Prezados Leitores !
Por um equívoco , o capítulo 51 foi publicado no blog " Sem Chaveco " . Mas vou ( em algumas horas ) copiá-lo aqui para o " Com Chaveco" . Mil perdões !
51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B .
" Mas Pedro , repercutiu aqui em Boca do Monte o tiro que vocês deram num mascate nordestino . Como eu posso , de repente , ver meu marido e meu irmão envolvidos numa tentativa de morte , Pedro ? "
" Julietinha , tu bem sabes da minha vontade de jamais faltar com a verdade , principalmente para ti , que és a razão maior de eu seguir no caminho certo . Mas eu fui chamado por Pituca - em razão dele ter pressentido , percebido mesmo , claros sinais de que estava sendo tocaiado - à dar-lhe cobertura para tentar enganar quem queria matá-lo . Paulo é teu irmão , e eu não podia quedar-me inerte sabendo que era quase certo que alguém poderia matá-lo em instantes . Foi assim que acertei ficar num hipotético lugar do Paulo ( que logo depois confirmou-se não ser hipotético , porque o matador veio de revolver em punho ) ... "
" E você , meu amado , esteve na linha de tiro do matador ? "
Nesta hora , por mais honesto que fosse , Pedro aproveitou para ganhar ainda mais a admiração de Julietinha ....
" Não me cabia nada a fazer a não ser ficar na linha de tiro para que o Paulo pudesse por em prática o seu plano . Só o que fiz foi lembrar de ti com todas as forças da minha alma , mas recuar em defender Paulo , confesso que isto nunca me passou pela idéia ... "
Julitinha abraçou-o longamente aquele que agora era mais do que seu marido , amante , confidente ... agora Pedro passara a ser também um herói ... o seu herói .
"Mas Pedro , e tú não pensastes em ti mesmo ? ... como pudestes aceitar uma missão destas ... ? estes nordestinos costumam nunca errar ... atiram para matar ... "
" Confesso que o plano do Paulo era bom , e - apesar dos riscos - confiei que tudo ia dar certo . Pituca escondeu-se no carro bem em frente ao portão . O matador prestava a atenção para dentro da casa . Foi ele passar no portão , ainda de arma em punho , para ser alvejado na nádega e , pelo choque do tiro , caiu de bruços no chão deixando escapar a arma ."
" Mas o que fez Paulo para ter em seu encalço um matador ? "
" Até que eu desconfio ... é destas confusões que sabemos que ele se metia ... "
" Se metia ... ?
" Sim , isto ainda são consequências de um Paulo que não existe mais , esta foi uma das principais razões de eu ter me determinado a ajuda-lo : ele não podia cair nas mãos de um assassino de aluguel logo depois de estar totalmente no caminho certo , no lado do bem .... "
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domingo, 26 de maio de 2013
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Julietinha e o oficial do vapor -51
Pelo menos em seus pensamentos noturnos Julietinha já resolvera que se algo acontecesse entre ela e Giancarlo , fosse o que fosse , não seria propriamente uma quebra da promessa de fidelidade feita a Pedro no altar da igreja de Nossa Senhora Auxiliadora , em Boca do Monte . Deus haveria de compreender que o ocorrido teria sido tão somente uma acomodação do tempo assim como os ajustes feitos de vez em quando até pela própria Igreja . Algo de que os dois , ela e Gian , já teriam direito adquirido e recíproco , desde há muito tempo e , se ainda não posto , fora tão somente por um detalhe sem tanta importância , que agora , talvez daqui a pouco , já faria parte de um passado a esquecer . Falhar todos nós um dia falhamos , o que passou .... passou . O direito de se encontrarem afastava qualquer outra jura que com ele conflitasse com a paixão ainda não consumada que sobrevivera , ainda que de forma latente , como bulbos adormecidos no inverno gelado.
Era claro que tal exceção só valiam para paixões verdadeiramente antigas , eis que a desculpa carecia de uma posse distanciada.
Estes pensamentos tomavam seu cérebro , e tanto que agora não causavam mais dúvidas . Agora só faltava um nada para que os destinos os aproximassem tanto que os seus cheiros desaparecessem tornando impossível a cada um de negar-se ao que mais ansiavam : acariciar-se até que as mais recônditas fibras de seus corpos penetrassem-lhes o quanto possível .
E a cada poesia que lia , que lembrava , ou declamava para si própria , mais Julietinha se convencia de que se o encontrasse , se se encantasse num estalido perdidamente por Giancarlo , assim mesmo , traindo Pedro ela não estaria .
Eram umas onze horas do penúltimo dia , o decimo quarto , com Pedro de há muito no cassino , quando a cabine ficou pequena para ela . Num salto levantou-se da cama com os cabelos assim mesmo e buscou o caminho mais curto para o vento do convés, do que agora precisava muito , mal sabendo que aquele atalho passava justo por outra cabine de alguém igualmente insone , igualmente aflito, por espera igualmente cruel .
Era claro que tal exceção só valiam para paixões verdadeiramente antigas , eis que a desculpa carecia de uma posse distanciada.
Estes pensamentos tomavam seu cérebro , e tanto que agora não causavam mais dúvidas . Agora só faltava um nada para que os destinos os aproximassem tanto que os seus cheiros desaparecessem tornando impossível a cada um de negar-se ao que mais ansiavam : acariciar-se até que as mais recônditas fibras de seus corpos penetrassem-lhes o quanto possível .
E a cada poesia que lia , que lembrava , ou declamava para si própria , mais Julietinha se convencia de que se o encontrasse , se se encantasse num estalido perdidamente por Giancarlo , assim mesmo , traindo Pedro ela não estaria .
Eram umas onze horas do penúltimo dia , o decimo quarto , com Pedro de há muito no cassino , quando a cabine ficou pequena para ela . Num salto levantou-se da cama com os cabelos assim mesmo e buscou o caminho mais curto para o vento do convés, do que agora precisava muito , mal sabendo que aquele atalho passava justo por outra cabine de alguém igualmente insone , igualmente aflito, por espera igualmente cruel .
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