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quinta-feira, 12 de junho de 2014

O premio - 29

Ildefonso viu um  brasileiro subindo  com passadas firmes os degraus que levavam ao enorme palco.   Quem entregava o prêmio era ninguém menos do que Sua Majestade o Rei da Suécia que disse: "dentre os prêmios que já entreguei, este é  o mais merecido". Ainda que quisesse, Ildefonso  não conseguia ver o rosto do brasileiro que vencera o Nobel. Tudo porque o premiado postava-se sempre de costas para onde Brzil estava. Mas deu para ouvir o seu agradecimento: "Agradeço este Prêmio Nobel de Literatura e dedico-lhe a todos os brasileiros" ;  e completou  com  uma pitada de sarcasmo :  "Também agradeço à minha Avó  , a saudosa Dona Prendoca ,  por  me aconselhar  sempre que  antes tarde do que nunca   as vezes funciona  .  Neste momento o  incógnito  escritor  foi  aplaudido , certamente  por ter lembrado  da avó num momento tão formal como aquele . Foi quando  Björn piscou o olho esquerdo mais uma vez , desta  vez já não muito rapidamente. Enquanto  isso ,  Ildefonso sorria e esticava o pescoço, quase que levantando-se do assento , na tentativa de  ver  quem era o agraciado.

Seu sono entrou naquela fase em que não se sabe exatamente se aquilo tudo  é realidade ou sonho.
Daí , acordou-se por completo. Levantou da cama;  para, em pé, voltar à realidade:  "... a Imigração está em meus calcanhares !  Tenho que sair daqui hoje ! que meus delatores não me vejam fugir  deste Santa Fé  ! "

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O premio . 28

Brzil aumentou os treinos do IFK, que ele diferenciava entre treinos técnicos e treinos táticos. Perguntado por Johan qual a diferença entre um e outro Brzil foi sincero: "confesso que não sei; e desconfio que ninguém saiba". Mas sei que os técnicos brasileiros sempre conseguiam diferenciar :  ""- Hoje a tarde teremos treino técnico. O de amanhã já será um treino tático - ""

E foi explicando: "Amigo Sven, a vida ensinou-me que um dos requisitos da comunicação entre o expert e uma pessoa comum é o uso da linguagem específica, o jargão daquela profissão.  No fundo, o que o expert mais precisa é diferenciar-se dos demais, dos comuns; isso porque ele escolheu por não ser uma pessoa comum. Não quer e não pode. Se for um igual, se usar relógio de pulso igual, sapato igual aos demais, todos descobrirão que ele não é o escolhido, e que não fará o milagre. E ele perderá seu emprego. Quando eu digo que hoje teremos um treino técnico e amanhã ele será um treino tático ninguém entende o que cada um deles será. Nem eu próprio posso identificar qualquer diferença. Mas, o futebol é como na vida; aqui  também não há coragem para  perguntar-se quais são as diferenças entre isto e aquilo, sob pena de evidenciar-se a  própria ignorância. Até porque, na maior parte das vezes, diferenças não existem. É como dizia aquele velho guerreiro : "Eu não vim para explicar, eu vim para confundir."

O certo é que, por caminhos desconhecidos, tudo que eu fiz no IFK deu certo. Quando cheguei o time estava na oitava colocação. Hoje estamos no segundo lugar, e no próximo domingo disputaremos quem será o campeão. Diante disso, até eu estou convencido de que algo eu entendo de futebol;  mas minha escola, minha formação, elas são de mero espectador de programas de futebol. No Brasil eu ficava  nos finais de semana por horas a fio na frente da televisão. Quando um programa terminava eu passava para outro, idêntico. Analisavam com quadros negros, e mais recentemente com telas de computador sensíveis ao tato.  "Vejam que o armador passa da bola, deixando-a para o centroavante marcar o gol, ainda que não estivesse no ângulo de visão do companheiro. Pura tática do time do Flamengo ."

