Ildefonso viu um brasileiro subindo com passadas firmes os degraus que levavam ao enorme palco. Quem entregava o prêmio era ninguém menos do que Sua Majestade o Rei da Suécia que disse: "dentre os prêmios que já entreguei, este é o mais merecido". Ainda que quisesse, Ildefonso não conseguia ver o rosto do brasileiro que vencera o Nobel. Tudo porque o premiado postava-se sempre de costas para onde Brzil estava. Mas deu para ouvir o seu agradecimento: "Agradeço este Prêmio Nobel de Literatura e dedico-lhe a todos os brasileiros" ; e completou com uma pitada de sarcasmo : "Também agradeço à minha Avó , a saudosa Dona Prendoca , por me aconselhar sempre que antes tarde do que nunca as vezes funciona . Neste momento o incógnito escritor foi aplaudido , certamente por ter lembrado da avó num momento tão formal como aquele . Foi quando Björn piscou o olho esquerdo mais uma vez , desta vez já não muito rapidamente. Enquanto isso , Ildefonso sorria e esticava o pescoço, quase que levantando-se do assento , na tentativa de ver quem era o agraciado.
Seu sono entrou naquela fase em que não se sabe exatamente se aquilo tudo é realidade ou sonho.
Daí , acordou-se por completo. Levantou da cama; para, em pé, voltar à realidade: "... a Imigração está em meus calcanhares ! Tenho que sair daqui hoje ! que meus delatores não me vejam fugir deste Santa Fé ! "
quinta-feira, 12 de junho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
O premio . 28
Brzil aumentou os treinos do IFK, que ele diferenciava entre treinos técnicos e treinos táticos. Perguntado por Johan qual a diferença entre um e outro Brzil foi sincero: "confesso que não sei; e desconfio que ninguém saiba". Mas sei que os técnicos brasileiros sempre conseguiam diferenciar : ""- Hoje a tarde teremos treino técnico. O de amanhã já será um treino tático - ""
E foi explicando: "Amigo Sven, a vida ensinou-me que um dos requisitos da comunicação entre o expert e uma pessoa comum é o uso da linguagem específica, o jargão daquela profissão. No fundo, o que o expert mais precisa é diferenciar-se dos demais, dos comuns; isso porque ele escolheu por não ser uma pessoa comum. Não quer e não pode. Se for um igual, se usar relógio de pulso igual, sapato igual aos demais, todos descobrirão que ele não é o escolhido, e que não fará o milagre. E ele perderá seu emprego. Quando eu digo que hoje teremos um treino técnico e amanhã ele será um treino tático ninguém entende o que cada um deles será. Nem eu próprio posso identificar qualquer diferença. Mas, o futebol é como na vida; aqui também não há coragem para perguntar-se quais são as diferenças entre isto e aquilo, sob pena de evidenciar-se a própria ignorância. Até porque, na maior parte das vezes, diferenças não existem. É como dizia aquele velho guerreiro : "Eu não vim para explicar, eu vim para confundir."
O certo é que, por caminhos desconhecidos, tudo que eu fiz no IFK deu certo. Quando cheguei o time estava na oitava colocação. Hoje estamos no segundo lugar, e no próximo domingo disputaremos quem será o campeão. Diante disso, até eu estou convencido de que algo eu entendo de futebol; mas minha escola, minha formação, elas são de mero espectador de programas de futebol. No Brasil eu ficava nos finais de semana por horas a fio na frente da televisão. Quando um programa terminava eu passava para outro, idêntico. Analisavam com quadros negros, e mais recentemente com telas de computador sensíveis ao tato. "Vejam que o armador passa da bola, deixando-a para o centroavante marcar o gol, ainda que não estivesse no ângulo de visão do companheiro. Pura tática do time do Flamengo ."
"Johan, eu jamais poderia imaginar que um dia isto seria o meu ganha-pão "
" Não amigo Brzil. Não foram somente as horas na frente da TV. É a sua dedicação para com os atletas o que soma. E, também, o seu saber futebolístico. Por que não ? "
"Svensson, : A necessidade obriga !
