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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

23 - No Monastério de Bodedalma .

" E  aí , Manduca , notastes alguma coisa diferente ? "    Disse-lhe   Bodedalma .

" Tudo normal ...  a não ser o penico . "

" O penico ?    Mas o que um  penico pode representar  de anormal  ;   velho Manduca  ? "

" É o penico da cela de Mondongo .  Ele estava bem na ponta do balcão ... "

"  Que anormalidade pode conter  um penico na ponta de um balcão  do meu Mosteiro ? "

" é que estava cheio de água limpa ...  Cavaleiro  dos Picos  do Itatiaia    . "

" Penico cheio de  água limpa ...  eu hein ? "

" Pois é ... o penico onde  o Mondongo  deveria  verter suas excreções  está  quase cheio de água limpíssima  ;  e bem na extremidade do balcão  ... "

" bom , vou fazer  uma ampla consulta geral  aos  meus  milhões de  terabits  ...  mas agora  dou-me por vencido  ...  um penico  cheio de água limpa como única pista para entender o que faz o  estafermo !  "

E ambos retiraram-se  para  suas celas .

22 - No Monastério de Bodedalma .

Numa fração de segundo os cães já voavam para o pescoço de Mondongo que , não por acaso , já estava de costas para uma daquelas janelas de estilo medieval que circundavam o Grande Salão do Monastério .

Só que Mondongo era um jogador , e pagou para ver .  Na verdade jogou a vida na tese de que , sendo os cães mamíferos,   eles também seriam afetados pela poção que neutralizava os atos contra a pessoa que molhara  com saliva a ponta do alfinete que logo depois seria  mergulhado no pó  que subjugava  as vontades de seus possíveis opositores . E naquele momento os dobermans eram os seus mais  terríveis opositores .

Para estupefação  de Manduca e Bodedalma ,   o mais do que inesperado  aconteceu . Já em pleno vôo  em direção à jugular de Mondongo  os cachorros -  programados para a morte que eram -  praticamente pararam no ar :   Aterrizaram com as pernas da frente retesadas , como não querendo sequer tocar em Mondongo .  A agressividade  mudou instantaneamente para evidentes sinais de submissão : os cães passaram docilmente a lamber as mãos de Mondongo .

Bodedalma ,   logo   percebeu que algo de  grave acontecia , já que  os cães eram  treinados para não deixar  alternativa ao escolhido ,  como já  acontecera  por diversas vezes .

" Como conseguistes isto  ? "   perguntou Bodedalma  estupefacto .

" Não existem os encantadores de serpentes ? ;   pois eu  penso que tenho poderes  inatos para a dominação mental  de cães ... "

O certo é que a explicação não convenceu Bodedalma , principalmente porque  notou  que  ele próprio   também sentia  uma misteriosa prostração moral ante este Mondogo de agora .

" Parabens , Mondongo . Literalmente , nascestes de novo .   Agora vai para os teus aposentos que eu quero  refletir ... "   Disse   Bodedalma  tentando  , pelo menos por agora , livrar-se da  atração de Mondongo.

" Perdõe-me  Excelsa Figura - mas eu implorei que me respondesses  a algumas perguntas ... "

Bodedalma  sentia-se como um sapo que ,  atraído por  uma cascavel ,  queria se desvencilhar das presas da serpente , mas não conseguia ...

" Faça , então faça as perguntas ... não sei bem porque , mas na verdade  mesmo querendo te ver morto , ainda assim não consigo negar-te o que me pedes . Vamos , faça agora uma pergunta , só uma ,  porque estou exausto ... "

" E as outras , quando as ´poderei  propor ... ? "  Disse Mondongo , já preparando  o caminho a ser percorrido ...

" As outras poderão ser feitas depois ,  n ´ outro dia ... vamos faça uma delas  e deixe-me em paz ... pelo menos por agora ... "



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

21- No Monastério de Bodedalma .

