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quinta-feira, 3 de março de 2016

O primo Delcídio vai falar !

Prezados !

Desde a nossa infância , em Belém do Pará , eu e Delcídio éramos como unha e carne .  Juntos pegamos muitas mangas caídas das árvores centenárias que ornam a bela capital do Pará ;  algumas mangas  até caíam nas valas das rua de Belém . Limpávamos as frutas na camisa e as saboreávamos ali mesmo .

Tudo bem que tínhamos nossas diferenças ; ele torcia para o Remo , eu para o Paysandú.  Eu preferia Coca , Delcídio  Pepsi .  Para mim , nada  suplantava o sabor do Tacacá , bem goma e jambú.  Já Delcídio  sempre estava com uma cuia de açaí na mão .

E assim íamos ... eu preferia biribá , Delcídio roía uma pupunha até os espinhos .

Praia ,  eu preferia Mosqueiro ; Delcídio ia para Salinas .

Delcídio é poucos anos mais novo do que eu ;   que sempre achei que ele ia longe . Como de fato foi .

Estudávamos num colégio da Almirante Barroso , ele frequentava a piscina da Assembléia .  Eu ia para os muitos igapós no entorno da cidade .

O Círio ,  eu acompanhava de longe , mas sempre contrito ... Delcídio não deixava por menos , fazia questão de ir na corda .

Meu tio - pai de Delcídio - votava no Coronel Alacid ( quem sabe , daí o prenome do Primo Delcídio ... Del Alacid ... quem sabe ...    ? ) . Já meu Pai - primo do de Delcídio , votava no Coronel Jarbas .

Delcídio pedia pato com o sumo da maniva . Eu , manissoba .

Enquanto ele comia  tucunaré  no leite de coco ... eu ....  casquinha de tracajá .

Lembro que quando tocava o Hino Nacional , criança , Delcidio já  botava a mão no lado esquerdo do peito e , não poucas vezes , lágrimas de emoção rolavam em suas faces .

Quanto à nossa vida de católicos ... nós dois quando meninos fomos coroinhas na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré - na Getúlio Vargas .  " Dominus vobiscus ... et com epsiritu tuum ... "

Já adulto , Delcídio emigrou para o Mato Grosso , onde fez portentosa carreira política.

Lembro que na última vez que nos encontramos , na minha casa de Icoaracy ,  botei para tocar o disco de Caymi : " Tomei um Ita no norte , e vim pro Rio morá , adeus meu pai minha mãe ... adeus Belém do Pará . "  Foi quando , mais uma vez , vi o primo Delcídio chorar.

Agora , no Ano da Graça de  2016 Delcídio   - em memorável delação premiada - não vai me surpreender :  seu coração - antes de tudo - pulsará brasileiro . Mais que isto : Paraense !

 Seu patriotismo há de ser  maior do que os laços que  a máfia transou para o Primo .

 Corruptos , tremei  !!! ... chegou a hora de um Amaral  falar !

Fala primo Delcídio  !!


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