Seu tempo de permanência na Escandinávia expirou . A partir de agora, Brzil era clandestino na Suécia. Nem Johan, tampouco Björn B, poderiam avaliar aquela sensação de, a qualquer momento, poder ser preso e deportado; e sem ter conseguido realizar o sonho. Lembrou que, pelo menos por hipótese, se acontecesse dele ser preso , bastaria ligar para sua amiga Silvia e pedir ajuda. Ela intercederia, talvez resolvendo tudo em minutos. Ou mesmo, pedir à Björn B que "quebrasse o galho" ; que falasse com alguém importante para fazer que o policial da Imigração deixasse-o em paz . O problema , para tanto, era recorrente : Brzil jurou que passaria ao largo dos "jeitos"; que ele pensava ser só de brasileiros. Não foi por pouco que, antes de viajar para a Suécia, fizera retiro espiritual de uma semana no Zu- Lai . Tudo para reforçar dentro de si a determinação de não vir a cair na tentação dos atalhos ante as leis; boas ou más, certas ou erradas, mas vigentes. Se o Nobel viesse; se o Nobel fosse dado a um brasileiro, haveria de ser limpo, sem lobbys, sem jeitinhos. "Sim, o meu Nobel haverá de ser o mais justo de todos os Prêmios Nobel até então concedidos.", pensou. Não seria tão somente um Prêmio Nobel, haveria de ser a redenção de seu país ante o preconceito de tantos quantos diziam que ele não era sério. Por isso, por não admitir jeitinhos, Brzil tinha que passar por aquilo, chegar agora ao Santa-Fé como alguém que não fosse propriamente um habitante daquele prédio; como veio a saber, um tradicional reduto de imigrantes ilegais.
Brzil olhou para as proximidades do portão do Santa Fé e viu um homem parado bem perto do poste de luz. Vestia um capote cinza e chapéu de feltro; "um Humphrey Bogart viking !! " pensou. Olhou de novo , e ainda uma vez mais. Concluiu; mesmo sem ver-lhe a cara, por estar com a gola do capote levantada, que aquele era ninguém menos do que o oficial da Imigração que lhe procurara no Grande Hotel. Tudo porque nos grupos de imigrantes ilegais como os do Santa Fé sempre têm dedo-duros; os tais espíritos de porco que denunciam anonimamente para a imigração seus vizinhos de quarto, até mesmo seus próprios conterrâneos. E com ele não fora diferente: "caguetaram-me ! " , pensou lentamente. Mas pouco depois reagiu: "Não, tudo menos a paranoia. Eu não posso ficar assim, sempre em estado de terror da Imigração. Até porque eu nem cheguei a ver a cara dele. Além disto, este cara pode estar aí, duro de frio; embora a sua dureza também possa ser de tesão, de tanto esperar a amante com quem daria uma rapidinha naqueles velhos randez-vouz de paredes encardidas nos edifícios de quinta categoria do centro de Estocolmo ... é claro que pode nem ser o fiscal da Imigração ... "
Brzil criou coragem, foi quando dirigiu-se à porta, virou a chave e subiu rapidamente as escadas até o seu quarto no terceiro andar. Já com o coração desacelerando apertou o botão que fez a mola soltar a cama que ficava junto da parede e assentar no chão. Atirou-se nela e pensou: " Acalme-se Brzil ... por que entrar em paranoias se as coisas estão dando tão certo ? " Ainda deitado, pensou em Brugges ... sim, que linda fora a viagem à Brugges, comera chocolates, tomara cerveja com batatas fritas, andou de barquinho pelos canais ... tudo imaginário .... é que, quando sobrava tempo, ele viajava pelo Google, visitando lugares, para ele, de verdade. Lugares que sempre quisera conhecer. Foi interrompido por alguém que batia à porta. Certamente era Everardo, o uruguaio, que olhara a luz por debaixo da porta, querendo saber das novidades .
Levantou-se da cama e abriu a porta sem sequer olhar no visor ... a única visita que recebia de vez em quando era a de Everardo. Não era. O coração disparou de novo quando viu saltar da fresta da porta a imagem da mão com a carteirinha de policial sendo-lhe ostensivamente mostrada. Sim, enganara-se. Não era Everardo. Era o Oficial da Imigração da Suécia .
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Marcadores
abriram
acariciavam-se
acaso
Adhemar
África
ajoelhar-se
alcance
Alegrete.