Tudo correu como Mondongo esperava :  a chuva caiu intensa ; e , o melhor : logo depois  dele armar o captador  de água  que levaria  o  Abrandador  Veraz de Opinião   para o reservatório  do Monastério  .  Além disto , conseguiu encher  o penico ,  com água  da própria chuva que caia  ,  esta  era a  sua única alternativa de conseguir água potável  que não passasse pela cisterna do convento .

  Como a absorção  do Abrandador  só se dava  pela ingestão da água ,   a  higiene pessoal de Mondongo  não ficou prejudicada .

Tudo porque sob o  efeito do Abrandador  Veraz de  Opinião   ( que  ,  na realidade , impedia  que  pessoas que bebessem daquela água  mentissem  para   quem  tivesse molhado  com saliva o palito  de fósforos  embebido  no pó   inibidor  de  opiniões contrárias  ) faria com que   qualquer   mamífero  que o ingerisse  obedecesse  fielmente  a quem  tivesse  sua saliva  impregnada  à  água . .      Assim ,  Bastaria  à Mondongo evitar que a água do banho  tocasse  a mucosa de sua  boca  ;  ou -  mais arriscado ainda  -  que a água fosse por descuido ingerida  pelo peregrino .  Observados tais cuidados  ele poderia  continuar banhando-se  normalmente . Tudo porque  para a sua fé  o banho era um purificador indispensável  da própria alma .

Um dia se  passara da segunda poção ter entrado  na tubulação .    Foi quando Mondongo se dispôs a pedir que fosse recebido por Bodedalma .   É claro que o objetivo da reunião era testar  até onde ia o efeito do Abrandador  Veraz .  Era evidente que Bodedalma sentia que algo estranho acontecia com ele próprio . Sendo assim , pediu  à Manduca que ficasse por perto  por ocasião  do encontro .

" Senhor " , começou Mondongo   "...  com  suas desculpas ...  mas eu pretendo propor-lhe novas perguntas , posso fazê-las  ? "

" Mondongo  ,  pó de cupim da maior insignificância ,  assombra-me  a tua  desprezível aproximação  protocolar .  Há pouco tempo atrás tu me dedicavas os mais respeitosos cumprimentos ... era inefável , para cá , inefável para lá .  E muitos outros rococós verbais que de per si espelhavam a distância intelectual que nos separa , e sempre há de nos separar .   Agora tu chegas  aqui e  me dispensas  tão somente um reles "senhor" , como se eu fosse um da tua laia  .  Bom ,  para  início de conversa  devo dizer-lhe  que estou saturado de ti ,  da  tua  ignóbil  forma de  agora  tratar-me , e de tudo que venha da tua  mais do  que desprezível pessoa . Por muito menos do que  isto  eu sempre sentenciei gente de casta muito superior a tua.  Pois bem , encomenda tua alma a teus protetores que tua hora chegou , Mondongo  asqueroso . "

Tudo  isto foi dito por Bodedalma  só  porque a  Divindade de Itatiaia  pressentira - ou fora avisada por algum de seus contadores - ,  que  , de uma forma ainda desconhecida ,   Mondongo armava algo esplendorosamente  grave contra ele .  A reclamação  de Bodedalma  quanto à forma de tratamento  usada por Mondongo  -  também quanto   à ausência  dos  rapapés  próprios  da diferença de classe ,  era  - em verdade -  tão somente um artifício  para Bodedalma  livrar-se definitivamente do intruso .

Depois de tais perorações  Bodedalma  apoiou  o braço direito da cadeira ,  voltando  o outro braço para a  região do baixo lombar  ao mesmo  tempo que inclinava-se  para frente ;  enfim ...   tomando  posição semelhante  a  da estátua do pensador , de Rodin  .    É que  aquela  era a forma costumeira de dar a ordem mental que não só  despertava os dobermans  da  letargia  em que eram mantidos ;  mas ,  muito pior para Mondongo :  dava-lhes a ordem para que o sentenciado fosse imediatamente  comido pelos cães  treinados que eram para  as dilacerações  em ordem crescente de  crueldade :  eles  já instintivamente  conheciam  as partes que suas mordidas causavam mais dor à vítima ,  e  valiam-se de tal  condicionamento para que o óbito acontecesse pela dor , e não por qualquer  outro  meio ;  talvez  uma hemorragia ,  antecipando-se a  que todo o sofrimento fosse  alcançado  contra  o  sentenciado àquele tipo de  morte.

