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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Até breve !

Prezados Leitores . Como vocês devem ter notado , repetem-se os erros de "datilografia" nos textos deste blog " Com Chaveco " . Isto acontece por causa do meu computador que está ( talvez ) mortalmente ferido . Assim , manter "no ar " este blog está sendo , digamos , esteticamente complicado para mim . Farei uma interrupção rápida , de alguns dias , para a compra de um novo equipamento . Até breve ! O Autor .

domingo, 17 de novembro de 2013

97 - Julietinha e o Oficial do Vapor - final B

Levaram  os dólares para o Caverá .   No mais  esquecido e distante cerro , praticamente enterraram  o furgão numa fenda de pedra do monte .   Não foi por acaso ,  Athos  criara-se por ali .
Estava decidido  que contariam tão somente três caixas de dólares . As demais  só  seriam abertas para que o conteúdo fosse constatado por todos .  Quanto ao destino  , o lugar em que cada um guardaria seu tesouro , isto ainda não estava resolvido .  Poucas horas depois chegara ,  montado ,  o pastor  Gualter que  novamente ficou  de guarda - agora a dois quilômetros de distância -  na única estrada existente e , mesmo já sendo noite ,  andava incessantemente de um ponto a outro  para  que assim  pudesse perceber qualquer modificação  nas cercanias do local onde se dava a reunião . Gualter  olhava  não só para onde era possível alguém chegar ,  mas também para o ponto onde a reunião acontecia , eis que mesmo que quase não fosse possível  avistar-se  aquele  acampamento ,  mesmo assim isto não o desobrigava de  manter  os sentidos totalmente ligados aos riscos representados  - independentemente de outros - pela simples passagem por aqueles ermos de quantia  tão grande :  algo em torno de vinte milhões de dólares .Três horas se passaram para que a primeira parte do plano fosse concluída , momento em que D ´ Artagnan pediu  a palavra. "Caros irmãos ,  confirmadas nossas melhores expectativas  sobre a  quantia  existente nas primeiras caixas que empacotavam os  Excessos  de Realizações Pecuniárias  ,  cabe agora decidirmos sobre o destino  de montante tão valioso ... "

"Peço a palavra !  "   quase berrou  Quita   para  surpresa de todos !

"É evidente , Mosqueteira Quita , que  eu passo-lhe  a palavra . E com um misto de honra  e prazer  mosqueteiros ! "   Completou  D ´Artagnan .

" Irmãos ,  quantas serão as partes  em que serão divididos os Excessos  que  aqui temos ? "

Tão óbvia era a resposta que ninguém atreveu-se  a dá-la ,  ganhando  a noite  escura só  silêncio  como réplica . O pouco tempo que passou pareceu  algo que tendia a perpetuar-se  , até  que  Athos arriscou-se  :

" É claro que somos quatro  a repartir o monte  de dólares , irmã  Quita .  Você ,  Aramis , D ´Artagnan  e eu .   Então , desculpe-me , mas  não percebo qual seja a  sua dúvida . "

" Não ,  valente mosqueteiro Athos . Não somos quatro .  E , a manter-se  seu prognóstico  estaremos cometendo o que tanto  criticamos ... uma  injustiça  a mais ....  afinal , Novos Mosqueteiros , a que vem esta irmandade ?  "

Um  óóó  geral  de dúvida e exclamação   quebrou o súbito silêncio ...

