Dois planos seguiam a um só tempo : o de Pituca , e o dos Novos Mosqueteiros . O plano de Paulo Becerra tinha duas pessoas infiltradas nele : os mosqueteiros Quita , e Aramis . Quanto à Aramis , Pituca entendeu que ela , sendo pessoa da maior importância para o furto que planejava , ofereceu-lhe a participação de cem mil dólares ; quantia que foi imediatamente aceita pela rapariga . Aramis raciocinou prontamente que se desse uma resposta al tiro , isto aumentaria a confiança de Pedro , incentivando-o para que falasse ainda mais de seus planos .
Julitetinha reclamou de Pedro por ele não ter contado que fora à Caçapava . É que Pedro fora àquela cidadezinha , segundo contou gora à Julietinha , para informar-se de certas incursões de espeleólogos que estavam explorando algumas grutas que haviam na cidade .
Julietinha : " Mas por que não me dissestes , Pedro ? "
Pedro : "Na verdade no dia que eu fui lá tu estavas visitando o Pituca em Porto Alegre . Ou melhor , fostes ajudar a Valéria nas compras , nos preparativos para o casamento . Depois disto eu até cheguei a me esquecer de que tinha ido à Caçapava . "
Foi verdade . Pedro também interessava-se por espeleologia , e foi à cidadezinha fazer um contato com os exploradores de cavernas .
D ´Artagnan , que estava sempre atento aos detalhes , achou que o fato de Aramis morar do lado de lá da fronteira , na República Oriental , isto era algo bem importante para eles todos. Tudo porque no plano que começava a cristalizar-se em sua cabeça ; Aramis seria a pessoa sobre a qual recairiam todas as suspeitas e , evadir-se de pronto para o país vizinho garantiria totalmente o seu total distanciamento do alívio que os Novos Mosqueteiros fariam ante os acumuladores de realizações pecuniárias . Bastaria-lhes manter Aramis distante de tudo e de todos para que todas as suspeitas morressem no nascedouro .
Valéria confidenciou à Quita que Pituca teria fraquejado na mútua decisão de ambos voltarem ao estado de quase reconstrução das virgindades . Ante ao argumento do noivo de que por faltar tão pouco tempo para as núpcias terminada estaria a necessidade de manterem a candura , Valéria agarrou-se à promessa como um náufrago a um salva-vidas :
" Se esperamos até aqui , se sofremos juntos as maiores tentações , por que haveremos de quebrar a promessa de nos mantermos alvos como a neve , limpos como águas que descem das montanhas , claros com as luz das estrelas . Não , amado Pituca , o que você quer , o que me pede , só terá depois do casamento ... e aí sim , serei toda tua ... e para sempre . "
Pituca , que estava ajoelhado aos pés da amada , levantou-se e , sem despedir-se , caminhou para o seu apartamento parecendo que estava algo assim meio curvado .
quinta-feira, 25 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
73 - Julietinha e o Oficial do Vapor - Final B .
Conforme já tinham combinado , foi a mosqueteira Quita que convocou uma reunião para informar o grupo sobre as novidades colhidas . Desta vez ficou acertado que o encontro seria em Caçapava , uma cidadezinha no alto de uma pequena serra , que vive da mineração de calcário , com paisagens das mais tranquilas de todo o planeta Terra . Quita não bebia álcool ; assim , o brinde em que todos os Mosqueteiros levantavam as taças , para ela foi com refrigerante . Para os demais foi com um excelente vinho da Campanha .
" Tudo bem ". respondeu Porthos . Mas voltemos à nossa causa primeira : quanto hoje progredimos no nosso plano de ir buscar - como sempre me diz D ´Artagnan ... o nosso quinhão ... ao , tão somente , aliviar os excessos de realizações perpetradas por terceiros ? "
D ´Artagnan respondeu : " Posso garantir que hoje andamos muito , mosqueteiro Porthos . "
Foi Aramis quem abortou a aridez da falação que , certamente , iniciaria o primeiro mosqueteiro ( "primeiro" por que foi quem organizou o grupo , eis que entre Os Novos Mosqueteiros não existia qualquer hierarquia ) : " Eu estava esperando um tempo para dizer que Pituca convocou todas as meninas do Boca de Ouro para a semana que vai do Natal até o dia 2 de janeiro . Ele quer todas a postos neste período. "
Depois de Aramis , Quita aproveitou para dar mais uma notícia : " Ouvi o Seu Pituca dizendo para Valéria que estava cada vez mais satisfeito com o trabalho do Seu Bandido ; que , até agora , Bandido não atrasara um dia sequer no pagamento de sua mesada de dez mil dólares . Eu ainda não sei bem o que isto tem a ver com tudo que nós queremos . Mas a intuição me diz que em alguma coisa isto é bom para nós todos . "
Foi o próprio D ´Artagnan quem completou . " Todos nós devemos ficar atentos , mas também felizes ! Diversos passos já foram dados por nós , Porthos . E todos com absoluta precisão . Nem que eu quisesse só olhar para o lado frio da lógica , despindo-o de interpretações que pudessem nos favorecer ; nem assim eu poderia esquecer que temos boa parte do caminho andado . Tudo joga a nosso favor ! Vejam a alegria de Pituca quando confirma que o senhor Bandido paga com absoluta pontualidade o que lhe prometeu . Qual a leitura disto , Novos Mosqueteiros ? Qual ? : Pituca , já decidiu que mudará de vida no momento em que casar-se . E quer ter uma dupla garantia : o pinga-pinga , pelo menos para ele , de dez mil dólares por mês depositados em sua conta , mais um depósito de nada menos do que vinte milhões de dólares . Tudo depositado no pais da cruz branca . Posso garantir que todas as terras , todas as estâncias de de Pituca não valem a metade disto ."
