Bogart disse-lhe que, se não comparecesse prontamente ao edifício da Imigração, poderia ser detido para o "convite de adeus ". Se isto acontecesse viriam pessoas ao seu quarto que dariam pouco tempo para que fizesse as malas, apreenderiam seu passaporte e conduziriam-lhe a uma sala do aeroporto onde esperaria o próximo voo da companhia da qual tinha passagem de volta; entregando-o em mãos para o comandante já dentro do avião; sem chance de poder conversar com alguém em Estocolmo, e só depois do avião levantar voo que o passaporte lhe seria devolvido. Porém, Bogart logo amenizou um pouco a ameaça: " Na verdade, a Suécia não fará o que de pior poderia acontecer-lhe . Isto porque aquele procedimento não era uma deportação propriamente dita. Assim, você poderá até vir a solicitar , desde que estando no Brasil; a sua volta. Até mesmo a imigração para a Suécia. Aí sim " - completou o policial: " o senhor entraria pela porta da frente . "
Mesmo assim , Bogart deixou claro que, em solo sueco , Brzil não teria chance de regularizar sua situação .
Com medo , e certo de que Björn B enganou-se ao dizer que nada lhe aconteceria ; assim mesmo Brzil omitiu-se de comparecer ao edifício da Imigração . Algo dizia dentro do brasileiro que ele estava entrando nas cenas culminantes de sua saga , e que se não fosse pego pela Imigração nos próximos dias , tudo o que podia fazer pela premiação já estaria consumado . Ou então , nos próximos dias , já teria conhecido o esquema - se ele existisse , é claro - que condenava o Brasil a jamais conquistar um Premio Nobel .
Mas se isto fosse certo . Se esta premonição , de que estava nos momentos decisivos de sua viagem , representava alguma verdade , Ildefonso teria que acelerar as providências , quaisquer que fossem elas . Se não o tempo escoaria em branco .
Por tudo aquilo , decidiu marcar uma conversa com Björn B ; pediria que ele aceitasse que fosse logo ouvido pela Academia ; para , enfim , poder mostrar as provas, os livros , os documentos - traduzidos que foram , no Brasil , para o idioma Sueco . Mesmo porque , era ali , naquelas traduções , que estava todo o dinheiro do apartamento que vendera em São Paulo . Sim , a reunião com Björn era o que tinha de mais urgente .
Ao contrário do assunto da Imigração ; quanto ao seu trabalho tudo ia as mil maravilhas . " Como é bom eu poder treinar estes garotos ! " pensou em voz alta. Um deles chamava ainda mais a sua atenção pela grande habilidade que tinha com a bola. E não é que ele parecia ser metade sueco , metade brasileiro ? , principalmente porque tinha os olhos muito mais escuros do que os comuns no país . Já na perna esquerda o menino tinha uma ligeira deformidade , o que não chegava a impedir em nada a grande habilidade que o menino tinha para o futebol . Pelo contrário .
Treinar os meninos funcionava para ele assim como uma transfusão direta de juventude na veia . E , na maior cara de pau , pôs em campo , como se fossem suas , as táticas que escutava dos comentaristas esportivos no Brasil . E , por incrível que pareça , elas começaram a funcionar naquele campeonato juvenil ; ainda que - quando assumira o time - o IFK estivesse despencando na tabela de classificação . Mesmo assim Brzil conseguia recuperá-lo a cada semana que passava .
As vitórias vindas eram muitas e a fama do brasileiro se alastrava .
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