sábado, 26 de outubro de 2013

96 - Julietinha e o oficial do vapor - final B

Gualter avisou que naquele dia chegara uma patrulha do exército para , com pesadas máquinas fotográficas , documentarem o silo onde estavam os alívios de excessos de realizações pecuniárias ; que , aliás , já estavam sendo chamados por D Ártagnan , pela sigla de AERP . Como sempre , a sorte estava do lado dos Novos Mosqueteiros . Naquela noite . quando já estavam com tudo pronto para retiraram do silo , tudo que lhes pertencia , alguém também preparava-lhes uma péssima surpresa . Mas os Mosqueteiros estavam com todos os preparativos prontos . Principalmente os que trariam o furgão de novo à mobilidade . Traziam bomba para encher os pneus movida por gerador móvel ; bateria nova , para fazer a transferência de uma para outra bateria , gasolina de alta octanagem para facilitar a ignição rápida , luzes de emergência , contados elétrico , tudo o que poderia ser necessário para fazerem o automóvel andar . Naquele momento o grupo era formado sem Quita , que não pudera vir por não ter uma desculpa razoável para seus patrões . Abriram o silo e viram que a montanha de soja estava intacta . Apressaram-se , porque tudo teria que ser feito naquela noite , e mesmo nela , o mais rapidamente possível . Para o bem de todos , era uma noite de inverno , as que escuridão é muito mais longa do que os momentos de luz solar . O pastor Gualter estava sempre por perto , ajudando . Desta feita , ele ficou com uma lanterna a cerca de mil metros , para avisar com sinais luminosos , a aproximação de intrusos . Foi quando os Mosqueteiros começaram a remover o soja que cobria o automóvel . Quanto ao pastor de ovelhas Gualter , a fidelidade canina em relação a D ´Artagnan ampliara-se quando o Mosqueteiro , anos atrás , levara Dna . Prendoca - mãe de Gualter -, até a Argentina para uma operação médica que salvou-lhe a vida . Com Juan Domingo Perón presidindo o país , qualquer necessitado de cuidados médicos que lá chegassem - ainda que cidadão brasileiro ou uruguaio recebia de graça todos os cuidados médicos , que - em última análise - eram patrocinados pelos lucros da Argentina com a exportação de trigo , carne e lã para a Europa - eis que Perón habilmente não tomara partido na segunda guerra para obter o máximo de vantagens nas trocas internacionais . A devastação da Europa gerou ~fartura de dinheiro nunca vista no Pais . E , porque não, na vizinhança próxima da fronteira . Foi assim que D´Artagnan aumentou a amizade de Gualter para ele . Encheram os pneus , deram carga na bateria e o auto respondeu como todos esperavam . Ainda faltavam umas três horas para o sol nascer quando , entre vivas , urros de alegria , o furgão movimentou-se , saiu de seu sepulcro de soja . Mas , naquele momento isnsitentes sinais de luz de Gualter anunciavam que chagava alguma visita . Rapidamente os homens tiveram o cuidado de novamente re-empilhar a soja da forma msid lógica e natural possível . Quando acabaram de fechar o cadeado viram , longe , muito longe , uma luz em começo bruxuleante , ir aumentado no horizonte da estrada . Quanto à Gualter , ele já estava pré-avisado de que deveria devria voltar para a ermida que passsara a viver depois que os AERP ´s chegaram por ali , para descobrir tudo sobre de quem era a visita que chegara no veículo da luz que crescia rapidamente , agora já muito mais próxima . Sem acender qualquer tipo de iluminação o furgão dos Mosqueteiros afastou-se tão rapidamente quanto lhes era possível para que não permitisse ser percebido por quem quer que fosse . Em cima da mais alta coxilha - sempre com as luzes apagadas - viram claramente que o que chegara ao silo era , nada menos do que uma patrulha de soldados . Sempre com o maior cuidado ligaram o motor do furgão e desapareceram na ainda noite , na direção do  Alegrete , só que pararam muito antes de lá chegar .




Prezados Leitores . A partir deste episódio estarei em ( creio eu  ) merecidas férias . Prometo firmemente não perturbá-los , de la´- onde eu estiver ( talvez em Colcabamba , quem sabe ... - com meus escritos , agora centrados em como os Novos Mosqueteiros tomarão posse efetiva de seus AERP´ s . Serão uns vinte e cinco dias de descanso para vocês , queridos leitores . Aproveitem , pois a volta será plena de ação , amor , dinheiro - muito dinheiro para os Mosqueteiros , e paixão para Paulo e sua Polaquinha ( que, lembro a vocês , estão no Taythi ) . Até a volta , e sorte para todos ! D ´Artagnan , e os demais Mosqueteiros , com a escuridão total não perceberam que outrso boletos da Casa Piano , com valores impressos das operações de câmbio negro de dólares dispersaram-se , dentro e fora do silo , podendo negar , para um atento observador , que o soja estava tão bem empilhado em razão de que alguem tentara camuflar algo de estranho , grave mesmo , acontecido por ali .