Mas  o certo é que nos planos de Mondongo  já estava  previsto  que Bodedalma  dispusesse  tacitamente ao peregrino  para  que  ele  escolhesse   a sua morte :    ser  despedaçado  pelas feras de orelhas pontiagudas  , ou  jogar-se  da janela para  quando  lá  em baixo  chegasse  servisse de pasto aos   crocodilos  do Nilo ,   importados  diretamente para o fosso por ordem  expressa  de  Bodedalma  .

Num derradeiro implorar Mondongo  dirigiu-se  falsamente  ( pelo menos  ele pensava assim ) à   Bodedalma : " Senhor , perdoe-me  se não direcionei-lhe  a palavra  com  as mesuras que tanto mereceis . Longe de mim diminuir  a infinita importância que nos  separa .  Perdoe-me , Senhor , eis que  tal vênia  vinda de Vossa   Bodência  Máxima  somente confirmará  o   Magnífico  senso de humanidade  que lhe é tão peculiar . "   Ao dizer tal  fala Mondongo  fez uma mesura própria  dos  que são mesmo subalternos .

"Mondongo ,   desqualificado e catinguento  forasteiro  ,   se pelo menos  tua voz  contivesse  alguma eiva de  verdadeiro arrependimento ,  se  teu olhar pelo menos refletisse  o que  teu coração hipócrita  destilava quando falavas ,  se  alguma sinceridade brotasse de teu repulsivo  olhar ;   se pelo menos uma destas  abrandadoras de culpa  emanasse  de  teu  abjeto  semblante   eu  até que poderia  pensar em rever  a tua condenação  à  opção que terás  que fazer em poucos instantes   :  entregar-te aos dentes afiados de meus dobermans , ou  saltar daquela janela  para  o  inexorável  desconhecido.  Mas  nenhum destes  sinais de hipotética sinceridade  aconteceu :  o que demonstra  que apesar de teu pedido  nauseabundo , tua alma está  plena do  desejo de que o mal se abata sobre a minha pessoa . Morra  Mondongo !"

 Nesse instante entraram  os dobermans pelo lado   Sul do Grande Salão .  O silêncio era profundo , nada se ouvia além de  patas dos cães  arranhando  o piso de madeira  lustrada . E  as batidas  do coração  de  Mondongo ,  logicamente ampliadas pelo blefe  que  tentava  passar :  a esperança de que os cachorros também  submetessem-se  aos efeitos do Abrandador  .


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sábado, 25 de janeiro de 2014

20 - No Monastério de Bodedalma .

Embora  só contasse com  uma evidência , mesmo assim era de cem por cento a porcentagem de  certeza exigida por  Mondongo para  a resposta da pergunta  perseguida por ele .   Já  tinha a certeza  de que Manduca  até agora só fizera  confirmar que a sua pergunta era a mesma que ceifou a vida de Oyarzabal .  Todavia ,  não era  certeza absoluta o seu convencimento de que  Manduca  não estava simulando ao  rolar pelas pedras irregulares do convento , e ainda balançando a cabeça no sentido  afirmativo . Enfim ,  não  era totalmente confiável que  Manduca não estava enganando  ;  embora todas os sinais exteriorizados inclinassem para que  o  castelão estivesse  dizendo   a verdade quando  respondia por sinais que a  pergunta de Mondongo era idêntica  Oyarzabal .  Foi por tudo isto que decidiu que o questionamento teria que ser feito  ao próprio Bodedalma .  Aliásem toda a sua vida seguia  a máxima  : " Certeza absoluta  ?    Só  se vinda  por duas bocas distintas. "

É que para Mondrongo ,  só a verdade interessava  .

