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segunda-feira, 9 de junho de 2014

O premio - 24

Pediu à Johan Sven  para marcar uma reunião com Björn B  . Poderia  até  adiantar o assunto :  a  entrega dos documentos que trouxera do Brasil para a comprovação de sua tese .

"  ...  você nunca disse  sobre  o quê  era essa tese  ..."  respondeu  Johan .
 
" Johan , muito do que consegui na Suécia veio através de você .  Não posso ter segredos para o amigo :  eu vim a Suécia para reparar um erro , um equívoco , uma injustiça  nórdica contra  o meu país . Não tem gente que gasta o último centavo para escalar o Everest ?  
Alguns  decidem percorrer toda a Rota-da-Seda  , gastando  nisto quase  tudo o que amealharam na vida . Outros  sobem o Everest  com mais de setenta anos de idade .  
Quanto a mim , estimado Svensson ; eu dediquei  anos da minha vida para saber por que a Academia de Ciências da Suécia eximiu-se de conceder um prêmio Nobel - pelo menos um -  ao meu país .  
Para ter certeza das injustiças fui comparar as obras dos que venceram de fato o Nobel , com  as  obras  de alguns compatriotas meus e , depois de muito estudar , concluí que aconteceu  algo de estranho que  resultou  em que meu país nunca tivesse ganho o premio  . Esta é a minha tese , amigo Johan . "

 Johan Svensson  ficou atônito . " Como alguém pode ir de uma ponta a outra do globo terrestre só para reclamar de que não tinham agraciado seu  país com um Nobel , meu Deus ? "   Sven , mesmo não querendo  demonstrar que estava duvidando de que seu amigo fosse uma pessoa  lúcida ,  assim mesmo não pode esconder  que   ficou perplexo  ao saber maiores detalhes dos já comentados  planos do seu amigo brasileiro , 

" A meu ver, as pessoas que entregam o premio - enfim, a Academia - é uma  fundação livre para entregá-lo a quem bem entenda ...  por isto, eles não devem  explicações a quem quer que seja,  Brzil.  Fazem-no por liberalidade própria . "

"Tudo porque  as fundações devem satisfações aos  desígnios  de quem as instituiu. Aos regulamentos certamente herdados dele .
E parece-me incrível admitir que seu criador não tenha disposto que deveria existir  , antes de tudo ,  justiça mesmo nas escolhas dos premiados . Ainda que caiba ressalva para a possiblidade de que o desvirtuamento dos ideais constituídos tenham acontecido com aquilo que chamamos no Brasil de " com o andar da carruagem "  

Veja, Johan, eu não estou somente me referindo à possível  ilegitimidade da Academia  premiar "a " em vez de  "b", de um país qualquer .  O que eu quero poder  demonstrar  é  a parte subjetiva  de tais ocorrências :  a importância  que o premio ganhou no século vinte  atrai para a Academia um compromisso moral  com  todos os  países do planeta pelo fato de que o Prêmio Nobel transformou-se  numa distinção entre todos os países .  Sim , existe um  compromisso  moral  tácito  da  Academia de que a premiação  seja justa  ;  algo maior do que  a  obediência à  um regulamento  que ficou .   Maior  mesmo do que qualquer obrigação  é  a necessidade de uma verdadeira  de  isenção , somando-se à bela  tradição.  Na verdade eu nada tenho a reclamar. Sequer  possuo algum mandato para algo pedir.  Mesmo assim, eu  vou mostrar  que diversos brasileiros já fizeram jus à honraria  ;  mas , mesmo assim , nenhum  a levou  . "

Brzil estancou sua fala ao olhar para  Johan,  que o fitava de um jeito  estranho , como se tivesse descoberto agora que seu amigo era - no mínimo - uma pessoa exótica .  Não tinha dúvidas de que o assunto "Prêmio Nobel "  funcionava no cérebro  do brasileiro como os   computadores que têm diversos  processadores . Embora Brzil  tivesse outras atividades , outras preocupações , amizades e pudesse trabalhar  normalmente ; um dos seus processadores internos estava sempre no Premio Nobel ! 

