Os Novos Mosqueteiros reuniram-se para estudos dos planos . A novidade de Quita caíra como uma bomba : Paulo Becerra , o Pituca , fora chamado ao Rio de Janeiro onde serão combinadas remessas de valores ainda maiores . Os Novos Mosqueteiros , todos eles , exultaram . D ´Artagnan expôs as dificuldades que era fazer desaparecer um carro do porte necessário para este novo , e ainda maior , volume de papel moeda norte-americano . Algumas premissas já eram consensuais : a carga ficaria escondida , intocada pelo tempo suficiente para sentar a poeira . Por um bom tempo Os Novos Mosqueteiros continuariam em suas atividades comuns . Como a confiança era total , D ´ Artagnan adiantou a sua ideia sobre a principal alternativa de esconderijo do caminhão pagador. Pensava primeiramente em ( dentro do tempo necessário e esperável que teriam para fazer o caminhão desaparecer com segurança ) usar as minas de carvão abandonadas . Outra alternativa seria usar um silo de cereal existente em terras muito confiáveis , e que servia para guardar o que era conhecido como "estoque regulador" comprado pelo governo quando - como acontecia naquele momento - colhia-se uma grande safra . Nesta hipótese , seria possível - usando somente a mão de obra dos próprios mosqueteiros -envolver totalmente o carro em soja . E como havia super-produção , ninguém haveria de resgatar a soja pelo tempo necessário para os gansos voltarem à calma . E o melhor : D´Artagnan era quem tinha a exclusividade da posse da chave do silo .
Foi neste ponto que D´ Artagnan mudou de tom para explicar a todos - ainda que nem tudo fosse compreendido pelos novos mosqueteiros - a importância de que Pituca também entrasse na posse do dinheiro , mas tão somente por um curtíssimo espaço de tempo . Só assim os mosqueteiros teriam a segurança de que , pelo menos pela moral judaico-cristã em que todos foram criados , somente o duplo-perdão daria-lhes a ampla garantia de que até mesmo os seus descendentes não arderiam nas chamas eternas por aquilo que estavam fazendo agora . E foi isto que D´Artagnan tentou explicar à Aramis e Quita : que os dois mosqueteiros primitivos - ele próprio , e Athos - não queriam simplesmente roubar , ou mesmo , furtar ; mas sim promover um desapossamento que fosse , a um tempo só , original e natural ; e , para tanto , a subtração da coisa teria que observar determinados requisitos , dentre eles a certeza absoluta de que o dinheiro viria de um duplo furto - se não , de uma cadeia interminável de furtos . A questão estava em que ele , D´ Artagnan , não aceitava afirmações genéricas, desprovidas de comprovação , como a de J. Proudhon que dizia que a propriedade é um roubo .
Ora , ao ver de D ´Artagnan , a propriedade poderia , ou não , ser um roubo . Daí , também o desapossamento - que recebeu dele a denominação técnica de " alívio de excessos de realizações " - , ser a espécie única do gênero " propriedade originária advinda de obtenção secundária . "
Reflitamos : a herança cultural de D´Artagnan , o líder natural de tais futuros aliviadores de excesso de realizações , viria - certamente - de Portugal . Tudo porque aquele lugar onde a ação se desenrolava era , dentre todos do mundo , a colônia mais influenciada pelo Tratado de Tordesilhas - de 1494 - em que Espanha e Portugal dividiram entre si o mundo . Em verdade , tudo levava a crer que D´ Artagnan vinha de nobres portugueses . Somente um português daria tanta importância a esta questão limítrofe até mesmo para a Lógica mais aprofundada : A possibilidade de existir alívio de pecúnia sem que o ato possa ser confundido com furto ; ou , muito menos , roubo . Mesmo assim a questão ainda comportava a preocupação com a bifurcação existente entre a ciência e a moral , principalmente a religiosa . Se a lógica estava , para D Ártagnan , satisfeita - ( " Por Deus ! é claro que a propriedade poderia ser - ou não ser - um roubo " ) ; subsistiu por um momento a questão religiosa . E esta , o primeiro mosqueteiro resolvera ao observar o dito popular ( era a voz do povo que vinha em seu socorro ; tudo porque a voz do povo era - para ele - verdadeiramente a Voz de Deus ) . E a voz do povo dizia-lhe que "Ladrão que rouba ladrão , tem cem anos de perdão . "
Por fim a que se registrar que mesmo Athos ( o segundo dos Novos Mosqueteiros ) muito pouco entendia destes limites da racionalidade levantados por D ´Artagnan ; quanto à Aramis e Quita , estas ficaram totalmente sem saber do que estava o primeiro mosqueteiro falando , ainda que o ouvissem tão respeitosamente quanto lhes era possível assim ouvir . E todos estes respiraram aliviados quando D ´ Artagnan , certo que a semente daquela sabedoria toda estava plantada em nos demais companheiros , concordaram em marcar uma nova reunião para tão logo Quita ou Aramis tivessem novidades .
