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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
95- Julietinha e o oficial do vapor - Final B
A palavra foi dada ao Mosqueteiro Athos , que não decepcionou quanto as espectativas dos demais evolucionários. " Estimada Aramis . Tão firme é a união entre nós , que até chegamos a esquecer do gênero que nossos codinomes representam na literatura universal . Você mesmo , Aramis , recebeu - aqui em nossa confraria - um nome masculino , Aramis . Mas - confesso com muito prazer - tornou-se para mim o mais belo nome que uma mulher pode ter. Desde que abracei esta causa , a de recuperar para nós , pessoas comuns , pobres e antes sem perspectivas pessoais - eu mesmo sou um professor , e ensinar crianças no nosso país é sinônimo de quase indigência - eu mesmo , repito , percebi - logo que fui convocado por D ´Artagnan - que a minha única chance de viver num futuro de dignidade seria buscar no dinheiro dos corruptos que construiram Brasilia , os que vinham desovar os seus ERP s qui na nossa vizinha , a República Oriental . Sim , buscar a nossa parte aliviando-os do dinheiro que apropriaram-se ilicitamente , para não dizer criminosamente . Mas mesmo usando todo o meu esforço na obtenção do sucesso do nosso plano , confesso que eu desde o começo olhei a irmã de armas de um modo que , tanta era a atração inexplicável , não poucas vezes geravam em mim uma quase ruptura da realidade ; prá pegá-la em meus braços e perder-me nos encantos que tu possuis . Mesmo , sendo um Mosqueteiro da primeira hora , digo-lhes que não tive suficiente coragem para dizer-te , como digo agora ... eu te amo , Aramis . Te amo desde o momento que meus olhos tiveram a alegria de pousar nos seus , no seu corpo , nos seus cabelos . Mas see não fui eu quem teve a coragem de primeiro pedir-te em casamento , mesmo assim eu te digo agora , renovo o convite a mim feito : Aramis , queres entregar-te aos meus cuidados , casar-se comigo - ainda que isto va´ acontecer no teu Uruguay ? Quanto a mim , eu estou maravihado com o teu convite , Aramis . E , se tambem renovares o "sim" tenho certeza que farei de ti a mulher mais feliz no mundo . "
quinta-feira, 25 de julho de 2013
74 - Julieitnha e o Oficial do vapor - Final B
Dois planos seguiam a um só tempo : o de Pituca , e o dos Novos Mosqueteiros . O plano de Paulo Becerra tinha duas pessoas infiltradas nele : os mosqueteiros Quita , e Aramis . Quanto à Aramis , Pituca entendeu que ela , sendo pessoa da maior importância para o furto que planejava , ofereceu-lhe a participação de cem mil dólares ; quantia que foi imediatamente aceita pela rapariga . Aramis raciocinou prontamente que se desse uma resposta al tiro , isto aumentaria a confiança de Pedro , incentivando-o para que falasse ainda mais de seus planos .
Julitetinha reclamou de Pedro por ele não ter contado que fora à Caçapava . É que Pedro fora àquela cidadezinha , segundo contou gora à Julietinha , para informar-se de certas incursões de espeleólogos que estavam explorando algumas grutas que haviam na cidade .
Julietinha : " Mas por que não me dissestes , Pedro ? "
Pedro : "Na verdade no dia que eu fui lá tu estavas visitando o Pituca em Porto Alegre . Ou melhor , fostes ajudar a Valéria nas compras , nos preparativos para o casamento . Depois disto eu até cheguei a me esquecer de que tinha ido à Caçapava . "
Foi verdade . Pedro também interessava-se por espeleologia , e foi à cidadezinha fazer um contato com os exploradores de cavernas .
D ´Artagnan , que estava sempre atento aos detalhes , achou que o fato de Aramis morar do lado de lá da fronteira , na República Oriental , isto era algo bem importante para eles todos. Tudo porque no plano que começava a cristalizar-se em sua cabeça ; Aramis seria a pessoa sobre a qual recairiam todas as suspeitas e , evadir-se de pronto para o país vizinho garantiria totalmente o seu total distanciamento do alívio que os Novos Mosqueteiros fariam ante os acumuladores de realizações pecuniárias . Bastaria-lhes manter Aramis distante de tudo e de todos para que todas as suspeitas morressem no nascedouro .
Valéria confidenciou à Quita que Pituca teria fraquejado na mútua decisão de ambos voltarem ao estado de quase reconstrução das virgindades . Ante ao argumento do noivo de que por faltar tão pouco tempo para as núpcias terminada estaria a necessidade de manterem a candura , Valéria agarrou-se à promessa como um náufrago a um salva-vidas :
" Se esperamos até aqui , se sofremos juntos as maiores tentações , por que haveremos de quebrar a promessa de nos mantermos alvos como a neve , limpos como águas que descem das montanhas , claros com as luz das estrelas . Não , amado Pituca , o que você quer , o que me pede , só terá depois do casamento ... e aí sim , serei toda tua ... e para sempre . "
Pituca , que estava ajoelhado aos pés da amada , levantou-se e , sem despedir-se , caminhou para o seu apartamento parecendo que estava algo assim meio curvado .
Julitetinha reclamou de Pedro por ele não ter contado que fora à Caçapava . É que Pedro fora àquela cidadezinha , segundo contou gora à Julietinha , para informar-se de certas incursões de espeleólogos que estavam explorando algumas grutas que haviam na cidade .
Julietinha : " Mas por que não me dissestes , Pedro ? "
Pedro : "Na verdade no dia que eu fui lá tu estavas visitando o Pituca em Porto Alegre . Ou melhor , fostes ajudar a Valéria nas compras , nos preparativos para o casamento . Depois disto eu até cheguei a me esquecer de que tinha ido à Caçapava . "
Foi verdade . Pedro também interessava-se por espeleologia , e foi à cidadezinha fazer um contato com os exploradores de cavernas .
D ´Artagnan , que estava sempre atento aos detalhes , achou que o fato de Aramis morar do lado de lá da fronteira , na República Oriental , isto era algo bem importante para eles todos. Tudo porque no plano que começava a cristalizar-se em sua cabeça ; Aramis seria a pessoa sobre a qual recairiam todas as suspeitas e , evadir-se de pronto para o país vizinho garantiria totalmente o seu total distanciamento do alívio que os Novos Mosqueteiros fariam ante os acumuladores de realizações pecuniárias . Bastaria-lhes manter Aramis distante de tudo e de todos para que todas as suspeitas morressem no nascedouro .
