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sábado, 13 de julho de 2013

72 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B

Pituca  e Valeria  casariam-se  na cidade  em que  ela  nascera .  Decidiu-se  que , do lado de Paulo,   somente os  parentes , e  os amigos  mais íntimos  seriam convidados  . Meses atrás ,  Paulo Becerra fora  , com Julietinha ,  Pedro  e o filho ;  até a cidadezinha de  Dom Feliciano , que era a região onde instalara-se  a  Família Milczarek , originária de Malbork  , cidade polonesa  bem próxima da fronteira com a Rússia , tendo  esta vizinha  dominado  a região  por volta de 1890 ,  momento  em que o clã  familiar  imigrara para o Brasil . O motivo da visita  era o de Paulo de pedir Valeria em casamento . O  pai de Valéria disse à Pituca que nunca se conformara com a saída da filha de casa , para ir estudar na capital .  Mas não pode evitar a sua partida em razão de uma enchente de grandes proporções na região que lhe fez perder todas as plantações ,  tendo mesmo a água da chuva levado rio abaixo  as criações  de porcos , galinhas  e até mesmo gado leiteiro .  A mãe da moça emocionou-se  ao ouvir de Pituca que ele tinha grande honra em ingressar na família  Mielczarek , caso lhe aceitassem como genro .  É claro que o gaúcho da fronteira foi aceito ;  tendo  , inclusive , proposto uma data  do casório ,  e  bem próxima .  Foram servidas comidas ,  e doces  da tradição polaca que fizeram grande sucesso entre todos os  Becerra / Fagundes . Mas  Pituca  quase botou tudo a perder quando ,  em conversa apartada com o Sr. Milczarek ,  ofereceu ajuda em dinheiro para os gastos com as bodas ;  grosseria  considerada  humilhante pelo Senhor ;  mas Pituca  foi socorrido pela irmã  que afirmou  , em evidente  remendo ,  ser a oferta uma tradição na sua região de origem , argumento que - muito a contragosto - foi aceito pelo futuro sogro .  Foi quando Pituca tirou do bolso o anel de compromisso mandado fazer em joalheiro de sua família , dizendo  a todos que  as alianças foram forjadas de numa única pepita de ouro  com o propósito de que a união  fosse tão indissolúvel como aquele  ouro  guardado  nas  eras  passadas ,  unido ,  atado como ele queria que fosse seu casamento com Valéria .  À  mesa também  muitos licores ,  grapas , vinhos  e  cervejas ,  bebidas  feitas  ali mesmo  em Dom Fernando , pelas  mãos dos convidados  daquele jantar ,  quase todos tendo  algum grau de parentesco  com os Milczarek .

A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral  era Pedro que , mesmo querendo  participar ,  fazendo força  para  alegrar-se  de verdade ,  mesmo assim  não conseguia  entregar-se  à festa como é sempre preciso  para que todos vibrem .  Julietinha ,  percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? "         " Nada , nada ,  não é nada querida .  Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e ,  ainda que eu não queira ,  isto tomou por um momento  o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... "   Foi quando Pedro  levantou o  copo de grapa  num brinde  entoando belas palavras  de boa sorte ao casal  e longa vida a todos  presentes . "

sexta-feira, 21 de junho de 2013

67 - Julietinha e o Oficial do Vapor . Final B

Quanto à produção literária , Pedro Santiago vivia o melhor tempo de sua vida .  Estava terminando um livro de poesias  que dava ao ex-jornalista grande satisfação .  Julietinha engravidara , e recolhera-se ao lar em razão  de que os médicos de Boca do Monte prevenirem  que sua  gravidez era de risco em razão de que  a gestante já  tinha uma certa idade ,  o que  poderia ampliar as complicações possíveis na gravidez .

