Pituca e Valeria casariam-se na cidade em que ela nascera . Decidiu-se que , do lado de Paulo, somente os parentes , e os amigos mais íntimos seriam convidados . Meses atrás , Paulo Becerra fora , com Julietinha , Pedro e o filho ; até a cidadezinha de Dom Feliciano , que era a região onde instalara-se a Família Milczarek , originária de Malbork , cidade polonesa bem próxima da fronteira com a Rússia , tendo esta vizinha dominado a região por volta de 1890 , momento em que o clã familiar imigrara para o Brasil . O motivo da visita era o de Paulo de pedir Valeria em casamento . O pai de Valéria disse à Pituca que nunca se conformara com a saída da filha de casa , para ir estudar na capital . Mas não pode evitar a sua partida em razão de uma enchente de grandes proporções na região que lhe fez perder todas as plantações , tendo mesmo a água da chuva levado rio abaixo as criações de porcos , galinhas e até mesmo gado leiteiro . A mãe da moça emocionou-se ao ouvir de Pituca que ele tinha grande honra em ingressar na família Mielczarek , caso lhe aceitassem como genro . É claro que o gaúcho da fronteira foi aceito ; tendo , inclusive , proposto uma data do casório , e bem próxima . Foram servidas comidas , e doces da tradição polaca que fizeram grande sucesso entre todos os Becerra / Fagundes . Mas Pituca quase botou tudo a perder quando , em conversa apartada com o Sr. Milczarek , ofereceu ajuda em dinheiro para os gastos com as bodas ; grosseria considerada humilhante pelo Senhor ; mas Pituca foi socorrido pela irmã que afirmou , em evidente remendo , ser a oferta uma tradição na sua região de origem , argumento que - muito a contragosto - foi aceito pelo futuro sogro . Foi quando Pituca tirou do bolso o anel de compromisso mandado fazer em joalheiro de sua família , dizendo a todos que as alianças foram forjadas de numa única pepita de ouro com o propósito de que a união fosse tão indissolúvel como aquele ouro guardado nas eras passadas , unido , atado como ele queria que fosse seu casamento com Valéria . À mesa também muitos licores , grapas , vinhos e cervejas , bebidas feitas ali mesmo em Dom Fernando , pelas mãos dos convidados daquele jantar , quase todos tendo algum grau de parentesco com os Milczarek .
A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral era Pedro que , mesmo querendo participar , fazendo força para alegrar-se de verdade , mesmo assim não conseguia entregar-se à festa como é sempre preciso para que todos vibrem . Julietinha , percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? " " Nada , nada , não é nada querida . Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e , ainda que eu não queira , isto tomou por um momento o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... " Foi quando Pedro levantou o copo de grapa num brinde entoando belas palavras de boa sorte ao casal e longa vida a todos presentes . "
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sábado, 13 de julho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
67 - Julietinha e o Oficial do Vapor . Final B
Quanto à produção literária , Pedro Santiago vivia o melhor tempo de sua vida . Estava terminando um livro de poesias que dava ao ex-jornalista grande satisfação . Julietinha engravidara , e recolhera-se ao lar em razão de que os médicos de Boca do Monte prevenirem que sua gravidez era de risco em razão de que a gestante já tinha uma certa idade , o que poderia ampliar as complicações possíveis na gravidez .
Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
66- Julietinha e o oficial do vapor - Final B .
Paulo Becerra ainda estava ( como ele gostava de falar ) de pau dentro , quando lembrou-se de tocar no assunto tão adiado : " Polaquinha .... temos que conversar seriamente " , mote que prontamente apartaria qualquer junção.
Valéria : " Fala logo ... o que tens a me dizer ... ? "
Pituca : " É que eu tenho pensado muito sobre nosso futuro . Se de um lado a entrega das estâncias ao Bandido foram um completo acerto ; por outro , temos que decidir sobre se iremos trombar com a sociedade preconceituosa de Boca do Monte . Não é que um filho da puta espalhou por lá que tu já tinhas trabalhado na Gruta Azul ! Vou ser sincero ... este é o motivo de eu sempre resistir em , de uns tempos para cá , visitar Boca do Monte ...
