Páginas

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Julietinha e o oficial do vapor - 18 B

-" Não , lá no meu quarto não entra ninguém .  Ou melhor ,   entra o Roberto  , mas o  Roberto é meu amigo desde guri , e ele jamais faria  algo  contra mim ... "

- "Meu Pedro ,  então somente eu , o Roberto e tu  tivemos  ao alcance destes versos  ... se eu não toquei neles ,  se tú  também não  farias  algo  , só resta mesmo  .. o Roberto  ... "

-  " ....  só se for   no campo da lógica ; mas é impossível que ele tenha feito algo ... "

- "Quem é mesmo este  Roberto  ? "

- "Ele  é  sobrinho  do padre que morreu ... o Landell de Moura ...  este padre era  incrível ,  inventou  nada menos  do que o  rádio ....  escutava  radio com as  pedras de galena que encontrava nos campos  ....
 sim  !    e  descobriu o radio ... e muito mais coisas de comunicação  , era um gaudério que vivia muito na frente de todo mundo ...  "

- "Mas  o mistério permanece , já  que este teu amigo não iria te trair ....  "

- "Além disto ,  o Roberto  é muito ocupado . Foi o único parente do Padre Landell que se interessou pelos estudos , pelas descobertas e pesquisas dele ... mas isto - a absoluta certeza de que as únicas pessoas que sabiam dos meus versos estão livres de qualquer suspeita -  me deixa na mesma  confusão mental ...  como podem meus versos aparecerem no novo livro do Vinicius Gullar  "

"Meu  amado ... é melhor nós esquecermos um pouco esta tormenta e aproveitar o lado bom deste frio  que faz  agora  ... chega mais perto , deixa eu me enrodilhar em ti .... ouvir o teu coração batendo junto com o    meu ...vamos ... diz  aqueles versos que começastes a declamar na  última vez que estivemos aqui ... aqueles do homem que chega diferente em casa .."

"Julietinha , eu fiz estes versos pensando em ti ... na mudança que nossas vidas tiveram depois que nos abrimos um para o outro ... são escritos por  quem quis  esquecer  o passado , e  muda ,  e se entrega a mulher de quem  sempre permaneceu  distante   ....

"Um dia  ele  chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era  seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto , pra seu grande espanto convidou-a para dançar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se ousava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta  felicidade que toda a cidade , se iluminou
E foram tantos beijos loucos , tantos gritos roucos , como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu e o dia amanheceu em paz "

" - Que lindo , Pedro !    Que bonito .... "

- "Eu fiz  no dia 11 .  .. está aqui a data :  11 de novembro de 1957 .  Fica com este original , deixei  uma cópia  no meu quarto ... agora comprei um baú , feito pelo seu Batista , com  um baita  cadeado ...

E  , como  queria  Julietinha ... os dois se enrodilharam de novo .   E se aqueceram  .









Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Marcadores

abriram acariciavam-se acaso Adhemar África ajoelhar-se alcance Alegrete. alemão alma Almerinda amizades amor anônima antítese apartamento apresentação Aramis arataca Argentina argumentos arranjado asas Athos atracar atrevimento Austrália autor aviso aziaga balzaquiana banco bandido Banho barrigas-verdes Becerra Becerras Bicicleta bienvenidos binóculo biógrafo blusa Boca de Ouro Boca do Monte Bóldedalma Boleto bolso borbotões bordel Brasília Brown Cow Bank bruxuleante Bubi cabaret cabeça cabelos Caçapava cachorro cadeado cadeia calado calça de baixo cama campeia canalha capa-e-espada capa-pretas capital capítulo 1 capítulo 12 capítulo 13 capítulo 14 capítulo 15 capítulo 16 capítulo 17 capítulo 18 A capítulo 18 B capítulo 19 capítulo 2 capítulo 20 capítulo 21 capítulo 22 capítulo 23 capítulo 24 capítulo 3 capítulo 4 capítulo 47 capítulo 48 capítulo 49 capítulo 5 capítulo 50 capítulo 51 capítulo 52 capítulo 53 capítulo 54 capítulo 55 capítulo 55 R2 capítulo 56 capítulo 57 capítulo 58 capítulo 59 capítulo 6 capítulo 60 capítulo 62 capítulo 63 capítulo 64 capítulo 65 capítulo 66 capítulo 67 capítulo 68 capítulo 69 capítulo 70 capítulo 71 capítulo 72 capítulo 73 capítulo 74 capítulo 75 capítulo 76 capítulo 77 capítulo 78 capítulo 79 capítulo 80 capítulo 81 capítulo 82 capítulo 94 capítulo 95 capítulo 96 capítulo 97 carancho Carlão Carlos Gardel Carmem casamento casariam-se castrava Caverá cerveja cervejaria champanhe Chatô chefatura de polícia cidadezinha ciências humanas classe Claudia Cardinalle Colcabamba Com Chaveco complacente comportadamente confidenciou confraria confusão consumaria Coração corazón corredor Correio do Norte crise. Curunilha cusco D ´Artagnan D´Artagnan D´Orsay datilografia declama dedicação democraticamente desculpa desembarque destino determinar detetive Deus devastação diário de bordo dinheirama dinheiro Dionísio Dirceu disfarçou Dona Almerinda Dona Flora Dona Julietinha Dona Marica Dotô Doutor Elizabeth Taylor Emagrecido embolsar empreitada Encargo enganando enrodilharam equívoco Ernesto ERP esbaforida escolha escritos escuridão espalhar esquerdo estafermo estância estancieiro este blog estudos Eunuco ou Hermafrodita? Europa evidente F100 fazendeiros fechadura Federal ficção filosófico fim final B fineza fita flores fofocas fortuna Fortunas frigorificação fronteira fronteiriço furgão futuro galena gaudério Gauguin gente ghost writer Gian Giancarlo Giancarlo Petrucci gran- puta grávida gritando Gualter Guapos da Fronteira guarda-chuva Guilain guri herança hipotesis História honra horizonte Hulha imaginação independentes índio maula intensamente internacionales interrupção Ipanema irmandade italiano J. Proudhon Joaquim jogos de Eros Jorge Luis Borges jornalista José Amaral Judas Julietinha junção ladrão Lagoa da música lágrimas Lampião lembrar Leonel liberação lições Lisboa literária Livro lógica lolitas Londres Lotto Lua de Mel madrugada madura mafiosos Maranhão marido Mastroiani matador Mecenas Mediterrâneo memórias menino Mercedes mesa Milczarek missão moça moças molestado molhados monastério Mosqueteira Mosqueteiro mosqueteiros mulher mundo naba Namorada namorado navio negócio nosotros novo-rico novos mosqueteiros NRBZ nudez O Cruzeiro Oficial oficial italiano Old Parr olvidastes Oriental Pá pagos paixão palavra Paniagua Paraguai. parente Paris pastor patrimônio Paulo Paulo Becerra pecuniárias Pedro pentear pernambucano perseguição Pio XII Pipoquinha pistoleiro Pituca plagas plata platônica Polaquinha polaquinha. portão Porthos Porto Alegre português Portunhol povo assassino. prazo Prendoca primeira Professor Pery promessa propriedade pulgas Pulo Becerra Punta del Leste quadradinha quebra-cabeças quéra Quita raça raros rataca Recife relógio remessas Renguiá República Oriental reunião Rio Rio de Janeiro Rio Grande roleta Roma RPGS Rússia Salustiano San Martin Santa Maria Sapiran segredos segurança Sem Chaveco Serra sessões Seu Salim Severino Sevilha silêncio Silvério sonhar Sul Taquarembó Tchê te amo tenente teorias tesouro Thaiti Toscana traído trampa tranquila transposto travesseiro Três Mosqueteiros única urdida urso-panda Uruguay Valéria Vaticano Velho Testamento verdade vereador viagem Vigo Vinícius de Morais Vinicius Gullar Violão Vira-Latas vitória Zé Manél