terça-feira, 9 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Saúde !
Prezados 30 fiéis perseguidores !
Hoje é dia de festa . Adivinhem o que tem que ser hoje comemorado com toda a pompa e circunstância ?
Adivinharam ?
Sim , nada menos do que o primeiro aniversário destes blogues .
Abram , aí onde estiverem , o melhor vinho , a melhor bebida e façamos um brinde à tolerância de todos vocês com este nascente autor .
Em breve terão uma surpresa . Na verdade uma homenagem aos meus 30 fiéis perseguidores .
Mas , surpresa é surpresa ... e vocês ( na verdade eu ) terão que esperar por ela .
Saúde e sucesso a todos , mais o abraço deste Editor José Amaral .
Hoje é dia de festa . Adivinhem o que tem que ser hoje comemorado com toda a pompa e circunstância ?
Adivinharam ?
Sim , nada menos do que o primeiro aniversário destes blogues .
Abram , aí onde estiverem , o melhor vinho , a melhor bebida e façamos um brinde à tolerância de todos vocês com este nascente autor .
Em breve terão uma surpresa . Na verdade uma homenagem aos meus 30 fiéis perseguidores .
Mas , surpresa é surpresa ... e vocês ( na verdade eu ) terão que esperar por ela .
Saúde e sucesso a todos , mais o abraço deste Editor José Amaral .
quarta-feira, 3 de julho de 2013
70 - Julieitinha e o oficial do vapor - Final B
Quita , no apartamento de Valéria e Paulo Becerra na capital do estado , limpava a poeira dos móveis com um pano umedecido , ao mesmo tempo que ouvia Pituca falar ao telefone , com Zé Arataca em Recife .
Pituca : " Se tú achas que é tão importante assim ... ?
Mas tudo não está tão bem , Chê .... ? "
.......
Pituca : " Mas bááh Tchê .... então é em razão de tudo estar dando certo que o pessoal quer ampliar as remessas ... mas isto é tri-legal , Tchê ! "
......
Pituca : " Tá bom barbaridade , eu estarei no Rio no dia e hora combinada , lá na Churrascaria Gaúcha .... "
Quita , a Mosqueteira , não só ouvia , mas também gravava em seu cérebro o que acabara de presenciar . A negra lembrou naquele instante que sua família trabalhava há décadas para os Becerras sem que tivessem um salário que lhes proporcionasse quaisquer confortos ou mesmo possibilidades de ter uma família normal , uma família cujo destino na fosse continuar servindo de mão de obra barata para os patrões. "Enquanto isto , os Becerras enriqueciam , multiplicavam sua fortuna , " pensava a preta . "Não , eu não vou tremer ... eu vou conseguir deixar de lado o servilismo que se abate sobre a minha raça desde que nos trouxeram acorrentados da África . "
Por incrível que pareça , Quita notou que Pituca também refletia ... decidia intimamente alguma coisa que ela , porém , imaginava do que se tratava . Na verdade , Paulo também vacilara um pouco em dar continuidade no plano de apropriar-se de uma das remessas . Pensava , pensava ... até que seu semblante desanuviou-se , momento em que chamou , quase gritando , Valéria .... : " Polaquinha ....;. Polaquinhaaaa ... meus planos estão se concretizando ... ligaram-me para uma reunião no Rio , e será para fechar um negócio que eu esperava a meses . "
Como Valéria não respondesse , Pituca abriu de vagar a porta do quarto e viu - nada menos do que a sua polaquinha dormindo , ou pelo menos fazendo que dormia . A inércia da mulher - estática como se fosse um quadro do D´Orsay - despertou no Gaúcho vontades e desejos que , de pronto , fizeram-no ajoelhar-se e beijar , lamber mesmo , um a um os dedos dos pés de sua Pipoquinha , que mexeu o corpo acusando a carícia , mas sem tirar o pé da boca do amante .