"Johan, eu jamais poderia imaginar que um dia isto seria o meu ganha-pão  "

" Não amigo Brzil. Não foram somente as horas na frente da TV.  É a sua dedicação para com os atletas o que soma. E, também, o seu saber futebolístico. Por que não ?  "

"Svensson, :  A necessidade obriga !


terça-feira, 10 de junho de 2014

O premio - 27

Às oito da noite  Everardo esfregou o vidro da janela para poder ver quem do Santa Fé estava sendo esperado no enorme automóvel preto que estacionara do outro lado da rua. Não demorou muito para o uruguaio ficar  perplexo: quem sentou  no banco ao lado do motorista era ninguém menos do que o seu amigo Brzil  !

"Carajo ! quem pode ter vindo  buscar o brasileiro ? "  perguntou-se o uruguaio. Sabia que ele ganhava  menos do que  30.000 mil coroas por mês. "  Era  pouco !  O próprio  Brzil  sempre reclamava que não dava para chegar ao fim do mês  com dinheiro no bolso."   Como então ele pode estar sendo buscado por alguém com um carro daqueles, merda ! ? "   Mas imediatamente mudou de ideia:  
" antigamente não era raro uma princesa apaixonar-se por um plebeu."  Concluiu .

O mais  intrigante de tal hipótese era que Brzil não tinha mais jeito de quem pudesse despertar paixões; ou mesmo amor, em alguma  princesa, mesmo as já esquecidas pela nobreza planetária.

O pior, para tanta curiosidade do uruguaio, é que ele sequer  dispunha de suficiente intimidade para perguntar ao brasileiro sobre com quem ele saíra naquela noite .    

O premio - 26

Naquele momento ainda não sabia  bem o porquê  daquela sensação de  sempre estar sendo espionado. Tampouco, o por que de  - mesmo não tendo certeza alguma de que a campana acontecesse  de verdade  -   a sensação de que isto pudesse estar acontecendo causasse-lhe tanta confusão mental  ?

" Será  que virou obsessão ?  Não , não pode ser  ... esta é a minha vontade.  Só estou fazendo aquilo que eu escolhi fazer ; caralho ! "

Mesmo sob tais pensamentos teimou em olhar pela janela .

Só que o que enxergou foi  o próprio  Humphrey Bogart  , em carne e osso  ...    e encostado no poste.  

" Filho de uma puta !  Por você  eu ainda vou ter que mudar  do Santa Fé . "

" Não ,  você  não  vai me deixar louco . Se eu já estivesse louco o meu plano  não estaria indo tão bem .  Veja que já consegui nada menos do que a Kunglia Vetenskapsakademien   me receba ;   pela porta da frente  e  sob o compromisso  de examinar todas minhas  reivindicações.  Quanto eu  já  andei , seu filho de uma grande puta,  para agora ser  desequilibrado  por você  ...  ??  "  disse em voz alta , ainda  que Bogart  nada pudesse escutar  .

Na verdade ,  falar  consigo mesmo , mas  como se o fizesse para diversas pessoas já era  um sinal de  sua desorganização mental , ainda que contasse a seu favor que sua obstinação  tivesse levado agora a que Brzil só dependesse dele mesmo. Dele e de Deus , porque quanto mais o funil estreitava, mais  Ildefonso  acreditava em  Deus .