Valéria : "Eu já tinha notado que algo havia ... Mas lembre-se , Paulo Becerra ... tu és um homem livre para decidir o que for melhor para ti ... se eu saí uma vez de tua vida , posso fazer o mesmo novamente , basta que tu estales os dedos e já me verás pelas costas ... "
Pituca que alem de ajoelhar-se ante a mulher amada começou a chorar quase que convulsivamente, balbuciou : " Não é isto , não é nada disto ... o que eu quero é decidir , contigo junto de mim , se vamos ... se nós dois vamos enfrentar aqueles miseráveis de Boca do Monte , ou vamos bater nossas asas para viver em outras plagas ... é isto que temos que decidir agora . "
Valéria : " Se é assim , se me queres de verdade a teu lado , honra a tua palavra de homem que eu mantenho a de mulher . Como tua esposa te seguirei por onde fores , e feliz da vida por estar a teu lado . "
Pituca exultou por dentro e agradeceu pelas palavras sinceras de Valéria .
Valéria : " Fala logo ... o que tens a me dizer ... ? "
Pituca : " É que eu tenho pensado muito sobre nosso futuro . Se de um lado a entrega das estâncias ao Bandido foram um completo acerto ; por outro , temos que decidir sobre se iremos trombar com a sociedade preconceituosa de Boca do Monte . Não é que um filho da puta espalhou por lá que tu já tinhas trabalhado na Gruta Azul ! Vou ser sincero ... este é o motivo de eu sempre resistir em , de uns tempos para cá , visitar Boca do Monte ...
Valéria : "Eu já tinha notado que algo havia ... Mas lembre-se , Paulo Becerra ... tu és um homem livre para decidir o que for melhor para ti ... se eu saí uma vez de tua vida , posso fazer o mesmo novamente , basta que tu estales os dedos e já me verás pelas costas ... "
Pituca que alem de ajoelhar-se ante a mulher amada começou a chorar quase que convulsivamente, balbuciou : " Não é isto , não é nada disto ... o que eu quero é decidir , contigo junto de mim , se vamos ... se nós dois vamos enfrentar aqueles miseráveis de Boca do Monte , ou vamos bater nossas asas para viver em outras plagas ... é isto que temos que decidir agora . "
Valéria : " Se é assim , se me queres de verdade a teu lado , honra a tua palavra de homem que eu mantenho a de mulher . Como tua esposa te seguirei por onde fores , e feliz da vida por estar a teu lado . "
Pituca exultou por dentro e agradeceu pelas palavras sinceras de Valéria .
terça-feira, 18 de junho de 2013
64 - Julietinha e o oficial do vapor - Final B
Bandido decidiu fazer um projeto igual ao que fizera na Austrália : plantar videiras francesas ; agora , com castas de uvas já adaptadas ao hemisfério sul . Para tanto usou seus contatos feitos quando ainda trabalhava para Tião . Junto com a plantação de parreiras foi também fazendo as instalações para a produção de vinho de qualidade . Dentre tantas escolhas , já pensara em não usar tonéis de carvalho para o envelhecimento do vinho ; mas sim , valer-se das novas técnicas , iniciadas no hemisfério sul , de jogar pedaços da madeira dentro dos reservatórios do vinho - que seriam de aço - promovendo a impregnação do sabor deixado pelo carvalho , mas sem os custos de , a cada safra , ter que adquirir tonéis de verdadeiro carvalho . Seria uma tentativa de preservar alguma qualidade , ao mesmo tempo que diminuiria os custos .