Quanto  às  estâncias ,  percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível -  para que as propriedades  dessem resultado econômico positivo .  Ainda que não comentasse , por diversas vezes  Bandido lançava mão de suas reservas  conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que  Pituca  tivesse a segurança econômica que -  em  derradeira análise - garantiria todo mundo.    E , quem sabe , muito especialmente ,  o futuro  dele e  de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais,  tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco  Bandido passava a ser o senhor de todo  império dos Becerras.  Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida  .   - e  , se  não fosse pouco -  de impressionante bom humor .

Almerinda assumira  a gerência da casa dos Becerras,  em Boca do Monte ,  e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.

Quita , que era solteira ,  e  que  praticamente já era uma pessoa da família ,  foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica  liberando  Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .

As chegadas de remessas , do Rio  para Rivera ,  tornaram-se habituais ; ainda que  entre uma e outra  transcorressem  dois ou três meses .  Pituca  , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava ,  liberara  entradas das participações no contrabando de dinheiro ,  para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .

Julietinha  recebia a metade do que Pituca .  Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor .  Na verdade  Bandido  , só com os resultados das estâncias , não conseguiria  pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .

Enfim ,  o núcleo  familiar  Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .

Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a  aceitar a parada , que cada vez era mais demorada ,  no  Boca de Ouro .  Cada um deles  já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes  fiéis  ,   mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a  próxima  vinda de seus , digamos , sultões cariocas.

Já  Paulo Becerra ; ele ,  no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de  apropriar-se  de uma das remessas .  De preferência uma das maiores .  E depois ,  ( quem sabe ?  )  , ganhar o mundo com sua polaquinha . 



 ,

quarta-feira, 19 de junho de 2013

66- Julietinha e o oficial do vapor - Final B .

Paulo Becerra ainda  estava  ( como ele gostava de falar  )  de pau dentro , quando lembrou-se de tocar no assunto tão adiado :  " Polaquinha  ....   temos que conversar seriamente "   , mote que prontamente apartaria qualquer  junção.

Valéria : "  Fala logo ... o que tens a me dizer ... ? "

Pituca : " É que eu tenho pensado muito sobre nosso futuro . Se de um lado a entrega das estâncias ao  Bandido foram um  completo acerto ; por outro ,  temos que  decidir  sobre se iremos trombar com a sociedade preconceituosa de Boca do Monte .   Não é que um filho da puta espalhou  por lá que tu já  tinhas trabalhado na Gruta Azul !   Vou ser sincero ... este é o motivo de eu sempre resistir em , de uns tempos para cá ,  visitar  Boca do Monte ...

Valéria : "Eu já  tinha notado que algo havia ... Mas lembre-se , Paulo Becerra ... tu és um homem livre  para decidir o que for melhor para ti ...  se eu saí uma vez de tua vida , posso fazer o mesmo novamente  , basta que tu estales os dedos  e já me verás pelas costas ... "

Pituca que  alem de ajoelhar-se ante a mulher amada  começou a chorar quase que convulsivamente, balbuciou  : " Não é isto , não é nada disto ...  o que eu quero é decidir , contigo junto de mim ,  se vamos ...  se nós dois vamos enfrentar aqueles  miseráveis  de Boca do Monte , ou vamos bater nossas asas para viver em outras plagas ... é isto que temos que decidir agora . "

Valéria : "  Se é assim ,  se me queres de verdade a teu lado ,  honra a tua palavra de homem que eu mantenho a de mulher .   Como tua  esposa  te seguirei por onde fores ,   e feliz  da vida  por estar  a teu lado . "

Pituca  exultou por dentro  e  agradeceu  pelas palavras sinceras de Valéria .

terça-feira, 18 de junho de 2013

64 - Julietinha e o oficial do vapor - Final B

Bandido decidiu fazer um projeto igual ao que fizera  na Austrália :  plantar videiras  francesas  ; agora ,  com castas de uvas já adaptadas ao hemisfério sul . Para tanto usou seus contatos feitos quando ainda trabalhava para Tião .  Junto  com a plantação de parreiras foi também fazendo as instalações para a produção de vinho de qualidade .  Dentre tantas escolhas ,  já  pensara em não usar tonéis de carvalho para o envelhecimento do vinho ; mas sim , valer-se das novas técnicas , iniciadas no hemisfério sul ,  de  jogar pedaços da madeira dentro dos  reservatórios do vinho - que seriam de aço -  promovendo a impregnação do  sabor deixado pelo carvalho , mas sem os custos de , a cada  safra ,  ter que adquirir  tonéis  de verdadeiro carvalho .  Seria uma tentativa de preservar alguma qualidade , ao mesmo tempo que diminuiria os custos .