Pituca : " Se tú achas que é tão importante assim ... ?
Mas tudo não está tão bem , Chê .... ? "
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Pituca : " Mas bááh Tchê .... então é em razão de tudo estar dando certo que o pessoal quer ampliar as remessas ... mas isto é tri-legal , Tchê ! "
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Pituca : " Tá bom barbaridade , eu estarei no Rio no dia e hora combinada , lá na Churrascaria Gaúcha .... "
Quita , a Mosqueteira , não só ouvia , mas também gravava em seu cérebro o que acabara de presenciar . A negra lembrou naquele instante que sua família trabalhava há décadas para os Becerras sem que tivessem um salário que lhes proporcionasse quaisquer confortos ou mesmo possibilidades de ter uma família normal , uma família cujo destino na fosse continuar servindo de mão de obra barata para os patrões. "Enquanto isto , os Becerras enriqueciam , multiplicavam sua fortuna , " pensava a preta . "Não , eu não vou tremer ... eu vou conseguir deixar de lado o servilismo que se abate sobre a minha raça desde que nos trouxeram acorrentados da África . "
Por incrível que pareça , Quita notou que Pituca também refletia ... decidia intimamente alguma coisa que ela , porém , imaginava do que se tratava . Na verdade , Paulo também vacilara um pouco em dar continuidade no plano de apropriar-se de uma das remessas . Pensava , pensava ... até que seu semblante desanuviou-se , momento em que chamou , quase gritando , Valéria .... : " Polaquinha ....;. Polaquinhaaaa ... meus planos estão se concretizando ... ligaram-me para uma reunião no Rio , e será para fechar um negócio que eu esperava a meses . "
Como Valéria não respondesse , Pituca abriu de vagar a porta do quarto e viu - nada menos do que a sua polaquinha dormindo , ou pelo menos fazendo que dormia . A inércia da mulher - estática como se fosse um quadro do D´Orsay - despertou no Gaúcho vontades e desejos que , de pronto , fizeram-no ajoelhar-se e beijar , lamber mesmo , um a um os dedos dos pés de sua Pipoquinha , que mexeu o corpo acusando a carícia , mas sem tirar o pé da boca do amante .
terça-feira, 2 de julho de 2013
69 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Os raros selecionados para ser um Mosqueteiro haveriam de passar por um severíssimo ritual de entrada . Uma das últimas provações a serem vencidas era a da "brasa na língua" , que consistia em que alguém contasse um mexerico ( o que em Boca do Monte começava a ser chamado de "fofoca" ) sob solicitação de que o dito maldoso não fosse passado adiante . Dias depois o segredo era , de alguma forma , conferido pelo Mosqueteiro que fora designado para aplicação do " brasa na língua". Assim era testado o candidato conferindo se dispunha - ou não - da capacidade de guardar as importantes confidências que , certamente , chegariam-lhe aos ouvidos por ser um Mosqueteiro . As tais "fofocas" . Quanto à coragem , necessária à um Mosqueteiro , para os naturais medos das muitas quase-ficções originadas na metafísica regional ; ela seria posta em cheque na derradeira prova , e consistia em que o pré-escolhido passasse sozinho a meia-noite de uma sexta-feria na Lagoa da Música , na Hulha Negra . Ainda que distanciadamente , um dos Mosqueteiros declarou que entendeu como macabra tal exigência . Mesmo assim a prova não foi abolida. Para para serem sagrados "Mosqueteiro" os futuros irmãos de espada teriam mesmo que continuarem a serem testados em "Sexta-Feiras da Lagoa da Música " . Assim é que o noviço era informado pelos iniciados de que teria que ficar toda a aziaga noitada meditando margens da lagoa sobre os meandros da morte , sem que - pelo que ele soubesse - pessoa viva permanecesse a menos de uma légua de sesmaria dali . Em verdade , os demais Mosqueteiros ficavam por perto, no meio da escuridão geral . Tão logo transcorresse a meia-noite - momento em que os gritos dos degolados eram ouvidos com muito mais nitidez ; e , se o noviço permanecesse - ainda que minimamente - no controle de seu corpo e de sua mente ; se conseguisse manter a calma ante as lembranças , aflições e sons que até então emanavam do fundo da lagoa onde ainda jaziam os despojos da matança acontecida naquele exato de centenas ; transposto estes momento logo chegariam os irmãos de capa-e-espada ; enfim , os demais mosqueteiros - que em verdade ficavam por perto - ante os riscos inerentes àquele quase limite da resistência humana ao sobrenatural ; e , saindo-se o candidato vencedor , eles cortavam o silêncio da madrugada entoando cânticos greogorianos , repartindo o pão , o queijo e o vinho e , - vencida a provação - sagravam ali mesmo o novo Mosqueteiro .
