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terça-feira, 18 de junho de 2013

64 - Julietinha e o oficial do vapor - Final B

Bandido decidiu fazer um projeto igual ao que fizera  na Austrália :  plantar videiras  francesas  ; agora ,  com castas de uvas já adaptadas ao hemisfério sul . Para tanto usou seus contatos feitos quando ainda trabalhava para Tião .  Junto  com a plantação de parreiras foi também fazendo as instalações para a produção de vinho de qualidade .  Dentre tantas escolhas ,  já  pensara em não usar tonéis de carvalho para o envelhecimento do vinho ; mas sim , valer-se das novas técnicas , iniciadas no hemisfério sul ,  de  jogar pedaços da madeira dentro dos  reservatórios do vinho - que seriam de aço -  promovendo a impregnação do  sabor deixado pelo carvalho , mas sem os custos de , a cada  safra ,  ter que adquirir  tonéis  de verdadeiro carvalho .  Seria uma tentativa de preservar alguma qualidade , ao mesmo tempo que diminuiria os custos .

Paulo : " A tua ideia é excelente .  "   Mas será que não poderíamos ,  antes mesmo disto tudo estar pronto;  e como estamos na fronteira , antecipar a nossa produção trazendo vinho da Argentina ,  e , por que não ?  ,  da  República Oriental ... "

Bandido : "  É que eu queria fazer  as coisas de modo direito , menino Pituca .  Eu sei que trazer vinho da Argentina por meio de contrabando  anteciparia  a entrada de dinheiro   Mas a minha intenção é formar  uma nova fonte de renda ,  não só para a tua estância ; mas  - com a experiência que adquiri na Austrália -   criar uma alternativa de ocupação da mão de obra ,  que agora depende basicamente da pecuária . E se a pecuária dá algum lucro para os estancieiros ,  sejamos francos , para a peonada ela é um desastre .  Já  a  videira é diferente  ;  com  vinho ,  com sua indústria , o ciclo todo garante emprego  para muita gente .  E se nos voltássemos para o contrabando ,  o negócio seria só  mais um tipo de ilegalidade  por estas  plagas ..."

Paulo : " Me desculpe ,  amigo velho  ;  me desculpe e segue  este projeto como tua vontade mandar .. .  Mas , mudando de assunto , eu quero dizer que resolvi mesmo não vir para Boca do Monte com a minha Valéria .

E mais ,  estou pensando seriamente em fazer um longa viagem , para muito  longe  mesmo ....  Para tanto , estou pensando em deixar para ti um mandato , uma procuração , a  mais ampla possível para que possas ,  amigo Bandido , fazer tudo o que for preciso para dar continuidade às tuas idéias ,  aos teus muito projetos ... como vens fazendo ... melhor , muito melhor do que eu próprio .   Só que  mandando  uma mesada , tão generosa quanto possível  fosse , para  eu e a  Polaca  termos  como  curtir  a vida  lá onde estivermos "   Como sempre  nestes momentos ,  Paulo explodiu numa gargalhada de sincera admiração ao amigo .


domingo, 26 de maio de 2013

51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B

Prezados Leitores !

Por um equívoco , o capítulo 51 foi publicado no blog " Sem Chaveco " . Mas vou ( em algumas horas )  copiá-lo aqui para o " Com Chaveco" . Mil perdões !

51- Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B . " Mas Pedro , repercutiu aqui em Boca do Monte o tiro que vocês deram num mascate nordestino . Como eu posso , de repente , ver meu marido e meu irmão envolvidos numa tentativa de morte , Pedro ? " " Julietinha , tu bem sabes da minha vontade de jamais faltar com a verdade , principalmente para ti , que és a razão maior de eu seguir no caminho certo . Mas eu fui chamado por Pituca - em razão dele ter pressentido , percebido mesmo , claros sinais de que estava sendo tocaiado - à dar-lhe cobertura para tentar enganar quem queria matá-lo . Paulo é teu irmão , e eu não podia quedar-me inerte sabendo que era quase certo que alguém poderia matá-lo em instantes . Foi assim que acertei ficar num hipotético lugar do Paulo ( que logo depois confirmou-se não ser hipotético , porque o matador veio de revolver em punho ) ... " " E você , meu amado , esteve na linha de tiro do matador ? " Nesta hora , por mais honesto que fosse , Pedro aproveitou para ganhar ainda mais a admiração de Julietinha .... " Não me cabia nada a fazer a não ser ficar na linha de tiro para que o Paulo pudesse por em prática o seu plano . Só o que fiz foi lembrar de ti com todas as forças da minha alma , mas recuar em defender Paulo , confesso que isto nunca me passou pela idéia ... " Julitinha abraçou-o longamente aquele que agora era mais do que seu marido , amante , confidente ... agora Pedro passara a ser também um herói ... o seu herói . "Mas Pedro , e tú não pensastes em ti mesmo ? ... como pudestes aceitar uma missão destas ... ? estes nordestinos costumam nunca errar ... atiram para matar ... " " Confesso que o plano do Paulo era bom , e - apesar dos riscos - confiei que tudo ia dar certo . Pituca escondeu-se no carro bem em frente ao portão . O matador prestava a atenção para dentro da casa . Foi ele passar no portão , ainda de arma em punho , para ser alvejado na nádega e , pelo choque do tiro , caiu de bruços no chão deixando escapar a arma ." " Mas o que fez Paulo para ter em seu encalço um matador ? " " Até que eu desconfio ... é destas confusões que sabemos que ele se metia ... " " Se metia ... ? " Sim , isto ainda são consequências de um Paulo que não existe mais , esta foi uma das principais razões de eu ter me determinado a ajuda-lo : ele não podia cair nas mãos de um assassino de aluguel logo depois de estar totalmente no caminho certo , no lado do bem .... "
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