Valéria confidenciou à Quita que Pituca teria fraquejado na mútua decisão de ambos voltarem ao estado de quase reconstrução das virgindades . Ante ao argumento do noivo de que por faltar tão pouco tempo para as núpcias terminada estaria a necessidade de manterem a candura , Valéria agarrou-se à promessa como um náufrago a um salva-vidas :
" Se esperamos até aqui , se sofremos juntos as maiores tentações , por que haveremos de quebrar a promessa de nos mantermos alvos como a neve , limpos como águas que descem das montanhas , claros com as luz das estrelas . Não , amado Pituca , o que você quer , o que me pede , só terá depois do casamento ... e aí sim , serei toda tua ... e para sempre . "
Pituca , que estava ajoelhado aos pés da amada , levantou-se e , sem despedir-se , caminhou para o seu apartamento parecendo que estava algo assim meio curvado .
sábado, 13 de julho de 2013
72 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Pituca e Valeria casariam-se na cidade em que ela nascera . Decidiu-se que , do lado de Paulo, somente os parentes , e os amigos mais íntimos seriam convidados . Meses atrás , Paulo Becerra fora , com Julietinha , Pedro e o filho ; até a cidadezinha de Dom Feliciano , que era a região onde instalara-se a Família Milczarek , originária de Malbork , cidade polonesa bem próxima da fronteira com a Rússia , tendo esta vizinha dominado a região por volta de 1890 , momento em que o clã familiar imigrara para o Brasil . O motivo da visita era o de Paulo de pedir Valeria em casamento . O pai de Valéria disse à Pituca que nunca se conformara com a saída da filha de casa , para ir estudar na capital . Mas não pode evitar a sua partida em razão de uma enchente de grandes proporções na região que lhe fez perder todas as plantações , tendo mesmo a água da chuva levado rio abaixo as criações de porcos , galinhas e até mesmo gado leiteiro . A mãe da moça emocionou-se ao ouvir de Pituca que ele tinha grande honra em ingressar na família Mielczarek , caso lhe aceitassem como genro . É claro que o gaúcho da fronteira foi aceito ; tendo , inclusive , proposto uma data do casório , e bem próxima . Foram servidas comidas , e doces da tradição polaca que fizeram grande sucesso entre todos os Becerra / Fagundes . Mas Pituca quase botou tudo a perder quando , em conversa apartada com o Sr. Milczarek , ofereceu ajuda em dinheiro para os gastos com as bodas ; grosseria considerada humilhante pelo Senhor ; mas Pituca foi socorrido pela irmã que afirmou , em evidente remendo , ser a oferta uma tradição na sua região de origem , argumento que - muito a contragosto - foi aceito pelo futuro sogro . Foi quando Pituca tirou do bolso o anel de compromisso mandado fazer em joalheiro de sua família , dizendo a todos que as alianças foram forjadas de numa única pepita de ouro com o propósito de que a união fosse tão indissolúvel como aquele ouro guardado nas eras passadas , unido , atado como ele queria que fosse seu casamento com Valéria . À mesa também muitos licores , grapas , vinhos e cervejas , bebidas feitas ali mesmo em Dom Fernando , pelas mãos dos convidados daquele jantar , quase todos tendo algum grau de parentesco com os Milczarek .
A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral era Pedro que , mesmo querendo participar , fazendo força para alegrar-se de verdade , mesmo assim não conseguia entregar-se à festa como é sempre preciso para que todos vibrem . Julietinha , percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? " " Nada , nada , não é nada querida . Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e , ainda que eu não queira , isto tomou por um momento o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... " Foi quando Pedro levantou o copo de grapa num brinde entoando belas palavras de boa sorte ao casal e longa vida a todos presentes . "
A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral era Pedro que , mesmo querendo participar , fazendo força para alegrar-se de verdade , mesmo assim não conseguia entregar-se à festa como é sempre preciso para que todos vibrem . Julietinha , percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? " " Nada , nada , não é nada querida . Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e , ainda que eu não queira , isto tomou por um momento o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... " Foi quando Pedro levantou o copo de grapa num brinde entoando belas palavras de boa sorte ao casal e longa vida a todos presentes . "
sexta-feira, 31 de maio de 2013
57 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B .
Com seu pai gerenciando os negócios da família e com Paulo longe das estâncias , sobrava tempo para o Pedro fazer o que dava-lhe prazer : escrever , pesquisar , estudar e , além disto , viver os prazeres da lua de mel .
Pedro : " .... que bom que saiu das minhas costas aquele peso todo de não saber o porquê das poesias serem publicadas sem mais nem menos pelo Francisco Rosa . Só agora eu sei que meus versos não foram furtados ; eles saíram daqui de Boca do Monte por esta traquitana inventada pelo Padre Landell de Moura , este tal de RPGS, que envia para locais distantes aquilo que for colocado no leitor do seu canhão de feixes elétricos. "
Julietinha :" E eu que tanto esperei para que este dia chegasse , para que pudéssemos aproveitar a nossa mocidade , os prazeres que a juventude que pulsa em nós pudessem brindar-nos com estes momentos de amor intenso , paixão mesmo ... "
Pedro : " Só que eu tenho que saber separar o joio do trigo . Uma coisa é a alegria de ver que a minha vida ficou cada dia mais tranquila ; só que a vida não é um mar de rosas . O centro do país pulsa como nunca. No Rio de Janeiro comunistas assaltaram a casa do Adhemar de Barros levando o cofre com 20 milhões de dólares. Falei com o Luis Doleiro que me disse que outros políticos corruptos estão com medo de também serem desapropriados . Mas ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão . Eu não sei porque , mas acho que isto ainda vai acabar nesta fronteira com a República Oriental ..."
Julietinha : " Mas enquanto esta dinheirama não aparece para ocupar todos os teus neurônios em investigações e descobertas ; antes que possas entrar em campo para investigar ... me dá um beijo bem gostoso. " - disse Julietinha , não sem ao mesmo tempo apalpar carinhosamente as partes mais sensíveis do marido .
Julietinha :" E eu que tanto esperei para que este dia chegasse , para que pudéssemos aproveitar a nossa mocidade , os prazeres que a juventude que pulsa em nós pudessem brindar-nos com estes momentos de amor intenso , paixão mesmo ... "
Pedro : " Só que eu tenho que saber separar o joio do trigo . Uma coisa é a alegria de ver que a minha vida ficou cada dia mais tranquila ; só que a vida não é um mar de rosas . O centro do país pulsa como nunca. No Rio de Janeiro comunistas assaltaram a casa do Adhemar de Barros levando o cofre com 20 milhões de dólares. Falei com o Luis Doleiro que me disse que outros políticos corruptos estão com medo de também serem desapropriados . Mas ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão . Eu não sei porque , mas acho que isto ainda vai acabar nesta fronteira com a República Oriental ..."
Julietinha : " Mas enquanto esta dinheirama não aparece para ocupar todos os teus neurônios em investigações e descobertas ; antes que possas entrar em campo para investigar ... me dá um beijo bem gostoso. " - disse Julietinha , não sem ao mesmo tempo apalpar carinhosamente as partes mais sensíveis do marido .
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Julietinha e o oficial do vapor . 52 - FIM
"O que ela vem perguntando ?" Disse o Primeiro Oficial à camareira .