Paulo : " A tua ideia é excelente .  "   Mas será que não poderíamos ,  antes mesmo disto tudo estar pronto;  e como estamos na fronteira , antecipar a nossa produção trazendo vinho da Argentina ,  e , por que não ?  ,  da  República Oriental ... "

Bandido : "  É que eu queria fazer  as coisas de modo direito , menino Pituca .  Eu sei que trazer vinho da Argentina por meio de contrabando  anteciparia  a entrada de dinheiro   Mas a minha intenção é formar  uma nova fonte de renda ,  não só para a tua estância ; mas  - com a experiência que adquiri na Austrália -   criar uma alternativa de ocupação da mão de obra ,  que agora depende basicamente da pecuária . E se a pecuária dá algum lucro para os estancieiros ,  sejamos francos , para a peonada ela é um desastre .  Já  a  videira é diferente  ;  com  vinho ,  com sua indústria , o ciclo todo garante emprego  para muita gente .  E se nos voltássemos para o contrabando ,  o negócio seria só  mais um tipo de ilegalidade  por estas  plagas ..."

Paulo : " Me desculpe ,  amigo velho  ;  me desculpe e segue  este projeto como tua vontade mandar .. .  Mas , mudando de assunto , eu quero dizer que resolvi mesmo não vir para Boca do Monte com a minha Valéria .

E mais ,  estou pensando seriamente em fazer um longa viagem , para muito  longe  mesmo ....  Para tanto , estou pensando em deixar para ti um mandato , uma procuração , a  mais ampla possível para que possas ,  amigo Bandido , fazer tudo o que for preciso para dar continuidade às tuas idéias ,  aos teus muito projetos ... como vens fazendo ... melhor , muito melhor do que eu próprio .   Só que  mandando  uma mesada , tão generosa quanto possível  fosse , para  eu e a  Polaca  termos  como  curtir  a vida  lá onde estivermos "   Como sempre  nestes momentos ,  Paulo explodiu numa gargalhada de sincera admiração ao amigo .


segunda-feira, 10 de junho de 2013

60 Julietinha e o Oficial do vapor - final B .

Pedro não parava de pensar ...  o que  Paulo  quis lhe dizer quando  falou  que  "  para que as coisas permaneçam iguais , é preciso que tudo mude "  ?

Sim , pelo que Pedro sabia de Pituca , algo estava para acontecer .     Como numa fita gravada as palavras do cunhado voltavam-lhe à cabeça ...

"  Pedro  , quem poderia dizer que eu próprio , que  ajudei a  polir as pedras destas ruas com meus passos sempre diretos ,  sem  indecisões ,  hoje não tenho ânimo de trazer para a minha Boca do Monte a  mulher que escolhi  para a vida toda  ..."

"  Isto vai passar ...  a Valéria  - que hoje é rejeitada , vai cair nas graças de uns  e outros e com o tempo  tudo estará esquecido , ela  será aceita  e respeitada  como todas as  mães  de  família  bocamontenses  .... "

" Não Pedro ,  eu não posso permanecer  nesta pasmaceira .  Na verdade , estou pensando  em renunciar a isto tudo , aos que desviam o olhar quando passo ,  os  que  pelas pelas minhas  costas  dizerem .... la vai o guampudo  do Pituca ...  .   Cunhado  , eu vou tratar da  minha vida , olhar para frente , respirar  novos ares ... mudar a minha vida para continuar sendo feliz com a minha pipoquinha ,  a polaca que tanto me faz feliz .  E estejas certo que  não sairei daqui   com uma mão na frente outra atrás ....  Sei que a corrupção campeia lá no  planalto central .   É dinheiro  roubado da nação ,  e  - cá para nós -  ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão .... "