Foi Porthos quem cortou D ´Artagnan : " Vinte milhões de dólares .... de onde tu tirastes este número ? "
" É fácil , Porthos . Tantos avisos , tantas preparações levam a uma conclusão evidente : O pequeno caminhão virá lotado . Eu me dei ao trabalho de calcular , pelo volume do caminhão , quantas notas de cem dólares cabem ali . Dá mais de vinte milhões de dólares . Outra evidência é que a situação política está dia a dia se complicando . Eu me convenci que os detentores da pecúnia concluream que chegou a hora dos excessos de realizações serem retirados do país . E o quanto antes . Vejam , companheiros , temos que agir como um relógio inglês , com exatidão , sem titubeios . Absolutamente precisos nos alívios pecuniários a que nos propomos ; se o casamento de Pituca está marcado para o dia 15 de Dezembro ; e , se além disto , ele vendeu os apartamentos , é porque quer abandonar a região . Como ouvimos nossos pais dizer : Pituca quer ver o anoitecer , mas não o amanhecer . Quer desaparecer na calada da noite . E por que Pituca faz isto ? : porque a maior parte de seu plano também, já deu certo . Recordam que eu disse que todos os carregamentos de dólares chegaram num feriado de longa duração ? Este é o motivo de Pituca botar o Boca de Ouro de prontidão geral na semana de fim de ano . " Todos os mosqueteiros balançaram a cabeça afirmativamente , quando D ´Artagnan voltou à sua explanação : " Pois bem , daqui a 40 dias teremos um grande feriado , o maior de todos : a semana de Natal , sempre colada nas festas de passagem do ano . E , como neste ano o Natal cai numa terça-feira teremos praticamente a junção de dois grandes feriados . Tem-se aí um momento mágico em que as estradas param , os postos policiais fecham por completo seus postos logo depois que acham que todo o tráfego vazou para seu destino final . Companheiros , a polícia também para , recolhe-se a seus lares . E não só no Brasil . Tudo para nos dois lados da fronteira . Para todos que estão nesta aventura o final do ano é a hora . O dia é este : o primeiro do ano . "
Porthos aproveitou para levantar uma dúvida : " Pensei , pensei e percebi , D ´Artagnan , que não precisamos de que exista um duplo furto . Ora , se a nossa fé aponta para que o dito de "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " seja suficiente - pelo menos quanto ao tempo necessário para uma ampla anistia divina ; e , considerando-se os obstáculos que teríamos ao ter que esperar que Pituca faça o seu desapossamento ; para , aí sim , aliviarmos o gauchão ; digo com certeza que não vale a pena o risco originado nesse duplo perdão . Diante disto eu peço a Democrática para que seja resolvido este incidente : se poderemos promover um alívio simples , mesmo que com isto só tenhamos a garantia de tão somente cem anos de perdão , não existe motivos lógicos ou religiosos para que o risco se multiplique . Ou , então , se for da vontade do Grupo , esperemos que Pituca furte os dólares , para - depois dele delinquir - aí sim aliviar o Paulo Becerra . "
D ´Artagnan pediu que , pela ordem , ele esclarecesse : " Muito bem , Porthos . Já vi que nosso convívio tem feito sua cabeça se abrir aos clássicos . Você tem razão ! O que Pituca faria seria um furto ; isto mesmo , o estancieiro não dispõe de status filosófico , ou mesmo religioso , que todos nós , Os Novos Mosqueteiros , dispomos . Tudo porque nós , qualquer um dos Novos Mosqueteiros , nada têm de acumulação , real ou pecuniária . Inexiste , para Pituca , qualquer possibilidade do perdão divino . Isto nem de longe vale para Pituca . Ele é um grande proprietário de terras ; e , o que para nós será um aliviar de excessos de realizações , para ele seria mais uma acumulação ampliadora de realizações . Parabéns , Athos ! E eu espero que Aramis e Quita estejam abrindo suas consciências para o fato de que não nos interessa ser igual aos outros acumuladores insaciáveis . O que queremos é a nossa parte nas apropriações de bens naturais embolsados ao longo das eras , das gerações . "
Desta vez , Quita foi a única pessoa que não demonstrou segurança no balançar a cabeça afirmativamente . Mesmo assim , balançou-a .
Foi quando D ´Artagnan completou : " Por mim , eu - por mais que isto nos custasse - consumaria compulsoriamente o duplo alívio . Por mais que nos custasse , deixaria que Pituca furtasse os Capa-Pretas para só então aliviá-lo ; para com isto garantir uma anistia celestial de duzentos anos . Mas eu não vou quebrar a jura que fiz : submeto-me à Democrática . "
Foi quando D ´ Artagnan completou : " Companheira Quita ... você lembra o que seria a Democrática ? "
Quita , que todos os dias lia o Guia dos Novos Mosqueteiros que tão bem escondia nos seus guardados, não titubeou . Trazia na ponta da língua a definição do Manual elaborado por D ´ Artagnan : " A Democrática é o pedido oficial posto por um dos Mosqueteiros de que a vexata quaestio seja colocada em votação aberta . "
D ´ Artagnan não se conteve : " Para concluir , companheira Quita : e o que viria a ser vexata quaestio ? "
Quita : " Vexata quaestio , para nós , os Novos Mosqueteiros , é uma como chamamos as questões sumamente intrincadas ."
D ´Artagnan : " Parabéns Mosqueteiro Quita ! Vamos à Democrática ... "
D ´ Artagnan : " Mosqueteiro Quita , em que tu votas , no duplo perdão , que nos garantiria duzentos anos de indulto divino , ou no alívio uno , representado num só passo aliviante ? "
Quita : " Concordo com Athos . Nossas vidas não chegarão a cem anos . E , pelo que ouvi dizer , pelo menos no campo terreno , a penalização de alguém não pode ser transferida para a sua família . 'A nossa descendência só restaria os bônus de uma pequena montanha de dólares . "
D ´Artagnan : " Submeto-me à vontade da maioria , mas devo esclarecer que quando pedi a comprovação de dois roubos para a quantia almejada que será aliviada, eu me referia tão somente aos limites religiosos que a questão compreende ... Aramis , qual o seu voto ? "
Aramis : " Mais do que ninguém , eu compreendo as preocupações político/ filosóficas/religiosas do primeiro Mosqueteiro . Mas , como na profissão que abracei , devo ser prática : não vale a pena a relação custo/benefício de termos que correr o risco de dois alívios seguidos , não vale a pena . Voto com o Mosqueteiro Athos . "
Assim , democraticamente , foi decidido que somente um alívio era suficiente para livrar os Mosqueteiros dos desdobramentos terrestres esperáveis . E , por que não ? com o rigor lógico adotado desde o início por D ´Artagnan , que também os impedia moralmente de correr riscos de estarem perpetrando algum furto . Algum roubo .