" O que ela quer mesmo saber é se o senhor é Gianpaolo ou Giancarlo . "
" Se é assim , conte a verdade , de novo . "
Tal diálogo , entre os dois tripulantes , não causaria surpresa alguma a quem porventura o escutasse ( e, principalmente, o assistisse ) , não fosse um - não mais do que um - reticente piscar do olho esquerdo de Petrucci . Assim mesmo , tal hipotético observador iria se perguntar se aquela piscadela ( - que , convenhamos - tem a simbologia universal de quem camufla uma mentiria ) bem poderia ser um tique nervoso , como devem ter milhões de pessoas na face da Terra a piscar um olho só , ainda que mentiras não estejam querendo sugerir .
" Buon diorno Signora Giulietinha .... Signora Giulietinha .... buon giorno ! " ... repetiu a camareira para a estancieira que dormitava ao sol da manhã ... "
" Olá Rafella , buon giorno para você também ! "
" Eu tenho algo para dizer que talvez lhe interesse .... "
" O que é , Rafaella ...., porque este segredo todo ? "
" É que eu descobri qual dos dois " G " é o Primeiro Oficial ? "
"Como é ? Por Deus , diga logo o que você descobriu .... "
" Eu soube , com certeza , que o Oficial Petrucci trata-se de Giancarlo Petrucci . "
Com o coração aos pulos , a moça emudeceu , embora seus olhos se voltassem de maneira brusca para todos os diversos pontos cardeais das vistas .
" Você tem certeza do que me falou agora ? "
"Tenho mais certeza de que se trata de Giancarlo do que eu me chamo Rafaella . "
" Obrigada , muito obrigada Rafaella . Não deixe de dar uma passada na minha suite para eu agradecer-lhe ainda mais pelo que agora me dizes . "
" Não será preciso outro agradecimento sobre o que eu revelei agora ; basta que eu venha a saber que ( nem que tenha sido por um só momento ) que a senhora chegou a ser uma mulher verdadeiramente feliz ... "
Julietinha surpreendeu-se ao saber que o atalho por que a levara ontem ao convés passava pelos corredores das cabines dos tripulantes graduados .
Com o marido no salão de jogos , a morena de Boca do Monte , vestiu-se - mais uma vez - da maneira mais sensual que podia compor-se - só que de saltos baixos - e foi para onde sabia que Giancarlo estaria acomodado ; sob a promessa interior de que não exitaria em bater em sua porta
Uma surpresa : á distância de apenas um passo do ninho do italiano a porta abriu-se antes dela ali chegar , não sendo necessário diminuir-se moralmente por bater naquela porta . Até neste detalhe Gian fora um cavalheiro , deixando claro que não era só ela quem esperava ansiosamente por aquele momento. Gian envolveu-a num abraço apertado , e , num piscar de olhos, colocou-a para dentro da cabine .
Desta vez nada de diferente dos encontros apaixonados em cabines apertadas , de trens ou navios al mare e a paixão até então recolhida a , digamos , tão somente dentro de seus corações , explodiu em carícias que , como disse um poeta ... foram infinitas enquanto duraram .
E duraram até às duas e meia da madrugada , eis que o cassino fechava sempre às três.
O navio voltou à Barcelona . Foi quando Julietinha sugeriu à Pedro que tivesse uma tarde sozinha para comprar lembranças para as amigas , os parentes . Ele concordou , dizendo que queria conhecer bares de comidas típicas da Catalunha . E , como sempre , beber algumas copas de bom vinho .
Dentro da bela estancieira um prazer a mais . O de saber que o que acontecera tempos atrás , em que Gian não tinha chegado a penetrar nos sonhos de Julietinha , agora tudo acontecera muito mais do que em suas melhores expectativas . Ocorre que a jovem senhora não tinha por Giancarlo somente desejos ardentes . Ela aprendera a admirá-lo como pessoa , talvez mais bonita por fora do que por dentro . E ela saber agora que ele tinha recuperado totalmente a sua condição de homem , de amante completo - e não apenas distanciado dos atos de amor propriamente ditos - trouxe para Julietinha uma calma que há muito tempo não conseguia ter.
Na verdade o que Julietinha fez foi procurar uma igreja que tivesse a luzinha vermelha acesa , aquelas que identificam a presença de um confessor . E a encontrou . Ajoelhou-se e , com a confiança das
verdadeiras católicas contou tudo ao padre ; dizendo também que estava certa de que o que tinha feito não chegava a ser um pecado ; abrindo toda a história trazida na ponta da língua : de que o tempo entre ela e Giancarlo fora ( infelizmente para seu marido ) al revés . Mas que - apesar da ressalva - ela e Giancarlo tinham direito pleno - pelo menos por uma única vez - de se acostarem , como de fato aconteceu . Sim , se fossem à bíblia , se procurassem nos arquivos secretos do Vaticano , lá haveria de estar registrado pelo menos um precedente de que uma entrega naquelas circunstâncias extremas não poderia ser capitulada de pecado .
Foi quando o confessor - com um evidente sotaque italiano - falou-lhe com uma tranquilidade própria dos monges ....
" Quem pede perdão sou eu , Senhora Julietinha .... "
" Santo Deus , como agora este Padre , falando este Espanhol capenga, sabe o meu nome ? " ( pensou a signora ) .
Novamente o padre interrompeu seus pensamentos : " Perdão senhora , mas deve haver um engano nisto tudo ; o que - pressinto - no cambiará o que eu , em nome de Deus , poderei fazer para aliviar a sua alma ... pero , eu é que sou Giancarlo Petrucci - il vero ! - , aquele que - logo depois de conhece-la naquelas circunstâncias - ... retirou-se para servir de forma integral ao Senhor. Prego , Signora , pero Giancarlo era el mio nombre civile , ahora soy Fratello Francesco ... " .
FIM
N.d . A : O verso "que seja infinito enquanto dure " é de Vinícius de Morais .
" O que ela quer mesmo saber é se o senhor é Gianpaolo ou Giancarlo . "
" Se é assim , conte a verdade , de novo . "
Tal diálogo , entre os dois tripulantes , não causaria surpresa alguma a quem porventura o escutasse ( e, principalmente, o assistisse ) , não fosse um - não mais do que um - reticente piscar do olho esquerdo de Petrucci . Assim mesmo , tal hipotético observador iria se perguntar se aquela piscadela ( - que , convenhamos - tem a simbologia universal de quem camufla uma mentiria ) bem poderia ser um tique nervoso , como devem ter milhões de pessoas na face da Terra a piscar um olho só , ainda que mentiras não estejam querendo sugerir .
" Buon diorno Signora Giulietinha .... Signora Giulietinha .... buon giorno ! " ... repetiu a camareira para a estancieira que dormitava ao sol da manhã ... "
" Olá Rafella , buon giorno para você também ! "
" Eu tenho algo para dizer que talvez lhe interesse .... "
" O que é , Rafaella ...., porque este segredo todo ? "
" É que eu descobri qual dos dois " G " é o Primeiro Oficial ? "
"Como é ? Por Deus , diga logo o que você descobriu .... "
" Eu soube , com certeza , que o Oficial Petrucci trata-se de Giancarlo Petrucci . "
Com o coração aos pulos , a moça emudeceu , embora seus olhos se voltassem de maneira brusca para todos os diversos pontos cardeais das vistas .