Ele próprio atribuía a sua capacidade de planejar sobre  o que poderia vir pela frente  ao fato dele sempre conseguir ver  muitos  lances a frente .  Por exemplo : por temer  emocionar-se, envolver-se pessoalmente  na luta que era trazer para o país um Premio  ele  desenvolvera um exercício que chamava de "método de limitação forçada  de exteriorização de  sentimentos emotivos" .  "Que medo eu tenho de me emocionar no meio da dissertação e jogar tudo por água abaixo." pensou .  Ahhh ...  a minha obsessão por  tudo definir ...  :  " método de limitação forçada de exteriorização de sentimentos emotivos  ! " .   Na verdade  esse  longo título  consistia  em  meditar  tão  profundamente  quanto possível ,  no intuito de  banir  todo o pensamento que fosse  possível retirar de dentro dele ;  e ,  quando atingisse o mais  alto nível de abstração ,  cortar  abruptamente   tal  estado  de quase  vegetativo  para , então , passar  a   pensar firmemente em  fatos muito dolorosos acontecidos no  passado de sua vida  :   " passagens  que  tivessem causado  dor  profunda. "   pensou .  Quanto mais intensa a dor mental  ( mas  sem que isso  ocasionasse nele qualquer exteriorização  de  sentimentos  ) ,  mais perto ele estaria  de poder  esconder  à banca examinadora  a forte  emoção porventura experimentada naquele instante  , ainda que possivelmente  estivesse muito emocionado  . Foi quando lembrou-se de Fernando Pessoa : O poeta é um fingidor que finge completamente que é dor , a dor que deveras sente .  " Esse portuguesinho era fóda ! "

Tudo isso por que sabia  que  antes de tal treinamento  inventado por ele próprio , não  foram  poucas as vezes em que chorava ao  lembrar-se  de fatos muito tristes  do seu  passado .

Falando o idioma sueco cada vez mais compreensivelmente ;  e já  tendo quase que abandonado os translaters smartphones ,  preparou-se no idioma Sueco  para  perguntar  ao  amigo  :  "  como é  isso de o Nobel da  Paz ser  escolhido  por um comitê de cinco membros do  "The Norwegian Nobel Institute ", de Oslo ?

Mas imediatamente mudou de ideia . O que agora importava era  o próximo passo .  Se  não  fosse aprovado  na  Kunglia  Akademien não chegaria  ao  "Instituto Norueguês para a escolha do Nobel da Paz ".  O certo agora era  exercitar o treinamento  para  não demonstrar emoções .  E recomeçou naquele momento  mais uma sessão da  meditação .

O premio - 25

Johan Sven Svensson trouxe a resposta esperada. Björn B aceitou recebe-lo daí a três dias. E mais: disse à Sven que ele deveria levar o material que tinha sobre os intelectuais brasileiros .

E pensou: " Bom , mas por aqui veremos quanto as premiações Economia ; e de Literatura. O Nobel da Paz fica para Oslo .

Correu a um computador para  ver quanto custaria a passagem para  Oslo .  Nada menos do que 1300 coroas. De onde iria tirar este dinheiro ?   Respondeu-se  franciscanamente: " Deus  dará ! " .

O fato de Björn estar disposto a recebê-lo já trouxe alívio , mas as constantes aparições dos homens da Imigração nas proximidades do Santa Fé plantavam em sua cabeça algo bem próximo do terror. "Mas que uma coisa fique claro: medo de ser deportado eu não tenho. Nenhum pouco. "Deportação foi feita para homem ! " Disse isto e deu uma enorme gargalhada. Na verdade, fazia uma referência ao dito que ouvira há muitos anos atrás quando ao ser preso pela ditadura, foi assim recebido pelo carcereiro: "Não fique triste ... cadeia foi feita para homem !" .  E agora, não tendo alguém como o carcereiro para consolá-lo, ele mesmo repetiu sua fala: "Deportação foi feita para homem ! ". Só de lembrar, teve que fazer esforço para deixar de rir . 

Mas o que de fato aterrorizava-lhe era pensar que a deportação poderia acontecer antes mesmo de que ele pudesse mostrar completamente o seu trabalho, as teses; enfim, as provas de que seus compatriotas mereceram receber pelo menos um Nobel, e apesar disto, nunca o premio ter-se materializado.  A tristeza aumentou ao ver um documentário na TV que mostrava que o MIT (  " o MIT, meu Deus ! "  ) tem mais de oitenta professores com Nobel. "Não bastasse os argentinos terem cinco , agora aparece o MIT com oitenta,  carajo ...   E eu que só quero um !  Um me bastaria , Deus do céu ! "



segunda-feira, 9 de junho de 2014

O premio - 24

Pediu à Johan Sven  para marcar uma reunião com Björn B  . Poderia  até  adiantar o assunto :  a  entrega dos documentos que trouxera do Brasil para a comprovação de sua tese .