 Mesmo assim , Johan não o abandonou :

" Apesar de eu estar surpreso , apesar disto  a nossa amizade está acima de tudo  . Fique tranquilo ,  eu vou amanhã mesmo pedir que Björn B  receba você o mais brevemente possível . "

O premio - 23

Bogart disse-lhe que, se não comparecesse prontamente ao edifício da Imigração, poderia ser detido para o "convite de adeus ". Se isto acontecesse viriam pessoas ao seu quarto que dariam pouco tempo para que fizesse as malas, apreenderiam seu passaporte e  conduziriam-lhe a uma sala do aeroporto onde esperaria o próximo voo da companhia da qual tinha passagem de volta; entregando-o  em mãos para o comandante  já  dentro do avião; sem chance de poder conversar com alguém em Estocolmo, e só depois do avião levantar voo que o passaporte lhe seria devolvido. Porém, Bogart logo amenizou um pouco a ameaça: " Na verdade, a Suécia não fará o que de pior poderia acontecer-lhe . Isto porque aquele procedimento não era uma deportação  propriamente dita. Assim, você poderá até vir a  solicitar , desde que estando no Brasil; a sua volta. Até mesmo a imigração para a Suécia. Aí sim " - completou o policial: " o  senhor entraria pela porta da frente . "  

Mesmo assim , Bogart  deixou claro que, em solo sueco ,  Brzil não teria chance de regularizar sua situação .

Com medo ,  e certo de que  Björn  B   enganou-se ao dizer que nada lhe aconteceria ;  assim mesmo Brzil   omitiu-se de comparecer ao edifício da Imigração .  Algo dizia dentro do brasileiro que ele estava entrando nas cenas culminantes de sua saga ,  e que se não fosse pego pela Imigração nos próximos dias , tudo o que podia fazer pela premiação já estaria consumado .  Ou então ,  nos próximos dias , já teria conhecido o esquema - se ele existisse , é claro -  que condenava o Brasil a jamais conquistar um Premio Nobel .

Mas se isto fosse certo .  Se esta premonição , de que estava nos momentos decisivos de sua viagem , representava alguma verdade ,  Ildefonso teria que acelerar as providências , quaisquer que fossem elas . Se não o tempo escoaria em branco .

Por tudo aquilo , decidiu marcar uma conversa com Björn B ; pediria que  ele aceitasse  que fosse  logo  ouvido  pela  Academia ; para ,  enfim ,  poder  mostrar  as provas, os livros , os documentos  -  traduzidos que foram , no Brasil , para o idioma Sueco .  Mesmo porque , era ali  , naquelas traduções , que  estava todo o dinheiro do apartamento que vendera em São Paulo .  Sim , a reunião com Björn  era o que  tinha de mais urgente  .

Ao contrário do assunto da Imigração ; quanto ao seu trabalho  tudo ia as mil maravilhas . " Como é  bom eu poder treinar estes garotos  ! " pensou em voz alta. Um deles chamava ainda mais a sua  atenção  pela grande  habilidade que tinha com a bola.  E não é que ele parecia  ser metade sueco ,  metade  brasileiro ? ,  principalmente porque  tinha  os olhos muito mais escuros do que  os comuns no país .   Já  na  perna esquerda o menino tinha  uma ligeira deformidade , o  que não chegava  a  impedir  em nada a grande habilidade que o menino tinha  para  o futebol . Pelo contrário .

Treinar os meninos funcionava para ele  assim  como  uma transfusão direta de  juventude na  veia  .  E , na maior  cara de  pau ,  pôs  em campo , como se fossem suas ,  as táticas que escutava dos comentaristas esportivos no Brasil .  E ,  por incrível que pareça , elas começaram a funcionar  naquele  campeonato juvenil ; ainda que - quando assumira o time - o IFK  estivesse  despencando  na tabela de classificação .  Mesmo assim Brzil  conseguia  recuperá-lo  a cada semana que passava .  

As vitórias vindas eram muitas e  a fama do brasileiro se alastrava .