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Para o LF .

Meu queridos 30 perseguidores . Nesta noite . Na noite que passou , eu - que havia dormido sob a interrogação de " quem seria que , vira e mexe , está lendo a menos ruim das minhas crônicas ( que , merchand à parte , sem dúvida é o " Senta que o leão é manso " ) ? Pois nao é que flagrei o quera que tem ido lá no meu começo beber de minhas águas mais limpas ? Dei-lhe o flagra ! Era o Luis . Sim , o Luis Fernando que - em carne e osso - as vezes com uma cara alegre , outras muito surpresa, lia o " Leão " . Foi então que eu aproveitei para dizer-lhe : " Pois é , da outra vez faltou-me o verbo , mas desta vai ser tudo diferente : " LF , eu sou seu fan . E de carteirinha . Adolescente te defendi , quando o Tio Walter te amaldiçoou por causa do Analista . Comprei a briga com ele - o que tinha lido tudo que é livro - ( e tinha mesmo ! ) , e mesmo assim eu ouvi dele ( que Deus o tenha , um gentleman ! ) : " Que aquele filho da * não me apaeça por aqui . Se não ele vai se haver comigo ! " E eu , LF , te defendi : " Mas tio , o livro é uma grande gozação , vai projetar a nossa cidade , o senhor vai ver ... " " Projetar ? ! Projetar uma merda ! , e lá a minha cidade precisa deste tipo de projeção ? ! Ele que não me apareça por aqui ... " Nem cheguei a me preocupar ... o Tio Walter era incapaz de qualquer violência ... Mas , voltando ao assunto , eu - me desculpe - te flagrei dando uma olhada no "Senta que o leão é manso" . Ainda bem que foi ela porque , vamos e venhamos , é a única dentre todas que eu me animaria a te mostrar . Saudações gremistas , Luis !

95- Julietinha e o oficial do vapor - Final B

A palavra foi dada ao Mosqueteiro Athos , que não decepcionou quanto as espectativas dos demais evolucionários. " Estimada Aramis . Tão firme é a união entre nós , que até chegamos a esquecer do gênero que nossos codinomes representam na literatura universal . Você mesmo , Aramis , recebeu - aqui em nossa confraria - um nome masculino , Aramis . Mas - confesso com muito prazer - tornou-se para mim o mais belo nome que uma mulher pode ter. Desde que abracei esta causa , a de recuperar para nós , pessoas comuns , pobres e antes sem perspectivas pessoais - eu mesmo sou um professor , e ensinar crianças no nosso país é sinônimo de quase indigência - eu mesmo , repito , percebi - logo que fui convocado por D ´Artagnan - que a minha única chance de viver num futuro de dignidade seria buscar no dinheiro dos corruptos que construiram Brasilia , os que vinham desovar os seus ERP s qui na nossa vizinha , a República Oriental . Sim , buscar a nossa parte aliviando-os do dinheiro que apropriaram-se ilicitamente , para não dizer criminosamente . Mas mesmo usando todo o meu esforço na obtenção do sucesso do nosso plano , confesso que eu desde o começo olhei a irmã de armas de um modo que , tanta era a atração inexplicável , não poucas vezes geravam em mim uma quase ruptura da realidade ; prá pegá-la em meus braços e perder-me nos encantos que tu possuis . Mesmo , sendo um Mosqueteiro da primeira hora , digo-lhes que não tive suficiente coragem para dizer-te , como digo agora ... eu te amo , Aramis . Te amo desde o momento que meus olhos tiveram a alegria de pousar nos seus , no seu corpo , nos seus cabelos . Mas see não fui eu quem teve a coragem de primeiro pedir-te em casamento , mesmo assim eu te digo agora , renovo o convite a mim feito : Aramis , queres entregar-te aos meus cuidados , casar-se comigo - ainda que isto va´ acontecer no teu Uruguay ? Quanto a mim , eu estou maravihado com o teu convite , Aramis . E , se tambem renovares o "sim" tenho certeza que farei de ti a mulher mais feliz no mundo . "

