , que sendo solteiro o homem que escoltaria os valores teria , na possibilidade de precisar resistir a um assalto , muito mais desprendimento para arriscar verdadeiramente sua vida na defesa dos bens que jurou transportar .
Assim , quis o destino que os três capa-pretas desfrutassem agora , que a montanha de dólares batera as asas para outros donos , da possibilidade única para as suas sobrevivências : desaparecerem na poeira da estrada que os trouxera até o Boca de Ouro .
Nos demais quartinhos do bordel , as moças permaneceram com seus companheiros , era a confirmação de que quem traíra fora Aramis .
Na mesinha do pequeno quarto uma folha de papel com a bela letra de Aramis : " La mujer tiene alas en la punta del corazón " . Silvério leu e chorou como nunca tinha chorado em toda a sua vida .
Lembrou-se que uma das exigências que os corruptos fizeram ao montar o time de capa-pretas que guardaria os valores em suas realocações para o paraíso fiscal era que os guardas fossem solteiros . Achavam , tais pessoas , que sendo solteiro o homem que escoltaria os valores teria , na possibilidade de precisar resistir a um assalto , muito mais desprendimento para arriscar verdadeiramente sua vida na defesa dos bens que jurou transportar .
Assim , quis o destino que os três capa-pretas desfrutassem agora , que a montanha de dólares batera as asas para outros donos , da possibilidade única para as suas sobrevivências : desaparecerem na poeira da estrada que os trouxera até o Boca de Ouro .
Nos demais quartinhos do bordel , as moças permaneceram com seus companheiros , era a confirmação de que quem traíra fora Aramis .
Na mesinha do pequeno quarto uma folha de papel com a bela letra de Aramis : " La mujer tiene alas en la punta del corazón " . Silvério leu e chorou como nunca tinha chorado em toda a sua vida .
sexta-feira, 21 de junho de 2013
67 - Julietinha e o Oficial do Vapor . Final B
Quanto à produção literária , Pedro Santiago vivia o melhor tempo de sua vida . Estava terminando um livro de poesias que dava ao ex-jornalista grande satisfação . Julietinha engravidara , e recolhera-se ao lar em razão de que os médicos de Boca do Monte prevenirem que sua gravidez era de risco em razão de que a gestante já tinha uma certa idade , o que poderia ampliar as complicações possíveis na gravidez .
Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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sábado, 1 de junho de 2013
58 - Julietinha e o oficial do navio - Final B
" barra ponto ponto ponto ponto ponto ponto barra ponto
ponto ponto ponto barra ponto barra ponto ponto ponto
barra ponto ponto barra barra barra ponto ponto ponto "
Assim mesmo ! O combinado era que Paulo Becerra mandasse esta mensagem : "Bienvenidos " para as pessoas que chegariam com o dinheiro para entrar fronteira adentro da República Oriental .
Antes disto Paulo Becerra , o Pituca , fora com Valéria para Punta del Leste . Deixara a mulher por lá com dinheiro para ficar muitos dias e disse que tinha um negócio demorado para fazer . Chegou a Punta com três dias de antecedência , três dias de pau dentro , como ele dizia caindo logo depois na maior gargalhada .
Ele decidira trazer as mais chinas mais belas que achou nas cidades vizinhas e as colocou no Boca de Ouro , que era um puteiro que ficava por onde deveriam passar , já nos caminhos de fora da estrada asfaltada . O plano era recepcionar os convivas com um churrasco , cerveja e vinho e , se eles se engraçassem com alguma china , deixá-los a vontade .
O trato era aquele : "bienvenidos " em código morse , passado por Paulo com o facho da luz da lanterna . Além disto , Pituca deveria estar desarmado . Tudo deu-se assim mesmo .
Na hora aprazada - uma da manhã - apareceu o vulto de um carro , que parou no quilômetro 362 . Paulo pegou a lanterna e , lendo a mensagem em morse previamente anotada passou : " bienvenidos " .
Pouco a pouco a F100 chegou perto ; dela saindo três caras - todos vestidos de preto - que mal cumprimentaram Paulo Becerra .
" Sou de Paz ! " disse o gaúcho .