domingo, 8 de junho de 2014

O premio . 22

Seu tempo de permanência na Escandinávia expirou . A partir de agora, Brzil era clandestino na Suécia. Nem Johan, tampouco Björn B, poderiam avaliar aquela sensação de, a qualquer momento, poder ser preso e deportado; e sem ter conseguido realizar o sonho. Lembrou que, pelo menos por hipótese, se  acontecesse dele ser preso , bastaria ligar para sua amiga Silvia e pedir ajuda. Ela intercederia, talvez  resolvendo tudo em minutos. Ou mesmo, pedir à Björn B que "quebrasse o galho" ; que  falasse com alguém importante  para fazer que o policial  da Imigração deixasse-o  em paz . O problema , para tanto,  era  recorrente :  Brzil jurou que passaria ao largo dos "jeitos"; que ele pensava ser só de brasileiros. Não foi por pouco que, antes de viajar para a Suécia, fizera retiro espiritual de uma semana no Zu- Lai . Tudo para reforçar dentro de si a determinação de  não vir a cair na tentação dos atalhos ante as leis; boas ou más, certas ou erradas, mas vigentes. Se o Nobel viesse; se o Nobel fosse  dado  a um brasileiro, haveria de ser limpo, sem lobbys, sem  jeitinhos. "Sim, o meu Nobel haverá de ser o mais justo de todos os Prêmios Nobel até então concedidos.", pensou. Não seria tão somente um Prêmio Nobel, haveria de ser a redenção de seu país  ante o preconceito de tantos quantos diziam  que ele não era sério.  Por isso, por não admitir jeitinhos, Brzil tinha que passar por aquilo, chegar agora ao Santa-Fé como alguém que não fosse propriamente um habitante daquele prédio; como veio a saber, um  tradicional reduto de imigrantes ilegais.

Brzil olhou para as proximidades do portão do Santa Fé e viu um homem parado bem perto do poste de luz. Vestia um capote cinza e chapéu de feltro;  "um Humphrey Bogart viking  !! " pensou. Olhou de novo , e ainda uma vez mais. Concluiu; mesmo sem ver-lhe a cara, por estar com a gola do capote levantada, que aquele era ninguém menos do que o oficial da Imigração que lhe procurara no Grande Hotel. Tudo porque nos grupos de imigrantes ilegais como os do Santa Fé sempre têm dedo-duros; os tais espíritos de porco que denunciam anonimamente  para a imigração seus vizinhos de quarto, até mesmo seus próprios conterrâneos. E com ele não fora diferente: "caguetaram-me ! " , pensou lentamente. Mas pouco depois reagiu:  "Não, tudo menos a paranoia. Eu não posso ficar assim, sempre em estado de terror da Imigração. Até porque  eu nem cheguei a ver a cara dele. Além disto, este cara pode estar  aí, duro de frio; embora a sua dureza também possa ser de tesão, de tanto esperar a amante com quem daria uma rapidinha naqueles  velhos randez-vouz de paredes encardidas nos edifícios de quinta categoria do centro de Estocolmo  ...  é claro que pode  nem ser o fiscal da Imigração ...  "

Brzil criou coragem, foi quando dirigiu-se à porta, virou a chave e subiu rapidamente as escadas até o seu quarto no terceiro andar. Já com o coração desacelerando apertou o botão que fez a mola soltar a cama que ficava junto da parede e assentar no chão.  Atirou-se nela e pensou:  " Acalme-se  Brzil ...    por que entrar em  paranoias se as coisas estão dando tão certo ? "   Ainda deitado, pensou em Brugges ... sim, que linda fora a viagem à Brugges,  comera chocolates, tomara cerveja com batatas fritas,  andou de barquinho pelos canais ... tudo imaginário  .... é que, quando sobrava  tempo, ele viajava pelo Google, visitando lugares, para ele, de verdade.  Lugares  que sempre quisera  conhecer. Foi interrompido por alguém que batia à porta. Certamente era  Everardo, o uruguaio, que olhara a luz por debaixo da porta, querendo saber das novidades . 

Levantou-se da cama e  abriu  a  porta sem sequer  olhar  no  visor ... a única visita que recebia de vez em quando era a de Everardo. Não era. O coração disparou de novo quando viu saltar  da fresta  da porta  a imagem da  mão  com a carteirinha de policial  sendo-lhe ostensivamente mostrada. Sim, enganara-se.  Não era Everardo. Era o Oficial da Imigração da Suécia .

sexta-feira, 6 de junho de 2014

No Monastério de Bodedalma - 29

Acreditem !


Mas acreditem mesmo !   se assim quiserem .

Bodedalma tinha um  plano de saúde universal que monitorava seu organismo desde Santa Bárbara  . Ao pressentirem que  Sua Bodência , Primeira e Única ,  corria riscos ultra-severos de vida despacharam desde a Califórnia um drone resgatador turbinado ,  equipado para manter a vida a qualquer preço .