D´Artagnan foi complacente ao calar-se para a questão relativa à eternidade das almas no tempo posterior ao Juízo Final . Até D ´Artagnan convenceu-se que seria um excesso abrir mais uma discussão para , nela , discutir o tempo ulterior ao dia do Juízo Final . E , imediatamente , bateu o martelo .
Quita passou por um tempo de amadurecimento . Se antes só pensava em servir seus senhores , agora sua auto-estima crescera , ela sabia que era uma pessoa como as outras , que tinha suas prerrogativas , por isto queria sacar o seu quinhão que , sem dúvida , estava em outras mãos . Nela viviam duas pessoas . Uma , a antiga , era a que gostava de mexericos , de fofocas . E foi este lado que contou aos colegas dois fatos que ela achou inusitados : Pituca , nesta segunda vez que co-habitava com Valéria , adquirira o apartamento ao lado do que já possuía para ali abrigar sua amada . Paulo Becerra nunca esqueceu que ambos prometeram-se mutuamente que sem o casamento eles não se pertenceriam , tivessem a vontade que tivessem um do outro .
E , se acariciavam-se por longos momentos , tais carícias , acreditem , não transpunham os limites de afagos mas sem que - como Valéria confidenciou à Quita - chegassem sequer a masturbar-se . Ambos respeitavam a palavra empenhada . E num determinado momento depois de cearem juntos , despediam-se . Cada um para o seu apartamento . Para ambos , aquele resistir , ainda que a paixão explodisse neles , era assim como a expiação necessária à purificação de seus espíritos . E corpos . Guardavam-se para as núpcias que - segundo Pituca vinha comentando - seriam - nada mais , nada menos - do que no Tahiti . Mais precisamente , em Pappete .
Mas ainda sobravam outros segredos , também captados por Quita : O nome verdadeiro de Valéria não era este , mas sim Valeska . E agora Pituca começara uma campanha para que Valéria , no dia do casamento , no instante em que juraria fidelidade ao marido , voltasse ao seu verdadeiro nome . Assim , o ritual do casamento teria mais uma purificação . Ali morreria Valéria e renasceria Valeska.
Quita encerraria sua fala com mais duas novidades . Paulo já estava na posse dos passaportes e , ainda mais intrigante : Quita presenciou um telefonema de Pituca para um corretor de imóveis no qual tratava da venda dos dois apartamentos , e que o comprador fosse avisado que o vendedor permaneceria no imóvel por mas algum tempo - não muito .
Se os demais Mosqueteiros estavam boquiabertos , D ´Artagnan não demonstrou surpresa . E , novamente , fez um discurso pelo qual quis clarear ainda mais a cabeça dos companheiros : " Acho que já não temos dúvida de que a propriedade também pode vir sem máculas . Mesmo assim cabe uma observação : as coisas industrializadas , e vendidas , têm nelas bens extraídos da natureza que são propriedade de todos , de todo mundo . Ou seja ( e D ´Artagnan levantou as voz , ainda que os companheiros já estivessem-no bem escutando ) aqui nestes confins da nação - se não no País inteiro , no mundo inteiro - as classes que mandam ficam não só com aquilo que elas agregam nais coisas que produzem . Mas , também , com aquilo que seria de todos por virem das entranhas da terra , de antes mesmo que o homem se conhecesse como tal . "
Quita e Porthos se entreolharam , mas foi Aramis quem arriscou uma pergunta : " Mas os impostos ? ; eles não servem para que esta parte que é de todos , a que é retirada da natureza , eles não são para que ela se volte para os que não participam diretamente da industrialização ? "
D ´ Artagnan , que jurava que os motivos que sempre o levavam a enfatizar para os outros Mosqueteiros o lado filosófico/religioso do alívio de excessos de realidades que fariam deveria servir tão somente para que todos não ficassem com sentimentos de culpa pela requisição que fariam ; completou : " pode até ser que em outras plagas , em outros países , os impostos sirvam como paga deste quinhão natural e coletivo . Só que aqui , nestas paragens , os mais hábeis ficam não só com o que eles porventura agregam às coisas ; mas também , com os benefícios originados na quase totalidade dos impostos que sobre elas incidem . Enfim , apropriam-se também , pelo exercício das mais diversas formas de poder , da quase totalidade das riquezas naturais . Não ; a propriedade nem sempre é um roubo , Aramis . Mas por aqui , quase sempre é . "
" Tudo bem ". respondeu Porthos . Mas voltemos à nossa causa primeira : quanto hoje progredimos no nosso plano de ir buscar - como sempre me diz D ´Artagnan ... o nosso quinhão ... ao , tão somente , aliviar os excessos de realizações perpetradas por terceiros ? "
D ´Artagnan respondeu : " Posso garantir que hoje andamos muito , mosqueteiro Porthos . "
Foi Aramis quem abortou a aridez da falação que , certamente , iniciaria o primeiro mosqueteiro ( "primeiro" por que foi quem organizou o grupo , eis que entre Os Novos Mosqueteiros não existia qualquer hierarquia ) : " Eu estava esperando um tempo para dizer que Pituca convocou todas as meninas do Boca de Ouro para a semana que vai do Natal até o dia 2 de janeiro . Ele quer todas a postos neste período. "
Depois de Aramis , Quita aproveitou para dar mais uma notícia : " Ouvi o Seu Pituca dizendo para Valéria que estava cada vez mais satisfeito com o trabalho do Seu Bandido ; que , até agora , Bandido não atrasara um dia sequer no pagamento de sua mesada de dez mil dólares . Eu ainda não sei bem o que isto tem a ver com tudo que nós queremos . Mas a intuição me diz que em alguma coisa isto é bom para nós todos . "
Foi o próprio D ´Artagnan quem completou . " Todos nós devemos ficar atentos , mas também felizes ! Diversos passos já foram dados por nós , Porthos . E todos com absoluta precisão . Nem que eu quisesse só olhar para o lado frio da lógica , despindo-o de interpretações que pudessem nos favorecer ; nem assim eu poderia esquecer que temos boa parte do caminho andado . Tudo joga a nosso favor ! Vejam a alegria de Pituca quando confirma que o senhor Bandido paga com absoluta pontualidade o que lhe prometeu . Qual a leitura disto , Novos Mosqueteiros ? Qual ? : Pituca , já decidiu que mudará de vida no momento em que casar-se . E quer ter uma dupla garantia : o pinga-pinga , pelo menos para ele , de dez mil dólares por mês depositados em sua conta , mais um depósito de nada menos do que vinte milhões de dólares . Tudo depositado no pais da cruz branca . Posso garantir que todas as terras , todas as estâncias de de Pituca não valem a metade disto ."
