" E aí , Manduca , notastes alguma coisa diferente ? " Disse-lhe Bodedalma .
" Tudo normal ... a não ser o penico . "
" O penico ? Mas o que um penico pode representar de anormal ; velho Manduca ? "
" É o penico da cela de Mondongo . Ele estava bem na ponta do balcão ... "
" Que anormalidade pode conter um penico na ponta de um balcão do meu Mosteiro ? "
" é que estava cheio de água limpa ... Cavaleiro dos Picos do Itatiaia . "
" Penico cheio de água limpa ... eu hein ? "
" Pois é ... o penico onde o Mondongo deveria verter suas excreções está quase cheio de água limpíssima ; e bem na extremidade do balcão ... "
" bom , vou fazer uma ampla consulta geral aos meus milhões de terabits ... mas agora dou-me por vencido ... um penico cheio de água limpa como única pista para entender o que faz o estafermo ! "
E ambos retiraram-se para suas celas .
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
22 - No Monastério de Bodedalma .
Numa fração de segundo os cães já voavam para o pescoço de Mondongo que , não por acaso , já estava de costas para uma daquelas janelas de estilo medieval que circundavam o Grande Salão do Monastério .
Só que Mondongo era um jogador , e pagou para ver . Na verdade jogou a vida na tese de que , sendo os cães mamíferos, eles também seriam afetados pela poção que neutralizava os atos contra a pessoa que molhara com saliva a ponta do alfinete que logo depois seria mergulhado no pó que subjugava as vontades de seus possíveis opositores . E naquele momento os dobermans eram os seus mais terríveis opositores .
Para estupefação de Manduca e Bodedalma , o mais do que inesperado aconteceu . Já em pleno vôo em direção à jugular de Mondongo os cachorros - programados para a morte que eram - praticamente pararam no ar : Aterrizaram com as pernas da frente retesadas , como não querendo sequer tocar em Mondongo . A agressividade mudou instantaneamente para evidentes sinais de submissão : os cães passaram docilmente a lamber as mãos de Mondongo .
Bodedalma , logo percebeu que algo de grave acontecia , já que os cães eram treinados para não deixar alternativa ao escolhido , como já acontecera por diversas vezes .
" Como conseguistes isto ? " perguntou Bodedalma estupefacto .
" Não existem os encantadores de serpentes ? ; pois eu penso que tenho poderes inatos para a dominação mental de cães ... "
O certo é que a explicação não convenceu Bodedalma , principalmente porque notou que ele próprio também sentia uma misteriosa prostração moral ante este Mondogo de agora .
" Parabens , Mondongo . Literalmente , nascestes de novo . Agora vai para os teus aposentos que eu quero refletir ... " Disse Bodedalma tentando , pelo menos por agora , livrar-se da atração de Mondongo.
" Perdõe-me Excelsa Figura - mas eu implorei que me respondesses a algumas perguntas ... "
Bodedalma sentia-se como um sapo que , atraído por uma cascavel , queria se desvencilhar das presas da serpente , mas não conseguia ...
" Faça , então faça as perguntas ... não sei bem porque , mas na verdade mesmo querendo te ver morto , ainda assim não consigo negar-te o que me pedes . Vamos , faça agora uma pergunta , só uma , porque estou exausto ... "
" E as outras , quando as ´poderei propor ... ? " Disse Mondongo , já preparando o caminho a ser percorrido ...
" As outras poderão ser feitas depois , n ´ outro dia ... vamos faça uma delas e deixe-me em paz ... pelo menos por agora ... "
Só que Mondongo era um jogador , e pagou para ver . Na verdade jogou a vida na tese de que , sendo os cães mamíferos, eles também seriam afetados pela poção que neutralizava os atos contra a pessoa que molhara com saliva a ponta do alfinete que logo depois seria mergulhado no pó que subjugava as vontades de seus possíveis opositores . E naquele momento os dobermans eram os seus mais terríveis opositores .
Para estupefação de Manduca e Bodedalma , o mais do que inesperado aconteceu . Já em pleno vôo em direção à jugular de Mondongo os cachorros - programados para a morte que eram - praticamente pararam no ar : Aterrizaram com as pernas da frente retesadas , como não querendo sequer tocar em Mondongo . A agressividade mudou instantaneamente para evidentes sinais de submissão : os cães passaram docilmente a lamber as mãos de Mondongo .