"  ...  você nunca disse  sobre  o quê  era essa tese  ..."  respondeu  Johan .
 
" Johan , muito do que consegui na Suécia veio através de você .  Não posso ter segredos para o amigo :  eu vim a Suécia para reparar um erro , um equívoco , uma injustiça  nórdica contra  o meu país . Não tem gente que gasta o último centavo para escalar o Everest ?  
Alguns  decidem percorrer toda a Rota-da-Seda  , gastando  nisto quase  tudo o que amealharam na vida . Outros  sobem o Everest  com mais de setenta anos de idade .  
Quanto a mim , estimado Svensson ; eu dediquei  anos da minha vida para saber por que a Academia de Ciências da Suécia eximiu-se de conceder um prêmio Nobel - pelo menos um -  ao meu país .  
Para ter certeza das injustiças fui comparar as obras dos que venceram de fato o Nobel , com  as  obras  de alguns compatriotas meus e , depois de muito estudar , concluí que aconteceu  algo de estranho que  resultou  em que meu país nunca tivesse ganho o premio  . Esta é a minha tese , amigo Johan . "

 Johan Svensson  ficou atônito . " Como alguém pode ir de uma ponta a outra do globo terrestre só para reclamar de que não tinham agraciado seu  país com um Nobel , meu Deus ? "   Sven , mesmo não querendo  demonstrar que estava duvidando de que seu amigo fosse uma pessoa  lúcida ,  assim mesmo não pode esconder  que   ficou perplexo  ao saber maiores detalhes dos já comentados  planos do seu amigo brasileiro , 

" A meu ver, as pessoas que entregam o premio - enfim, a Academia - é uma  fundação livre para entregá-lo a quem bem entenda ...  por isto, eles não devem  explicações a quem quer que seja,  Brzil.  Fazem-no por liberalidade própria . "

"Tudo porque  as fundações devem satisfações aos  desígnios  de quem as instituiu. Aos regulamentos certamente herdados dele .
E parece-me incrível admitir que seu criador não tenha disposto que deveria existir  , antes de tudo ,  justiça mesmo nas escolhas dos premiados . Ainda que caiba ressalva para a possiblidade de que o desvirtuamento dos ideais constituídos tenham acontecido com aquilo que chamamos no Brasil de " com o andar da carruagem "  

Veja, Johan, eu não estou somente me referindo à possível  ilegitimidade da Academia  premiar "a " em vez de  "b", de um país qualquer .  O que eu quero poder  demonstrar  é  a parte subjetiva  de tais ocorrências :  a importância  que o premio ganhou no século vinte  atrai para a Academia um compromisso moral  com  todos os  países do planeta pelo fato de que o Prêmio Nobel transformou-se  numa distinção entre todos os países .  Sim , existe um  compromisso  moral  tácito  da  Academia de que a premiação  seja justa  ;  algo maior do que  a  obediência à  um regulamento  que ficou .   Maior  mesmo do que qualquer obrigação  é  a necessidade de uma verdadeira  de  isenção , somando-se à bela  tradição.  Na verdade eu nada tenho a reclamar. Sequer  possuo algum mandato para algo pedir.  Mesmo assim, eu  vou mostrar  que diversos brasileiros já fizeram jus à honraria  ;  mas , mesmo assim , nenhum  a levou  . "

Brzil estancou sua fala ao olhar para  Johan,  que o fitava de um jeito  estranho , como se tivesse descoberto agora que seu amigo era - no mínimo - uma pessoa exótica .  Não tinha dúvidas de que o assunto "Prêmio Nobel "  funcionava no cérebro  do brasileiro como os   computadores que têm diversos  processadores . Embora Brzil  tivesse outras atividades , outras preocupações , amizades e pudesse trabalhar  normalmente ; um dos seus processadores internos estava sempre no Premio Nobel ! 