Abriram a porta e Pituca entrou no lugar vago da frente . Poucas eram as palavras trocadas , até que a luz vermelha do Boca de Ouro apareceu . Foi quando Paulo propôs que parassem para merendar . Quanto ao automóvel de Paulo , este já ficara junto a choupana de um camponês , talvez por acaso , conhecido do Pituca .
Enfaticamente os capa pretas negaram-se a parar . Um deles , porém , ficou longamente olhando para uma das chinas que , só de calça de baixo e corpinho , aparecera na porta do bordel . A moça era verdadeiramente bela . Muito bem torneada , com ancas bem definidas, de boa parideira . Ambos , por um momento amplo não conseguiram livra-se das grossas correntes de um olhar feito de desejos . Assim foi até que a completa escuridão os separasse de vez . De dentro da casa as rizadas e a algazarra do chinaredo chegavam até a F-100 , fazendo com que a feição dos capa-pretas se desanuviasse um pouco . Mas bastaram alguns metros da caminhonete rodando para que a tensão voltasse quase em dobro . Era que daqui a pouco tempo eles atravessariam a fronteira , e sabiam que a polícia da República Oriental era conhecida pela violência no trato dos meliantes . Além disto , qualquer arreglo que fosse necessário passaria - inexoravelmente - pela perda de toda a preciosa carga que estava ali atrás .
Duas horas depois entraram na estância de Pituca , que tinha um pedaço em cada país para facilitar o contrabando , que estava totalmente deserta.
Noite alta , já eram cinco horas da madrugada quando abriram uma porteira apodrecida , que dava numa rua de terra já na República Oriental . Ainda de madrugada todas as oito caixas foram rigorosamente entregues pelos transportadores a quem indicado . A placa na porta do banco mostrava que seu nome , o nome do banco , era tão somente uma sigla , sem que as letras - por elas próprias - formassem uma palavra qualquer .
Com Paulo indicando os caminhos , atravessaram a rua que serve de fronteira aos dois países e estacionaram a F-100 em frente ao hotel. Pouco a pouco os bares iam abrindo as portas , e agora , todos aliviados foram encompridando as frases direcionadas a Paulo .
" E aí gaúcho , ainda temos que voltar lá para pegar o recibo . "
Paulo : " não vai ter problema , os orientales são gente correta quando outra alternativa não lhes sobra . "
Paulo despediu-se em Santana do Livramento , logo depois de passarem pelo posto da Polícia Rodoviária Federal , onde - logo adiante - já era esperado por outra caminhonete . Pituca foi rigoroso ao anotar as características do auto transportador do tesouro . Anotou na cabeça a cor , a placa e tudo mais sobre uma identificação , ainda que superficial , da F-100 .
A última coisa que fizeram os capa-pretas foi entregar um pacote muito bem embrulhado , ao que Paulo respondeu : vocês sempre serão bem-vindos a estas minhas plagas . Apertaram as mãos , mais um meio abraço em cada um deles - afinal viveram juntos grandes riscos e fortes emoções . Foi quando cada um tomou o seu rumo . " Boa sorte , Gaucho ! " Foi a última coisa que ouviu . "Buenas !! " , respondeu .
Paulo , como já havia planejado , foi até Don Pedrito , onde e pegou o seu automóvel , trazido por um dos Guapos da Fronteira que estavam espalhados por todos os pontos importantes onde passou , mas voltou a Rivera onde , quase ao meio dia fez uma ligação internacional para o Hotel no Rio de Janeiro onde Zé Arataca estava hospedado . Foi quando perguntou a Zé Arataca se tudo estava bem ; ele respondeu que estava muito feliz , elogiando muito o profissionalismo , a correção do trabalho de todos . Despediu-se dizendo que tudo levaria a crer que falaria com Pituca mui brevemente . Para Pituca , cerravam-se as cortinas do ato .