Foi Porthos quem cortou D ´Artagnan : " Vinte milhões de dólares .... de onde tu tirastes este número ? "
" É fácil , Porthos . Tantos avisos , tantas preparações levam a uma conclusão evidente : O pequeno caminhão virá lotado . Eu me dei ao trabalho de calcular , pelo volume do caminhão , quantas notas de cem dólares cabem ali . Dá mais de vinte milhões de dólares . Outra evidência é que a situação política está dia a dia se complicando . Eu me convenci que os detentores da pecúnia concluream que chegou a hora dos excessos de realizações serem retirados do país . E o quanto antes . Vejam , companheiros , temos que agir como um relógio inglês , com exatidão , sem titubeios . Absolutamente precisos nos alívios pecuniários a que nos propomos ; se o casamento de Pituca está marcado para o dia 15 de Dezembro ; e , se além disto , ele vendeu os apartamentos , é porque quer abandonar a região . Como ouvimos nossos pais dizer : Pituca quer ver o anoitecer , mas não o amanhecer . Quer desaparecer na calada da noite . E por que Pituca faz isto ? : porque a maior parte de seu plano também, já deu certo . Recordam que eu disse que todos os carregamentos de dólares chegaram num feriado de longa duração ? Este é o motivo de Pituca botar o Boca de Ouro de prontidão geral na semana de fim de ano . " Todos os mosqueteiros balançaram a cabeça afirmativamente , quando D ´Artagnan voltou à sua explanação : " Pois bem , daqui a 40 dias teremos um grande feriado , o maior de todos : a semana de Natal , sempre colada nas festas de passagem do ano . E , como neste ano o Natal cai numa terça-feira teremos praticamente a junção de dois grandes feriados . Tem-se aí um momento mágico em que as estradas param , os postos policiais fecham por completo seus postos logo depois que acham que todo o tráfego vazou para seu destino final . Companheiros , a polícia também para , recolhe-se a seus lares . E não só no Brasil . Tudo para nos dois lados da fronteira . Para todos que estão nesta aventura o final do ano é a hora . O dia é este : o primeiro do ano . "
Porthos aproveitou para levantar uma dúvida : " Pensei , pensei e percebi , D ´Artagnan , que não precisamos de que exista um duplo furto . Ora , se a nossa fé aponta para que o dito de "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " seja suficiente - pelo menos quanto ao tempo necessário para uma ampla anistia divina ; e , considerando-se os obstáculos que teríamos ao ter que esperar que Pituca faça o seu desapossamento ; para , aí sim , aliviarmos o gauchão ; digo com certeza que não vale a pena o risco originado nesse duplo perdão . Diante disto eu peço a Democrática para que seja resolvido este incidente : se poderemos promover um alívio simples , mesmo que com isto só tenhamos a garantia de tão somente cem anos de perdão , não existe motivos lógicos ou religiosos para que o risco se multiplique . Ou , então , se for da vontade do Grupo , esperemos que Pituca furte os dólares , para - depois dele delinquir - aí sim aliviar o Paulo Becerra . "
D ´Artagnan pediu que , pela ordem , ele esclarecesse : " Muito bem , Porthos . Já vi que nosso convívio tem feito sua cabeça se abrir aos clássicos . Você tem razão ! O que Pituca faria seria um furto ; isto mesmo , o estancieiro não dispõe de status filosófico , ou mesmo religioso , que todos nós , Os Novos Mosqueteiros , dispomos . Tudo porque nós , qualquer um dos Novos Mosqueteiros , nada têm de acumulação , real ou pecuniária . Inexiste , para Pituca , qualquer possibilidade do perdão divino . Isto nem de longe vale para Pituca . Ele é um grande proprietário de terras ; e , o que para nós será um aliviar de excessos de realizações , para ele seria mais uma acumulação ampliadora de realizações . Parabéns , Athos ! E eu espero que Aramis e Quita estejam abrindo suas consciências para o fato de que não nos interessa ser igual aos outros acumuladores insaciáveis . O que queremos é a nossa parte nas apropriações de bens naturais embolsados ao longo das eras , das gerações . "
Desta vez , Quita foi a única pessoa que não demonstrou segurança no balançar a cabeça afirmativamente . Mesmo assim , balançou-a .