Pasme , mas o certo é que o mais novo dos Três Mosqueteiros ( diga-se que passou com louvor em todas as provas foi , ninguém menos , do que a Quita ; de quem - a bem da verdade - nenhum dos irmãos esperava a coragem por ela demonstrada . Sequer tremeu uma fibra do seu corpo ao ouvir o de sempre : gritos lancinantes dos espíritos dos corpos penadas ali degolados
Talvez , sejamos francos , por uma resquício do quase permanente preconceito contra os negros que naquela época ainda era muito mais intenso do que hoje .
Pasme , mas o certo é que o mais novo dos Três Mosqueteiros ( diga-se que passou com louvor em todas as provas foi , ninguém menos , do que a Quita ; de quem - a bem da verdade - nenhum dos irmãos esperava a coragem por ela demonstrada . Sequer tremeu uma fibra do seu corpo ao ouvir o de sempre : gritos lancinantes dos espíritos dos corpos penadas ali degolados
Talvez , sejamos francos , por uma resquício do quase permanente preconceito contra os negros que naquela época ainda era muito mais intenso do que hoje .
quinta-feira, 27 de junho de 2013
68 - Julietinha e o Oficial do vapor . - Final B .
Um ano se passara e quatro remessas de valores tinham chegado do centro do país . A maior parte deles seguira para a Europa , quantias de menor monta ficaram mesmo na República Oriental . Como Pituca previra , os capa-pretas fizeram-se íntimos das moças do Boca de Ouro . O que Paulo não sabia é que a jovenzinha , que praticamente amigara-se com Silvério o capa-preta chefe , fora convidada pelos Mosqueteiros a fazer parte do grupo . E aceitara juntar-se à D´ Artagnan e Athos adquirindo o codinome de Aramis ; aliás , o único dos mosqueteiros que falava o idioma Espanhol . Assim , Aramis recebeu a promessa de que quaisquer desapropriações , qualquer lucro vindo daquela sociedade, seria dividia de forma igual entre os mosqueteiros . Reviveriam o "Um por todos , todos por um " .