Paulo : " A tua ideia é excelente . " Mas será que não poderíamos , antes mesmo disto tudo estar pronto; e como estamos na fronteira , antecipar a nossa produção trazendo vinho da Argentina , e , por que não ? , da República Oriental ... "
Bandido : " É que eu queria fazer as coisas de modo direito , menino Pituca . Eu sei que trazer vinho da Argentina por meio de contrabando anteciparia a entrada de dinheiro Mas a minha intenção é formar uma nova fonte de renda , não só para a tua estância ; mas - com a experiência que adquiri na Austrália - criar uma alternativa de ocupação da mão de obra , que agora depende basicamente da pecuária . E se a pecuária dá algum lucro para os estancieiros , sejamos francos , para a peonada ela é um desastre . Já a videira é diferente ; com vinho , com sua indústria , o ciclo todo garante emprego para muita gente . E se nos voltássemos para o contrabando , o negócio seria só mais um tipo de ilegalidade por estas plagas ..."
Paulo : " Me desculpe , amigo velho ; me desculpe e segue este projeto como tua vontade mandar .. . Mas , mudando de assunto , eu quero dizer que resolvi mesmo não vir para Boca do Monte com a minha Valéria .
E mais , estou pensando seriamente em fazer um longa viagem , para muito longe mesmo .... Para tanto , estou pensando em deixar para ti um mandato , uma procuração , a mais ampla possível para que possas , amigo Bandido , fazer tudo o que for preciso para dar continuidade às tuas idéias , aos teus muito projetos ... como vens fazendo ... melhor , muito melhor do que eu próprio . Só que mandando uma mesada , tão generosa quanto possível fosse , para eu e a Polaca termos como curtir a vida lá onde estivermos " Como sempre nestes momentos , Paulo explodiu numa gargalhada de sincera admiração ao amigo .
Paulo : " A tua ideia é excelente . " Mas será que não poderíamos , antes mesmo disto tudo estar pronto; e como estamos na fronteira , antecipar a nossa produção trazendo vinho da Argentina , e , por que não ? , da República Oriental ... "
Bandido : " É que eu queria fazer as coisas de modo direito , menino Pituca . Eu sei que trazer vinho da Argentina por meio de contrabando anteciparia a entrada de dinheiro Mas a minha intenção é formar uma nova fonte de renda , não só para a tua estância ; mas - com a experiência que adquiri na Austrália - criar uma alternativa de ocupação da mão de obra , que agora depende basicamente da pecuária . E se a pecuária dá algum lucro para os estancieiros , sejamos francos , para a peonada ela é um desastre . Já a videira é diferente ; com vinho , com sua indústria , o ciclo todo garante emprego para muita gente . E se nos voltássemos para o contrabando , o negócio seria só mais um tipo de ilegalidade por estas plagas ..."
Paulo : " Me desculpe , amigo velho ; me desculpe e segue este projeto como tua vontade mandar .. . Mas , mudando de assunto , eu quero dizer que resolvi mesmo não vir para Boca do Monte com a minha Valéria .
E mais , estou pensando seriamente em fazer um longa viagem , para muito longe mesmo .... Para tanto , estou pensando em deixar para ti um mandato , uma procuração , a mais ampla possível para que possas , amigo Bandido , fazer tudo o que for preciso para dar continuidade às tuas idéias , aos teus muito projetos ... como vens fazendo ... melhor , muito melhor do que eu próprio . Só que mandando uma mesada , tão generosa quanto possível fosse , para eu e a Polaca termos como curtir a vida lá onde estivermos " Como sempre nestes momentos , Paulo explodiu numa gargalhada de sincera admiração ao amigo .
segunda-feira, 10 de junho de 2013
60 Julietinha e o Oficial do vapor - final B .
Pedro não parava de pensar ... o que Paulo quis lhe dizer quando falou que " para que as coisas permaneçam iguais , é preciso que tudo mude " ?
Sim , pelo que Pedro sabia de Pituca , algo estava para acontecer . Como numa fita gravada as palavras do cunhado voltavam-lhe à cabeça ...