Foi quando D ´Artagnan completou : " Por mim , eu - por mais que isto nos custasse - consumaria compulsoriamente o duplo alívio . Por mais que nos custasse , deixaria que Pituca furtasse os Capa-Pretas para só então aliviá-lo ; para com isto garantir uma anistia celestial de duzentos anos . Mas eu não vou quebrar a jura que fiz : submeto-me à Democrática . "
Foi quando D ´ Artagnan completou : " Companheira Quita ... você lembra o que seria a Democrática ? "
Quita , que todos os dias lia o Guia dos Novos Mosqueteiros que tão bem escondia nos seus guardados, não titubeou . Trazia na ponta da língua a definição do Manual elaborado por D ´ Artagnan : " A Democrática é o pedido oficial posto por um dos Mosqueteiros de que a vexata quaestio seja colocada em votação aberta . "
D ´ Artagnan não se conteve : " Para concluir , companheira Quita : e o que viria a ser vexata quaestio ? "
Quita : " Vexata quaestio , para nós , os Novos Mosqueteiros , é uma como chamamos as questões sumamente intrincadas ."
D ´Artagnan : " Parabéns Mosqueteiro Quita ! Vamos à Democrática ... "
D ´ Artagnan : " Mosqueteiro Quita , em que tu votas , no duplo perdão , que nos garantiria duzentos anos de indulto divino , ou no alívio uno , representado num só passo aliviante ? "
Quita : " Concordo com Athos . Nossas vidas não chegarão a cem anos . E , pelo que ouvi dizer , pelo menos no campo terreno , a penalização de alguém não pode ser transferida para a sua família . 'A nossa descendência só restaria os bônus de uma pequena montanha de dólares . "
D ´Artagnan : " Submeto-me à vontade da maioria , mas devo esclarecer que quando pedi a comprovação de dois roubos para a quantia almejada que será aliviada, eu me referia tão somente aos limites religiosos que a questão compreende ... Aramis , qual o seu voto ? "
Aramis : " Mais do que ninguém , eu compreendo as preocupações político/ filosóficas/religiosas do primeiro Mosqueteiro . Mas , como na profissão que abracei , devo ser prática : não vale a pena a relação custo/benefício de termos que correr o risco de dois alívios seguidos , não vale a pena . Voto com o Mosqueteiro Athos . "
Assim , democraticamente , foi decidido que somente um alívio era suficiente para livrar os Mosqueteiros dos desdobramentos terrestres esperáveis . E , por que não ? com o rigor lógico adotado desde o início por D ´Artagnan , que também os impedia moralmente de correr riscos de estarem perpetrando algum furto . Algum roubo .
D´Artagnan foi complacente ao calar-se para a questão relativa à eternidade das almas no tempo posterior ao Juízo Final . Até D ´Artagnan convenceu-se que seria um excesso abrir mais uma discussão para , nela , discutir o tempo ulterior ao dia do Juízo Final . E , imediatamente , bateu o martelo .
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sábado, 13 de julho de 2013
72 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Pituca e Valeria casariam-se na cidade em que ela nascera . Decidiu-se que , do lado de Paulo, somente os parentes , e os amigos mais íntimos seriam convidados . Meses atrás , Paulo Becerra fora , com Julietinha , Pedro e o filho ; até a cidadezinha de Dom Feliciano , que era a região onde instalara-se a Família Milczarek , originária de Malbork , cidade polonesa bem próxima da fronteira com a Rússia , tendo esta vizinha dominado a região por volta de 1890 , momento em que o clã familiar imigrara para o Brasil . O motivo da visita era o de Paulo de pedir Valeria em casamento . O pai de Valéria disse à Pituca que nunca se conformara com a saída da filha de casa , para ir estudar na capital . Mas não pode evitar a sua partida em razão de uma enchente de grandes proporções na região que lhe fez perder todas as plantações , tendo mesmo a água da chuva levado rio abaixo as criações de porcos , galinhas e até mesmo gado leiteiro . A mãe da moça emocionou-se ao ouvir de Pituca que ele tinha grande honra em ingressar na família Mielczarek , caso lhe aceitassem como genro . É claro que o gaúcho da fronteira foi aceito ; tendo , inclusive , proposto uma data do casório , e bem próxima . Foram servidas comidas , e doces da tradição polaca que fizeram grande sucesso entre todos os Becerra / Fagundes . Mas Pituca quase botou tudo a perder quando , em conversa apartada com o Sr. Milczarek , ofereceu ajuda em dinheiro para os gastos com as bodas ; grosseria considerada humilhante pelo Senhor ; mas Pituca foi socorrido pela irmã que afirmou , em evidente remendo , ser a oferta uma tradição na sua região de origem , argumento que - muito a contragosto - foi aceito pelo futuro sogro . Foi quando Pituca tirou do bolso o anel de compromisso mandado fazer em joalheiro de sua família , dizendo a todos que as alianças foram forjadas de numa única pepita de ouro com o propósito de que a união fosse tão indissolúvel como aquele ouro guardado nas eras passadas , unido , atado como ele queria que fosse seu casamento com Valéria . À mesa também muitos licores , grapas , vinhos e cervejas , bebidas feitas ali mesmo em Dom Fernando , pelas mãos dos convidados daquele jantar , quase todos tendo algum grau de parentesco com os Milczarek .
