Algumas certezas os dois tinham . A primeira era quanto ao motivo do alivio monetário que planejavam ; ele teria que ser tão justo quanto possível fosse um furto assim ser . Também não restavam dúvidas de que o dinheiro que queriam já tinha a sua origem criminosa esclarecida , ao contrário de outras cadeias de roubos que perdiam-se aos serem por um outro meio , branqueadas . Neste caso , não . A quantia viria para suas mãos já na terceira ; ou , no mínimo , na segunda geração de roubo . E , embora uma delas ainda permanecesse no campo das hipóteses , das possibilidades , as outras duas eram pacíficas . A primeira desapropriação ilícita deu-se quando da obtenção da grana pelos construtores ( ou mesmo pelos políticos que ganhavam porcentagens dos valores pagos pelas obras de Brasilia ) eis que tendiam ao infinito as formas de se roubar na construção da capital . O segundo elo do roubo poderia muito bem ser aquele praticado pelas células terroristas - ou revolucionárias , dependendo do lado de quem olhasse a requisição do dinheiro . Apesar disto , é certo que o rigor lógico de D´Artagnan fazia com que a dupla desconsiderasse a hipótese da certeza de que aquele dinheiro passara de verdade pelas mãos dos oposicionistas radicais , o que ainda estava só no campo das probabilidades . O fato é que não havia segurança de que aqueles dólares que chegariam tinham sido saqueados - como os outros - pelas alianças revolucionárias , que diziam pretender dá-los " a los pobres de la Tierra" . Já a terceira geração de furtos aconteceria quando Paulo Becerra desviasse para si uma das dinheiramas que vinha para a República Oriental - a que , pelos planos de D´ Artagnan - deveria por eles ser aliviada. Por isto , era certa - para D ´Artagnan , pelo menos - a necessidade de que Paulo Becerra teria que entrar na posse do tesouro , ainda que fosse por poucos momentos . Só assim estariam satisfeitos os requisitos auto-impostos : de certeza de que , pelo menos , dois roubos sucessivos dariam a mais plena convicção de que teriam , no mínimo , duzentos anos de perdão , tempo que branquearia a grana até mesmo em relação às vidas de seus descendentes . Aramis , mesmo sem entender muito dessas exigências , também convenceu-se sobre tais necessidades filosóficas originadas na enorme importância que D´Artagnan dava ao fato de que o que praticariam jamais poderia ser classificado como roubo , furto , ou mesmo apropriação indébita . Sim , para D´Artagnan eles , tão somente , descobriram - e poriam em prática brevemente - um jeito de se obter a propriedade numa de suas formas isentas de eiva : quebrar uma cadeia de roubos resultando em que a gaita voltasse à mãos limpas . Tão importante quanto a própria expectativa de uma vida futura abastada , era ter a certeza de que a origem disto era lícita .
Teorias a parte , Athos perguntou : " E com qual partida de dinheiro que iriamos trabalhar ? "
O que já estava resolvido na cabeça de D´Artagnan foi comunicado ao sócio : " Com a mesma que Paulo Becerra pensa embolsar " .
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terça-feira, 18 de junho de 2013
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