" Você tem certeza do que me falou agora ? "
"Tenho mais certeza de que se trata de Giancarlo do que eu me chamo Rafaella . "
" Obrigada , muito obrigada Rafaella . Não deixe de dar uma passada na minha suite para eu agradecer-lhe ainda mais pelo que agora me dizes . "
" Não será preciso outro agradecimento sobre o que eu revelei agora ; basta que eu venha a saber que ( nem que tenha sido por um só momento ) que a senhora chegou a ser uma mulher verdadeiramente feliz ... "
Julietinha surpreendeu-se ao saber que o atalho por que a levara ontem ao convés passava pelos corredores das cabines dos tripulantes graduados .
Com o marido no salão de jogos , a morena de Boca do Monte , vestiu-se - mais uma vez - da maneira mais sensual que podia compor-se - só que de saltos baixos - e foi para onde sabia que Giancarlo estaria acomodado ; sob a promessa interior de que não exitaria em bater em sua porta
Uma surpresa : á distância de apenas um passo do ninho do italiano a porta abriu-se antes dela ali chegar , não sendo necessário diminuir-se moralmente por bater naquela porta . Até neste detalhe Gian fora um cavalheiro , deixando claro que não era só ela quem esperava ansiosamente por aquele momento. Gian envolveu-a num abraço apertado , e , num piscar de olhos, colocou-a para dentro da cabine .
Desta vez nada de diferente dos encontros apaixonados em cabines apertadas , de trens ou navios al mare e a paixão até então recolhida a , digamos , tão somente dentro de seus corações , explodiu em carícias que , como disse um poeta ... foram infinitas enquanto duraram .
E duraram até às duas e meia da madrugada , eis que o cassino fechava sempre às três.
O navio voltou à Barcelona . Foi quando Julietinha sugeriu à Pedro que tivesse uma tarde sozinha para comprar lembranças para as amigas , os parentes . Ele concordou , dizendo que queria conhecer bares de comidas típicas da Catalunha . E , como sempre , beber algumas copas de bom vinho .
Dentro da bela estancieira um prazer a mais . O de saber que o que acontecera tempos atrás , em que Gian não tinha chegado a penetrar nos sonhos de Julietinha , agora tudo acontecera muito mais do que em suas melhores expectativas . Ocorre que a jovem senhora não tinha por Giancarlo somente desejos ardentes . Ela aprendera a admirá-lo como pessoa , talvez mais bonita por fora do que por dentro . E ela saber agora que ele tinha recuperado totalmente a sua condição de homem , de amante completo - e não apenas distanciado dos atos de amor propriamente ditos - trouxe para Julietinha uma calma que há muito tempo não conseguia ter.
Na verdade o que Julietinha fez foi procurar uma igreja que tivesse a luzinha vermelha acesa , aquelas que identificam a presença de um confessor . E a encontrou . Ajoelhou-se e , com a confiança das
verdadeiras católicas contou tudo ao padre ; dizendo também que estava certa de que o que tinha feito não chegava a ser um pecado ; abrindo toda a história trazida na ponta da língua : de que o tempo entre ela e Giancarlo fora ( infelizmente para seu marido ) al revés . Mas que - apesar da ressalva - ela e Giancarlo tinham direito pleno - pelo menos por uma única vez - de se acostarem , como de fato aconteceu . Sim , se fossem à bíblia , se procurassem nos arquivos secretos do Vaticano , lá haveria de estar registrado pelo menos um precedente de que uma entrega naquelas circunstâncias extremas não poderia ser capitulada de pecado .
Foi quando o confessor - com um evidente sotaque italiano - falou-lhe com uma tranquilidade própria dos monges ....
" Quem pede perdão sou eu , Senhora Julietinha .... "
" Santo Deus , como agora este Padre , falando este Espanhol capenga, sabe o meu nome ? " ( pensou a signora ) .
Novamente o padre interrompeu seus pensamentos : " Perdão senhora , mas deve haver um engano nisto tudo ; o que - pressinto - no cambiará o que eu , em nome de Deus , poderei fazer para aliviar a sua alma ... pero , eu é que sou Giancarlo Petrucci - il vero ! - , aquele que - logo depois de conhece-la naquelas circunstâncias - ... retirou-se para servir de forma integral ao Senhor. Prego , Signora , pero Giancarlo era el mio nombre civile , ahora soy Fratello Francesco ... " .
FIM
N.d . A : O verso "que seja infinito enquanto dure " é de Vinícius de Morais .
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Julietinha e o oficial do vapor -51
Pelo menos em seus pensamentos noturnos Julietinha já resolvera que se algo acontecesse entre ela e Giancarlo , fosse o que fosse , não seria propriamente uma quebra da promessa de fidelidade feita a Pedro no altar da igreja de Nossa Senhora Auxiliadora , em Boca do Monte . Deus haveria de compreender que o ocorrido teria sido tão somente uma acomodação do tempo assim como os ajustes feitos de vez em quando até pela própria Igreja . Algo de que os dois , ela e Gian , já teriam direito adquirido e recíproco , desde há muito tempo e , se ainda não posto , fora tão somente por um detalhe sem tanta importância , que agora , talvez daqui a pouco , já faria parte de um passado a esquecer . Falhar todos nós um dia falhamos , o que passou .... passou . O direito de se encontrarem afastava qualquer outra jura que com ele conflitasse com a paixão ainda não consumada que sobrevivera , ainda que de forma latente , como bulbos adormecidos no inverno gelado.
Era claro que tal exceção só valiam para paixões verdadeiramente antigas , eis que a desculpa carecia de uma posse distanciada.
Estes pensamentos tomavam seu cérebro , e tanto que agora não causavam mais dúvidas . Agora só faltava um nada para que os destinos os aproximassem tanto que os seus cheiros desaparecessem tornando impossível a cada um de negar-se ao que mais ansiavam : acariciar-se até que as mais recônditas fibras de seus corpos penetrassem-lhes o quanto possível .
E a cada poesia que lia , que lembrava , ou declamava para si própria , mais Julietinha se convencia de que se o encontrasse , se se encantasse num estalido perdidamente por Giancarlo , assim mesmo , traindo Pedro ela não estaria .
Eram umas onze horas do penúltimo dia , o decimo quarto , com Pedro de há muito no cassino , quando a cabine ficou pequena para ela . Num salto levantou-se da cama com os cabelos assim mesmo e buscou o caminho mais curto para o vento do convés, do que agora precisava muito , mal sabendo que aquele atalho passava justo por outra cabine de alguém igualmente insone , igualmente aflito, por espera igualmente cruel .
Era claro que tal exceção só valiam para paixões verdadeiramente antigas , eis que a desculpa carecia de uma posse distanciada.
Estes pensamentos tomavam seu cérebro , e tanto que agora não causavam mais dúvidas . Agora só faltava um nada para que os destinos os aproximassem tanto que os seus cheiros desaparecessem tornando impossível a cada um de negar-se ao que mais ansiavam : acariciar-se até que as mais recônditas fibras de seus corpos penetrassem-lhes o quanto possível .