A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral era Pedro que , mesmo querendo participar , fazendo força para alegrar-se de verdade , mesmo assim não conseguia entregar-se à festa como é sempre preciso para que todos vibrem . Julietinha , percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? " " Nada , nada , não é nada querida . Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e , ainda que eu não queira , isto tomou por um momento o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... " Foi quando Pedro levantou o copo de grapa num brinde entoando belas palavras de boa sorte ao casal e longa vida a todos presentes . "
A única pessoa que parecia não respirar a alegria geral era Pedro que , mesmo querendo participar , fazendo força para alegrar-se de verdade , mesmo assim não conseguia entregar-se à festa como é sempre preciso para que todos vibrem . Julietinha , percebendo, disse-lhe : " Pedro , o que é que tu tens ? " " Nada , nada , não é nada querida . Estou com dúvidas num contrato de edição do meu livro e , ainda que eu não queira , isto tomou por um momento o meu pensamento . Mas eu já melhorei ... " Foi quando Pedro levantou o copo de grapa num brinde entoando belas palavras de boa sorte ao casal e longa vida a todos presentes . "
terça-feira, 9 de julho de 2013
71 - Julietinha e Oficial do vapor . final B
Os Novos Mosqueteiros reuniram-se para estudos dos planos . A novidade de Quita caíra como uma bomba : Paulo Becerra , o Pituca , fora chamado ao Rio de Janeiro onde serão combinadas remessas de valores ainda maiores . Os Novos Mosqueteiros , todos eles , exultaram . D ´Artagnan expôs as dificuldades que era fazer desaparecer um carro do porte necessário para este novo , e ainda maior , volume de papel moeda norte-americano . Algumas premissas já eram consensuais : a carga ficaria escondida , intocada pelo tempo suficiente para sentar a poeira . Por um bom tempo Os Novos Mosqueteiros continuariam em suas atividades comuns . Como a confiança era total , D ´ Artagnan adiantou a sua ideia sobre a principal alternativa de esconderijo do caminhão pagador. Pensava primeiramente em ( dentro do tempo necessário e esperável que teriam para fazer o caminhão desaparecer com segurança ) usar as minas de carvão abandonadas . Outra alternativa seria usar um silo de cereal existente em terras muito confiáveis , e que servia para guardar o que era conhecido como "estoque regulador" comprado pelo governo quando - como acontecia naquele momento - colhia-se uma grande safra . Nesta hipótese , seria possível - usando somente a mão de obra dos próprios mosqueteiros -envolver totalmente o carro em soja . E como havia super-produção , ninguém haveria de resgatar a soja pelo tempo necessário para os gansos voltarem à calma . E o melhor : D´Artagnan era quem tinha a exclusividade da posse da chave do silo .
Foi neste ponto que D´ Artagnan mudou de tom para explicar a todos - ainda que nem tudo fosse compreendido pelos novos mosqueteiros - a importância de que Pituca também entrasse na posse do dinheiro , mas tão somente por um curtíssimo espaço de tempo . Só assim os mosqueteiros teriam a segurança de que , pelo menos pela moral judaico-cristã em que todos foram criados , somente o duplo-perdão daria-lhes a ampla garantia de que até mesmo os seus descendentes não arderiam nas chamas eternas por aquilo que estavam fazendo agora . E foi isto que D´Artagnan tentou explicar à Aramis e Quita : que os dois mosqueteiros primitivos - ele próprio , e Athos - não queriam simplesmente roubar , ou mesmo , furtar ; mas sim promover um desapossamento que fosse , a um tempo só , original e natural ; e , para tanto , a subtração da coisa teria que observar determinados requisitos , dentre eles a certeza absoluta de que o dinheiro viria de um duplo furto - se não , de uma cadeia interminável de furtos . A questão estava em que ele , D´ Artagnan , não aceitava afirmações genéricas, desprovidas de comprovação , como a de J. Proudhon que dizia que a propriedade é um roubo .
Ora , ao ver de D ´Artagnan , a propriedade poderia , ou não , ser um roubo . Daí , também o desapossamento - que recebeu dele a denominação técnica de " alívio de excessos de realizações " - , ser a espécie única do gênero " propriedade originária advinda de obtenção secundária . "
Reflitamos : a herança cultural de D´Artagnan , o líder natural de tais futuros aliviadores de excesso de realizações , viria - certamente - de Portugal . Tudo porque aquele lugar onde a ação se desenrolava era , dentre todos do mundo , a colônia mais influenciada pelo Tratado de Tordesilhas - de 1494 - em que Espanha e Portugal dividiram entre si o mundo . Em verdade , tudo levava a crer que D´ Artagnan vinha de nobres portugueses . Somente um português daria tanta importância a esta questão limítrofe até mesmo para a Lógica mais aprofundada : A possibilidade de existir alívio de pecúnia sem que o ato possa ser confundido com furto ; ou , muito menos , roubo . Mesmo assim a questão ainda comportava a preocupação com a bifurcação existente entre a ciência e a moral , principalmente a religiosa . Se a lógica estava , para D Ártagnan , satisfeita - ( " Por Deus ! é claro que a propriedade poderia ser - ou não ser - um roubo " ) ; subsistiu por um momento a questão religiosa . E esta , o primeiro mosqueteiro resolvera ao observar o dito popular ( era a voz do povo que vinha em seu socorro ; tudo porque a voz do povo era - para ele - verdadeiramente a Voz de Deus ) . E a voz do povo dizia-lhe que "Ladrão que rouba ladrão , tem cem anos de perdão . "
Por fim a que se registrar que mesmo Athos ( o segundo dos Novos Mosqueteiros ) muito pouco entendia destes limites da racionalidade levantados por D ´Artagnan ; quanto à Aramis e Quita , estas ficaram totalmente sem saber do que estava o primeiro mosqueteiro falando , ainda que o ouvissem tão respeitosamente quanto lhes era possível assim ouvir . E todos estes respiraram aliviados quando D ´ Artagnan , certo que a semente daquela sabedoria toda estava plantada em nos demais companheiros , concordaram em marcar uma nova reunião para tão logo Quita ou Aramis tivessem novidades .
Foi neste ponto que D´ Artagnan mudou de tom para explicar a todos - ainda que nem tudo fosse compreendido pelos novos mosqueteiros - a importância de que Pituca também entrasse na posse do dinheiro , mas tão somente por um curtíssimo espaço de tempo . Só assim os mosqueteiros teriam a segurança de que , pelo menos pela moral judaico-cristã em que todos foram criados , somente o duplo-perdão daria-lhes a ampla garantia de que até mesmo os seus descendentes não arderiam nas chamas eternas por aquilo que estavam fazendo agora . E foi isto que D´Artagnan tentou explicar à Aramis e Quita : que os dois mosqueteiros primitivos - ele próprio , e Athos - não queriam simplesmente roubar , ou mesmo , furtar ; mas sim promover um desapossamento que fosse , a um tempo só , original e natural ; e , para tanto , a subtração da coisa teria que observar determinados requisitos , dentre eles a certeza absoluta de que o dinheiro viria de um duplo furto - se não , de uma cadeia interminável de furtos . A questão estava em que ele , D´ Artagnan , não aceitava afirmações genéricas, desprovidas de comprovação , como a de J. Proudhon que dizia que a propriedade é um roubo .
