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sábado, 28 de dezembro de 2013

9 - No Monastério de Bodedalma .

" Ah ! .... então estás botando as mangas de fora , hein ...  fazendo perguntas cada vez mais ousadas ...   como eu , isolado nestas montanhas na linha do Equador pude deixá-las  completamente ocas para depois instalar a maior concentração de contadores deste planeta ... . Na verdade estás certo ao afirmar que optei pelo isolamento , pela clausura deste monastério . Mas chega um dia em que precisamos falar com alguém de carne e osso ...  e nada melhor do que contar com um ser  desprovido de ambições maiores , consumidor que deve ser da mais abjeta junk-mídia .   Ou seja :  você é o ouvidor ideal para as minhas necessidades de comunicação vivo live .  Mas apesar disto tudo  tu conseguistes  ordenar uma pergunta lógica .   Vamos lá ...  sim , eu não teria  nenhuma chance de escavar  um vazio desta grandeza . Ocorre que não fui eu quem escavou este maciço ... foram  os artífices da bomba nacional . Sim , há mais de vinte anos baixou mais uma vez a megalomania própria dos aspirantes à  grandes ambições : a  que  nos tornemos uma grande potência atômica .  E foi ele , foi ele sim , foi ele quem mandou que a engenharia do exército perfurasse as rochas , buscando as mais duras para em tais galerias fixar as máquinas que nos tornariam uma potência atômica .  Só que no meio do caminho o Grande Tio descobriu  tais pretensões e com uma só ameaça fez o nosso Maioral  prometer de pés juntos que abandonaria o projeto da bomba H .  Ordenou mais : que  todos os buracos já abertos para a construção do complexo A  fossem  totalmente obturados , concretados  , inviabilizados para qualquer finalidade .   Aconteceu , porém , que - apesar de ter prometido - nosso Maioral  jamais cumpriu  a jura  .   Pouco a pouco uma nova floresta foi crescendo em volta do projeto de complexo atômico chegando a um momento que até os índios , a população local , todo mundo esqueceu-se destas  imensas cavernas .  Tornei-me  posseiro delas sem esforço algum .  Foi quando uma romaria quase interminável de helicópteros trouxe para cá  todos os contadores -  tudo sob as ordens  do pequeno país dos quarenta  trilhões ... "

" Pequeno país dos quarenta trilhões ... ?  o que é isto ? "

" É o meu cliente maior ... o que paga o feijão com arroz ... "

" A troco de que butiá ? "

" De muitos ... um deles é que somente eu , com  meus contadores ,  sei - no aqui e agora - quem  tem neste planeta quinhentos mil ...  "

" Quinhentos mil o quê  ,  Esplendoroso Bodedalma  ? "

" Ora quinhentos mil o quê ?     Sinto muito ,  Mondongo , mas eu já dei vazão à minha necessidade de comunicação .  Além disto é muito complicado falar com alguém que  necessita de que e explicitemos  o mais desnecessário  dos ditos  ... ora , ora ,  quinhentos mil o quê ... ?  "

Quer saber ... quer saber mesmo , por hoje chega  !  quem fala demais acaba dando bom dia a cachorro  ...  chega Mondongo ..  cheegaaaa !  "

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Um aviso .

Aviso aos navegantes deste " Com Chaveco " :

Esta série experimental ( No  monastério de Bódedalma ) foi iniciada equivocadamente no blog "Sem Chaveco "

Todavia , por ser uma ficção , e  é certo  que  o lugar das ficções é neste blog " Com Chaveco " ,  decidi  dar continuidade a tal estória neste  " Com Chaveco" .

Agradeço pela compreensão .

Links do blog "Sem Chaveco" com a série experimental "No monastério de Bóldedalma"

8 - No monastério de Bódedalma -

No terceiro dia de estada no monastério o peregrino foi novamente admitido ao Grande Salão de Bodedalma I  ; só que cometeu um erro que poderia ter-lhe custado a vida : na espera do Inefável ousou sentar-se no grande sofá ,  que tinha uns dez metros de comprimento ,  o qual Bódedalma  proibia terminantemente que  qualquer  traseiro , além do próprio ,  ali se abancasse .
Naquele momento uma voz poderosa , ultra-intensa  e super agressiva ocupou todo o volume do grande salão universal :  " Porque pusestes teu cu sujo em meu sofá  celestial ? "      disse o mandão , ao mesmo tempo que- disparava um raio de  sua pistola elétrica que  , mesmo  sendo de baixa intensidade ,  acertou exatamente no ponto visado por Bódedalma , chamuscando  a barriga  de Mondongo ?  "

Depois de soltar um grito lancinante ,  o peregrino ,   respondeu choramingando :

"ora por que ?    Não existe por aqui qualquer proibição de alguém sentar-se a teu lado , e como o que não é proibido é tacitamente permitido ,  eu  tomei a liberdade de pretender abancar-me o  mais próximo possível  de Vossa Sapiência ... "

" Você , como todos os nacionais deste país sempre confiando tão somente em normas escritas, em regulamentos, códigos ... ;  pergunto: e as diferenças sócio-culturais absorvíveis pelos costumes, pelas percepções que se sustentam no ambiente, ou mesmo no ar,  que  -  pela natural  compreensão do que seja certo ou errado, normal ou agressivo  aos costumes - é o único  elemento passível de nos igualar . Pergunto-lhe ,  pó de cupim :  e  toda esta aura que me diferencia de você ; tudo isto de nada serve ?   Toda esta ambientação  excludente  não é  bastante  para que te ponhas no teu lugar  independentemente  de qualquer outro aviso , seja ele escrito ou verbal ?   E , por fim ,  a estética que nos separa , nem ela  chega  a  fazer com que guardes  a distância  intuitível  que deve existir entre nós ? "