Bodedalma , logo percebeu que algo de grave acontecia , já que os cães eram treinados para não deixar alternativa ao escolhido , como já acontecera por diversas vezes .
" Como conseguistes isto ? " perguntou Bodedalma estupefacto .
" Não existem os encantadores de serpentes ? ; pois eu penso que tenho poderes inatos para a dominação mental de cães ... "
O certo é que a explicação não convenceu Bodedalma , principalmente porque notou que ele próprio também sentia uma misteriosa prostração moral ante este Mondogo de agora .
" Parabens , Mondongo . Literalmente , nascestes de novo . Agora vai para os teus aposentos que eu quero refletir ... " Disse Bodedalma tentando , pelo menos por agora , livrar-se da atração de Mondongo.
" Perdõe-me Excelsa Figura - mas eu implorei que me respondesses a algumas perguntas ... "
Bodedalma sentia-se como um sapo que , atraído por uma cascavel , queria se desvencilhar das presas da serpente , mas não conseguia ...
" Faça , então faça as perguntas ... não sei bem porque , mas na verdade mesmo querendo te ver morto , ainda assim não consigo negar-te o que me pedes . Vamos , faça agora uma pergunta , só uma , porque estou exausto ... "
" E as outras , quando as ´poderei propor ... ? " Disse Mondongo , já preparando o caminho a ser percorrido ...
" As outras poderão ser feitas depois , n ´ outro dia ... vamos faça uma delas e deixe-me em paz ... pelo menos por agora ... "
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
21- No Monastério de Bodedalma .
Tudo correu como Mondongo esperava : a chuva caiu intensa ; e , o melhor : logo depois dele armar o captador de água que levaria o Abrandador Veraz de Opinião para o reservatório do Monastério . Além disto , conseguiu encher o penico , com água da própria chuva que caia , esta era a sua única alternativa de conseguir água potável que não passasse pela cisterna do convento .
Como a absorção do Abrandador só se dava pela ingestão da água , a higiene pessoal de Mondongo não ficou prejudicada .
Tudo porque sob o efeito do Abrandador Veraz de Opinião ( que , na realidade , impedia que pessoas que bebessem daquela água mentissem para quem tivesse molhado com saliva o palito de fósforos embebido no pó inibidor de opiniões contrárias ) faria com que qualquer mamífero que o ingerisse obedecesse fielmente a quem tivesse sua saliva impregnada à água . . Assim , Bastaria à Mondongo evitar que a água do banho tocasse a mucosa de sua boca ; ou - mais arriscado ainda - que a água fosse por descuido ingerida pelo peregrino . Observados tais cuidados ele poderia continuar banhando-se normalmente . Tudo porque para a sua fé o banho era um purificador indispensável da própria alma .
Um dia se passara da segunda poção ter entrado na tubulação . Foi quando Mondongo se dispôs a pedir que fosse recebido por Bodedalma . É claro que o objetivo da reunião era testar até onde ia o efeito do Abrandador Veraz . Era evidente que Bodedalma sentia que algo estranho acontecia com ele próprio . Sendo assim , pediu à Manduca que ficasse por perto por ocasião do encontro .
" Senhor " , começou Mondongo "... com suas desculpas ... mas eu pretendo propor-lhe novas perguntas , posso fazê-las ? "
" Mondongo , pó de cupim da maior insignificância , assombra-me a tua desprezível aproximação protocolar . Há pouco tempo atrás tu me dedicavas os mais respeitosos cumprimentos ... era inefável , para cá , inefável para lá . E muitos outros rococós verbais que de per si espelhavam a distância intelectual que nos separa , e sempre há de nos separar . Agora tu chegas aqui e me dispensas tão somente um reles "senhor" , como se eu fosse um da tua laia . Bom , para início de conversa devo dizer-lhe que estou saturado de ti , da tua ignóbil forma de agora tratar-me , e de tudo que venha da tua mais do que desprezível pessoa . Por muito menos do que isto eu sempre sentenciei gente de casta muito superior a tua. Pois bem , encomenda tua alma a teus protetores que tua hora chegou , Mondongo asqueroso . "
Tudo isto foi dito por Bodedalma só porque a Divindade de Itatiaia pressentira - ou fora avisada por algum de seus contadores - , que , de uma forma ainda desconhecida , Mondongo armava algo esplendorosamente grave contra ele . A reclamação de Bodedalma quanto à forma de tratamento usada por Mondongo - também quanto à ausência dos rapapés próprios da diferença de classe , era - em verdade - tão somente um artifício para Bodedalma livrar-se definitivamente do intruso .