Ora , ao ver de D ´Artagnan , a propriedade poderia , ou não , ser um roubo . Daí , também o desapossamento - que recebeu dele a denominação técnica de " alívio de excessos de realizações " - , ser a espécie única do gênero " propriedade originária advinda de obtenção secundária . "
Reflitamos : a herança cultural de D´Artagnan , o líder natural de tais futuros aliviadores de excesso de realizações , viria - certamente - de Portugal . Tudo porque aquele lugar onde a ação se desenrolava era , dentre todos do mundo , a colônia mais influenciada pelo Tratado de Tordesilhas - de 1494 - em que Espanha e Portugal dividiram entre si o mundo . Em verdade , tudo levava a crer que D´ Artagnan vinha de nobres portugueses . Somente um português daria tanta importância a esta questão limítrofe até mesmo para a Lógica mais aprofundada : A possibilidade de existir alívio de pecúnia sem que o ato possa ser confundido com furto ; ou , muito menos , roubo . Mesmo assim a questão ainda comportava a preocupação com a bifurcação existente entre a ciência e a moral , principalmente a religiosa . Se a lógica estava , para D Ártagnan , satisfeita - ( " Por Deus ! é claro que a propriedade poderia ser - ou não ser - um roubo " ) ; subsistiu por um momento a questão religiosa . E esta , o primeiro mosqueteiro resolvera ao observar o dito popular ( era a voz do povo que vinha em seu socorro ; tudo porque a voz do povo era - para ele - verdadeiramente a Voz de Deus ) . E a voz do povo dizia-lhe que "Ladrão que rouba ladrão , tem cem anos de perdão . "
Por fim a que se registrar que mesmo Athos ( o segundo dos Novos Mosqueteiros ) muito pouco entendia destes limites da racionalidade levantados por D ´Artagnan ; quanto à Aramis e Quita , estas ficaram totalmente sem saber do que estava o primeiro mosqueteiro falando , ainda que o ouvissem tão respeitosamente quanto lhes era possível assim ouvir . E todos estes respiraram aliviados quando D ´ Artagnan , certo que a semente daquela sabedoria toda estava plantada em nos demais companheiros , concordaram em marcar uma nova reunião para tão logo Quita ou Aramis tivessem novidades .
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Saúde !
Prezados 30 fiéis perseguidores !
Hoje é dia de festa . Adivinhem o que tem que ser hoje comemorado com toda a pompa e circunstância ?
Adivinharam ?
Sim , nada menos do que o primeiro aniversário destes blogues .
Abram , aí onde estiverem , o melhor vinho , a melhor bebida e façamos um brinde à tolerância de todos vocês com este nascente autor .
Em breve terão uma surpresa . Na verdade uma homenagem aos meus 30 fiéis perseguidores .
Mas , surpresa é surpresa ... e vocês ( na verdade eu ) terão que esperar por ela .
Saúde e sucesso a todos , mais o abraço deste Editor José Amaral .
Hoje é dia de festa . Adivinhem o que tem que ser hoje comemorado com toda a pompa e circunstância ?
Adivinharam ?
Sim , nada menos do que o primeiro aniversário destes blogues .
Abram , aí onde estiverem , o melhor vinho , a melhor bebida e façamos um brinde à tolerância de todos vocês com este nascente autor .
Em breve terão uma surpresa . Na verdade uma homenagem aos meus 30 fiéis perseguidores .
Mas , surpresa é surpresa ... e vocês ( na verdade eu ) terão que esperar por ela .
Saúde e sucesso a todos , mais o abraço deste Editor José Amaral .
quarta-feira, 3 de julho de 2013
70 - Julieitinha e o oficial do vapor - Final B
Quita , no apartamento de Valéria e Paulo Becerra na capital do estado , limpava a poeira dos móveis com um pano umedecido , ao mesmo tempo que ouvia Pituca falar ao telefone , com Zé Arataca em Recife .
Pituca : " Se tú achas que é tão importante assim ... ?
Mas tudo não está tão bem , Chê .... ? "
.......
Pituca : " Mas bááh Tchê .... então é em razão de tudo estar dando certo que o pessoal quer ampliar as remessas ... mas isto é tri-legal , Tchê ! "
......
Pituca : " Tá bom barbaridade , eu estarei no Rio no dia e hora combinada , lá na Churrascaria Gaúcha .... "
Quita , a Mosqueteira , não só ouvia , mas também gravava em seu cérebro o que acabara de presenciar . A negra lembrou naquele instante que sua família trabalhava há décadas para os Becerras sem que tivessem um salário que lhes proporcionasse quaisquer confortos ou mesmo possibilidades de ter uma família normal , uma família cujo destino na fosse continuar servindo de mão de obra barata para os patrões. "Enquanto isto , os Becerras enriqueciam , multiplicavam sua fortuna , " pensava a preta . "Não , eu não vou tremer ... eu vou conseguir deixar de lado o servilismo que se abate sobre a minha raça desde que nos trouxeram acorrentados da África . "
Por incrível que pareça , Quita notou que Pituca também refletia ... decidia intimamente alguma coisa que ela , porém , imaginava do que se tratava . Na verdade , Paulo também vacilara um pouco em dar continuidade no plano de apropriar-se de uma das remessas . Pensava , pensava ... até que seu semblante desanuviou-se , momento em que chamou , quase gritando , Valéria .... : " Polaquinha ....;. Polaquinhaaaa ... meus planos estão se concretizando ... ligaram-me para uma reunião no Rio , e será para fechar um negócio que eu esperava a meses . "
Como Valéria não respondesse , Pituca abriu de vagar a porta do quarto e viu - nada menos do que a sua polaquinha dormindo , ou pelo menos fazendo que dormia . A inércia da mulher - estática como se fosse um quadro do D´Orsay - despertou no Gaúcho vontades e desejos que , de pronto , fizeram-no ajoelhar-se e beijar , lamber mesmo , um a um os dedos dos pés de sua Pipoquinha , que mexeu o corpo acusando a carícia , mas sem tirar o pé da boca do amante .