 Mesmo assim , Johan não o abandonou :

" Apesar de eu estar surpreso , apesar disto  a nossa amizade está acima de tudo  . Fique tranquilo ,  eu vou amanhã mesmo pedir que Björn B  receba você o mais brevemente possível . "

O premio - 23

Bogart disse-lhe que, se não comparecesse prontamente ao edifício da Imigração, poderia ser detido para o "convite de adeus ". Se isto acontecesse viriam pessoas ao seu quarto que dariam pouco tempo para que fizesse as malas, apreenderiam seu passaporte e  conduziriam-lhe a uma sala do aeroporto onde esperaria o próximo voo da companhia da qual tinha passagem de volta; entregando-o  em mãos para o comandante  já  dentro do avião; sem chance de poder conversar com alguém em Estocolmo, e só depois do avião levantar voo que o passaporte lhe seria devolvido. Porém, Bogart logo amenizou um pouco a ameaça: " Na verdade, a Suécia não fará o que de pior poderia acontecer-lhe . Isto porque aquele procedimento não era uma deportação  propriamente dita. Assim, você poderá até vir a  solicitar , desde que estando no Brasil; a sua volta. Até mesmo a imigração para a Suécia. Aí sim " - completou o policial: " o  senhor entraria pela porta da frente . "  

Mesmo assim , Bogart  deixou claro que, em solo sueco ,  Brzil não teria chance de regularizar sua situação .

Com medo ,  e certo de que  Björn  B   enganou-se ao dizer que nada lhe aconteceria ;  assim mesmo Brzil   omitiu-se de comparecer ao edifício da Imigração .  Algo dizia dentro do brasileiro que ele estava entrando nas cenas culminantes de sua saga ,  e que se não fosse pego pela Imigração nos próximos dias , tudo o que podia fazer pela premiação já estaria consumado .  Ou então ,  nos próximos dias , já teria conhecido o esquema - se ele existisse , é claro -  que condenava o Brasil a jamais conquistar um Premio Nobel .

Mas se isto fosse certo .  Se esta premonição , de que estava nos momentos decisivos de sua viagem , representava alguma verdade ,  Ildefonso teria que acelerar as providências , quaisquer que fossem elas . Se não o tempo escoaria em branco .

Por tudo aquilo , decidiu marcar uma conversa com Björn B ; pediria que  ele aceitasse  que fosse  logo  ouvido  pela  Academia ; para ,  enfim ,  poder  mostrar  as provas, os livros , os documentos  -  traduzidos que foram , no Brasil , para o idioma Sueco .  Mesmo porque , era ali  , naquelas traduções , que  estava todo o dinheiro do apartamento que vendera em São Paulo .  Sim , a reunião com Björn  era o que  tinha de mais urgente  .

Ao contrário do assunto da Imigração ; quanto ao seu trabalho  tudo ia as mil maravilhas . " Como é  bom eu poder treinar estes garotos  ! " pensou em voz alta. Um deles chamava ainda mais a sua  atenção  pela grande  habilidade que tinha com a bola.  E não é que ele parecia  ser metade sueco ,  metade  brasileiro ? ,  principalmente porque  tinha  os olhos muito mais escuros do que  os comuns no país .   Já  na  perna esquerda o menino tinha  uma ligeira deformidade , o  que não chegava  a  impedir  em nada a grande habilidade que o menino tinha  para  o futebol . Pelo contrário .

Treinar os meninos funcionava para ele  assim  como  uma transfusão direta de  juventude na  veia  .  E , na maior  cara de  pau ,  pôs  em campo , como se fossem suas ,  as táticas que escutava dos comentaristas esportivos no Brasil .  E ,  por incrível que pareça , elas começaram a funcionar  naquele  campeonato juvenil ; ainda que - quando assumira o time - o IFK  estivesse  despencando  na tabela de classificação .  Mesmo assim Brzil  conseguia  recuperá-lo  a cada semana que passava .  

As vitórias vindas eram muitas e  a fama do brasileiro se alastrava .

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