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

94 - Julietinha e o oficial do vapor - final B

Chegou a vez de Aramis falar . Athos , que tinha arranjado uma forma de sentar do lado dela , por baixo da mesa colou sua perna na da bela descendente dos indios guaranis. Ela , por sua vez , não fugiu do singelo assédio de Athos . Admitiu que , por baixo da mesa se tocassem cada vez com mais ansiedade. Acostumada à realidade crua da vida , Aramis não tremeu . " Todos sabem a minha origem neste país . Mas nem todos reconhecem que uma bailarina de cabaret , como eu fui antes de que os Novos Mosqueteiros cruzassem meus caminhos , não vive para dançar nos muitos Bocas de Ouro , pelo mundo afora . Mas sim , dança para viver . Athos , quando foi ao meu pluebo , Colcabamba , no interior do meu país viu a nossa realidade de pobreza . Minha mãe , ainda criança foi trazida para o Brasil , sendo forçada a relacionar-se com o estancieiro para quem trabalhava. Grávida , foi novamente forçada a deixar por lá uma hija que , todavia , nunca esqueceu um minuto sequer . Sem pai , restou-me a alternativa de sobrevivência que vocês , irmãos Mosqueteiros , conhecem . Hoje eu , como todos vocês , sinto-me digna de poder receber a minha parte destes alívios de excessos realizados . Nunca passou pela minha cabeça , convencida que fui por vocês , estar fazendo algo que fosse ainda que de longe , errado . Estamos , estou lançando mão do que é meu , do que é nosso no grande latifúndio chamado mundo . Mas nem tudo foram tristezas . Há não muito tempo conheci uma pessoa que me tratou com amor e respeito . Assim é que eu penso receber a minha parte e - tão rapidamente quanto me for possível - procurar tal pessoa , tal senhor que , pelo que eu sei é um homem desquitado neste país , portanto livre para receber-me - se assim quiser . E é com ele que eu irei dividir a minha parte , os meus dólares . " D ´Artagnan nem pediu a palavra , interrompeu firmemente : " Irmã de armas Aramis , este é o risco que eu sempre temi . Um de nós afeiçoar-se por pessoa de fora do nosso grupo e , por amor - talvez até por carência - abrir para o terceiro os nossos segredos . Sendo assim , eu volto a enfatizar o risco que é liberarmos os alivios para qualquer dos Mosqueteiros . O que os irmãos acham ? Foi Aramis quem voltou a falar , eis que ela tinha sido abruptamente interrompida por D ´Artagnan : " Que me desculpe o primeiro dos mosqueteiros . Mas o que eu vou dizer contraria suas conclusões . Eu pretendo mesmo abrir minhas conquistas pecuniárias ao meu escolhido . Que sequer sabe que eu o escolhi " Neste momento Athos , ao ver que Aramis já era comprometida com alguém recolheu-se , com o rosto totalmente retráido . O Mosqueteiro Athos teve uma última dúvida : " Mas será que ela não notou que , ao roçar a minha coxa na dela , eu estava passando a ela que eu a queria muito ? " Athos retariu-se ainda mais , como se fosse possível vontar-se totalmente para dentro de si mesmo . Mas Aramis continuou : " Não , Novo Mosqueteiro D ´Artagnan . Eu não vou revelar a quem quer que seja a nossa aventura , que - esperamos - resultará na nossa própria ventura . A pessoa que tocou o meu coração , está aqui presente e a ele eu entregarei de bom grado o meu dote : " Athos , você quer casar comigo ? "

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

82 - Julietinha e o Oficial do vapor - final B

Quando  cessou  a rolagem do carro , que  até  então descia  somente pela inércia , D´ Artagnan  virou  a chave certo de que a distância que o separava do Boca de Ouro era suficiente para que  ruido algum do motor chegasse  aos ouvidos  de quem ficara no bordel .