Pituca : " Se tú achas que é tão importante assim ... ?
Mas tudo não está tão bem , Chê .... ? "
.......
Pituca : " Mas bááh Tchê .... então é em razão de tudo estar dando certo que o pessoal quer ampliar as remessas ... mas isto é tri-legal , Tchê ! "
......
Pituca : " Tá bom barbaridade , eu estarei no Rio no dia e hora combinada , lá na Churrascaria Gaúcha .... "
Quita , a Mosqueteira , não só ouvia , mas também gravava em seu cérebro o que acabara de presenciar . A negra lembrou naquele instante que sua família trabalhava há décadas para os Becerras sem que tivessem um salário que lhes proporcionasse quaisquer confortos ou mesmo possibilidades de ter uma família normal , uma família cujo destino na fosse continuar servindo de mão de obra barata para os patrões. "Enquanto isto , os Becerras enriqueciam , multiplicavam sua fortuna , " pensava a preta . "Não , eu não vou tremer ... eu vou conseguir deixar de lado o servilismo que se abate sobre a minha raça desde que nos trouxeram acorrentados da África . "
Por incrível que pareça , Quita notou que Pituca também refletia ... decidia intimamente alguma coisa que ela , porém , imaginava do que se tratava . Na verdade , Paulo também vacilara um pouco em dar continuidade no plano de apropriar-se de uma das remessas . Pensava , pensava ... até que seu semblante desanuviou-se , momento em que chamou , quase gritando , Valéria .... : " Polaquinha ....;. Polaquinhaaaa ... meus planos estão se concretizando ... ligaram-me para uma reunião no Rio , e será para fechar um negócio que eu esperava a meses . "
Como Valéria não respondesse , Pituca abriu de vagar a porta do quarto e viu - nada menos do que a sua polaquinha dormindo , ou pelo menos fazendo que dormia . A inércia da mulher - estática como se fosse um quadro do D´Orsay - despertou no Gaúcho vontades e desejos que , de pronto , fizeram-no ajoelhar-se e beijar , lamber mesmo , um a um os dedos dos pés de sua Pipoquinha , que mexeu o corpo acusando a carícia , mas sem tirar o pé da boca do amante .
terça-feira, 2 de julho de 2013
69 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Os raros selecionados para ser um Mosqueteiro haveriam de passar por um severíssimo ritual de entrada . Uma das últimas provações a serem vencidas era a da "brasa na língua" , que consistia em que alguém contasse um mexerico ( o que em Boca do Monte começava a ser chamado de "fofoca" ) sob solicitação de que o dito maldoso não fosse passado adiante . Dias depois o segredo era , de alguma forma , conferido pelo Mosqueteiro que fora designado para aplicação do " brasa na língua". Assim era testado o candidato conferindo se dispunha - ou não - da capacidade de guardar as importantes confidências que , certamente , chegariam-lhe aos ouvidos por ser um Mosqueteiro . As tais "fofocas" . Quanto à coragem , necessária à um Mosqueteiro , para os naturais medos das muitas quase-ficções originadas na metafísica regional ; ela seria posta em cheque na derradeira prova , e consistia em que o pré-escolhido passasse sozinho a meia-noite de uma sexta-feria na Lagoa da Música , na Hulha Negra . Ainda que distanciadamente , um dos Mosqueteiros declarou que entendeu como macabra tal exigência . Mesmo assim a prova não foi abolida. Para para serem sagrados "Mosqueteiro" os futuros irmãos de espada teriam mesmo que continuarem a serem testados em "Sexta-Feiras da Lagoa da Música " . Assim é que o noviço era informado pelos iniciados de que teria que ficar toda a aziaga noitada meditando margens da lagoa sobre os meandros da morte , sem que - pelo que ele soubesse - pessoa viva permanecesse a menos de uma légua de sesmaria dali . Em verdade , os demais Mosqueteiros ficavam por perto, no meio da escuridão geral . Tão logo transcorresse a meia-noite - momento em que os gritos dos degolados eram ouvidos com muito mais nitidez ; e , se o noviço permanecesse - ainda que minimamente - no controle de seu corpo e de sua mente ; se conseguisse manter a calma ante as lembranças , aflições e sons que até então emanavam do fundo da lagoa onde ainda jaziam os despojos da matança acontecida naquele exato de centenas ; transposto estes momento logo chegariam os irmãos de capa-e-espada ; enfim , os demais mosqueteiros - que em verdade ficavam por perto - ante os riscos inerentes àquele quase limite da resistência humana ao sobrenatural ; e , saindo-se o candidato vencedor , eles cortavam o silêncio da madrugada entoando cânticos greogorianos , repartindo o pão , o queijo e o vinho e , - vencida a provação - sagravam ali mesmo o novo Mosqueteiro .
Pasme , mas o certo é que o mais novo dos Três Mosqueteiros ( diga-se que passou com louvor em todas as provas foi , ninguém menos , do que a Quita ; de quem - a bem da verdade - nenhum dos irmãos esperava a coragem por ela demonstrada . Sequer tremeu uma fibra do seu corpo ao ouvir o de sempre : gritos lancinantes dos espíritos dos corpos penadas ali degolados
Talvez , sejamos francos , por uma resquício do quase permanente preconceito contra os negros que naquela época ainda era muito mais intenso do que hoje .
Pasme , mas o certo é que o mais novo dos Três Mosqueteiros ( diga-se que passou com louvor em todas as provas foi , ninguém menos , do que a Quita ; de quem - a bem da verdade - nenhum dos irmãos esperava a coragem por ela demonstrada . Sequer tremeu uma fibra do seu corpo ao ouvir o de sempre : gritos lancinantes dos espíritos dos corpos penadas ali degolados
Talvez , sejamos francos , por uma resquício do quase permanente preconceito contra os negros que naquela época ainda era muito mais intenso do que hoje .
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