E a cada poesia que lia , que lembrava , ou declamava para si própria , mais Julietinha se convencia de que se o encontrasse , se se encantasse num estalido perdidamente por Giancarlo , assim mesmo , traindo Pedro ela não estaria .
Eram umas onze horas do penúltimo dia , o decimo quarto , com Pedro de há muito no cassino , quando a cabine ficou pequena para ela . Num salto levantou-se da cama com os cabelos assim mesmo e buscou o caminho mais curto para o vento do convés, do que agora precisava muito , mal sabendo que aquele atalho passava justo por outra cabine de alguém igualmente insone , igualmente aflito, por espera igualmente cruel .
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Julietinha e o oficial do vapor . 24
Julieitinha e Pedro viviam a felicidade dos apaixonados . Sabiam que ninguém na cidade , e muito menos Paulo , aprovaria aquela vontade intensa de estarem juntos , de se tocarem e até mesmo , de se cheirarem . Foi quando Paulo recebeu uma carta anônima . Nela dizia , com poucas palavras , que a irmã e o amigo estavam se encontrando às escondidas numa casinha de cor verde , quase uma tapera , situada no Povo Novo , do lado esquerdo da igrejinha do João Turco. Paulo sentiu-se logo traído por ambos ; mais pela irmã porque ela não ouviu seus conselhos de continuar tentando encontrar um partido de boa família , pertencente ao mesmo nível social que eles . Paulo achava que que era inaceitável Julietinha se entregar a uma pessoa da categoria de Pedro . Bebeu copos de conhaque e quanto mais a bebida subia , mais ele pensava nas razões de , havendo tantas moças , tantas mulheres prontas para casar na cidade , Pedro ter escolhido logo a sua Julinha , a irmã única que ele cuidava com tanta dedicação . Claro , só podia ser pelo dinheiro . Um pelado daqueles decidira o caminho mais fácil de livrar-se da miséria : fazer a corte para a moça, já madura , de uma família bem posta , com fortuna originada em trabalho honesto , desimpedido de qualquer trampa ; dinheiro limpo que lhe estaria disponível no mesmo momento em que se amarrasse com ela . Paulo não se conformava. Foi quando resolveu ir até o que pensava ser o ninho de amor bastardo do casal. Subiu na Caminhonete Chevrolet recém comprada com o dinheiro entrado pela venda de uma boiada carneada no frigorífico construído pela associação dos estancieiros da região e exportada para a Europa ; e foi para o Povo Novo . Chegou e ficou parado por um bom tempo nas proximidades da igreja do João Turco , mirando a pequeníssima casa verde , e logo percebeu a possibilidade de que naquele momento o casal estivesse por lá , " talvez atados por largos momentos como fazem os cachorros " .
Na verdade , Julietinha e Pedro aproveitavam o aconchego das pequenas peças para cochilarem um nos braços do outro . A felicidade apaixonada foi interrompida por batidas fortes na porta , o sobressalto foi imediato . Como alguém poderia bater numa casa de moradores completamente desconhecidos para todo mundo ? Paulo esticou o braço , já protegendo Julietinha . " Não te preocupes , fiques aí que eu vou atender " . Deve ser o cobrador do aluguel que deve ter vencido ontem , ou hoje . Beijou rapidamente a mulher , vestiu a calça quando ouviu-se novas batidas ainda mais ameaçadoras . Pedro abriu a porta e viu Paulo já com o braço esticado , com o revólver há não mais do que meio metro do seu peito : Te prepares para morrer , canalha ! A distância era suficiente para que Pedro sentisse o cheiro de álcool que a boca de Paulo exalava fortemente . "Não faça isto ! " gritou em vão Pedro . O meio-pedido , a meia-advertência , não foram ouvidos pelo já naquele momento quase assassino ... Paulo puxou o gatilho duas vezes . Pá ! Pá !
Na verdade , Julietinha e Pedro aproveitavam o aconchego das pequenas peças para cochilarem um nos braços do outro . A felicidade apaixonada foi interrompida por batidas fortes na porta , o sobressalto foi imediato . Como alguém poderia bater numa casa de moradores completamente desconhecidos para todo mundo ? Paulo esticou o braço , já protegendo Julietinha . " Não te preocupes , fiques aí que eu vou atender " . Deve ser o cobrador do aluguel que deve ter vencido ontem , ou hoje . Beijou rapidamente a mulher , vestiu a calça quando ouviu-se novas batidas ainda mais ameaçadoras . Pedro abriu a porta e viu Paulo já com o braço esticado , com o revólver há não mais do que meio metro do seu peito : Te prepares para morrer , canalha ! A distância era suficiente para que Pedro sentisse o cheiro de álcool que a boca de Paulo exalava fortemente . "Não faça isto ! " gritou em vão Pedro . O meio-pedido , a meia-advertência , não foram ouvidos pelo já naquele momento quase assassino ... Paulo puxou o gatilho duas vezes . Pá ! Pá !
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Julietinha e o oficial do navio - 15
Quarta-feira , Pedro bate na porta para a sessão de colheita de informações do relato da viagem de Julietinha . Ela mesmo vem atender .
- Pedro , entra ...
- Pedro , que trazia um ramo de flores do campo bem variadas sorriu ... Dona Julietinha ... a senhora quer namorar comigo ?
Julietinha ficou séria : " Tu não achas que é muito cedo " ?
" - Muito cedo ..... eu estou esperando por este momento há anos e tu me dizes que é muito cedo ? "
- Por mim eu daria o sim agora , mas antes tenho que falar com o meu irmão ..
Pedro fechou o rosto ..... " - O que teu irmão tem a ver com nós dois ... ? "
"- É que moramos aqui ; desde que meus pais partiram o Paulo assumiu a casa .... tenho que falar com ele antes de te dar uma resposta "
"- Não Julietinha , não adiantes nada a ele ... com o Paulo eu falo ... mas eu quero saber é de ti ... aceitas ter-me como namorado ? "
"- Não só aceito como sou a pessoa mais feliz do mundo por ouvir isto de teus lábios , só que quanto ao Paulo , eu te peço para que eu mesma fale com ele ... no mais , tudo fica como antes ... tá bem ?
Entraram e passaram à formalidade de sempre .
- Dona Julietinha , em que dia o vapor aportou em Vigo ?
- Foi no dia 27 de fevereiro .....
Conversavam sobre o que agora pareciam ser generalidades até que Quita surgiu para perguntar se já poderia ir à feira da praça do relógio ...
- Sim , Quita , deixei a lista de compras em cima da mesa da cozinha ...
Mal Quita batera a porta Julietinha abraçou Pedro com todas as suas forças ...
- Sim , até que eu tentei me aproximar de outras moças , mas você sempre aparecia e daí para frente nada mais dava certo ....