A noite ajudava na retirada do furgão que , verdadeiramente , estava com o tesouro .  Nem a lua apareceu no céu .   Pouco antes  da  escapada  de  D ´  Artagnan  e Aramis  ,   Athos ,  serviu-lhes de  batedor  . Tudo  na tentativa  de afastar  o  mais do que improvável  risco  de que alguém  percebesse o automóvel que ia com a dinheirama .  Também por isto , fizeram um caminho muito mais longo . Na verdade atravessaram - pelo campos - a Serra de Caçapava ,  um  lugar absolutamente despovoado , e ainda sem arames farpados .  Aliás  , sobre arames farpados os pobres do lugar diziam , como outros tantos ,  que  "Deus criou  a terra e o diabo o arame farpado. " 

Até  que  D ´Artagnan   chegou  ao silo  pelo lado contrário  à  única estrada  de acesso  para  quem ali  pudesse chegar .   Só assim  conseguiram  que  na estrada  normal ,  no caminho comum a todos , não restasse  qualquer rastro dos  seus  automóveis .  Os  que , enfim ,  chegaram  no fim do mundo onde ficava o silo .

 D Ártagnan e  Athos   levaram  em conta  que  a região  é  de  árvores esparsas , e baixas  , entremeadas  de  grama  ,  que também é  vegetação nativa naqueles campos  que vão  do Sul do país  , atravessam  o Uruguai todo ,  e entram  na Argentina, tudo praticamente com a  mesma topografia ;  de  planície  imensa  , os chamados pampas  .  Por ser  um quase infinito gramado , naquele  ponto só  interrompido  por árvores de pequeno porte ;  é  comum aos  que conhecem  seus  segredos que  -  desde que tenham  boa  orientação -   atravessem-na  de carro ,  que segue sempre costeando  a mata  que - aqui e ali -  compõe a  natureza  viva que só existe naquele lugar .  Foi assim que  D ´Artagnan  chegou  ao galpão em que o furgão viria a ser  inteiramente  coberto  de soja .  O  silo estava no pé da serra , no  seu limite  onde  começa a  planura  total . Dali em diante já  encontrariam  tão somente fazendas . Ou , como chamavam os nativos dali , as  estâncias . Este  era o termo  mais indicado , talvez em razão de ser comum a ambos idiomas : espanhol e português .  Já  o vocábulo  "fazenda"  era um pouco diferente em espanhol : hacienda .

Estância , estancieiros ... tudo igual , dos dois lados da fronteira .

D ´ Artagnan   tinha ido  atrás - e conseguiu -  de  um novo cadeado para o portão  do silo . Seu problema foi encontrar um cadeado novo em seu segredo  , mas igualmente velho na  sua aparência  , eis que um  cadeado  totalmente   novo poderia evidenciar que algo ocorrera de diferente no galpão , que era  quase abandonado .  E usar o mesmo cadeado de antes , o cadeado velho ,   traria um risco a mais : o de que alguém  , que também tivesse a chave velha e , por razões  desconhecidas , até mesmo o de ir  procurar uma enchada  ,  poderia  descobrir  o carro  bilionário . O fato é que  Mas  D ´Artagnan  achou um velho cadeado numa cidadezinha  do Uruguai  de nome estranho : Treinta  e tres .  Mui  provavelmente , trintra e três  foram os espanhóis que resistiram  bravamente  aos portugueses .  É comum  que  nestes casos  , digam  as lendas  que os trinta e três heróis  enfrentaram - e venceram ! -  centenas  de inimigos .  Neste caso hipotético , portugueses .   Não é a toa que o hino da República Cisplatina ,  depois  República  Oriental do Uruguai ,  diz  " orientales , o la pátria o la tumba " .    Mas esta escolha , entre a hipotética honra  e  a morte ,  é  um mote  comum  a quase todos os hinos daquelas paragens  tordesilhanas .

