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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Julietinha e o oficial do vapor . 24

Julieitinha e Pedro viviam a felicidade dos  apaixonados .   Sabiam que ninguém na cidade , e muito menos Paulo , aprovaria aquela vontade intensa de estarem juntos , de se tocarem e até mesmo , de se cheirarem .  Foi quando Paulo recebeu uma carta anônima . Nela dizia , com poucas palavras , que a irmã e o amigo estavam se encontrando às escondidas numa casinha de cor verde , quase uma tapera ,  situada no Povo Novo , do lado esquerdo da igrejinha do João Turco.  Paulo sentiu-se logo traído por ambos ; mais  pela irmã porque ela não ouviu  seus conselhos de continuar tentando encontrar um partido de boa família , pertencente ao mesmo nível social que eles . Paulo achava que que era inaceitável  Julietinha  se entregar a uma pessoa da categoria de Pedro .   Bebeu  copos  de conhaque e quanto mais  a bebida  subia , mais ele pensava nas razões de , havendo tantas moças , tantas  mulheres prontas para casar na cidade ,   Pedro  ter  escolhido logo a sua Julinha , a irmã única que ele cuidava com tanta dedicação .  Claro ,  só podia ser pelo dinheiro  . Um pelado daqueles decidira o caminho  mais fácil  de  livrar-se da miséria :  fazer a corte para a moça,  já madura ,   de uma família bem posta ,  com fortuna originada em trabalho honesto ,  desimpedido de qualquer trampa ; dinheiro limpo que lhe estaria disponível no mesmo momento em que se  amarrasse  com ela .  Paulo não se conformava.  Foi  quando resolveu ir até o que pensava ser o  ninho de amor bastardo do casal.   Subiu  na  Caminhonete Chevrolet recém comprada com o dinheiro entrado pela venda  de uma  boiada carneada  no frigorífico construído pela associação dos estancieiros da região e exportada para a Europa ;  e foi para o Povo Novo .  Chegou e  ficou parado por um bom tempo nas proximidades da igreja do João Turco , mirando a pequeníssima casa verde , e logo  percebeu a possibilidade de que naquele momento o  casal estivesse por lá ,  " talvez  atados por largos momentos como fazem os cachorros " .
Na verdade , Julietinha e Pedro aproveitavam o aconchego das pequenas peças para cochilarem um nos braços do outro .  A felicidade apaixonada foi interrompida por batidas fortes na porta ,  o sobressalto  foi imediato . Como alguém poderia bater numa casa de moradores completamente desconhecidos para todo mundo ?   Paulo esticou o braço , já protegendo Julietinha . " Não te preocupes , fiques aí que eu vou atender "  .  Deve ser o cobrador do aluguel que deve ter vencido ontem , ou hoje .  Beijou rapidamente a mulher , vestiu a calça quando ouviu-se  novas batidas ainda mais ameaçadoras .  Pedro abriu a porta e viu Paulo  já  com o braço esticado , com o revólver há não mais do que meio metro do  seu peito :  Te prepares para morrer , canalha !   A distância era suficiente para que Pedro sentisse o cheiro de álcool   que a boca de Paulo exalava fortemente .  "Não faça isto ! "   gritou em vão Pedro .  O meio-pedido ,  a meia-advertência , não foram ouvidos pelo   já  naquele momento quase assassino ...  Paulo puxou o gatilho duas vezes .  Pá !  Pá !
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