O certo é que a moça era nacional da República Oriental e , se antes de pertencer aos Mosqueteiros já se esforçava em agradar Silvério ( aliás , ele confidenciou-lhe numa noite daquelas que "Silvério" era um codinome ; que seu nome de batismo seria Dirceu . Mas foi preciso de muito uísque irlandês na cabeça para que Dirceu revelasse este seu segredo maior ) agora ela se aplicava mais e mais nos jogos de amor . Ainda que a jovem exercesse a antiga profissão , é certo que ela não o fazia tão somente por interesse pecuniário . Assim , ampliar os limites das possibilidades amorosas era não só um desafio na missão de agradar totalmente Silvério ; a verdade é que uma possibilidade - a de trabalhar em prol do ideal do Mosqueteiros - não anulava a chance de entregar-se aos prazeres que quase sempre co-habitam com os demais resultados práticos de seu ofício . Aramis soltava-se e imergia no clima ; e , se proporcionava a Silvério tudo o que a imaginação do capa-preta criava , ela também aproveitava a sede , misturada com fome mesmo , com que o homem chegava ao Boca de Ouro . Nada , mas nada mesmo , do que constava do menu dos amantes , fossem eles franceses , tailandeses , indianos ou de qualquer outra nacionalidade tida como íntima do erotismo mais profundo era deixado de lado . Silvério trazia-lhe fotos , cadernos pornográficos com as posições eróticas mais intensas para reforçar os laços amorosos , mas cuidava de levá-los todos de volta quando , quase ao amanhecer , seguia para Rivera . O fato é que Aramis , com Silvério , sentia de verdade quase todo o prazer que exteriorizava ; e que com outros clientes , fingia sentir . Por isto , se do seu lado Silvério gemia sem sentir dor em cima Aramis cortava o silêncio daqueles pampas só povoado de gado bramindo de prazer. Para o bem de todos , a moça convencera o capa-preta de que ele nascera para dar prazer aquela sua amante . E é bem possível que isto fosse verdade . Só o que Silvério não sabia , era que a mulher , além do prazer que proporcionava e desfrutava -além disto - ela ficava com olho de águia nos hábitos de Dirceu ; como e onde guardava as chaves da caminhonete que trazia o tesouro , por quanto tempo a quantidade bebida naqueles encontros o mantinha quase anestesiado . Todas as informações eram passadas para D´ Ártagnan e Athos .
Por sua vez , Paulo - o Pituca - ao perceber que Silvério caíra mais e mais o beiço por Aramis , aumentou substancialmente o cachê da prostituta . Ao mesmo tempo que lhe criara um problema : quanto mais pagava , mais informações sobre os costumes do capa-preta exigia ; que , não por acaso , eram os mesmos detalhes que D´ Artagnan e Athos pedidos .
Aramis , assim que pode , pediu uma reunião com D Ártagnan e Athos para que os três avaliassem qual seriam as melhores respostas que ela teria que dar ao Pituca , que em vez de aproximá-lo da fortuna que ambos os lados disputavam , deixassem-no cada vez mais distante da dinheirama .
O certo é que a moça era nacional da República Oriental e , se antes de pertencer aos Mosqueteiros já se esforçava em agradar Silvério ( aliás , ele confidenciou-lhe numa noite daquelas que "Silvério" era um codinome ; que seu nome de batismo seria Dirceu . Mas foi preciso de muito uísque irlandês na cabeça para que Dirceu revelasse este seu segredo maior ) agora ela se aplicava mais e mais nos jogos de amor . Ainda que a jovem exercesse a antiga profissão , é certo que ela não o fazia tão somente por interesse pecuniário . Assim , ampliar os limites das possibilidades amorosas era não só um desafio na missão de agradar totalmente Silvério ; a verdade é que uma possibilidade - a de trabalhar em prol do ideal do Mosqueteiros - não anulava a chance de entregar-se aos prazeres que quase sempre co-habitam com os demais resultados práticos de seu ofício . Aramis soltava-se e imergia no clima ; e , se proporcionava a Silvério tudo o que a imaginação do capa-preta criava , ela também aproveitava a sede , misturada com fome mesmo , com que o homem chegava ao Boca de Ouro . Nada , mas nada mesmo , do que constava do menu dos amantes , fossem eles franceses , tailandeses , indianos ou de qualquer outra nacionalidade tida como íntima do erotismo mais profundo era deixado de lado . Silvério trazia-lhe fotos , cadernos pornográficos com as posições eróticas mais intensas para reforçar os laços amorosos , mas cuidava de levá-los todos de volta quando , quase ao amanhecer , seguia para Rivera . O fato é que Aramis , com Silvério , sentia de verdade quase todo o prazer que exteriorizava ; e que com outros clientes , fingia sentir . Por isto , se do seu lado Silvério gemia sem sentir dor em cima Aramis cortava o silêncio daqueles pampas só povoado de gado bramindo de prazer. Para o bem de todos , a moça convencera o capa-preta de que ele nascera para dar prazer aquela sua amante . E é bem possível que isto fosse verdade . Só o que Silvério não sabia , era que a mulher , além do prazer que proporcionava e desfrutava -além disto - ela ficava com olho de águia nos hábitos de Dirceu ; como e onde guardava as chaves da caminhonete que trazia o tesouro , por quanto tempo a quantidade bebida naqueles encontros o mantinha quase anestesiado . Todas as informações eram passadas para D´ Ártagnan e Athos .