Paulo abriu o pacote e contou somente as cabeças dos magotes de dólares . Tudo aparentemente certo. Voltou para Santana do Livramento . Pensou em depositar o dinheiro no banco de Paniagua mas rapidamente mudou de ideia : seria um sinal preciso de que estava metido na grande operação da madrugada anterior . Encheu o tanque da caminhonete e foi até sua estância - a Cruzeiro do Sul - que era a de onde atravessaram a fronteira para a República Oriental na madrugada anterior . Não sem agora conferir uma a uma das notas de dólares . Tudo certinho . Guardou-as bem guardadas as notas que somavam duzentos e cinquenta mil dólares , deixando no bolso nada menos do que cinquenta mil dólares .
Pensou no quanto seria o razoável para uma comissão elo trabalho que fez . Uns cinco por cento do valor transportado era o comum . Se este padrão de normalidade viesse a se confirmar teria levado para o banco das siglas enigmáticas nada menos do que seis milhões de dólares .
Com tais pensamentos na cabeça começou naquele mesmo momento outra viagem , agora para Punta del Este onde lhe esperava a mais linda de todas as mulheres : Valéria , a sua pipóquinha polaca .
ponto ponto ponto barra ponto barra ponto ponto ponto
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Assim mesmo ! O combinado era que Paulo Becerra mandasse esta mensagem : "Bienvenidos " para as pessoas que chegariam com o dinheiro para entrar fronteira adentro da República Oriental .
Antes disto Paulo Becerra , o Pituca , fora com Valéria para Punta del Leste . Deixara a mulher por lá com dinheiro para ficar muitos dias e disse que tinha um negócio demorado para fazer . Chegou a Punta com três dias de antecedência , três dias de pau dentro , como ele dizia caindo logo depois na maior gargalhada .
Ele decidira trazer as mais chinas mais belas que achou nas cidades vizinhas e as colocou no Boca de Ouro , que era um puteiro que ficava por onde deveriam passar , já nos caminhos de fora da estrada asfaltada . O plano era recepcionar os convivas com um churrasco , cerveja e vinho e , se eles se engraçassem com alguma china , deixá-los a vontade .
O trato era aquele : "bienvenidos " em código morse , passado por Paulo com o facho da luz da lanterna . Além disto , Pituca deveria estar desarmado . Tudo deu-se assim mesmo .
Na hora aprazada - uma da manhã - apareceu o vulto de um carro , que parou no quilômetro 362 . Paulo pegou a lanterna e , lendo a mensagem em morse previamente anotada passou : " bienvenidos " .
Pouco a pouco a F100 chegou perto ; dela saindo três caras - todos vestidos de preto - que mal cumprimentaram Paulo Becerra .
" Sou de Paz ! " disse o gaúcho .
Abriram a porta e Pituca entrou no lugar vago da frente . Poucas eram as palavras trocadas , até que a luz vermelha do Boca de Ouro apareceu . Foi quando Paulo propôs que parassem para merendar . Quanto ao automóvel de Paulo , este já ficara junto a choupana de um camponês , talvez por acaso , conhecido do Pituca .
Enfaticamente os capa pretas negaram-se a parar . Um deles , porém , ficou longamente olhando para uma das chinas que , só de calça de baixo e corpinho , aparecera na porta do bordel . A moça era verdadeiramente bela . Muito bem torneada , com ancas bem definidas, de boa parideira . Ambos , por um momento amplo não conseguiram livra-se das grossas correntes de um olhar feito de desejos . Assim foi até que a completa escuridão os separasse de vez . De dentro da casa as rizadas e a algazarra do chinaredo chegavam até a F-100 , fazendo com que a feição dos capa-pretas se desanuviasse um pouco . Mas bastaram alguns metros da caminhonete rodando para que a tensão voltasse quase em dobro . Era que daqui a pouco tempo eles atravessariam a fronteira , e sabiam que a polícia da República Oriental era conhecida pela violência no trato dos meliantes . Além disto , qualquer arreglo que fosse necessário passaria - inexoravelmente - pela perda de toda a preciosa carga que estava ali atrás .
Duas horas depois entraram na estância de Pituca , que tinha um pedaço em cada país para facilitar o contrabando , que estava totalmente deserta.