Depois de tais perorações Bodedalma apoiou o braço direito da cadeira , voltando o outro braço para a região do baixo lombar ao mesmo tempo que inclinava-se para frente ; enfim ... tomando posição semelhante a da estátua do pensador , de Rodin . É que aquela era a forma costumeira de dar a ordem mental que não só despertava os dobermans da letargia em que eram mantidos ; mas , muito pior para Mondongo : dava-lhes a ordem para que o sentenciado fosse imediatamente comido pelos cães treinados que eram para as dilacerações em ordem crescente de crueldade : eles já instintivamente conheciam as partes que suas mordidas causavam mais dor à vítima , e valiam-se de tal condicionamento para que o óbito acontecesse pela dor , e não por qualquer outro meio ; talvez uma hemorragia , antecipando-se a que todo o sofrimento fosse alcançado contra o sentenciado àquele tipo de morte.
Mas o certo é que nos planos de Mondongo já estava previsto que Bodedalma dispusesse tacitamente ao peregrino para que ele escolhesse a sua morte : ser despedaçado pelas feras de orelhas pontiagudas , ou jogar-se da janela para quando lá em baixo chegasse servisse de pasto aos crocodilos do Nilo , importados diretamente para o fosso por ordem expressa de Bodedalma .
Num derradeiro implorar Mondongo dirigiu-se falsamente ( pelo menos ele pensava assim ) à Bodedalma : " Senhor , perdoe-me se não direcionei-lhe a palavra com as mesuras que tanto mereceis . Longe de mim diminuir a infinita importância que nos separa . Perdoe-me , Senhor , eis que tal vênia vinda de Vossa Bodência Máxima somente confirmará o Magnífico senso de humanidade que lhe é tão peculiar . " Ao dizer tal fala Mondongo fez uma mesura própria dos que são mesmo subalternos .
"Mondongo , desqualificado e catinguento forasteiro , se pelo menos tua voz contivesse alguma eiva de verdadeiro arrependimento , se teu olhar pelo menos refletisse o que teu coração hipócrita destilava quando falavas , se alguma sinceridade brotasse de teu repulsivo olhar ; se pelo menos uma destas abrandadoras de culpa emanasse de teu abjeto semblante eu até que poderia pensar em rever a tua condenação à opção que terás que fazer em poucos instantes : entregar-te aos dentes afiados de meus dobermans , ou saltar daquela janela para o inexorável desconhecido. Mas nenhum destes sinais de hipotética sinceridade aconteceu : o que demonstra que apesar de teu pedido nauseabundo , tua alma está plena do desejo de que o mal se abata sobre a minha pessoa . Morra Mondongo !"
Nesse instante entraram os dobermans pelo lado Sul do Grande Salão . O silêncio era profundo , nada se ouvia além de patas dos cães arranhando o piso de madeira lustrada . E as batidas do coração de Mondongo , logicamente ampliadas pelo blefe que tentava passar : a esperança de que os cachorros também submetessem-se aos efeitos do Abrandador .
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Como a absorção do Abrandador só se dava pela ingestão da água , a higiene pessoal de Mondongo não ficou prejudicada .
Tudo porque sob o efeito do Abrandador Veraz de Opinião ( que , na realidade , impedia que pessoas que bebessem daquela água mentissem para quem tivesse molhado com saliva o palito de fósforos embebido no pó inibidor de opiniões contrárias ) faria com que qualquer mamífero que o ingerisse obedecesse fielmente a quem tivesse sua saliva impregnada à água . . Assim , Bastaria à Mondongo evitar que a água do banho tocasse a mucosa de sua boca ; ou - mais arriscado ainda - que a água fosse por descuido ingerida pelo peregrino . Observados tais cuidados ele poderia continuar banhando-se normalmente . Tudo porque para a sua fé o banho era um purificador indispensável da própria alma .