Por sua vez , Paulo - o Pituca - ao perceber que Silvério caíra mais e mais o beiço por Aramis , aumentou substancialmente o cachê da prostituta . Ao mesmo tempo que lhe criara um problema : quanto mais pagava , mais informações sobre os costumes do capa-preta exigia ; que , não por acaso , eram os mesmos detalhes que D´ Artagnan e Athos pedidos .
Aramis , assim que pode , pediu uma reunião com D Ártagnan e Athos para que os três avaliassem qual seriam as melhores respostas que ela teria que dar ao Pituca , que em vez de aproximá-lo da fortuna que ambos os lados disputavam , deixassem-no cada vez mais distante da dinheirama .
quarta-feira, 26 de junho de 2013
E "O Globo" afinou mais uma vez .
Prezados leitores !
Impossível deixar de registrar que hoje , 26 de junho de 2013 o principal jornal do Rio de Janeiro chavecou . Lembram o que é chavecar ? É embrulhar a mentira para presente .
E não é que na mesma manhã em que a polícia carioca mata dez pessoas o jornal O Globo omitiu-se em registrar esta tragédia com a manchete maior da primeira folha . Existe , creiam leitores , obrigação do jornal dar o destaque maior ( a manchete maior , mais expressiva ) para o assunto mais relevante .
Rapidamente estamos chegando à Iraque . à Afeganistão , à Síria , à banalização da morte por atacado .
Assim é que não existia no dia , na edição de hoje , um tema ( ainda que macabro , quando a polícia de Sergio Cabral mata dez pessoas numa "Comunidade Pacificada " ) mais importante , mais pungente do que registrar para a posteridade , com a amplitude e grandeza exigida pela magnitude da tragédia , que dez pessoas foram mortas .
Mesmo assim , Globo praticamente repetiu a manchete maior de ontem : "derrubada da PEC 37 " .
Entre o chaveco ( chiiiii .... não podemos alarmar os gansos , não podemos botar isto em letras maiores ..... chamar mais atenção do mundo , temos a Copa do Mundo , as Olimpíadas ) . Ou seja : O Globo reage como parte interessada , e não como jornal , que tem a obrigação de dar suas chamadas , suas manchetes , na exata proporção da importância da notícia .
Não , não adianta fazer "mea culpa" , publicando em página inteira suas hipotéticas novas intenções , jurar por Deus que nunca mais vai alterar a ordem da notícia , não alterar a importância da notícia . Não adiantou jurar - como os Marinho juraram - que de forma alguma iriam - no futuro - manipular a notícia .
O "daqui para frente , tudo será diferente " dos Marinho era mentira , eis que posto a prova , O Globo age , e reage como o velho O Globo : chavecando a notícia , diminuindo-lhe a importância crucial .
O povo não é bobo !
Quem nasce para O Globo nunca chegará a El País .
Impossível deixar de registrar que hoje , 26 de junho de 2013 o principal jornal do Rio de Janeiro chavecou . Lembram o que é chavecar ? É embrulhar a mentira para presente .
E não é que na mesma manhã em que a polícia carioca mata dez pessoas o jornal O Globo omitiu-se em registrar esta tragédia com a manchete maior da primeira folha . Existe , creiam leitores , obrigação do jornal dar o destaque maior ( a manchete maior , mais expressiva ) para o assunto mais relevante .
Rapidamente estamos chegando à Iraque . à Afeganistão , à Síria , à banalização da morte por atacado .
Assim é que não existia no dia , na edição de hoje , um tema ( ainda que macabro , quando a polícia de Sergio Cabral mata dez pessoas numa "Comunidade Pacificada " ) mais importante , mais pungente do que registrar para a posteridade , com a amplitude e grandeza exigida pela magnitude da tragédia , que dez pessoas foram mortas .
Mesmo assim , Globo praticamente repetiu a manchete maior de ontem : "derrubada da PEC 37 " .