Noite alta , já eram cinco horas da madrugada quando abriram uma porteira apodrecida , que dava numa rua de terra já na República Oriental . Ainda de madrugada todas as oito caixas foram rigorosamente entregues pelos transportadores a quem indicado . A placa na porta do banco mostrava que seu nome , o nome do banco , era tão somente uma sigla , sem que as letras - por elas próprias - formassem uma palavra qualquer .
Com Paulo indicando os caminhos , atravessaram a rua que serve de fronteira aos dois países e estacionaram a F-100 em frente ao hotel. Pouco a pouco os bares iam abrindo as portas , e agora , todos aliviados foram encompridando as frases direcionadas a Paulo .
" E aí gaúcho , ainda temos que voltar lá para pegar o recibo . "
Paulo : " não vai ter problema , os orientales são gente correta quando outra alternativa não lhes sobra . "
Paulo despediu-se em Santana do Livramento , logo depois de passarem pelo posto da Polícia Rodoviária Federal , onde - logo adiante - já era esperado por outra caminhonete . Pituca foi rigoroso ao anotar as características do auto transportador do tesouro . Anotou na cabeça a cor , a placa e tudo mais sobre uma identificação , ainda que superficial , da F-100 .
A última coisa que fizeram os capa-pretas foi entregar um pacote muito bem embrulhado , ao que Paulo respondeu : vocês sempre serão bem-vindos a estas minhas plagas . Apertaram as mãos , mais um meio abraço em cada um deles - afinal viveram juntos grandes riscos e fortes emoções . Foi quando cada um tomou o seu rumo . " Boa sorte , Gaucho ! " Foi a última coisa que ouviu . "Buenas !! " , respondeu .
Paulo , como já havia planejado , foi até Don Pedrito , onde e pegou o seu automóvel , trazido por um dos Guapos da Fronteira que estavam espalhados por todos os pontos importantes onde passou , mas voltou a Rivera onde , quase ao meio dia fez uma ligação internacional para o Hotel no Rio de Janeiro onde Zé Arataca estava hospedado . Foi quando perguntou a Zé Arataca se tudo estava bem ; ele respondeu que estava muito feliz , elogiando muito o profissionalismo , a correção do trabalho de todos . Despediu-se dizendo que tudo levaria a crer que falaria com Pituca mui brevemente . Para Pituca , cerravam-se as cortinas do ato .
Paulo abriu o pacote e contou somente as cabeças dos magotes de dólares . Tudo aparentemente certo. Voltou para Santana do Livramento . Pensou em depositar o dinheiro no banco de Paniagua mas rapidamente mudou de ideia : seria um sinal preciso de que estava metido na grande operação da madrugada anterior . Encheu o tanque da caminhonete e foi até sua estância - a Cruzeiro do Sul - que era a de onde atravessaram a fronteira para a República Oriental na madrugada anterior . Não sem agora conferir uma a uma das notas de dólares . Tudo certinho . Guardou-as bem guardadas as notas que somavam duzentos e cinquenta mil dólares , deixando no bolso nada menos do que cinquenta mil dólares .
Pensou no quanto seria o razoável para uma comissão elo trabalho que fez . Uns cinco por cento do valor transportado era o comum . Se este padrão de normalidade viesse a se confirmar teria levado para o banco das siglas enigmáticas nada menos do que seis milhões de dólares .
Com tais pensamentos na cabeça começou naquele mesmo momento outra viagem , agora para Punta del Este onde lhe esperava a mais linda de todas as mulheres : Valéria , a sua pipóquinha polaca .
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capítulo 12
capítulo 13
capítulo 14
capítulo 15
capítulo 16
capítulo 17
capítulo 18 A
capítulo 18 B
capítulo 19
capítulo 2
capítulo 20
capítulo 21
capítulo 22
capítulo 23
capítulo 24
capítulo 3
capítulo 4
capítulo 47
capítulo 48
capítulo 49
capítulo 5
capítulo 50
capítulo 51
capítulo 52
capítulo 53
capítulo 54
capítulo 55
capítulo 55 R2
capítulo 56
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capítulo 58
capítulo 59
capítulo 6
capítulo 60
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capítulo 63
capítulo 64
capítulo 65
capítulo 66
capítulo 67
capítulo 68
capítulo 69
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capítulo 71
capítulo 72
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