Um dia se passara da segunda poção ter entrado na tubulação . Foi quando Mondongo se dispôs a pedir que fosse recebido por Bodedalma . É claro que o objetivo da reunião era testar até onde ia o efeito do Abrandador Veraz . Era evidente que Bodedalma sentia que algo estranho acontecia com ele próprio . Sendo assim , pediu à Manduca que ficasse por perto por ocasião do encontro .
" Senhor " , começou Mondongo "... com suas desculpas ... mas eu pretendo propor-lhe novas perguntas , posso fazê-las ? "
" Mondongo , pó de cupim da maior insignificância , assombra-me a tua desprezível aproximação protocolar . Há pouco tempo atrás tu me dedicavas os mais respeitosos cumprimentos ... era inefável , para cá , inefável para lá . E muitos outros rococós verbais que de per si espelhavam a distância intelectual que nos separa , e sempre há de nos separar . Agora tu chegas aqui e me dispensas tão somente um reles "senhor" , como se eu fosse um da tua laia . Bom , para início de conversa devo dizer-lhe que estou saturado de ti , da tua ignóbil forma de agora tratar-me , e de tudo que venha da tua mais do que desprezível pessoa . Por muito menos do que isto eu sempre sentenciei gente de casta muito superior a tua. Pois bem , encomenda tua alma a teus protetores que tua hora chegou , Mondongo asqueroso . "
Tudo isto foi dito por Bodedalma só porque a Divindade de Itatiaia pressentira - ou fora avisada por algum de seus contadores - , que , de uma forma ainda desconhecida , Mondongo armava algo esplendorosamente grave contra ele . A reclamação de Bodedalma quanto à forma de tratamento usada por Mondongo - também quanto à ausência dos rapapés próprios da diferença de classe , era - em verdade - tão somente um artifício para Bodedalma livrar-se definitivamente do intruso .
Depois de tais perorações Bodedalma apoiou o braço direito da cadeira , voltando o outro braço para a região do baixo lombar ao mesmo tempo que inclinava-se para frente ; enfim ... tomando posição semelhante a da estátua do pensador , de Rodin . É que aquela era a forma costumeira de dar a ordem mental que não só despertava os dobermans da letargia em que eram mantidos ; mas , muito pior para Mondongo : dava-lhes a ordem para que o sentenciado fosse imediatamente comido pelos cães treinados que eram para as dilacerações em ordem crescente de crueldade : eles já instintivamente conheciam as partes que suas mordidas causavam mais dor à vítima , e valiam-se de tal condicionamento para que o óbito acontecesse pela dor , e não por qualquer outro meio ; talvez uma hemorragia , antecipando-se a que todo o sofrimento fosse alcançado contra o sentenciado àquele tipo de morte.
Mas o certo é que nos planos de Mondongo já estava previsto que Bodedalma dispusesse tacitamente ao peregrino para que ele escolhesse a sua morte : ser despedaçado pelas feras de orelhas pontiagudas , ou jogar-se da janela para quando lá em baixo chegasse servisse de pasto aos crocodilos do Nilo , importados diretamente para o fosso por ordem expressa de Bodedalma .
Num derradeiro implorar Mondongo dirigiu-se falsamente ( pelo menos ele pensava assim ) à Bodedalma : " Senhor , perdoe-me se não direcionei-lhe a palavra com as mesuras que tanto mereceis . Longe de mim diminuir a infinita importância que nos separa . Perdoe-me , Senhor , eis que tal vênia vinda de Vossa Bodência Máxima somente confirmará o Magnífico senso de humanidade que lhe é tão peculiar . " Ao dizer tal fala Mondongo fez uma mesura própria dos que são mesmo subalternos .
"Mondongo , desqualificado e catinguento forasteiro , se pelo menos tua voz contivesse alguma eiva de verdadeiro arrependimento , se teu olhar pelo menos refletisse o que teu coração hipócrita destilava quando falavas , se alguma sinceridade brotasse de teu repulsivo olhar ; se pelo menos uma destas abrandadoras de culpa emanasse de teu abjeto semblante eu até que poderia pensar em rever a tua condenação à opção que terás que fazer em poucos instantes : entregar-te aos dentes afiados de meus dobermans , ou saltar daquela janela para o inexorável desconhecido. Mas nenhum destes sinais de hipotética sinceridade aconteceu : o que demonstra que apesar de teu pedido nauseabundo , tua alma está plena do desejo de que o mal se abata sobre a minha pessoa . Morra Mondongo !"
