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segunda-feira, 9 de junho de 2014

O premio - 23

Bogart disse-lhe que, se não comparecesse prontamente ao edifício da Imigração, poderia ser detido para o "convite de adeus ". Se isto acontecesse viriam pessoas ao seu quarto que dariam pouco tempo para que fizesse as malas, apreenderiam seu passaporte e  conduziriam-lhe a uma sala do aeroporto onde esperaria o próximo voo da companhia da qual tinha passagem de volta; entregando-o  em mãos para o comandante  já  dentro do avião; sem chance de poder conversar com alguém em Estocolmo, e só depois do avião levantar voo que o passaporte lhe seria devolvido. Porém, Bogart logo amenizou um pouco a ameaça: " Na verdade, a Suécia não fará o que de pior poderia acontecer-lhe . Isto porque aquele procedimento não era uma deportação  propriamente dita. Assim, você poderá até vir a  solicitar , desde que estando no Brasil; a sua volta. Até mesmo a imigração para a Suécia. Aí sim " - completou o policial: " o  senhor entraria pela porta da frente . "  

Mesmo assim , Bogart  deixou claro que, em solo sueco ,  Brzil não teria chance de regularizar sua situação .

Com medo ,  e certo de que  Björn  B   enganou-se ao dizer que nada lhe aconteceria ;  assim mesmo Brzil   omitiu-se de comparecer ao edifício da Imigração .  Algo dizia dentro do brasileiro que ele estava entrando nas cenas culminantes de sua saga ,  e que se não fosse pego pela Imigração nos próximos dias , tudo o que podia fazer pela premiação já estaria consumado .  Ou então ,  nos próximos dias , já teria conhecido o esquema - se ele existisse , é claro -  que condenava o Brasil a jamais conquistar um Premio Nobel .

Mas se isto fosse certo .  Se esta premonição , de que estava nos momentos decisivos de sua viagem , representava alguma verdade ,  Ildefonso teria que acelerar as providências , quaisquer que fossem elas . Se não o tempo escoaria em branco .

Por tudo aquilo , decidiu marcar uma conversa com Björn B ; pediria que  ele aceitasse  que fosse  logo  ouvido  pela  Academia ; para ,  enfim ,  poder  mostrar  as provas, os livros , os documentos  -  traduzidos que foram , no Brasil , para o idioma Sueco .  Mesmo porque , era ali  , naquelas traduções , que  estava todo o dinheiro do apartamento que vendera em São Paulo .  Sim , a reunião com Björn  era o que  tinha de mais urgente  .

Ao contrário do assunto da Imigração ; quanto ao seu trabalho  tudo ia as mil maravilhas . " Como é  bom eu poder treinar estes garotos  ! " pensou em voz alta. Um deles chamava ainda mais a sua  atenção  pela grande  habilidade que tinha com a bola.  E não é que ele parecia  ser metade sueco ,  metade  brasileiro ? ,  principalmente porque  tinha  os olhos muito mais escuros do que  os comuns no país .   Já  na  perna esquerda o menino tinha  uma ligeira deformidade , o  que não chegava  a  impedir  em nada a grande habilidade que o menino tinha  para  o futebol . Pelo contrário .

Treinar os meninos funcionava para ele  assim  como  uma transfusão direta de  juventude na  veia  .  E , na maior  cara de  pau ,  pôs  em campo , como se fossem suas ,  as táticas que escutava dos comentaristas esportivos no Brasil .  E ,  por incrível que pareça , elas começaram a funcionar  naquele  campeonato juvenil ; ainda que - quando assumira o time - o IFK  estivesse  despencando  na tabela de classificação .  Mesmo assim Brzil  conseguia  recuperá-lo  a cada semana que passava .  

As vitórias vindas eram muitas e  a fama do brasileiro se alastrava .

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