O  furgão foi  estacionado  ,  e fechado a chave ,  exatamente  embaixo  da bica  ,  que com soja ,   na segunda-feira de manhã inundaria o carro transformando-o  numa  montanha  de soja  totalmente recheada de notas de cem dólares .  Tudo levava a crer que  a soja  só   voltaria  a ser  solicitada  na próxima safra . E mesmo assim , se esta resultasse em uma  colheita  ruim .  Ao contrário ,  se  as safras permanecessem  favoráveis ,  a soja sequer seria  lembrada.  Ficaria  ali mesmo , como  estoque regulador do governo 

Mas restava  um problema :   D Ártagnan  ; ou melhor ,  um  seu bem- mandado  ,  deveria  vigiar para que durante todo o tempo não fosse aceso  o  secador  de grãos  . Os motivos eram óbvios :  o calor que serviria para secar a soja  poderia  danificar  os muito prováveis  vinte milhões de dólares .

E aqui tem-se que lembrar  do que representa o dólar do norteamericano naquele ponto do planeta .
Pelas condições especialíssimas de ser a região carente de algum outro meio de reserva efetiva - e fungível -  de valor ; por ali o dólar  era de garantia e praticidade únicas .

Sim , o dólar  que , se não tinha o antigo brilho das libras esterlinas ,  consistia  numa libra  de papel tão aceita com  a  inglesa um dia  foi e , por motivos de que em sua essência ser tão somente um papel  , tornava-o  muito mais fácil de ser internacionalizado .  Principalmente porque  ele  trazia  uma jura  , tão solene como podem sera as juras  americanas ,  a de  que qualquer um poderia exigir  o seu valor  em ouro.  Ou , por outra , um  papel filosofal  fungível  em ouro 999,99 % .

Além  de tantos cuidados ,  mais um eles  tomaram :  Athos  ficou  encarregado de ,  já  no  dia seguinte  - um domingo ,   passar  um  fecho  de chirca  nas prováveis , ou hipotéticas ,   marcas que os pneus poderiam ter  deixado ,  na terra  do solo que - porventura -   estivesse sem pasto ( assim é denominada  a grama naqueles confins )  .

Nenhum  rastro poderia  ser percebido , ainda que  por um gaudério  desgarrado -  destes  que conhecem  as pegadas  como a palma da própria mão -  que porventura  andasse  a esmo como eles tanto gostam de  vadear .

A distância dos  dez últimos  quilômetros  seria  no outro dia  batida pelo próprio  Athos  que ,   no último dia do feriadão de fim de ano , com um vassourão de chirca  ,  varreria  os lugares que tivessem sido em algo modificados pelos  carros  ;    a menos chovesse .  Aí  as hipotéticas pegadas seriam apagadas pela chuva mesmo .

O cuidado era mesmo extremo :  mesmo sendo certo que o caminho comumente não seria usado por quem quer que fosse ; mesmo assim eventuais rastros deveriam ser apagados .  Este  seriam ,  daí  para frente   os cuidados  próprios  d ´ Os novos Mosqueteiros .

Somente a título de  curiosidade , no dia em que  Athos  passava  a vassoura de chirca apareceu  , já a  uns três quilômetros  do lugar onde entrara o furgão , que muito estranhou  a atitude de Athos .

Era  um cavaleiro que por acaso  pegara aquele atalho , que depois dos cumprimentos de praxe perguntou :

- Que pasa  ?   Por que  estás  hoje  aqui  pelas Palmas ?

-  Te olvidastes  de que é no primeiro do ano que nós  , lá  de  Camaquã ,  viemos  para os campos para pegar  as ervas que usaremos nas nossas macacoas , nas enxaquecas ?

- Pois eu te juro que não  me lembrava disto . É que nós , lá das Palmas  ,  pegamos as ervas na Semana Santa ... sendo assim  ... buenas  tardes  indio velho !

- Buenas !     Respondeu  Athos  para o cavaleiro que começava a se afastar .

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