" Sim ,  Inteligência Rara  ; tens razão ,  mas mesmo assim a minha possibilidade de diferenciação do que seja real ,  daquilo que não o é ,   a minha pobre  capacidade  de poder separar o joio do trigo  na balança da personalidade  não chegou ao ponto de compreensão independente de normas escritas , ou mesmo verbais  expressas , e por isto peço-lhe o mais profundo dos perdões ... "

" Tudo bem , o momento é de conciliação e paz  ... estás perdoado ! "

" Então posso continuar perguntando ? "

" Digamos que sim ... "

" Lá vai !  ....   se és sozinho ,  se vives nesta ermida ,  se tens tão somente um castelão a servir-te ,  como podes ter carcomido esta cadeia de montanhas para nelas cravar a quantidade imensa de contadores  que permitem  que  desfrutes  concomitantemente do tempo e da razão ? "

- Segue -

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Boas Festas !

Aos meus antigos ,  mas também para os novos Leitores .

Hoje  somos cinquenta os que diariamente leem este blog  , espalhados por  muitos países em todos os continentes .

Por este meio concluí  que as idéias de alguém , por mais exóticas que sejam ,  com um universo tão amplo ,  sempre encontraremos vida inteligente do outro lado da linha .

É por isto que agora estou feliz , por ter encontrado vocês .

Boas Festas

José Amaral

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Eu quero ter um milhão de Amigos !

Prezados 155 perseguidores ! É com muita honra que registro o incrível número de leitores neste blog " Com Chaveco " - ( que , na gíria brasileira quer dizer : Com Mentiras ) . Lembro que temos também outro blog ao qual chamamos de "Sem Chaveco " - ou " Sem Mentiras " . O certo é que até agora tínhamos , no máximo , uns quarenta leitores ao dia . Mas agora , com um chamado up-grade dado por uma amiga ( Nadia ) , chegamos hoje ao incrível número de 155 leitores espalhados por quase todo o mundo : Brasil , Alemanha , Argélia , Argentina , Espanha , Estados Unidos , Malásia , República Dominicana e Servia. Como diria o nosso cantor popular maior, Roberto Carlos : "eu quero ter um milhão de Amigos !" Bom dia !

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Até breve !

Prezados Leitores . Como vocês devem ter notado , repetem-se os erros de "datilografia" nos textos deste blog " Com Chaveco " . Isto acontece por causa do meu computador que está ( talvez ) mortalmente ferido . Assim , manter "no ar " este blog está sendo , digamos , esteticamente complicado para mim . Farei uma interrupção rápida , de alguns dias , para a compra de um novo equipamento . Até breve ! O Autor .

domingo, 17 de novembro de 2013

97 - Julietinha e o Oficial do Vapor - final B

Levaram  os dólares para o Caverá .   No mais  esquecido e distante cerro , praticamente enterraram  o furgão numa fenda de pedra do monte .   Não foi por acaso ,  Athos  criara-se por ali .
Estava decidido  que contariam tão somente três caixas de dólares . As demais  só  seriam abertas para que o conteúdo fosse constatado por todos .  Quanto ao destino  , o lugar em que cada um guardaria seu tesouro , isto ainda não estava resolvido .  Poucas horas depois chegara ,  montado ,  o pastor  Gualter que  novamente ficou  de guarda - agora a dois quilômetros de distância -  na única estrada existente e , mesmo já sendo noite ,  andava incessantemente de um ponto a outro  para  que assim  pudesse perceber qualquer modificação  nas cercanias do local onde se dava a reunião . Gualter  olhava  não só para onde era possível alguém chegar ,  mas também para o ponto onde a reunião acontecia , eis que mesmo que quase não fosse possível  avistar-se  aquele  acampamento ,  mesmo assim isto não o desobrigava de  manter  os sentidos totalmente ligados aos riscos representados  - independentemente de outros - pela simples passagem por aqueles ermos de quantia  tão grande :  algo em torno de vinte milhões de dólares .Três horas se passaram para que a primeira parte do plano fosse concluída , momento em que D ´ Artagnan pediu  a palavra. "Caros irmãos ,  confirmadas nossas melhores expectativas  sobre a  quantia  existente nas primeiras caixas que empacotavam os  Excessos  de Realizações Pecuniárias  ,  cabe agora decidirmos sobre o destino  de montante tão valioso ... "

"Peço a palavra !  "   quase berrou  Quita   para  surpresa de todos !

"É evidente , Mosqueteira Quita , que  eu passo-lhe  a palavra . E com um misto de honra  e prazer  mosqueteiros ! "   Completou  D ´Artagnan .

" Irmãos ,  quantas serão as partes  em que serão divididos os Excessos  que  aqui temos ? "

Tão óbvia era a resposta que ninguém atreveu-se  a dá-la ,  ganhando  a noite  escura só  silêncio  como réplica . O pouco tempo que passou pareceu  algo que tendia a perpetuar-se  , até  que  Athos arriscou-se  :

" É claro que somos quatro  a repartir o monte  de dólares , irmã  Quita .  Você ,  Aramis , D ´Artagnan  e eu .   Então , desculpe-me , mas  não percebo qual seja a  sua dúvida . "

" Não ,  valente mosqueteiro Athos . Não somos quatro .  E , a manter-se  seu prognóstico  estaremos cometendo o que tanto  criticamos ... uma  injustiça  a mais ....  afinal , Novos Mosqueteiros , a que vem esta irmandade ?  "

Um  óóó  geral  de dúvida e exclamação   quebrou o súbito silêncio ...

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