alemão
alma
Almerinda
amizades
amor
anônima
antítese
apartamento
apresentação
Aramis
arataca
Argentina
argumentos
arranjado
asas
Athos
atracar
atrevimento
Austrália
autor
aviso
aziaga
balzaquiana
banco
bandido
Banho
barrigas-verdes
Becerra
Becerras
Bicicleta
bienvenidos
binóculo
biógrafo
blusa
Boca de Ouro
Boca do Monte
Bóldedalma
Boleto
bolso
borbotões
bordel
Brasília
Brown Cow Bank
bruxuleante
Bubi
cabaret
cabeça
cabelos
Caçapava
cachorro
cadeado
cadeia
calado
calça de baixo
cama
campeia
canalha
capa-e-espada
capa-pretas
capital
capítulo 1
capítulo 12
capítulo 13
capítulo 14
capítulo 15
capítulo 16
capítulo 17
capítulo 18 A
capítulo 18 B
capítulo 19
capítulo 2
capítulo 20
capítulo 21
capítulo 22
capítulo 23
capítulo 24
capítulo 3
capítulo 4
capítulo 47
capítulo 48
capítulo 49
capítulo 5
capítulo 50
capítulo 51
capítulo 52
capítulo 53
capítulo 54
capítulo 55
capítulo 55 R2
capítulo 56
capítulo 57
capítulo 58
capítulo 59
capítulo 6
capítulo 60
capítulo 62
capítulo 63
capítulo 64
capítulo 65
capítulo 66
capítulo 67
capítulo 68
capítulo 69
capítulo 70
capítulo 71
capítulo 72
capítulo 73
capítulo 74
capítulo 75
capítulo 76
capítulo 77
capítulo 78
capítulo 79
capítulo 80
capítulo 81
capítulo 82
capítulo 94
capítulo 95
capítulo 96
capítulo 97
carancho
Carlão
Carlos Gardel
Carmem
casamento
casariam-se
castrava
Caverá
cerveja
cervejaria
champanhe
Chatô
chefatura de polícia
cidadezinha
ciências humanas
classe
Claudia Cardinalle
Colcabamba
Com Chaveco
complacente
comportadamente
confidenciou
confraria
confusão
consumaria
Coração
corazón
corredor
Correio do Norte
crise.
Curunilha
cusco
D ´Artagnan
D´Artagnan
D´Orsay
datilografia
declama
dedicação
democraticamente
desculpa
desembarque
destino
determinar
detetive
Deus
devastação
diário de bordo
dinheirama
dinheiro
Dionísio
Dirceu
disfarçou
Dona Almerinda
Dona Flora
Dona Julietinha
Dona Marica
Dotô
Doutor
Elizabeth Taylor
Emagrecido
embolsar
empreitada
Encargo
enganando
enrodilharam
equívoco
Ernesto
ERP
esbaforida
escolha
escritos
escuridão
espalhar
esquerdo
estafermo
estância
estancieiro
este blog
estudos
Eunuco ou Hermafrodita?
Europa
evidente
F100
fazendeiros
fechadura
Federal
ficção
filosófico
fim
final B
fineza
fita
flores
fofocas
fortuna
Fortunas
frigorificação
fronteira
fronteiriço
furgão
futuro
galena
gaudério
Gauguin
gente
ghost writer
Gian
Giancarlo
Giancarlo Petrucci
gran- puta
grávida
gritando
Gualter
Guapos da Fronteira
guarda-chuva
Guilain
guri
herança
hipotesis
História
honra
horizonte
Hulha
imaginação
independentes
índio maula
intensamente
internacionales
interrupção
Ipanema
irmandade
italiano
J. Proudhon
Joaquim
jogos de Eros
Jorge Luis Borges
jornalista
José Amaral
Judas
Julietinha
junção
ladrão
Lagoa da música
lágrimas
Lampião
lembrar
Leonel
liberação
lições
Lisboa
literária
Livro
lógica
lolitas
Londres
Lotto
Lua de Mel
madrugada
madura
mafiosos
Maranhão
marido
Mastroiani
matador
Mecenas
Mediterrâneo
memórias
menino
Mercedes
mesa
Milczarek
missão
moça
moças
molestado
molhados
monastério
Mosqueteira
Mosqueteiro
mosqueteiros
mulher
mundo
naba
Namorada
namorado
navio
negócio
nosotros
novo-rico
novos mosqueteiros
NRBZ
nudez
O Cruzeiro
Oficial
oficial italiano
Old Parr
olvidastes
Oriental
Pá
pagos
paixão
palavra
Paniagua
Paraguai.
parente
Paris
pastor
patrimônio
Paulo
Paulo Becerra
pecuniárias
Pedro
pentear
pernambucano
perseguição
Pio XII
Pipoquinha
pistoleiro
Pituca
plagas
plata
platônica
Polaquinha
polaquinha.
portão
Porthos
Porto Alegre
português
Portunhol
povo assassino.
prazo
Prendoca
primeira
Professor Pery
promessa
propriedade
pulgas
Pulo Becerra
Punta del Leste
quadradinha
quebra-cabeças
quéra
Quita
raça
raros
rataca
Recife
relógio
remessas
Renguiá
República Oriental
reunião
Rio
Rio de Janeiro
Rio Grande
roleta
Roma
RPGS
Rússia
Salustiano
San Martin
Santa Maria
Sapiran
segredos
segurança
Sem Chaveco
Serra
sessões
Seu Salim
Severino
Sevilha
silêncio
Silvério
sonhar
Sul
Taquarembó
Tchê
te amo
tenente
teorias
tesouro
Thaiti
Toscana
traído
trampa
tranquila
transposto
travesseiro
Três Mosqueteiros
única
urdida
urso-panda
Uruguay
Valéria
Vaticano
Velho Testamento
verdade
vereador
viagem
Vigo
Vinícius de Morais
Vinicius Gullar
Violão
Vira-Latas
vitória
Zé Manél
Nenhum comentário:
Postar um comentário