" Pedro , quem poderia dizer que eu próprio , que ajudei a polir as pedras destas ruas com meus passos sempre diretos , sem indecisões , hoje não tenho ânimo de trazer para a minha Boca do Monte a mulher que escolhi para a vida toda ..."
" Isto vai passar ... a Valéria - que hoje é rejeitada , vai cair nas graças de uns e outros e com o tempo tudo estará esquecido , ela será aceita e respeitada como todas as mães de família bocamontenses .... "
" Não Pedro , eu não posso permanecer nesta pasmaceira . Na verdade , estou pensando em renunciar a isto tudo , aos que desviam o olhar quando passo , os que pelas pelas minhas costas dizerem .... la vai o guampudo do Pituca ... . Cunhado , eu vou tratar da minha vida , olhar para frente , respirar novos ares ... mudar a minha vida para continuar sendo feliz com a minha pipoquinha , a polaca que tanto me faz feliz . E estejas certo que não sairei daqui com uma mão na frente outra atrás .... Sei que a corrupção campeia lá no planalto central . É dinheiro roubado da nação , e - cá para nós - ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão .... "
Deitados , Pedro acariciava a mulher ao mesmo tempo que perguntava " ... O que será que está se passando pela cabeça do Pituca ? "
"Meu querido marido , Pituca teve demasiadas responsabilidades quando ainda era um guri .... agora, que já não precisa ficar com tantas preocupações na cabeça , e com a cidade toda falando mal da sua Valéria , ele dá asas a imaginação ... viaja mentalmente para outras plagas para as quais sonha poder levar a sua amada . "
" Só que o Pituca nunca foi de sonhar em vão . Para mim , atrás destes falsos delírios ele tem um plano bem montado .... não é a primeira vez que ele diz que a corrupção amplia o poder dos burocratas a níveis nunca vistos . Com estes argumentos , estas desculpas , ele parece criar um álibi prévio para algum arte que tem em mente . "
"Pedro ... " diz Julietinha " isto é próprio da nossa gente .... reclamar ... gritar ... o próprio Sepé Tiarajú um dia gritou do alto da coxilha para os invasores .... "Esta Terra tem dono ! " , e , no entanto , espanhóis e portugueses tomaram-na até a última légua sem nada de mal acontecer-lhes ... assim será com o Pituca ... vai reclamar muito , mas voltará com sua amada para Boca do Monte mesmo .... e tudo se acomodará ... "
Sim , pelo que Pedro sabia de Pituca , algo estava para acontecer . Como numa fita gravada as palavras do cunhado voltavam-lhe à cabeça ...
" Pedro , quem poderia dizer que eu próprio , que ajudei a polir as pedras destas ruas com meus passos sempre diretos , sem indecisões , hoje não tenho ânimo de trazer para a minha Boca do Monte a mulher que escolhi para a vida toda ..."