E foi explicando: "Amigo Sven, a vida ensinou-me que um dos requisitos da comunicação entre o expert e uma pessoa comum é o uso da linguagem específica, o jargão daquela profissão. No fundo, o que o expert mais precisa é diferenciar-se dos demais, dos comuns; isso porque ele escolheu por não ser uma pessoa comum. Não quer e não pode. Se for um igual, se usar relógio de pulso igual, sapato igual aos demais, todos descobrirão que ele não é o escolhido, e que não fará o milagre. E ele perderá seu emprego. Quando eu digo que hoje teremos um treino técnico e amanhã ele será um treino tático ninguém entende o que cada um deles será. Nem eu próprio posso identificar qualquer diferença. Mas, o futebol é como na vida; aqui também não há coragem para perguntar-se quais são as diferenças entre isto e aquilo, sob pena de evidenciar-se a própria ignorância. Até porque, na maior parte das vezes, diferenças não existem. É como dizia aquele velho guerreiro : "Eu não vim para explicar, eu vim para confundir."
O certo é que, por caminhos desconhecidos, tudo que eu fiz no IFK deu certo. Quando cheguei o time estava na oitava colocação. Hoje estamos no segundo lugar, e no próximo domingo disputaremos quem será o campeão. Diante disso, até eu estou convencido de que algo eu entendo de futebol; mas minha escola, minha formação, elas são de mero espectador de programas de futebol. No Brasil eu ficava nos finais de semana por horas a fio na frente da televisão. Quando um programa terminava eu passava para outro, idêntico. Analisavam com quadros negros, e mais recentemente com telas de computador sensíveis ao tato. "Vejam que o armador passa da bola, deixando-a para o centroavante marcar o gol, ainda que não estivesse no ângulo de visão do companheiro. Pura tática do time do Flamengo ."
"Johan, eu jamais poderia imaginar que um dia isto seria o meu ganha-pão "
" Não amigo Brzil. Não foram somente as horas na frente da TV. É a sua dedicação para com os atletas o que soma. E, também, o seu saber futebolístico. Por que não ? "
"Svensson, : A necessidade obriga !
terça-feira, 10 de junho de 2014
O premio - 27
Às oito da noite Everardo esfregou o vidro da janela para poder ver quem do Santa Fé estava sendo esperado no enorme automóvel preto que estacionara do outro lado da rua. Não demorou muito para o uruguaio ficar perplexo: quem sentou no banco ao lado do motorista era ninguém menos do que o seu amigo Brzil !
"Carajo ! quem pode ter vindo buscar o brasileiro ? " perguntou-se o uruguaio. Sabia que ele ganhava menos do que 30.000 mil coroas por mês. " Era pouco ! O próprio Brzil sempre reclamava que não dava para chegar ao fim do mês com dinheiro no bolso." Como então ele pode estar sendo buscado por alguém com um carro daqueles, merda ! ? " Mas imediatamente mudou de ideia:
" antigamente não era raro uma princesa apaixonar-se por um plebeu." Concluiu .
O mais intrigante de tal hipótese era que Brzil não tinha mais jeito de quem pudesse despertar paixões; ou mesmo amor, em alguma princesa, mesmo as já esquecidas pela nobreza planetária.
O pior, para tanta curiosidade do uruguaio, é que ele sequer dispunha de suficiente intimidade para perguntar ao brasileiro sobre com quem ele saíra naquela noite .
"Carajo ! quem pode ter vindo buscar o brasileiro ? " perguntou-se o uruguaio. Sabia que ele ganhava menos do que 30.000 mil coroas por mês. " Era pouco ! O próprio Brzil sempre reclamava que não dava para chegar ao fim do mês com dinheiro no bolso." Como então ele pode estar sendo buscado por alguém com um carro daqueles, merda ! ? " Mas imediatamente mudou de ideia:
" antigamente não era raro uma princesa apaixonar-se por um plebeu." Concluiu .
O mais intrigante de tal hipótese era que Brzil não tinha mais jeito de quem pudesse despertar paixões; ou mesmo amor, em alguma princesa, mesmo as já esquecidas pela nobreza planetária.
O pior, para tanta curiosidade do uruguaio, é que ele sequer dispunha de suficiente intimidade para perguntar ao brasileiro sobre com quem ele saíra naquela noite .