Deitados , Pedro  acariciava a mulher  ao mesmo tempo que perguntava     " ...    O que será que está  se passando pela cabeça do Pituca  ? "

"Meu querido marido , Pituca teve  demasiadas responsabilidades quando ainda era um  guri .... agora,   que já não precisa  ficar com tantas preocupações na cabeça , e com a cidade toda falando mal da sua Valéria ,  ele  dá asas a imaginação ... viaja mentalmente para outras plagas para as quais sonha poder levar a sua amada . "

" Só que o Pituca nunca foi de sonhar em vão .  Para mim , atrás destes falsos delírios ele tem um plano bem montado .... não é a primeira vez que ele diz que a corrupção amplia o poder dos burocratas a níveis nunca vistos .  Com estes argumentos , estas desculpas , ele  parece  criar  um álibi prévio  para  algum arte que tem em mente . "

"Pedro ... "   diz Julietinha       "  isto é próprio da nossa gente .... reclamar  ... gritar  ... o próprio   Sepé  Tiarajú  um dia gritou  do alto da coxilha para os invasores    .... "Esta Terra tem dono ! "  , e , no entanto ,  espanhóis e portugueses tomaram-na até a última légua  sem nada de mal acontecer-lhes ...    assim será com o Pituca ... vai reclamar muito , mas  voltará  com sua  amada para Boca do Monte mesmo  ....  e   tudo se acomodará ...  "







quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Julietinha e o oficial do valor - 16

O jovem Paulo passava por momentos de grande euforia só por olhar  , pelo  buraco da fechadura  da  porta do seu quarto ,   a bela jovem passar para o banheiro  com pouquíssima ( quase  nenhuma ) roupa talvez certa de que ninguém a  mirava .   Valéria , este era o nome dela , era de uma beleza de  enlouquecer qualquer homem .  Jovem , muito jovem ,  seus seios não precisavam de qualquer corpinho para ficarem  apontando  firmes  para frente .  O corpo era de uma perfeição quase impossível de existir .  O rosto ,  se não era  uma Elizabeth Taylor  , tinha o frescor  da menina-moça que Valéria   era  .  E quando ela sorria suas feições ficavam  verdadeiramente muito bonitas .  E Paulo , para enlouquecer completamente ,não precisava de mais nada .

Num dia não resistiu , ficou esperando a moça  com a porta de seu quarto aberta  até  que ela passou  para o banheiro . Foi quando ele a abordou com  um plano mil vezes pensado .

"Tudo bem  ?           Eu sou o Paulo , e moro aqui ao seu lado , como é o teu nome ?
"Meu nome é Valéria ...."
"Pois é , eu vim da fronteira , vim estudar aqui na capital ... minha família é pobre mas estão me ajudando a pagar os estudos . "

" Que bom , você tão jovem , um menino e tanto querendo estudar , progredir ... "

A história era  abem urdida  e funcionou ....  , Valéria caíra prontamente na conversa  insincera de Paulo ... além disto ele fizera uma cara de abandonado na cidade grande que  prontamente tocou o coração dela 

" E onde tu fazes as refeições , Paulo ;  quem cuida da tua roupa ... ?

" Quem cuidava era minha mãe ,  por aqui  eu as vezes aproveito o tanque daí de baixo , no domingo eu desço e lavo o que posso , deixo secar .... as calças eu boto em baixo do colchão para ver se pegam algum vinco .... "

Valéria  se compadeceu  do rapaz  que deveria ser muito estudioso , e dele se despediu ...

Paulo percebeu que seu plano começava a colar e ficou  eufórico ...chegando   a , por vezes ,  pular de alegria  . Mas só quando  longe da casa ,  para que a farsa não ficasse evidente.




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