Ao ouvir isto lágrimas praticamente saltaram dos olhos da moça .... " não repare , eu me contive lá fora ... mas ao ouvir isto ...é que comigo acontecia o mesmo , deves ter percebido a forma que eu olhava para ti , quando nos aproximávamos parece que tinhas um imã ao qual eu tinha que resistir muito , ainda bem que agora não preciso mais fugir de ti ... . desde cedo guris vinham conversar , mas eles eram tão diferentes de ti , todos estancieiros , se bem que nós também somos proprietários ... mas é que eles desde meninos já se preocupam com o preço da arroba do boi ... essas coisa daqui . Mas tu és diferente ... olhas e falas o que sempre eu quero ouvir ... mas vamos mudar de assunto , eu tenho tanto para te perguntar ... fiquei preocupada quando contaram que tivestes que ir ao quartel ... "
" - Sim , foram me buscar e me levaram até lá ..."
- Mas o que eles perguntaram ? eu nunca soube que tinhas preferências neste assuntos ..
- São meus escritos no jornal .... eu escrevi no natal uma crônica que eles não gostaram .... foi A Ceia dos Vira-Latas ....." ; em determinado momento o Bandeira me perguntou ... " tu és um dos do contra , não és ? " . Eu respondi .... "não , e o senhor é ? " " Ele chegou a levantar a mão para me dar um tapa , mas o Orlando segurou-a já no ar .... "
"- Pedro , por que responder assim ? Tu sabes como eles estão .... por qualquer coisa já explodem , daí para à perseguição aberta é um nada ."
.....
" E esta camisa ? vejo que a tua roupa é nova , um misto do cheiro do corpo com o do algodão recém vestido ... "
" - Consegui receber um dinheiro e aproveitei para comprar duas camisas e mais umas roupas ... afinal eu vinha te pedir em namoro .... "
" - Mas como estás bonito meu Pedro , ainda mais do que ontem ...."
Passou um bom tempo , ditado pela intuição e generosidade de Quita , até que a porta se abriu .....
- Só não trouxe o mogango , Dona Julietinha , não me pareceram estar bons ....
- Não faz mal Quita , espero que tenhas comprado outra coisa para fazermos o doce ....
- Sim , comprei origones ...
Com Quita por ali voltou a conversa sobre a viagem , Pedro agora fazia perguntas com duplo sentido , maliciosas mesmo ( pensando que o italiano era mesmo impossibilitado a uma relação mais íntima ) ...
Até que de repente parou tal assunto e sua voz demonstrava tensão . Contou o que acontecera com seu caderno ... de suas conclusões sobre uma das suas melhores poesias terem sido publicadas por ninguém menos do que Chico Rosa ... Julietinha preocupou-se muito .... logo ela que tanto admirava o príncipe dos poetas .....
" De agora em diante eu preciso manter um arquivo dos meus escritos em mãos confiáveis ... e quem melhor do que tu para guardá-los .... ? "
" Sim podes deixar comigo , teu trabalho , para mim valerá tanto como um tesouro ."
" Além disto , eu queria que me ouvisses sobre umas mudanças acontecidas om o modo de eu escrever ; é que antes eu costumava redigir uma passagem , um texto qualquer e depois sair fazendo aquilo que eu chamo de catar pulgas ; revisando-o até que ele me contentasse totalmente ... "
" Mas isto é assim com todo mundo ... "
" Mas agora é diferente .... Julietinha . Tem determinados escritos que já me vêem prontos à cabeça sendo inútil tentar melhorá-los .... nesses momentos, não em todos , escrevo num impulso só ...
Foi quando chegou Paulo, o que ocasionou as despedidas do jornalista ... " eu já estava de saída ... " .
Paulo , que nas conversas com amigos estancieiros sempre dizia que " o amor pode muito , mas o dinheiro pode tudo " , a cada dia se preocupava mais com aquela aproximação da irmã com um pelado , como Pedro era .
- Pedro , entra ...
- Pedro , que trazia um ramo de flores do campo bem variadas sorriu ... Dona Julietinha ... a senhora quer namorar comigo ?
Julietinha ficou séria : " Tu não achas que é muito cedo " ?
" - Muito cedo ..... eu estou esperando por este momento há anos e tu me dizes que é muito cedo ? "
- Por mim eu daria o sim agora , mas antes tenho que falar com o meu irmão ..
Pedro fechou o rosto ..... " - O que teu irmão tem a ver com nós dois ... ? "
"- É que moramos aqui ; desde que meus pais partiram o Paulo assumiu a casa .... tenho que falar com ele antes de te dar uma resposta "
"- Não Julietinha , não adiantes nada a ele ... com o Paulo eu falo ... mas eu quero saber é de ti ... aceitas ter-me como namorado ? "
"- Não só aceito como sou a pessoa mais feliz do mundo por ouvir isto de teus lábios , só que quanto ao Paulo , eu te peço para que eu mesma fale com ele ... no mais , tudo fica como antes ... tá bem ?
Entraram e passaram à formalidade de sempre .
- Dona Julietinha , em que dia o vapor aportou em Vigo ?
- Foi no dia 27 de fevereiro .....
Conversavam sobre o que agora pareciam ser generalidades até que Quita surgiu para perguntar se já poderia ir à feira da praça do relógio ...
- Sim , Quita , deixei a lista de compras em cima da mesa da cozinha ...
Mal Quita batera a porta Julietinha abraçou Pedro com todas as suas forças ...
- Sim , até que eu tentei me aproximar de outras moças , mas você sempre aparecia e daí para frente nada mais dava certo ....
Ao ouvir isto lágrimas praticamente saltaram dos olhos da moça .... " não repare , eu me contive lá fora ... mas ao ouvir isto ...é que comigo acontecia o mesmo , deves ter percebido a forma que eu olhava para ti , quando nos aproximávamos parece que tinhas um imã ao qual eu tinha que resistir muito , ainda bem que agora não preciso mais fugir de ti ... . desde cedo guris vinham conversar , mas eles eram tão diferentes de ti , todos estancieiros , se bem que nós também somos proprietários ... mas é que eles desde meninos já se preocupam com o preço da arroba do boi ... essas coisa daqui . Mas tu és diferente ... olhas e falas o que sempre eu quero ouvir ... mas vamos mudar de assunto , eu tenho tanto para te perguntar ... fiquei preocupada quando contaram que tivestes que ir ao quartel ... "
" - Sim , foram me buscar e me levaram até lá ..."
- Mas o que eles perguntaram ? eu nunca soube que tinhas preferências neste assuntos ..
- São meus escritos no jornal .... eu escrevi no natal uma crônica que eles não gostaram .... foi A Ceia dos Vira-Latas ....." ; em determinado momento o Bandeira me perguntou ... " tu és um dos do contra , não és ? " . Eu respondi .... "não , e o senhor é ? " " Ele chegou a levantar a mão para me dar um tapa , mas o Orlando segurou-a já no ar .... "
"- Pedro , por que responder assim ? Tu sabes como eles estão .... por qualquer coisa já explodem , daí para à perseguição aberta é um nada ."
.....