O premio - 26
Naquele momento ainda não sabia bem o porquê daquela sensação de sempre estar sendo espionado. Tampouco, o por que de - mesmo não tendo certeza alguma de que a campana acontecesse de verdade - a sensação de que isto pudesse estar acontecendo causasse-lhe tanta confusão mental ?
" Será que virou obsessão ? Não , não pode ser ... esta é a minha vontade. Só estou fazendo aquilo que eu escolhi fazer ; caralho ! "
Mesmo sob tais pensamentos teimou em olhar pela janela .
Só que o que enxergou foi o próprio Humphrey Bogart , em carne e osso ... e encostado no poste.
" Filho de uma puta ! Por você eu ainda vou ter que mudar do Santa Fé . "
" Não , você não vai me deixar louco . Se eu já estivesse louco o meu plano não estaria indo tão bem . Veja que já consegui nada menos do que a Kunglia Vetenskapsakademien me receba ; pela porta da frente e sob o compromisso de examinar todas minhas reivindicações. Quanto eu já andei , seu filho de uma grande puta, para agora ser desequilibrado por você ... ?? " disse em voz alta , ainda que Bogart nada pudesse escutar .
Na verdade , falar consigo mesmo , mas como se o fizesse para diversas pessoas já era um sinal de sua desorganização mental , ainda que contasse a seu favor que sua obstinação tivesse levado agora a que Brzil só dependesse dele mesmo. Dele e de Deus , porque quanto mais o funil estreitava, mais Ildefonso acreditava em Deus .
Ele próprio atribuía a sua capacidade de planejar sobre o que poderia vir pela frente ao fato dele sempre conseguir ver muitos lances a frente . Por exemplo : por temer emocionar-se, envolver-se pessoalmente na luta que era trazer para o país um Premio ele desenvolvera um exercício que chamava de "método de limitação forçada de exteriorização de sentimentos emotivos" . "Que medo eu tenho de me emocionar no meio da dissertação e jogar tudo por água abaixo." pensou . Ahhh ... a minha obsessão por tudo definir ... : " método de limitação forçada de exteriorização de sentimentos emotivos ! " . Na verdade esse longo título consistia em meditar tão profundamente quanto possível , no intuito de banir todo o pensamento que fosse possível retirar de dentro dele ; e , quando atingisse o mais alto nível de abstração , cortar abruptamente tal estado de quase vegetativo para , então , passar a pensar firmemente em fatos muito dolorosos acontecidos no passado de sua vida : " passagens que tivessem causado dor profunda. " pensou . Quanto mais intensa a dor mental ( mas sem que isso ocasionasse nele qualquer exteriorização de sentimentos ) , mais perto ele estaria de poder esconder à banca examinadora a forte emoção porventura experimentada naquele instante , ainda que possivelmente estivesse muito emocionado . Foi quando lembrou-se de Fernando Pessoa : O poeta é um fingidor que finge completamente que é dor , a dor que deveras sente . " Esse portuguesinho era fóda ! "
Tudo isso por que sabia que antes de tal treinamento inventado por ele próprio , não foram poucas as vezes em que chorava ao lembrar-se de fatos muito tristes do seu passado .
Falando o idioma sueco cada vez mais compreensivelmente ; e já tendo quase que abandonado os translaters smartphones , preparou-se no idioma Sueco para perguntar ao amigo : " como é isso de o Nobel da Paz ser escolhido por um comitê de cinco membros do "The Norwegian Nobel Institute ", de Oslo ?
Mas imediatamente mudou de ideia . O que agora importava era o próximo passo . Se não fosse aprovado na Kunglia Akademien não chegaria ao "Instituto Norueguês para a escolha do Nobel da Paz ". O certo agora era exercitar o treinamento para não demonstrar emoções . E recomeçou naquele momento mais uma sessão da meditação .
" Será que virou obsessão ? Não , não pode ser ... esta é a minha vontade. Só estou fazendo aquilo que eu escolhi fazer ; caralho ! "
Mesmo sob tais pensamentos teimou em olhar pela janela .
Só que o que enxergou foi o próprio Humphrey Bogart , em carne e osso ... e encostado no poste.