Sob estas premissas Mondongo partiu para testar  Manduca . Queria  confirmar que a poção do Dr. L  já estava agindo . Para tanto escolheu  uma pergunta de resposta para ele - Mondongo - conhecida .  Lembrou que numa determinada conversa com o Bode perguntou qual seria a religião de Manduca . A resposta foi : " Apesar de eu muito insistir para ele professar a  "Bodência Universal do Reino do Bode... "  -  que era a seita fundada por Bodedalma -   "  ... ele teima em continuar na Igreja  do Penúltimo Dia "  .

E Mondongo foi  direto  :

" Manduca ... você é religioso ? "

" Sim , um homem sem fé é um monstro . "

" E qual é a tua fé , a que igreja pertences  ? "

" Sou um penultista  ...  pertenço à Igreja do Penúltimo Dia . "

" Muito bom ,  Manduca ... "

A resposta  evidenciou - ainda que com  margem de erro , eis que Manduca poderia estar falando a verdade por mero acaso  ...  -   que  Manduca falava a verdade ,  aumentado as probabilidades de que o Abrandador Veraz de Opinião já estivesse   funcionando  .

Do  horizonte chegavam trovões e relâmpagos , que cada vez  vinham para mais perto do Monastério . Sinal que outra chuva  se aproximava  . Então ,  Mondongo preparou-se para introduzir a segunda dose do Abrandador na  caixa d ´ água  do Monastério  . A sorte estava sendo lançada !


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

19 - No Monastério de Bodedalma .

 Mondongo desenroscou com sucesso o próprio canino esquerdo  ,  retirou o conteúdo de pó  ali guardado  colocando uma parcela dele  numa seringa milimetrada .  A potência da substância era tanta   que  uma porção  insignificante  já começaria  a produzir efeitos em Manduca e Bodedalma .

Toda a água do Monastério era  da chuva e captada   por  antiga tubulação de cobre .   A cada  dez metros havia um encaixe  de uma peça de cano  às  subsequentes .  Uma destas  emendas  passava  pelo  balcão da  cela de Mondongo . . Sim , acredite se quiser :  justamente  ali  estava  uma das emendas .  Sem ela , os planos de Mondongo poderiam ir - literalmente - água abaixo .

Mondongo  soltou o encaixe e  posicionou  a seringa,  deixando o êmbolo  para cima ; para ,  assim , também captar  alguma quantidade de água .  A recomendação  do  químico que entregou-lhe o pó  -  de nome  Doutor  L  -   que  o  denominou  de "abrandador veraz  de opinião  " -  era  que  fosse  colocada  uma fração  da  substância na cabeça  de  um  alfinete umedecida  com a saliva  do protagonista.  No caso ,  Mondongo . Pouco antes  da chuva começar  a cair o  alfinete  preparado  teria que ser  colocado dentro  da cânula  da seringa propriamente dita , e esta  presa , fixada  na emenda da  tubulação de água  da chuva que alimentaria o reservatório do Monastério .

Assim , a chuva  recém caída  - e tão somente ela -  seria o  solvente  que dissolveria  o pó ,  encaminhando-o  para  a tubulação que - ao fim , depositaria tal ultra-minuscula quantidade no reservatório  geral do Monastério .
Poucos dias depois , Bodedalma  -    passaria  a  atenuar  ( ao princípio  de forma moderada , mas depois  totalmente  )   todos os pensamentos que pudessem contrariar a vontade de Mondongo .

Este era o motivo que fez o Andarilho prevenir-se ,  e coletar  a água da chuva no único recipiente disponível : o seu penico .   Evitou , assim ,   beber a água do reservatório que conteria  o " abrandador  de opiniões contrárias  com  sujeitador  de respostas verdadeiras " ,  uma substância   que  deixaria  aquele que a  tomou  inabilitado para contrariar o coadjuvante autor .  E , se não fosse pouco , ficaria também impossibilitado  de mentir  para  ele .

Estes eram os efeitos  do  "abrandador de opiniões contrárias e  sujeitador de respostas verdadeiras . "

- Segue -

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

18 - No Monastério de Bodedalma .