" E esta camisa ? vejo que a tua roupa é nova , um misto do cheiro do corpo com o do algodão recém vestido ... "
" - Consegui receber um dinheiro e aproveitei para comprar duas camisas e mais umas roupas ... afinal eu vinha te pedir em namoro .... "
" - Mas como estás bonito meu Pedro , ainda mais do que ontem ...."
Passou um bom tempo , ditado pela intuição e generosidade de Quita , até que a porta se abriu .....
- Só não trouxe o mogango , Dona Julietinha , não me pareceram estar bons ....
- Não faz mal Quita , espero que tenhas comprado outra coisa para fazermos o doce ....
- Sim , comprei origones ...
Com Quita por ali voltou a conversa sobre a viagem , Pedro agora fazia perguntas com duplo sentido , maliciosas mesmo ( pensando que o italiano era mesmo impossibilitado a uma relação mais íntima ) ...
Até que de repente parou tal assunto e sua voz demonstrava tensão . Contou o que acontecera com seu caderno ... de suas conclusões sobre uma das suas melhores poesias terem sido publicadas por ninguém menos do que Chico Rosa ... Julietinha preocupou-se muito .... logo ela que tanto admirava o príncipe dos poetas .....
" De agora em diante eu preciso manter um arquivo dos meus escritos em mãos confiáveis ... e quem melhor do que tu para guardá-los .... ? "
" Sim podes deixar comigo , teu trabalho , para mim valerá tanto como um tesouro ."
" Além disto , eu queria que me ouvisses sobre umas mudanças acontecidas om o modo de eu escrever ; é que antes eu costumava redigir uma passagem , um texto qualquer e depois sair fazendo aquilo que eu chamo de catar pulgas ; revisando-o até que ele me contentasse totalmente ... "
" Mas isto é assim com todo mundo ... "
" Mas agora é diferente .... Julietinha . Tem determinados escritos que já me vêem prontos à cabeça sendo inútil tentar melhorá-los .... nesses momentos, não em todos , escrevo num impulso só ...
Foi quando chegou Paulo, o que ocasionou as despedidas do jornalista ... " eu já estava de saída ... " .
Paulo , que nas conversas com amigos estancieiros sempre dizia que " o amor pode muito , mas o dinheiro pode tudo " , a cada dia se preocupava mais com aquela aproximação da irmã com um pelado , como Pedro era .
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Julieitinha e o oficial do vapor - 12
Como em toda quarta-feira , Pedro chegou . Emagrecido pela vida que vinha levando , mesmo assim estava mais confiante do que nunca . A leitura do sub-título "Eunuco ou Hermafrodita ? " foi o suficiente para que confiasse totalmente que Julietinha tinha-lhe sido fiel , ainda que por caminhos tortuosos . Nem de longe Pedro duvidava que a sua cliente pudesse ter mesmo escapado das temidas garras do italiano.
Pedro , ainda que desconsiderasse que as aparências as vezes enganam , agora estava convencido que , apesar de existirem tantos jovens e belos e disponíveis italianos , franceses ou espanhóis .... apesar de estar evidente que Julietinha queria novas amizades ... ainda assim Pedro achava que o risco era somente Giancarlo . E , tendo como certo que Giancarlo gravitava entre ser eunuco , ou então hermafrodita , Pedro sentiu-se senhor da situação .
A fixação do jornalista pela grande proprietária de terras era conhecida por muitos . O obstáculo para que ele confessasse o misto de paixão e amor era a diferença do dinheiro que cada um tinha . Certa vez Pedro fez uma sondagem junto a Paulo para saber se ele - como chefe da casa , portanto detentor do poder familiar - aceitaria um marido pobre para a irmã . Um amigo comum jogou um verde ...
fez uma pergunta que parecesse meio sem sentido : e se a sua irmã quisesse casar com um pobre , você aceitaria ? Paulo não vacilou : só com separação de bens .
O filho de Pituca Gomes adotara um tradicionalismo de lá de trás , do século dezoito, quando começou a ser formado o pensamento dos fazendeiros . Dentre as questões fechadas estava a repulsa a caçadores de dotes , O que castrava Pedro era o risco de que o seu amor por Julietinha fosse tomado por interesse à grande fortuna dos dois Gomes , Paulo e Julietinha .
Julietinha era graduada em Ciências Humanas , com especialização em História . Escrevera uma interessante tese acadêmica sobre o chamado ciclo do charque que determinou conflitos , guerras mesmo , na região .
Julietinha , se não sabia em todos os detalhes , percebia a fixação que Pedro tinha por ela , mas sabia que Paulo desprezava todas as pessoas , ou mesmo famílias , que não conseguissem fazer fortuna . Não foram poucas as vezes que a morena excitou-se ao pensar em Pedro ao ponto de quase ir procurá-lo para deixar de lado qualquer limite .
E não foi apenas o físico de Pedro - que era o que mais perturbava Julietinha - mas a pessoa sensível que ele era num lugar em que os homens tinham como única alternativa a de impor-se pela dureza que a distância de tudo impunha à sobrevivência.
Foi quando ficou claro que a melhor saída seria a comum aos ricaços ; que , quando suas filhas não se contentavam com as alternativas naturais dos casamentos arranjados dentro do círculo de estancieiros , despachavam-nas para uma longa viagem pela Europa ; sendo certo , para eles , que diante de tantas alternativas novas voltaria curada da recaída quase sempre , de afeiçoar-se por proletários .
Com Julietinha a saída não resolveu o problema ; que não chegava a ser dela , mas sim , de Paulo .
Com o fracasso da tentativa européia , eles estavam de novo ali , sentados um a frente do outro , cada vez mais presos às teias tecidas pelos outros .
A energia elétrica da cidadezinha era instável naquela quarta-feira em que , por compromissos diurnos , Pedro veio à noite . Estavam sózinhos quando faltou a luz ; os dois levantaram-se ao mesmo tempo e se chocaram no escuro . Pedro , que tinha as mãos a frente como que tentando buscar alguma lamparina ou lampião ainda que não soubesse se , e onde, poderia encontrar tal socorro , na verdade encontrou o vestido , o corpo de Julietinha e foi impossível evitar que , primeiramente os dedos tateassem-na de forma cada vez mais intensa, até que se abraçaram como quem não pretende nunca mais se soltar . Foi Julietinha quem ficou na ponta dos pés para que sua boca colasse de forma absoluta na de Pedro com uma intensidade de quem quer recuperar uma joia rara perdida no mar .... mas a luz voltou repentinamente , e pior , por duas vias : Quita entrou na sala com um lampião a querosene na mão direita , ao mesmo tempo que a energia elétrica voltara , iluminando a sala como se o sol nascesse as nove horas da noite . A mesma força que unira os dois na escuridão , repelia um corpo do outro parecendo que nenhum dos dois admitia que a sociedade soubesse não só que se amavam , mas , principalmente , que já era sabido que não poderiam jamais se aproximar .
Pedro virou o corpo para a janela , olhando a esmo e Julietinha disfarçou mostrando à Quita que , na verdade estaria sentada sozinha no sofá esperando que a luz voltasse .