" Filho de uma puta ! Por você eu ainda vou ter que mudar do Santa Fé . "
" Não , você não vai me deixar louco . Se eu já estivesse louco o meu plano não estaria indo tão bem . Veja que já consegui nada menos do que a Kunglia Vetenskapsakademien me receba ; pela porta da frente e sob o compromisso de examinar todas minhas reivindicações. Quanto eu já andei , seu filho de uma grande puta, para agora ser desequilibrado por você ... ?? " disse em voz alta , ainda que Bogart nada pudesse escutar .
Na verdade , falar consigo mesmo , mas como se o fizesse para diversas pessoas já era um sinal de sua desorganização mental , ainda que contasse a seu favor que sua obstinação tivesse levado agora a que Brzil só dependesse dele mesmo. Dele e de Deus , porque quanto mais o funil estreitava, mais Ildefonso acreditava em Deus .
Ele próprio atribuía a sua capacidade de planejar sobre o que poderia vir pela frente ao fato dele sempre conseguir ver muitos lances a frente . Por exemplo : por temer emocionar-se, envolver-se pessoalmente na luta que era trazer para o país um Premio ele desenvolvera um exercício que chamava de "método de limitação forçada de exteriorização de sentimentos emotivos" . "Que medo eu tenho de me emocionar no meio da dissertação e jogar tudo por água abaixo." pensou . Ahhh ... a minha obsessão por tudo definir ... : " método de limitação forçada de exteriorização de sentimentos emotivos ! " . Na verdade esse longo título consistia em meditar tão profundamente quanto possível , no intuito de banir todo o pensamento que fosse possível retirar de dentro dele ; e , quando atingisse o mais alto nível de abstração , cortar abruptamente tal estado de quase vegetativo para , então , passar a pensar firmemente em fatos muito dolorosos acontecidos no passado de sua vida : " passagens que tivessem causado dor profunda. " pensou . Quanto mais intensa a dor mental ( mas sem que isso ocasionasse nele qualquer exteriorização de sentimentos ) , mais perto ele estaria de poder esconder à banca examinadora a forte emoção porventura experimentada naquele instante , ainda que possivelmente estivesse muito emocionado . Foi quando lembrou-se de Fernando Pessoa : O poeta é um fingidor que finge completamente que é dor , a dor que deveras sente . " Esse portuguesinho era fóda ! "
Tudo isso por que sabia que antes de tal treinamento inventado por ele próprio , não foram poucas as vezes em que chorava ao lembrar-se de fatos muito tristes do seu passado .
Falando o idioma sueco cada vez mais compreensivelmente ; e já tendo quase que abandonado os translaters smartphones , preparou-se no idioma Sueco para perguntar ao amigo : " como é isso de o Nobel da Paz ser escolhido por um comitê de cinco membros do "The Norwegian Nobel Institute ", de Oslo ?
Mas imediatamente mudou de ideia . O que agora importava era o próximo passo . Se não fosse aprovado na Kunglia Akademien não chegaria ao "Instituto Norueguês para a escolha do Nobel da Paz ". O certo agora era exercitar o treinamento para não demonstrar emoções . E recomeçou naquele momento mais uma sessão da meditação .
O premio - 25
Johan Sven Svensson trouxe a resposta esperada. Björn B aceitou recebe-lo daí a três dias. E mais: disse à Sven que ele deveria levar o material que tinha sobre os intelectuais brasileiros .
E pensou: " Bom , mas por aqui veremos quanto as premiações Economia ; e de Literatura. O Nobel da Paz fica para Oslo .
Correu a um computador para ver quanto custaria a passagem para Oslo . Nada menos do que 1300 coroas. De onde iria tirar este dinheiro ? Respondeu-se franciscanamente: " Deus dará ! " .
O fato de Björn estar disposto a recebê-lo já trouxe alívio , mas as constantes aparições dos homens da Imigração nas proximidades do Santa Fé plantavam em sua cabeça algo bem próximo do terror. "Mas que uma coisa fique claro: medo de ser deportado eu não tenho. Nenhum pouco. "Deportação foi feita para homem ! " Disse isto e deu uma enorme gargalhada. Na verdade, fazia uma referência ao dito que ouvira há muitos anos atrás quando ao ser preso pela ditadura, foi assim recebido pelo carcereiro: "Não fique triste ... cadeia foi feita para homem !" . E agora, não tendo alguém como o carcereiro para consolá-lo, ele mesmo repetiu sua fala: "Deportação foi feita para homem ! ". Só de lembrar, teve que fazer esforço para deixar de rir .