Sim , a qualquer preço porque , além de tudo ,  Bodedalma  tinha um cartão de crédito cujo  limite era de  um  trilhão  de dólares .  Só ele ,   Warren Buffet , Bill Gates e Vladimir Putin  dispunham de tal limite ; embora o cartão deste último estivesse  suspenso .

O drone penetrou no salão celestial e num piscar de olhos resgatou Bodedalma - que ainda respirava;  executando in itinere todos os atos cirúrgicos preservadores de vida, ainda que os médicos   estivessem mesmo em Santa Bárbara .

Três horas depois do resgate  o drone  aportou  no pátio do Hospital  e de  dentro de suas entranhas foi retirado  Bodedalma . Respirando .

Manduca  assumiu  todos os poderes do Monastério ,  seguindo  os rituais  previstos  para a eventualidade de que  o Inefável  fosse afastado  do  poder  pela violência .

Quanto  ao  Mondongo ,  este acionou  o alarme  geral de risco  de vida e morte  a um só tempo .


O premio - 21

O convite veio do IFK Varnamo, para que ele dirigisse , como "técnico convidado" ,  o seu time de juvenis.

Ao aceitar  o convite ,  Brzil teve a mesma seriedade que observava nos técnicos brasileiros,  quando eram contratados : " Agradeço pela oportunidade, Doutor Björn. Aceito o cargo e prometo que conseguirei pelo menos um título de campeão para os juvenis do IFK Varnamo".   Era o que Björn queria ouvir .

Johan Sven Svensson - que era estudante universitário - seria seu intérprete junto ao time do IFK, eis que já compreendia mais ou menos o idioma falado por  Brzil. Quarenta por cento de Inglês,  trinta de Espanhol, vinte de Sueco e dez de Português. Por isto, o  IFK Varnamo também aceitou pagar as horas que Johan  trabalhasse como tradutor e professor de Sueco do técnico brasileiro. Tudo porque o trabalho na Academia de Ciências era um partime, sobrando-lhe tempo livre para ganhar aquele dinheiro extra. E, também, porque seu supervisor na Academia era Björn. Como vemos, tudo conspirava em favor de Brzil ; que, além de adaptar-se rapidamente à vida da Suécia, com o emprego criara alma nova. Mesmo assim, duvidando de tantas coisas boas acontecendo em tão pouco tempo;  Brzil disse à Björn que, sendo de turista o visto conseguido por ele no Brasil, é certo que não estava apto para trabalhar na Suécia. Por isso,  preocupava-se agora quanto à Imigração. Björn respondeu: "- Esqueça a Imigração, Brzil. Esqueça o visto que está no seu passaporte. Já conversei com meus amigos do Varnamo. Eles não irão pedir-lhe o passaporte. Tudo porque também  para  o IFK Varnamo oxigenar suas equipes de base com um técnico  sul-americano  ... ;  e eles já sabem que você é um artista da bola vindo do país do futebol."   Ainda bem que Björn não especificou de qual  bola  Brzil seria um artista. A de futebol é que não era. Dito isto, Björn B  voltou a piscar, quase imperceptivelmente, sempre só  com o olho esquerdo. Apesar de ficar atento ao cacoete,  Brzil já não mais se preocupava com ele. Só que por pelo menos uma vez  flagrou-se  repetindo  o cacoete de Bjorn,  Mas ele sabia que era comum que as pessoas , por alguns momentos , copiassem os tiques do outro .  

Mesmo assim desconfiou - pelas piscadelas passadas - de que ela era desferida por Björn quando a notícia a ser dada por ele era algo de bom para o seu  interlocutor. Chegou a esta conclusão ao recordar das piscadinhas anteriores. Poderia estar  enganado - mas pelo que se lembrava - Björn só tinha piscado com o olho esquerdo quando ia dar uma boa notícia ao brasileiro. Ou então Brzil  estava à frente de mera coincidência; se fosse assim, as piscadas aconteciam aleatoriamente. " Sei lá ", disse para si próprio encerrando o assunto . Mas prometeu que ficaria muito mais atento às piscadas solitárias do olho esquerdo de  Björn B .

Foi Björn, com os dirigentes do IFK Varnamo, que conseguiram para ele um pequeníssimo flat próximo à sede do clube. Tinha cama, mesa, pia e um pequeno fogão - além de uma pequena geladeira. Ficava num terceiro lance de escadas, sem elevador. Quanto ao banheiro, ele era coletivo, no final do corredor  de dez quartinhos , todos iguais.

