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segunda-feira, 27 de maio de 2013

52 - Julietinha e o Oficial do vapor - final B

Apesar de estar  resolvido  a  dar o sim para Zé Arataca ,  de aceitar  o encargo de proteger  a retirada  do  tesouro,  Paulo Becerra ainda  estudava as alternativas para - se possível -  ganhar ainda mais dinheiro .
Sim , queria cumprir o prazo  de 24 minutos dado pelo Arataca .  Mas que argumentos usar para ampliar a própria participação ?

Conferiu no relógio que 23 minutos se passaram , chamou o negociante e disse sem rodeios :

" Estou certo que sem a minha ajuda vocês sequer entrariam nos meus pagos .  Não é que seriam presos a meio caminho : seriam presos logo na fronteira dos barrigas-verdes .  E vou te ser franco ... eu já estou preparado , já tenho  aqui em Recife os 300 mil que me acertam de vez contigo .  Só que cada coisa em seu lugar , com o ouro estávamos falando de cerca de um milhão , e aqui  com o tesouro é coisa de muito maior valia .  Proponho :  te pago os 300 mil , mas quero  quarenta por cento do que tu vais ganhar nesta empreitada . Se não é melhor ficar fora disto . "

" Mas como vais ter certeza do quanto este Zé Arataca vai ganhar , o cabra da peste ? "

"  Na verdade eu te devo ; tanto que me mandastes aquele estafermo me matar .  Mas se me mentes sobre o quanto vais ganhar , e eu venho a descobrir , as coisas se invertem  e aí o credor serei eu .  Veja , Zé Arataca , a minha boa-fé  está evidente : eu tive o Severino  nas mãos ,  sequer gastar munição eu precisaria porque  ele esteve com o pescoço ao alcance da minha adaga . Mas eu poupei homem não por ele , mas para te mostrar que eu queria mesmo era te pagar .  Honrar a minha palavra .  Mas se as coisas se invertem se não pagares com a mesma moeda da sinceridade .... "

" Ó chente !  ,   não esqueça que  eu  tenho que passar cinco  estados além do teu .  É ter que distribuir dinheiro de boteco em boteco de beira de estrada por onde  vou passar  ....

" Tú não és burro não  Arataca ,    ... o mais difícil, o realmente brabo de fazer  é passar a fronteira com a República Oriental ...  e  só eu posso  resolver a parada ... "

" Gaucho ,  ocê  bem sabe que eu não sou homi  de papa na língua .  Pois então eu digo que ocê nada tem a ver com o quanto eu vou ganhar ,  ou deixar de ganhar .  Como eu te falei ... é pegar ou largar ...

" Pois se é assim , eu aceito ! "    Disse Pedro mirando o infinito , como se naquele momento fosse inoculado por um pensamento  ainda longínquo , muito distante mesmo .          "   Vou  pegar  a criança na entrada da metade Sul , em Santa Maria mais exatamente  ,  e entrego ela  ,  sã e salva ,  em  Rivera ,  a quem tú  indicares ... . "

Paulo  Becerra  sabia  que podia  afirmar com  absoluta  segurança  que teria sucesso  total  na empreita  porque do ponto que  assumiria   o encargo  até  a República Oriental ,  Pituca  só  seguiria   por estradinhas de terra  quase abandonadas que vão de  São Gabriel ,  passam por Rosário do Sul  e , enfim , chegam à  Santana  ...  - sempre cortando arame , como ele dizia -    por onde só passavam  carretas ,  boiadas ...  até que entraria ,   no  país vizinho ,   por uma de suas próprias estâncias ; por terras de sua - de Paulo Becerra !  -   lugares  onde  a única  mensão  a indicar  a troca de pais  era um marco fincado aqui e outro a quilômetros de distância .

Mesmo sem perceber ,  Pituca sorriu levemente ...

Ainda com  o rosto  quase  emocionado  apertou  firmemente  a mão do  Zé Arataca .   " Fechado  , Indio maula ! "
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