" Isto vai passar ... a Valéria - que hoje é rejeitada , vai cair nas graças de uns e outros e com o tempo tudo estará esquecido , ela será aceita e respeitada como todas as mães de família bocamontenses .... "
" Não Pedro , eu não posso permanecer nesta pasmaceira . Na verdade , estou pensando em renunciar a isto tudo , aos que desviam o olhar quando passo , os que pelas pelas minhas costas dizerem .... la vai o guampudo do Pituca ... . Cunhado , eu vou tratar da minha vida , olhar para frente , respirar novos ares ... mudar a minha vida para continuar sendo feliz com a minha pipoquinha , a polaca que tanto me faz feliz . E estejas certo que não sairei daqui com uma mão na frente outra atrás .... Sei que a corrupção campeia lá no planalto central . É dinheiro roubado da nação , e - cá para nós - ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão .... "
Deitados , Pedro acariciava a mulher ao mesmo tempo que perguntava " ... O que será que está se passando pela cabeça do Pituca ? "
"Meu querido marido , Pituca teve demasiadas responsabilidades quando ainda era um guri .... agora, que já não precisa ficar com tantas preocupações na cabeça , e com a cidade toda falando mal da sua Valéria , ele dá asas a imaginação ... viaja mentalmente para outras plagas para as quais sonha poder levar a sua amada . "
" Só que o Pituca nunca foi de sonhar em vão . Para mim , atrás destes falsos delírios ele tem um plano bem montado .... não é a primeira vez que ele diz que a corrupção amplia o poder dos burocratas a níveis nunca vistos . Com estes argumentos , estas desculpas , ele parece criar um álibi prévio para algum arte que tem em mente . "
"Pedro ... " diz Julietinha " isto é próprio da nossa gente .... reclamar ... gritar ... o próprio Sepé Tiarajú um dia gritou do alto da coxilha para os invasores .... "Esta Terra tem dono ! " , e , no entanto , espanhóis e portugueses tomaram-na até a última légua sem nada de mal acontecer-lhes ... assim será com o Pituca ... vai reclamar muito , mas voltará com sua amada para Boca do Monte mesmo .... e tudo se acomodará ... "
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Julietinha e o oficial do valor - 16
O jovem Paulo passava por momentos de grande euforia só por olhar , pelo buraco da fechadura da porta do seu quarto , a bela jovem passar para o banheiro com pouquíssima ( quase nenhuma ) roupa talvez certa de que ninguém a mirava . Valéria , este era o nome dela , era de uma beleza de enlouquecer qualquer homem . Jovem , muito jovem , seus seios não precisavam de qualquer corpinho para ficarem apontando firmes para frente . O corpo era de uma perfeição quase impossível de existir . O rosto , se não era uma Elizabeth Taylor , tinha o frescor da menina-moça que Valéria era . E quando ela sorria suas feições ficavam verdadeiramente muito bonitas . E Paulo , para enlouquecer completamente ,não precisava de mais nada .
Num dia não resistiu , ficou esperando a moça com a porta de seu quarto aberta até que ela passou para o banheiro . Foi quando ele a abordou com um plano mil vezes pensado .
"Tudo bem ? Eu sou o Paulo , e moro aqui ao seu lado , como é o teu nome ?
"Meu nome é Valéria ...."
"Pois é , eu vim da fronteira , vim estudar aqui na capital ... minha família é pobre mas estão me ajudando a pagar os estudos . "
" Que bom , você tão jovem , um menino e tanto querendo estudar , progredir ... "
A história era abem urdida e funcionou .... , Valéria caíra prontamente na conversa insincera de Paulo ... além disto ele fizera uma cara de abandonado na cidade grande que prontamente tocou o coração dela
" E onde tu fazes as refeições , Paulo ; quem cuida da tua roupa ... ?
" Quem cuidava era minha mãe , por aqui eu as vezes aproveito o tanque daí de baixo , no domingo eu desço e lavo o que posso , deixo secar .... as calças eu boto em baixo do colchão para ver se pegam algum vinco .... "
Valéria se compadeceu do rapaz que deveria ser muito estudioso , e dele se despediu ...
Paulo percebeu que seu plano começava a colar e ficou eufórico ...chegando a , por vezes , pular de alegria . Mas só quando longe da casa , para que a farsa não ficasse evidente.
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capítulo 12
capítulo 13
capítulo 14
capítulo 15
capítulo 16
capítulo 17
capítulo 18 A
capítulo 18 B
capítulo 19
capítulo 2
capítulo 20
capítulo 21
capítulo 22
capítulo 23
capítulo 24
capítulo 3
capítulo 4
capítulo 47
capítulo 48
capítulo 49
capítulo 5
capítulo 50
capítulo 51
capítulo 52
capítulo 53
capítulo 54
capítulo 55
capítulo 55 R2
capítulo 56
capítulo 57
capítulo 58
capítulo 59
capítulo 6
capítulo 60
capítulo 62
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capítulo 65
capítulo 66
capítulo 67
capítulo 68
capítulo 69
capítulo 70
capítulo 71
capítulo 72
capítulo 73
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