Páginas

terça-feira, 10 de junho de 2014

O premio - 26

Naquele momento ainda não sabia  bem o porquê  daquela sensação de  sempre estar sendo espionado. Tampouco, o por que de  - mesmo não tendo certeza alguma de que a campana acontecesse  de verdade  -   a sensação de que isto pudesse estar acontecendo causasse-lhe tanta confusão mental  ?

" Será  que virou obsessão ?  Não , não pode ser  ... esta é a minha vontade.  Só estou fazendo aquilo que eu escolhi fazer ; caralho ! "

Mesmo sob tais pensamentos teimou em olhar pela janela .

Só que o que enxergou foi  o próprio  Humphrey Bogart  , em carne e osso  ...    e encostado no poste.  

" Filho de uma puta !  Por você  eu ainda vou ter que mudar  do Santa Fé . "

" Não ,  você  não  vai me deixar louco . Se eu já estivesse louco o meu plano  não estaria indo tão bem .  Veja que já consegui nada menos do que a Kunglia Vetenskapsakademien   me receba ;   pela porta da frente  e  sob o compromisso  de examinar todas minhas  reivindicações.  Quanto eu  já  andei , seu filho de uma grande puta,  para agora ser  desequilibrado  por você  ...  ??  "  disse em voz alta , ainda  que Bogart  nada pudesse escutar  .

Na verdade ,  falar  consigo mesmo , mas  como se o fizesse para diversas pessoas já era  um sinal de  sua desorganização mental , ainda que contasse a seu favor que sua obstinação  tivesse levado agora a que Brzil só dependesse dele mesmo. Dele e de Deus , porque quanto mais o funil estreitava, mais  Ildefonso  acreditava em  Deus .

Ele próprio atribuía a sua capacidade de planejar sobre  o que poderia vir pela frente  ao fato dele sempre conseguir ver  muitos  lances a frente .  Por exemplo : por temer  emocionar-se, envolver-se pessoalmente  na luta que era trazer para o país um Premio  ele  desenvolvera um exercício que chamava de "método de limitação forçada  de exteriorização de  sentimentos emotivos" .  "Que medo eu tenho de me emocionar no meio da dissertação e jogar tudo por água abaixo." pensou .  Ahhh ...  a minha obsessão por  tudo definir ...  :  " método de limitação forçada de exteriorização de sentimentos emotivos  ! " .   Na verdade  esse  longo título  consistia  em  meditar  tão  profundamente  quanto possível ,  no intuito de  banir  todo o pensamento que fosse  possível retirar de dentro dele ;  e ,  quando atingisse o mais  alto nível de abstração ,  cortar  abruptamente   tal  estado  de quase  vegetativo  para , então , passar  a   pensar firmemente em  fatos muito dolorosos acontecidos no  passado de sua vida  :   " passagens  que  tivessem causado  dor  profunda. "   pensou .  Quanto mais intensa a dor mental  ( mas  sem que isso  ocasionasse nele qualquer exteriorização  de  sentimentos  ) ,  mais perto ele estaria  de poder  esconder  à banca examinadora  a forte  emoção porventura experimentada naquele instante  , ainda que possivelmente  estivesse muito emocionado  . Foi quando lembrou-se de Fernando Pessoa : O poeta é um fingidor que finge completamente que é dor , a dor que deveras sente .  " Esse portuguesinho era fóda ! "

Tudo isso por que sabia  que  antes de tal treinamento  inventado por ele próprio , não  foram  poucas as vezes em que chorava ao  lembrar-se  de fatos muito tristes  do seu  passado .

Falando o idioma sueco cada vez mais compreensivelmente ;  e já  tendo quase que abandonado os translaters smartphones ,  preparou-se no idioma Sueco  para  perguntar  ao  amigo  :  "  como é  isso de o Nobel da  Paz ser  escolhido  por um comitê de cinco membros do  "The Norwegian Nobel Institute ", de Oslo ?

Mas imediatamente mudou de ideia . O que agora importava era  o próximo passo .  Se  não  fosse aprovado  na  Kunglia  Akademien não chegaria  ao  "Instituto Norueguês para a escolha do Nobel da Paz ".  O certo agora era  exercitar o treinamento  para  não demonstrar emoções .  E recomeçou naquele momento  mais uma sessão da  meditação .