O prédio tinha um nome latino: "Santa Fé". E Brzil descobriu logo que ali morava outro sul-americano, um uruguaio de nome Everardo, dono de humor corrosivo, como todos os uruguaios têm.

O adiantamento recebido do Varnamo permitiu que Brzil pagasse toda conta atrasada do Hotel Central; único obstáculo para que  pudesse andar de cabeça erguida em qualquer lugar de  Estocolmo.






terça-feira, 3 de junho de 2014

O premio - 20

Brzil, que dava com sucesso os primeiros passos no idioma Sueco, ou pelo menos no dialeto que mantinha com Johan , telefonou-lhe :

"Tudo bem ?        o Dr. Björn B perguntou se eu quero ser auxiliar de técnico num time de futebol  .  "

"Que bom. Então nem será necessário eu continuar procurando um  trampo para você; passarei hoje às oito para saber mais do seu emprego. E comemorar ! "

"Tudo bem, acho que agora sim; já estou empregado ! " 

"Vai dar certo !  quem  espera sempre alcança ! "

"Obrigado por suas palavras, Johan; elas são uma janela de sol na noite sueca . "

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O premio . 19

Björn B deixou um recado para que  Brzil  comparecesse à Academia às quatorze horas da quinta-feira.

" ... é chegada  a hora das provas " ;  pensou Ildefonso.

Colocou a mala em cima da cama, abriu-a, conferiu um por um dos papéis, recolocando-os de novo na mesma  mala  e na mesma ordem que estavam antes. No horário certo, vestiu uma roupa bem formal, pegou a mala e dirigiu-se ao ponto de ônibus .

Às quatorze horas  entrou no prédio ; pedindo para ser anunciado.

Estendeu o braço ao dirigente trocando com ele  um forte aperto de mãos: "Brzil, vejo que você está muito melhor do que na última vez que nos vimos !  Mas para que esta mala  ? "

" Dr. Björn B, aqui trago as provas de que meu país está sendo objeto do preconceito contra a sua produção intelectual. " 

"Não foi por isto que chamei você. Muitos estão falando lá pelo Central que estás com as diárias do hotel atrasadas.  Mas que serias bom em futebol; tudo porque consegues manter no ar, chutando ... equilibrando pequenas bolas, ou laranjas mesmo, por muitos minutos. Assim, concluíram que se você faz isto com uma laranja, imagine-se o que não faça com uma bola de futebol oficial . Gostaria de ver como se sai ensinando outras pessoas no trato com a bola de futebol. Com as boas amizades que tenho nos clubes esportivos, posso interceder em seu favor. Pergunto: você aceitaria ser ajudante de técnico, ou mesmo técnico de times inferiores, pelo  pagamento de um salário que possibilite pelo menos uma simples manutenção de seus gastos ? "

No sufoco em que estava, o cérebro de Ildefonso limitou-se a examinar o quanto ele estava necessitado daquilo; mas sem desconfiar sobre como o Doutor Björn B adivinhara as suas necessidades .

"Se esta ajuda subtender que eu estou aqui para realizar o meu plano; que é o de saber os motivos da constante discriminação do meu país na eleição do Premio Nobel, se for assim, eu aceito de bom grado qualquer trabalho, Doutor Björn."

Björn pegou Brzil pelo braço e disse em bom italiano: " Brzil ... primo mangire , doppo filosfare !" e deu uma piscadinha com o olho esquerdo .

"Isto é verdade, mas  preciso de um emprego só para ganhar um fôlego financeiro  para - enfim -  poder comprovar a minha tese  . "

Björn fechou a cara e respondeu:  "Em que áreas você pretende argumentar com esta imensa mala  ? "

"Pretendo contestar  as preterições  nas áreas de Economia, Literatura; e no Premio da Paz . "

" Mas o Premio da Paz é com a Noruega ... "

" Então  falaremos  - quando o senhor me abrir a oportunidade -  sobre Economia e Literatura . Mas depois irei à Noruega contestar o Prêmio da Paz . "

"Chamarei os responsáveis pelas triagens dos candidatos nas áreas mencionadas e depois convocarei você para conversarmos  sobre  a sua sustentação oral. Quanto ao emprego, penso que ele está praticamente certo". Despediram-se com mais uma piscada do olho esquerdo de Björn B .

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