Mas o que de fato aterrorizava-lhe era pensar que a deportação poderia acontecer antes mesmo de que ele pudesse mostrar completamente o seu trabalho, as teses; enfim, as provas de que seus compatriotas mereceram receber pelo menos um Nobel, e apesar disto, nunca o premio ter-se materializado. A tristeza aumentou ao ver um documentário na TV que mostrava que o MIT ( " o MIT, meu Deus ! " ) tem mais de oitenta professores com Nobel. "Não bastasse os argentinos terem cinco , agora aparece o MIT com oitenta, carajo ... E eu que só quero um ! Um me bastaria , Deus do céu ! "
E pensou: " Bom , mas por aqui veremos quanto as premiações Economia ; e de Literatura. O Nobel da Paz fica para Oslo .
Correu a um computador para ver quanto custaria a passagem para Oslo . Nada menos do que 1300 coroas. De onde iria tirar este dinheiro ? Respondeu-se franciscanamente: " Deus dará ! " .
O fato de Björn estar disposto a recebê-lo já trouxe alívio , mas as constantes aparições dos homens da Imigração nas proximidades do Santa Fé plantavam em sua cabeça algo bem próximo do terror. "Mas que uma coisa fique claro: medo de ser deportado eu não tenho. Nenhum pouco. "Deportação foi feita para homem ! " Disse isto e deu uma enorme gargalhada. Na verdade, fazia uma referência ao dito que ouvira há muitos anos atrás quando ao ser preso pela ditadura, foi assim recebido pelo carcereiro: "Não fique triste ... cadeia foi feita para homem !" . E agora, não tendo alguém como o carcereiro para consolá-lo, ele mesmo repetiu sua fala: "Deportação foi feita para homem ! ". Só de lembrar, teve que fazer esforço para deixar de rir .
Mas o que de fato aterrorizava-lhe era pensar que a deportação poderia acontecer antes mesmo de que ele pudesse mostrar completamente o seu trabalho, as teses; enfim, as provas de que seus compatriotas mereceram receber pelo menos um Nobel, e apesar disto, nunca o premio ter-se materializado. A tristeza aumentou ao ver um documentário na TV que mostrava que o MIT ( " o MIT, meu Deus ! " ) tem mais de oitenta professores com Nobel. "Não bastasse os argentinos terem cinco , agora aparece o MIT com oitenta, carajo ... E eu que só quero um ! Um me bastaria , Deus do céu ! "
segunda-feira, 9 de junho de 2014
O premio - 24
Pediu à Johan Sven para marcar uma reunião com Björn B . Poderia até adiantar o assunto : a entrega dos documentos que trouxera do Brasil para a comprovação de sua tese .
" ... você nunca disse sobre o quê era essa tese ..." respondeu Johan .
Johan Svensson ficou atônito . " Como alguém pode ir de uma ponta a outra do globo terrestre só para reclamar de que não tinham agraciado seu país com um Nobel , meu Deus ? " Sven , mesmo não querendo demonstrar que estava duvidando de que seu amigo fosse uma pessoa lúcida , assim mesmo não pode esconder que ficou perplexo ao saber maiores detalhes dos já comentados planos do seu amigo brasileiro ,
" A meu ver, as pessoas que entregam o premio - enfim, a Academia - é uma fundação livre para entregá-lo a quem bem entenda ... por isto, eles não devem explicações a quem quer que seja, Brzil. Fazem-no por liberalidade própria . "
"Tudo porque as fundações devem satisfações aos desígnios de quem as instituiu. Aos regulamentos certamente herdados dele .