Mondongo percebera que estava bem perto do seu objetivo :  saber o saldo de dias que Bodedalma  previu como o  "saldo  temporal"  da espécie humana  reinando  sobre a Terra .   Daí para frente caberia a  ele - o próprio Mondongo   (  - quem sabe ?  - ) tentar modificar as previsões de Bodedalma. Tudo ficou-lhe claro  porque Manduca , ao ouvir a sua pergunta - " por quantos dias  espécie humana ainda reinará sobre a  Terra ?  "  reagiu  espontaneamente ,   concordando  que  esta fora a mesma pergunta feita por  Oyarzabal .  Ora ,  se depois disto  Manduca  apareceu - como de fato apareceu - afirmando que Mondongo  não mais precisaria   perguntar o que quer  fosse ao  Bodedalma  ; isto era um sinal evidente de pelo menos duas coisas :

1- Manduca já obtivera a resposta de Bodedalma ;

2- Manduca queria agora vender-lhe  a resposta,  certamente por um  valor muito maior que os 50.000  anteriores .

O certo é que Mondongo  recolheu-se . Pegou  os  ossos  das patas dos bois , os mocotós ,   dispondo-lhes   sobre um hipotético tabuleiro  como sempre fazia  tudo sobre o próprio catre onde  dormia  à noite .  Os ossos maiores poderiam representar tanques , peças de artilharia . Os menores , cavaleiros prontos para atacar .   Sim , como era do seu costume ,  promovia  uma simulação , com um croqui de um hipotético  teatro de batalha -  um ensaio   do que pouco a pouco seu cérebro ia criando, e que  magicamente costumava  verdadeiramente acontecer  .

Depois disto ,  Mondongo  deixou de excretar  o que fosse  no penico  que lhe fora entregue  por Manduca para as micções noturnas  - isto em razão da enorme distância que sua cela tinha do banheiro  da área de hóspedes do Mosteiro .  Lavou-o tão cuidadosamente quanto foi possível fazê-lo   e  depois deixou-o  bem na beirada  do balcão  que dava para  as profundezas do precipício  ,  logo  depois  da beirada do balcão .

Na verdade  ainda não sabia se usaria  o  Plano  V  .  Como  "  prevenir  é melhor do que remediar " ,   decidira que chegara  a hora  de  fazer  aquilo , que por sinal fora planejado há anos .

Bom ,   e  se  Mondongo  quisesse  urinar  , ou  coisa paralela ?    Aí ,  só restaria   lançar  seus dejetos no  precipício  do balcão.   Tudo porque o  penico  estaria  agora com água  limpa , captada na chuva .

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

17 - No Monastério de Bodedalma .


" Manduca .... creio que eu preciso te dar algumas explicações ... O certo é que mesmo isolado nestas distâncias   a existência de Bodedalma já era presumida nos continentes autóctones ... "

"Continentes autóctones ... ? "

" Sim ,   os continentes que - na soma cem - perdem regularmente ... "

" Cada vez entendo menos ... "  Disse Manduca .

" Bom ,  as atuações de  Bodedalma   são  mais do que intuídas ... são  - tal qual como um buraco negro -  de existência  comprovada , ainda que invisível "

" E daí ... "

" E daí , Manduca , que - sempre pelo jogo de soma cem -  sabia-se que ele supria a outra  latitude de informações às quais somente ele alcançou .  Uma  orelha  quase infinita  a escutar todo mundo "

" Como o que ? "

" Qual  peça do tabuleiro  adiantar ,  como tinha que funcionar o conjunto de vasos comunicantes ...  como  escolher quem deveria perder neste ou naquele momento ... sim a  presença de Bodedalma  era mais do que presumida ... ela era comprovada pelas pontas , pelas extremidades do jogo  ... "

"Mas , afinal ,  qual é o espaço do Bode ? "

" Bodedalma  é um bode  tendendo  ao infinito ... "

' Mas quem ganha com sua existência , com seus presságios ... com aquilo que extrai dos seus  contadores ... ? "

" Ganha o lado que sempre ganha ... ora , ora  ... "

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