Nesse instante entraram os dobermans pelo lado Sul do Grande Salão . O silêncio era profundo , nada se ouvia além de patas dos cães arranhando o piso de madeira lustrada . E as batidas do coração de Mondongo , logicamente ampliadas pelo blefe que tentava passar : a esperança de que os cachorros também submetessem-se aos efeitos do Abrandador .
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sábado, 25 de janeiro de 2014
20 - No Monastério de Bodedalma .
Embora só contasse com uma evidência , mesmo assim era de cem por cento a porcentagem de certeza exigida por Mondongo para a resposta da pergunta perseguida por ele . Já tinha a certeza de que Manduca até agora só fizera confirmar que a sua pergunta era a mesma que ceifou a vida de Oyarzabal . Todavia , não era certeza absoluta o seu convencimento de que Manduca não estava simulando ao rolar pelas pedras irregulares do convento , e ainda balançando a cabeça no sentido afirmativo . Enfim , não era totalmente confiável que Manduca não estava enganando ; embora todas os sinais exteriorizados inclinassem para que o castelão estivesse dizendo a verdade quando respondia por sinais que a pergunta de Mondongo era idêntica Oyarzabal . Foi por tudo isto que decidiu que o questionamento teria que ser feito ao próprio Bodedalma . Aliásem toda a sua vida seguia a máxima : " Certeza absoluta ? Só se vinda por duas bocas distintas. "
É que para Mondrongo , só a verdade interessava .
Sob estas premissas Mondongo partiu para testar Manduca . Queria confirmar que a poção do Dr. L já estava agindo . Para tanto escolheu uma pergunta de resposta para ele - Mondongo - conhecida . Lembrou que numa determinada conversa com o Bode perguntou qual seria a religião de Manduca . A resposta foi : " Apesar de eu muito insistir para ele professar a "Bodência Universal do Reino do Bode... " - que era a seita fundada por Bodedalma - " ... ele teima em continuar na Igreja do Penúltimo Dia " .
E Mondongo foi direto :
" Manduca ... você é religioso ? "
" Sim , um homem sem fé é um monstro . "
" E qual é a tua fé , a que igreja pertences ? "
" Sou um penultista ... pertenço à Igreja do Penúltimo Dia . "
" Muito bom , Manduca ... "
A resposta evidenciou - ainda que com margem de erro , eis que Manduca poderia estar falando a verdade por mero acaso ... - que Manduca falava a verdade , aumentado as probabilidades de que o Abrandador Veraz de Opinião já estivesse funcionando .
Do horizonte chegavam trovões e relâmpagos , que cada vez vinham para mais perto do Monastério . Sinal que outra chuva se aproximava . Então , Mondongo preparou-se para introduzir a segunda dose do Abrandador na caixa d ´ água do Monastério . A sorte estava sendo lançada !
É que para Mondrongo , só a verdade interessava .
Sob estas premissas Mondongo partiu para testar Manduca . Queria confirmar que a poção do Dr. L já estava agindo . Para tanto escolheu uma pergunta de resposta para ele - Mondongo - conhecida . Lembrou que numa determinada conversa com o Bode perguntou qual seria a religião de Manduca . A resposta foi : " Apesar de eu muito insistir para ele professar a "Bodência Universal do Reino do Bode... " - que era a seita fundada por Bodedalma - " ... ele teima em continuar na Igreja do Penúltimo Dia " .
E Mondongo foi direto :
" Manduca ... você é religioso ? "
" Sim , um homem sem fé é um monstro . "
" E qual é a tua fé , a que igreja pertences ? "
" Sou um penultista ... pertenço à Igreja do Penúltimo Dia . "
" Muito bom , Manduca ... "
A resposta evidenciou - ainda que com margem de erro , eis que Manduca poderia estar falando a verdade por mero acaso ... - que Manduca falava a verdade , aumentado as probabilidades de que o Abrandador Veraz de Opinião já estivesse funcionando .