E parece-me incrível admitir que seu criador não tenha disposto que deveria existir , antes de tudo , justiça mesmo nas escolhas dos premiados . Ainda que caiba ressalva para a possiblidade de que o desvirtuamento dos ideais constituídos tenham acontecido com aquilo que chamamos no Brasil de " com o andar da carruagem "
Veja, Johan, eu não estou somente me referindo à possível ilegitimidade da Academia premiar "a " em vez de "b", de um país qualquer . O que eu quero poder demonstrar é a parte subjetiva de tais ocorrências : a importância que o premio ganhou no século vinte atrai para a Academia um compromisso moral com todos os países do planeta pelo fato de que o Prêmio Nobel transformou-se numa distinção entre todos os países . Sim , existe um compromisso moral tácito da Academia de que a premiação seja justa ; algo maior do que a obediência à um regulamento que ficou . Maior mesmo do que qualquer obrigação é a necessidade de uma verdadeira de isenção , somando-se à bela tradição. Na verdade eu nada tenho a reclamar. Sequer possuo algum mandato para algo pedir. Mesmo assim, eu vou mostrar que diversos brasileiros já fizeram jus à honraria ; mas , mesmo assim , nenhum a levou . "
Brzil estancou sua fala ao olhar para Johan, que o fitava de um jeito estranho , como se tivesse descoberto agora que seu amigo era - no mínimo - uma pessoa exótica . Não tinha dúvidas de que o assunto "Prêmio Nobel " funcionava no cérebro do brasileiro como os computadores que têm diversos processadores . Embora Brzil tivesse outras atividades , outras preocupações , amizades e pudesse trabalhar normalmente ; um dos seus processadores internos estava sempre no Premio Nobel !
Mesmo assim , Johan não o abandonou :
" Apesar de eu estar surpreso , apesar disto a nossa amizade está acima de tudo . Fique tranquilo , eu vou amanhã mesmo pedir que Björn B receba você o mais brevemente possível . "
" ... você nunca disse sobre o quê era essa tese ..." respondeu Johan .
" Johan , muito do que consegui na Suécia veio através de você . Não posso ter segredos para o amigo : eu vim a Suécia para reparar um erro , um equívoco , uma injustiça nórdica contra o meu país . Não tem gente que gasta o último centavo para escalar o Everest ?
Alguns decidem percorrer toda a Rota-da-Seda , gastando nisto quase tudo o que amealharam na vida . Outros sobem o Everest com mais de setenta anos de idade .
Quanto a mim , estimado Svensson ; eu dediquei anos da minha vida para saber por que a Academia de Ciências da Suécia eximiu-se de conceder um prêmio Nobel - pelo menos um - ao meu país .
Para ter certeza das injustiças fui comparar as obras dos que venceram de fato o Nobel , com as obras de alguns compatriotas meus e , depois de muito estudar , concluí que aconteceu algo de estranho que resultou em que meu país nunca tivesse ganho o premio . Esta é a minha tese , amigo Johan . "
Alguns decidem percorrer toda a Rota-da-Seda , gastando nisto quase tudo o que amealharam na vida . Outros sobem o Everest com mais de setenta anos de idade .
Quanto a mim , estimado Svensson ; eu dediquei anos da minha vida para saber por que a Academia de Ciências da Suécia eximiu-se de conceder um prêmio Nobel - pelo menos um - ao meu país .
Para ter certeza das injustiças fui comparar as obras dos que venceram de fato o Nobel , com as obras de alguns compatriotas meus e , depois de muito estudar , concluí que aconteceu algo de estranho que resultou em que meu país nunca tivesse ganho o premio . Esta é a minha tese , amigo Johan . "
Johan Svensson ficou atônito . " Como alguém pode ir de uma ponta a outra do globo terrestre só para reclamar de que não tinham agraciado seu país com um Nobel , meu Deus ? " Sven , mesmo não querendo demonstrar que estava duvidando de que seu amigo fosse uma pessoa lúcida , assim mesmo não pode esconder que ficou perplexo ao saber maiores detalhes dos já comentados planos do seu amigo brasileiro ,
" A meu ver, as pessoas que entregam o premio - enfim, a Academia - é uma fundação livre para entregá-lo a quem bem entenda ... por isto, eles não devem explicações a quem quer que seja, Brzil. Fazem-no por liberalidade própria . "
"Tudo porque as fundações devem satisfações aos desígnios de quem as instituiu. Aos regulamentos certamente herdados dele .