Pedro saiu , dando por terminada a sessão daquele dia e , sem perceber , deixou cair algo com certa aparência de recentemente escrito : O que não conseguem os costumes sociais ! Apenas uma teia de aranha estendida sobre o vulcão , mas ele se contém .
Pedro , ainda que desconsiderasse que as aparências as vezes enganam , agora estava convencido que , apesar de existirem tantos jovens e belos e disponíveis italianos , franceses ou espanhóis .... apesar de estar evidente que Julietinha queria novas amizades ... ainda assim Pedro achava que o risco era somente Giancarlo . E , tendo como certo que Giancarlo gravitava entre ser eunuco , ou então hermafrodita , Pedro sentiu-se senhor da situação .
A fixação do jornalista pela grande proprietária de terras era conhecida por muitos . O obstáculo para que ele confessasse o misto de paixão e amor era a diferença do dinheiro que cada um tinha . Certa vez Pedro fez uma sondagem junto a Paulo para saber se ele - como chefe da casa , portanto detentor do poder familiar - aceitaria um marido pobre para a irmã . Um amigo comum jogou um verde ...
fez uma pergunta que parecesse meio sem sentido : e se a sua irmã quisesse casar com um pobre , você aceitaria ? Paulo não vacilou : só com separação de bens .
O filho de Pituca Gomes adotara um tradicionalismo de lá de trás , do século dezoito, quando começou a ser formado o pensamento dos fazendeiros . Dentre as questões fechadas estava a repulsa a caçadores de dotes , O que castrava Pedro era o risco de que o seu amor por Julietinha fosse tomado por interesse à grande fortuna dos dois Gomes , Paulo e Julietinha .
Julietinha era graduada em Ciências Humanas , com especialização em História . Escrevera uma interessante tese acadêmica sobre o chamado ciclo do charque que determinou conflitos , guerras mesmo , na região .
Julietinha , se não sabia em todos os detalhes , percebia a fixação que Pedro tinha por ela , mas sabia que Paulo desprezava todas as pessoas , ou mesmo famílias , que não conseguissem fazer fortuna . Não foram poucas as vezes que a morena excitou-se ao pensar em Pedro ao ponto de quase ir procurá-lo para deixar de lado qualquer limite .
E não foi apenas o físico de Pedro - que era o que mais perturbava Julietinha - mas a pessoa sensível que ele era num lugar em que os homens tinham como única alternativa a de impor-se pela dureza que a distância de tudo impunha à sobrevivência.
Foi quando ficou claro que a melhor saída seria a comum aos ricaços ; que , quando suas filhas não se contentavam com as alternativas naturais dos casamentos arranjados dentro do círculo de estancieiros , despachavam-nas para uma longa viagem pela Europa ; sendo certo , para eles , que diante de tantas alternativas novas voltaria curada da recaída quase sempre , de afeiçoar-se por proletários .
Com Julietinha a saída não resolveu o problema ; que não chegava a ser dela , mas sim , de Paulo .
Com o fracasso da tentativa européia , eles estavam de novo ali , sentados um a frente do outro , cada vez mais presos às teias tecidas pelos outros .
A energia elétrica da cidadezinha era instável naquela quarta-feira em que , por compromissos diurnos , Pedro veio à noite . Estavam sózinhos quando faltou a luz ; os dois levantaram-se ao mesmo tempo e se chocaram no escuro . Pedro , que tinha as mãos a frente como que tentando buscar alguma lamparina ou lampião ainda que não soubesse se , e onde, poderia encontrar tal socorro , na verdade encontrou o vestido , o corpo de Julietinha e foi impossível evitar que , primeiramente os dedos tateassem-na de forma cada vez mais intensa, até que se abraçaram como quem não pretende nunca mais se soltar . Foi Julietinha quem ficou na ponta dos pés para que sua boca colasse de forma absoluta na de Pedro com uma intensidade de quem quer recuperar uma joia rara perdida no mar .... mas a luz voltou repentinamente , e pior , por duas vias : Quita entrou na sala com um lampião a querosene na mão direita , ao mesmo tempo que a energia elétrica voltara , iluminando a sala como se o sol nascesse as nove horas da noite . A mesma força que unira os dois na escuridão , repelia um corpo do outro parecendo que nenhum dos dois admitia que a sociedade soubesse não só que se amavam , mas , principalmente , que já era sabido que não poderiam jamais se aproximar .
Pedro virou o corpo para a janela , olhando a esmo e Julietinha disfarçou mostrando à Quita que , na verdade estaria sentada sozinha no sofá esperando que a luz voltasse .
Pedro saiu , dando por terminada a sessão daquele dia e , sem perceber , deixou cair algo com certa aparência de recentemente escrito : O que não conseguem os costumes sociais ! Apenas uma teia de aranha estendida sobre o vulcão , mas ele se contém .
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domingo, 23 de setembro de 2012
Julietinha e o Oficial do vapor - Primeira parte .
Eu naquela época tinha cinco anos , e estas memórias estão entre as coisas mais remotas que tenho registrado na mente . Paulo era um rico estancieiro , formado como advogado e candidato invicto à vereador : nunca conseguira se eleger. Tinha uma irmã de nome Julietinha , no diminutivo mesmo , como não era incomum naqueles anos idos. Se Paulo era um estancieiro e candidato a vereador encalhado , Julietinha - por sua vez - nunca conseguira casar . Com meios, com dinheiro para viajar o quanto quizesse , Paulo ofertou à irmã uma passagem de navio ( que chamavam de vapor ) para a Europa. Nestes casos , ao voltarem da viagem , os ricaços da época , como Julietinha e Pulo Becerra , botavam no jornal da cidade algo como "O diário de bordo" . O certo é que Julietinha chamou Pedro ( o primeiro ghost writer de que ouvi falar ) - para por no papel as suas aventuras européias . Pedro - além de pretender conseguir com tal trabalho por os aluguéis atrasados em dia também comungava da curiosidade da cidadezinha que era a de saber se Julietinha tinha - enfim - se entregado aos jogos de Eros . Para poder publicar o diário de bordo , Julietinha teria que se confessar à Pedro . Assim foi ... ela no começo falou ... falou ... mas nada de contar algo na direção ansiada ; sobre se teria se entregue aos jogos de Eros . Pedro perguntava , sugeria , tentava cercar Julietinha , mas ela ... nada . Sem que Pedro soubesse o porque , num belo dia ela começou a tangenciar o assunto por dizer que " .... conheci o oficial " . Pedro aos poucos descobriu que se tratava do marujo de patente inferior ao Comandante do navio . É que o jornalista já era mestre no ( para ele ) nascente gênero de fantasma escrevedor , dando corda : - fale mais , Dona Julietinha , fale do tenente .... do tenente do navio , como ele era Dona Julietinha .....
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capítulo 21
capítulo 22
capítulo 23
capítulo 24
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capítulo 4
capítulo 47
capítulo 48
capítulo 49
capítulo 5
capítulo 50
capítulo 51
capítulo 52
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capítulo 54
capítulo 55
capítulo 55 R2
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