Do horizonte chegavam trovões e relâmpagos , que cada vez vinham para mais perto do Monastério . Sinal que outra chuva se aproximava . Então , Mondongo preparou-se para introduzir a segunda dose do Abrandador na caixa d ´ água do Monastério . A sorte estava sendo lançada !
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
19 - No Monastério de Bodedalma .
Mondongo desenroscou com sucesso o próprio canino esquerdo , retirou o conteúdo de pó ali guardado colocando uma parcela dele numa seringa milimetrada . A potência da substância era tanta que uma porção insignificante já começaria a produzir efeitos em Manduca e Bodedalma .
Toda a água do Monastério era da chuva e captada por antiga tubulação de cobre . A cada dez metros havia um encaixe de uma peça de cano às subsequentes . Uma destas emendas passava pelo balcão da cela de Mondongo . . Sim , acredite se quiser : justamente ali estava uma das emendas . Sem ela , os planos de Mondongo poderiam ir - literalmente - água abaixo .
Mondongo soltou o encaixe e posicionou a seringa, deixando o êmbolo para cima ; para , assim , também captar alguma quantidade de água . A recomendação do químico que entregou-lhe o pó - de nome Doutor L - que o denominou de "abrandador veraz de opinião " - era que fosse colocada uma fração da substância na cabeça de um alfinete umedecida com a saliva do protagonista. No caso , Mondongo . Pouco antes da chuva começar a cair o alfinete preparado teria que ser colocado dentro da cânula da seringa propriamente dita , e esta presa , fixada na emenda da tubulação de água da chuva que alimentaria o reservatório do Monastério .
Assim , a chuva recém caída - e tão somente ela - seria o solvente que dissolveria o pó , encaminhando-o para a tubulação que - ao fim , depositaria tal ultra-minuscula quantidade no reservatório geral do Monastério .
Poucos dias depois , Bodedalma - passaria a atenuar ( ao princípio de forma moderada , mas depois totalmente ) todos os pensamentos que pudessem contrariar a vontade de Mondongo .
Este era o motivo que fez o Andarilho prevenir-se , e coletar a água da chuva no único recipiente disponível : o seu penico . Evitou , assim , beber a água do reservatório que conteria o " abrandador de opiniões contrárias com sujeitador de respostas verdadeiras " , uma substância que deixaria aquele que a tomou inabilitado para contrariar o coadjuvante autor . E , se não fosse pouco , ficaria também impossibilitado de mentir para ele .
Estes eram os efeitos do "abrandador de opiniões contrárias e sujeitador de respostas verdadeiras . "
- Segue -
Toda a água do Monastério era da chuva e captada por antiga tubulação de cobre . A cada dez metros havia um encaixe de uma peça de cano às subsequentes . Uma destas emendas passava pelo balcão da cela de Mondongo . . Sim , acredite se quiser : justamente ali estava uma das emendas . Sem ela , os planos de Mondongo poderiam ir - literalmente - água abaixo .
Mondongo soltou o encaixe e posicionou a seringa, deixando o êmbolo para cima ; para , assim , também captar alguma quantidade de água . A recomendação do químico que entregou-lhe o pó - de nome Doutor L - que o denominou de "abrandador veraz de opinião " - era que fosse colocada uma fração da substância na cabeça de um alfinete umedecida com a saliva do protagonista. No caso , Mondongo . Pouco antes da chuva começar a cair o alfinete preparado teria que ser colocado dentro da cânula da seringa propriamente dita , e esta presa , fixada na emenda da tubulação de água da chuva que alimentaria o reservatório do Monastério .
Assim , a chuva recém caída - e tão somente ela - seria o solvente que dissolveria o pó , encaminhando-o para a tubulação que - ao fim , depositaria tal ultra-minuscula quantidade no reservatório geral do Monastério .
Poucos dias depois , Bodedalma - passaria a atenuar ( ao princípio de forma moderada , mas depois totalmente ) todos os pensamentos que pudessem contrariar a vontade de Mondongo .
Este era o motivo que fez o Andarilho prevenir-se , e coletar a água da chuva no único recipiente disponível : o seu penico . Evitou , assim , beber a água do reservatório que conteria o " abrandador de opiniões contrárias com sujeitador de respostas verdadeiras " , uma substância que deixaria aquele que a tomou inabilitado para contrariar o coadjuvante autor . E , se não fosse pouco , ficaria também impossibilitado de mentir para ele .