E parece-me incrível admitir que seu criador não tenha disposto que deveria existir , antes de tudo , justiça mesmo nas escolhas dos premiados . Ainda que caiba ressalva para a possiblidade de que o desvirtuamento dos ideais constituídos tenham acontecido com aquilo que chamamos no Brasil de " com o andar da carruagem "
Veja, Johan, eu não estou somente me referindo à possível ilegitimidade da Academia premiar "a " em vez de "b", de um país qualquer . O que eu quero poder demonstrar é a parte subjetiva de tais ocorrências : a importância que o premio ganhou no século vinte atrai para a Academia um compromisso moral com todos os países do planeta pelo fato de que o Prêmio Nobel transformou-se numa distinção entre todos os países . Sim , existe um compromisso moral tácito da Academia de que a premiação seja justa ; algo maior do que a obediência à um regulamento que ficou . Maior mesmo do que qualquer obrigação é a necessidade de uma verdadeira de isenção , somando-se à bela tradição. Na verdade eu nada tenho a reclamar. Sequer possuo algum mandato para algo pedir. Mesmo assim, eu vou mostrar que diversos brasileiros já fizeram jus à honraria ; mas , mesmo assim , nenhum a levou . "
Brzil estancou sua fala ao olhar para Johan, que o fitava de um jeito estranho , como se tivesse descoberto agora que seu amigo era - no mínimo - uma pessoa exótica . Não tinha dúvidas de que o assunto "Prêmio Nobel " funcionava no cérebro do brasileiro como os computadores que têm diversos processadores . Embora Brzil tivesse outras atividades , outras preocupações , amizades e pudesse trabalhar normalmente ; um dos seus processadores internos estava sempre no Premio Nobel !
Mesmo assim , Johan não o abandonou :
" Apesar de eu estar surpreso , apesar disto a nossa amizade está acima de tudo . Fique tranquilo , eu vou amanhã mesmo pedir que Björn B receba você o mais brevemente possível . "
O premio - 23
Bogart disse-lhe que, se não comparecesse prontamente ao edifício da Imigração, poderia ser detido para o "convite de adeus ". Se isto acontecesse viriam pessoas ao seu quarto que dariam pouco tempo para que fizesse as malas, apreenderiam seu passaporte e conduziriam-lhe a uma sala do aeroporto onde esperaria o próximo voo da companhia da qual tinha passagem de volta; entregando-o em mãos para o comandante já dentro do avião; sem chance de poder conversar com alguém em Estocolmo, e só depois do avião levantar voo que o passaporte lhe seria devolvido. Porém, Bogart logo amenizou um pouco a ameaça: " Na verdade, a Suécia não fará o que de pior poderia acontecer-lhe . Isto porque aquele procedimento não era uma deportação propriamente dita. Assim, você poderá até vir a solicitar , desde que estando no Brasil; a sua volta. Até mesmo a imigração para a Suécia. Aí sim " - completou o policial: " o senhor entraria pela porta da frente . "
Mesmo assim , Bogart deixou claro que, em solo sueco , Brzil não teria chance de regularizar sua situação .
Com medo , e certo de que Björn B enganou-se ao dizer que nada lhe aconteceria ; assim mesmo Brzil omitiu-se de comparecer ao edifício da Imigração . Algo dizia dentro do brasileiro que ele estava entrando nas cenas culminantes de sua saga , e que se não fosse pego pela Imigração nos próximos dias , tudo o que podia fazer pela premiação já estaria consumado . Ou então , nos próximos dias , já teria conhecido o esquema - se ele existisse , é claro - que condenava o Brasil a jamais conquistar um Premio Nobel .
Mas se isto fosse certo . Se esta premonição , de que estava nos momentos decisivos de sua viagem , representava alguma verdade , Ildefonso teria que acelerar as providências , quaisquer que fossem elas . Se não o tempo escoaria em branco .
Por tudo aquilo , decidiu marcar uma conversa com Björn B ; pediria que ele aceitasse que fosse logo ouvido pela Academia ; para , enfim , poder mostrar as provas, os livros , os documentos - traduzidos que foram , no Brasil , para o idioma Sueco . Mesmo porque , era ali , naquelas traduções , que estava todo o dinheiro do apartamento que vendera em São Paulo . Sim , a reunião com Björn era o que tinha de mais urgente .
