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terça-feira, 18 de junho de 2013

65 - Julietinha e o Oficial do vapor . Final B

Algumas certezas os dois  tinham .  A primeira era quanto ao motivo  do alivio monetário que planejavam ;  ele  teria que ser tão justo quanto  possível fosse  um furto assim ser  .  Também não restavam  dúvidas de que o dinheiro que queriam  já  tinha a sua origem criminosa esclarecida , ao contrário de outras cadeias de roubos que perdiam-se  aos  serem  por um outro meio , branqueadas . Neste caso , não .   A quantia   viria para  suas mãos já na terceira ; ou ,  no mínimo ,   na  segunda geração de roubo .  E , embora uma delas ainda permanecesse  no campo  das  hipóteses , das possibilidades ,  as  outras duas  eram  pacíficas .  A primeira  desapropriação ilícita  deu-se quando da obtenção da grana  pelos construtores  (  ou mesmo pelos  políticos  que ganhavam porcentagens dos valores pagos pelas obras de Brasilia  )  eis que tendiam  ao infinito  as formas de se roubar na construção da capital .   O segundo elo do roubo poderia  muito bem ser aquele praticado pelas células terroristas - ou revolucionárias , dependendo do lado de quem  olhasse a requisição do dinheiro .   Apesar disto ,  é certo que o rigor lógico de D´Artagnan   fazia com que a dupla desconsiderasse  a  hipótese da  certeza  de que aquele dinheiro passara  de verdade pelas mãos dos oposicionistas radicais , o que ainda estava só no campo das  probabilidades .    O fato é que  não havia  segurança  de que aqueles dólares que chegariam  tinham  sido saqueados  - como os outros  - pelas alianças revolucionárias , que diziam  pretender dá-los " a los pobres de la Tierra" .  Já a terceira geração de furtos aconteceria quando Paulo Becerra desviasse para si uma das dinheiramas que vinha para a República Oriental  - a que , pelos planos de D´ Artagnan  - deveria por eles ser aliviada.   Por isto , era certa  - para D ´Artagnan  , pelo menos -  a necessidade de que Paulo Becerra teria que entrar na posse do tesouro , ainda que fosse por poucos momentos .  Só assim estariam satisfeitos os requisitos auto-impostos  :   de certeza de que , pelo menos ,   dois roubos  sucessivos  dariam  a mais plena convicção de que teriam , no mínimo  , duzentos anos de perdão , tempo que branquearia  a grana  até  mesmo em relação às vidas de  seus descendentes  .  Aramis , mesmo sem entender muito dessas  exigências , também  convenceu-se  sobre  tais  necessidades filosóficas  originadas na  enorme  importância  que D´Artagnan  dava  ao fato de que o que praticariam  jamais  poderia ser classificado como  roubo  , furto , ou mesmo apropriação indébita  .   Sim , para D´Artagnan   eles ,  tão somente ,  descobriram - e poriam em prática brevemente  -   um jeito de se obter a propriedade  numa de suas formas  isentas de eiva :  quebrar  uma cadeia  de roubos  resultando em  que  a  gaita  voltasse  à mãos limpas  .   Tão  importante quanto a  própria expectativa  de uma  vida  futura abastada ,  era  ter a certeza  de que a  origem  disto era lícita .

 Teorias a parte ,   Athos  perguntou :  " E  com  qual  partida  de dinheiro que  iriamos  trabalhar ? "

O que já estava resolvido na cabeça de  D´Artagnan  foi comunicado ao sócio :  "  Com a  mesma  que Paulo Becerra  pensa  embolsar  "  .


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