Entre o chaveco ( chiiiii .... não podemos alarmar os gansos , não podemos botar isto em letras maiores ..... chamar mais atenção do mundo , temos a Copa do Mundo , as Olimpíadas ) . Ou seja : O Globo reage como parte interessada , e não como jornal , que tem a obrigação de dar suas chamadas , suas manchetes , na exata proporção da importância da notícia .
Não , não adianta fazer "mea culpa" , publicando em página inteira suas hipotéticas novas intenções , jurar por Deus que nunca mais vai alterar a ordem da notícia , não alterar a importância da notícia . Não adiantou jurar - como os Marinho juraram - que de forma alguma iriam - no futuro - manipular a notícia .
O "daqui para frente , tudo será diferente " dos Marinho era mentira , eis que posto a prova , O Globo age , e reage como o velho O Globo : chavecando a notícia , diminuindo-lhe a importância crucial .
O povo não é bobo !
Quem nasce para O Globo nunca chegará a El País .
sexta-feira, 21 de junho de 2013
67 - Julietinha e o Oficial do Vapor . Final B
Quanto à produção literária , Pedro Santiago vivia o melhor tempo de sua vida . Estava terminando um livro de poesias que dava ao ex-jornalista grande satisfação . Julietinha engravidara , e recolhera-se ao lar em razão de que os médicos de Boca do Monte prevenirem que sua gravidez era de risco em razão de que a gestante já tinha uma certa idade , o que poderia ampliar as complicações possíveis na gravidez .
Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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Quanto às estâncias , percebia-se que Bandido fazia todo o possível - na verdade , quase o impossível - para que as propriedades dessem resultado econômico positivo . Ainda que não comentasse , por diversas vezes Bandido lançava mão de suas reservas conseguidas em muitos anos de trabalho na Austrália .
Tudo para que Pituca tivesse a segurança econômica que - em derradeira análise - garantiria todo mundo. E , quem sabe , muito especialmente , o futuro dele e de Almerinda . Bandido sabia que se a mesada de Pituca , que equivalia a dez mil dólares mensais, tivesse a regularidade de relojoaria européia tudo seguiria conforme estava planejando . O certo é que pouco a pouco Bandido passava a ser o senhor de todo império dos Becerras. Lembre-se mais uma vez que Bandido era de verdade uma pessoa honesta , polida . - e , se não fosse pouco - de impressionante bom humor .
Almerinda assumira a gerência da casa dos Becerras, em Boca do Monte , e cuidava de Julietinha como só as mães cuidam das filhas quando prenhas.
Quita , que era solteira , e que praticamente já era uma pessoa da família , foi para o apartamento de Pituca na capital onde fazia de bom grado toda a lida doméstica liberando Valéria para dedicar-se toda para os cuidados e necessidades de Pituca .
As chegadas de remessas , do Rio para Rivera , tornaram-se habituais ; ainda que entre uma e outra transcorressem dois ou três meses . Pituca , que vivia muito bem com a mesada que Bandido lhe enviava , liberara entradas das participações no contrabando de dinheiro , para a formação de uma poupança lá no país dos queijos furados .
Julietinha recebia a metade do que Pituca . Bandido a convencera que a outra metade estava sendo capitalizada contabilmente a seu favor . Na verdade Bandido , só com os resultados das estâncias , não conseguiria pagar à Julietinha o mesmo que mandava para Pituca .
Enfim , o núcleo familiar Becerra/Santiago saboreava um raro apogeu que poucos clãs um dia alcançam .
Quanto aos capa-pretas , pouco a pouco eles acostumaram-se a aceitar a parada , que cada vez era mais demorada , no Boca de Ouro . Cada um deles já tinha a sua favorita , que jurava que esperavam-lhes fiéis , mentira esta que reforçava consideravelmente o cachê , já que - pelo menos em tese - teria que aguentar até a próxima vinda de seus , digamos , sultões cariocas.
Já Paulo Becerra ; ele , no mais completo silêncio , preparava a surpresa , que era a de apropriar-se de uma das remessas . De preferência uma das maiores . E depois , ( quem sabe ? ) , ganhar o mundo com sua polaquinha .
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capítulo 12
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capítulo 16
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