Ao contrário do assunto da Imigração ; quanto ao seu trabalho tudo ia as mil maravilhas . " Como é bom eu poder treinar estes garotos ! " pensou em voz alta. Um deles chamava ainda mais a sua atenção pela grande habilidade que tinha com a bola. E não é que ele parecia ser metade sueco , metade brasileiro ? , principalmente porque tinha os olhos muito mais escuros do que os comuns no país . Já na perna esquerda o menino tinha uma ligeira deformidade , o que não chegava a impedir em nada a grande habilidade que o menino tinha para o futebol . Pelo contrário .
Treinar os meninos funcionava para ele assim como uma transfusão direta de juventude na veia . E , na maior cara de pau , pôs em campo , como se fossem suas , as táticas que escutava dos comentaristas esportivos no Brasil . E , por incrível que pareça , elas começaram a funcionar naquele campeonato juvenil ; ainda que - quando assumira o time - o IFK estivesse despencando na tabela de classificação . Mesmo assim Brzil conseguia recuperá-lo a cada semana que passava .
As vitórias vindas eram muitas e a fama do brasileiro se alastrava .
Mesmo assim , Bogart deixou claro que, em solo sueco , Brzil não teria chance de regularizar sua situação .
Com medo , e certo de que Björn B enganou-se ao dizer que nada lhe aconteceria ; assim mesmo Brzil omitiu-se de comparecer ao edifício da Imigração . Algo dizia dentro do brasileiro que ele estava entrando nas cenas culminantes de sua saga , e que se não fosse pego pela Imigração nos próximos dias , tudo o que podia fazer pela premiação já estaria consumado . Ou então , nos próximos dias , já teria conhecido o esquema - se ele existisse , é claro - que condenava o Brasil a jamais conquistar um Premio Nobel .
Mas se isto fosse certo . Se esta premonição , de que estava nos momentos decisivos de sua viagem , representava alguma verdade , Ildefonso teria que acelerar as providências , quaisquer que fossem elas . Se não o tempo escoaria em branco .
Por tudo aquilo , decidiu marcar uma conversa com Björn B ; pediria que ele aceitasse que fosse logo ouvido pela Academia ; para , enfim , poder mostrar as provas, os livros , os documentos - traduzidos que foram , no Brasil , para o idioma Sueco . Mesmo porque , era ali , naquelas traduções , que estava todo o dinheiro do apartamento que vendera em São Paulo . Sim , a reunião com Björn era o que tinha de mais urgente .
Ao contrário do assunto da Imigração ; quanto ao seu trabalho tudo ia as mil maravilhas . " Como é bom eu poder treinar estes garotos ! " pensou em voz alta. Um deles chamava ainda mais a sua atenção pela grande habilidade que tinha com a bola. E não é que ele parecia ser metade sueco , metade brasileiro ? , principalmente porque tinha os olhos muito mais escuros do que os comuns no país . Já na perna esquerda o menino tinha uma ligeira deformidade , o que não chegava a impedir em nada a grande habilidade que o menino tinha para o futebol . Pelo contrário .
Treinar os meninos funcionava para ele assim como uma transfusão direta de juventude na veia . E , na maior cara de pau , pôs em campo , como se fossem suas , as táticas que escutava dos comentaristas esportivos no Brasil . E , por incrível que pareça , elas começaram a funcionar naquele campeonato juvenil ; ainda que - quando assumira o time - o IFK estivesse despencando na tabela de classificação . Mesmo assim Brzil conseguia recuperá-lo a cada semana que passava .
As vitórias vindas eram muitas e a fama do brasileiro se alastrava .
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capa-e-espada
capa-pretas
capital
capítulo 1
capítulo 12
capítulo 13
capítulo 14
capítulo 15
capítulo 16
capítulo 17
capítulo 18 A
capítulo 18 B
capítulo 19
capítulo 2
capítulo 20
capítulo 21
capítulo 22
capítulo 23
capítulo 24
capítulo 3
capítulo 4
capítulo 47
capítulo 48
capítulo 49
capítulo 5
capítulo 50
capítulo 51
capítulo 52
capítulo 53
capítulo 54
capítulo 55
capítulo 55 R2
capítulo 56
capítulo 57
capítulo 58
capítulo 59
capítulo 6
capítulo 60
capítulo 62
capítulo 63
capítulo 64
capítulo 65
capítulo 66
capítulo 67
capítulo 68
capítulo 69
capítulo 70
capítulo 71
capítulo 72
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