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Marcadores

abriram acariciavam-se acaso Adhemar África ajoelhar-se alcance Alegrete. alemão alma Almerinda amizades amor anônima antítese apartamento apresentação Aramis arataca Argentina argumentos arranjado asas Athos atracar atrevimento Austrália autor aviso aziaga balzaquiana banco bandido Banho barrigas-verdes Becerra Becerras Bicicleta bienvenidos binóculo biógrafo blusa Boca de Ouro Boca do Monte Bóldedalma Boleto bolso borbotões bordel Brasília Brown Cow Bank bruxuleante Bubi cabaret cabeça cabelos Caçapava cachorro cadeado cadeia calado calça de baixo cama campeia canalha capa-e-espada capa-pretas capital capítulo 1 capítulo 12 capítulo 13 capítulo 14 capítulo 15 capítulo 16 capítulo 17 capítulo 18 A capítulo 18 B capítulo 19 capítulo 2 capítulo 20 capítulo 21 capítulo 22 capítulo 23 capítulo 24 capítulo 3 capítulo 4 capítulo 47 capítulo 48 capítulo 49 capítulo 5 capítulo 50 capítulo 51 capítulo 52 capítulo 53 capítulo 54 capítulo 55 capítulo 55 R2 capítulo 56 capítulo 57 capítulo 58 capítulo 59 capítulo 6 capítulo 60 capítulo 62 capítulo 63 capítulo 64 capítulo 65 capítulo 66 capítulo 67 capítulo 68 capítulo 69 capítulo 70 capítulo 71 capítulo 72 capítulo 73 capítulo 74 capítulo 75 capítulo 76 capítulo 77 capítulo 78 capítulo 79 capítulo 80 capítulo 81 capítulo 82 capítulo 94 capítulo 95 capítulo 96 capítulo 97 carancho Carlão Carlos Gardel Carmem casamento casariam-se castrava Caverá cerveja cervejaria champanhe Chatô chefatura de polícia cidadezinha ciências humanas classe Claudia Cardinalle Colcabamba Com Chaveco complacente comportadamente confidenciou confraria confusão consumaria Coração corazón corredor Correio do Norte crise. Curunilha cusco D ´Artagnan D´Artagnan D´Orsay datilografia declama dedicação democraticamente desculpa desembarque destino determinar detetive Deus devastação diário de bordo dinheirama dinheiro Dionísio Dirceu disfarçou Dona Almerinda Dona Flora Dona Julietinha Dona Marica Dotô Doutor Elizabeth Taylor Emagrecido embolsar empreitada Encargo enganando enrodilharam equívoco Ernesto ERP esbaforida escolha escritos escuridão espalhar esquerdo estafermo estância estancieiro este blog estudos Eunuco ou Hermafrodita? Europa evidente F100 fazendeiros fechadura Federal ficção filosófico fim final B fineza fita flores fofocas fortuna Fortunas frigorificação fronteira fronteiriço furgão futuro galena gaudério Gauguin gente ghost writer Gian Giancarlo Giancarlo Petrucci gran- puta grávida gritando Gualter Guapos da Fronteira guarda-chuva Guilain guri herança hipotesis História honra horizonte Hulha imaginação independentes índio maula intensamente internacionales interrupção Ipanema irmandade italiano J. Proudhon Joaquim jogos de Eros Jorge Luis Borges jornalista José Amaral Judas Julietinha junção ladrão Lagoa da música lágrimas Lampião lembrar Leonel liberação lições Lisboa literária Livro lógica lolitas Londres Lotto Lua de Mel madrugada madura mafiosos Maranhão marido Mastroiani matador Mecenas Mediterrâneo memórias menino Mercedes mesa Milczarek missão moça moças molestado molhados monastério Mosqueteira Mosqueteiro mosqueteiros mulher mundo naba Namorada namorado navio negócio nosotros novo-rico novos mosqueteiros NRBZ nudez O Cruzeiro Oficial oficial italiano Old Parr olvidastes Oriental Pá pagos paixão palavra Paniagua Paraguai. parente Paris pastor patrimônio Paulo Paulo Becerra pecuniárias Pedro pentear pernambucano perseguição Pio XII Pipoquinha pistoleiro Pituca plagas plata platônica Polaquinha polaquinha. portão Porthos Porto Alegre português Portunhol povo assassino. prazo Prendoca primeira Professor Pery promessa propriedade pulgas Pulo Becerra Punta del Leste quadradinha quebra-cabeças quéra Quita raça raros rataca Recife relógio remessas Renguiá República Oriental reunião Rio Rio de Janeiro Rio Grande roleta Roma RPGS Rússia Salustiano San Martin Santa Maria Sapiran segredos segurança Sem Chaveco Serra sessões Seu Salim Severino Sevilha silêncio Silvério sonhar Sul Taquarembó Tchê te amo tenente teorias tesouro Thaiti Toscana traído trampa tranquila transposto travesseiro Três Mosqueteiros única urdida urso-panda Uruguay Valéria Vaticano Velho Testamento verdade vereador viagem Vigo Vinícius de Morais Vinicius Gullar Violão Vira-Latas vitória Zé Manél