Estes eram os efeitos do "abrandador de opiniões contrárias e sujeitador de respostas verdadeiras . "
- Segue -
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
18 - No Monastério de Bodedalma .
Mondongo percebera que estava bem perto do seu objetivo : saber o saldo de dias que Bodedalma previu como o "saldo temporal" da espécie humana reinando sobre a Terra . Daí para frente caberia a ele - o próprio Mondongo ( - quem sabe ? - ) tentar modificar as previsões de Bodedalma. Tudo ficou-lhe claro porque Manduca , ao ouvir a sua pergunta - " por quantos dias espécie humana ainda reinará sobre a Terra ? " reagiu espontaneamente , concordando que esta fora a mesma pergunta feita por Oyarzabal . Ora , se depois disto Manduca apareceu - como de fato apareceu - afirmando que Mondongo não mais precisaria perguntar o que quer fosse ao Bodedalma ; isto era um sinal evidente de pelo menos duas coisas :
1- Manduca já obtivera a resposta de Bodedalma ;
2- Manduca queria agora vender-lhe a resposta, certamente por um valor muito maior que os 50.000 anteriores .
O certo é que Mondongo recolheu-se . Pegou os ossos das patas dos bois , os mocotós , dispondo-lhes sobre um hipotético tabuleiro como sempre fazia tudo sobre o próprio catre onde dormia à noite . Os ossos maiores poderiam representar tanques , peças de artilharia . Os menores , cavaleiros prontos para atacar . Sim , como era do seu costume , promovia uma simulação , com um croqui de um hipotético teatro de batalha - um ensaio do que pouco a pouco seu cérebro ia criando, e que magicamente costumava verdadeiramente acontecer .
Depois disto , Mondongo deixou de excretar o que fosse no penico que lhe fora entregue por Manduca para as micções noturnas - isto em razão da enorme distância que sua cela tinha do banheiro da área de hóspedes do Mosteiro . Lavou-o tão cuidadosamente quanto foi possível fazê-lo e depois deixou-o bem na beirada do balcão que dava para as profundezas do precipício , logo depois da beirada do balcão .
Na verdade ainda não sabia se usaria o Plano V . Como " prevenir é melhor do que remediar " , decidira que chegara a hora de fazer aquilo , que por sinal fora planejado há anos .
Bom , e se Mondongo quisesse urinar , ou coisa paralela ? Aí , só restaria lançar seus dejetos no precipício do balcão. Tudo porque o penico estaria agora com água limpa , captada na chuva .
Bom , e se Mondongo quisesse urinar , ou coisa paralela ? Aí , só restaria lançar seus dejetos no precipício do balcão. Tudo porque o penico estaria agora com água limpa , captada na chuva .
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
17 - No Monastério de Bodedalma .
" Manduca .... creio que eu preciso te dar algumas explicações ... O certo é que mesmo isolado nestas distâncias a existência de Bodedalma já era presumida nos continentes autóctones ... "
"Continentes autóctones ... ? "
" Sim , os continentes que - na soma cem - perdem regularmente ... "
" Cada vez entendo menos ... " Disse Manduca .
" Bom , as atuações de Bodedalma são mais do que intuídas ... são - tal qual como um buraco negro - de existência comprovada , ainda que invisível "
" E daí ... "
" E daí , Manduca , que - sempre pelo jogo de soma cem - sabia-se que ele supria a outra latitude de informações às quais somente ele alcançou . Uma orelha quase infinita a escutar todo mundo "
" Como o que ? "
" Qual peça do tabuleiro adiantar , como tinha que funcionar o conjunto de vasos comunicantes ... como escolher quem deveria perder neste ou naquele momento ... sim a presença de Bodedalma era mais do que presumida ... ela era comprovada pelas pontas , pelas extremidades do jogo ... "
"Mas , afinal , qual é o espaço do Bode ? "
" Bodedalma é um bode tendendo ao infinito ... "
' Mas quem ganha com sua existência , com seus presságios ... com aquilo que extrai dos seus contadores ... ? "
" Ganha o lado que sempre ganha ... ora , ora ... "
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capítulo 19
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capítulo 48
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capítulo 51
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capítulo 54
capítulo 55
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capítulo 59
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