Naquele momento , fronteiriço entre o dormir e o estar desperto , Silvério , o chefe dos Capa-Pretas , esticou o braço na altura de onde deveria estar a concha de Aramis . Já era hábito que no despertar os amantes renovassem os votos da paixão que os unia com uma reiteração matinal do seu intenso amor . Não foi preciso uma segunda tentativa de apalpar sua amada para que , num estalo , percebesse a traição da uruguaia . Não , não era uma intuição . A cama , vazia da amante , era um sinal claro de que aquela vida que Silvério vivera até ali tinha se acabado .
Lembrou-se que uma das exigências que os corruptos fizeram ao montar o time de capa-pretas que guardaria os valores em suas realocações para o paraíso fiscal era que os guardas fossem solteiros . Achavam , tais pessoas , que sendo solteiro o homem que escoltaria os valores teria , na possibilidade de precisar resistir a um assalto , muito mais desprendimento para arriscar verdadeiramente sua vida na defesa dos bens que jurou transportar .
Assim , quis o destino que os três capa-pretas desfrutassem agora , que a montanha de dólares batera as asas para outros donos , da possibilidade única para as suas sobrevivências : desaparecerem na poeira da estrada que os trouxera até o Boca de Ouro .
Nos demais quartinhos do bordel , as moças permaneceram com seus companheiros , era a confirmação de que quem traíra fora Aramis .
Na mesinha do pequeno quarto uma folha de papel com a bela letra de Aramis : " La mujer tiene alas en la punta del corazón " . Silvério leu e chorou como nunca tinha chorado em toda a sua vida .
sábado, 10 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
78 - Julietinha e o Oficial do vapor . Final B
No meio da madrugada - e pouco depois de D´Artagnan aliviar o furgão original - Pituca e Aramis escorregaram ladeira abaixo o furgão deles . Pouco a pouco , muito devagar mesmo, o carro foi ganhando alguma velocidade - mas só pela lei da gravidade - na descida da baixada . Os pretensos sócios - Pituca e Aramis - rezavam para que nenhum dos capa-pretas aparecesse na porta , certamente de arma na mão , provavelmente dando tiros na direção daqueles que furtavam a que seria a maior das remessas de dólares - estimava-se que estariam ali vinte milhões deles - que , em princípio , deveriam estar guardados pelos Capa Pretas até que fossem entregues à agência cisplatina do banco nos Alpes .
Enfim Pituca colocou a segunda marcha para com ela dar o tranco no carro que fez o motor pegar . Ainda que olhasse no retrovisor - e como ele olhava ! - o estancieiro nada via , só a escuridão do momento mais escuro da madrugada . Além disto , ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas dormiam não representando perigo algum para quem fugiu com , ou melhor , sem a carga dólares . Pituca e Aramis deram altas gargalhadas ao pensarem como os guardas despertariam . Será que entrariam em choque ?
Era provável ; muito provável , que eles queimariam as próprias naves para - então - estabelecerem-se naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os espertos , os que furtaram os dólares que acabaram de vazar ladeira abaixo , os construtores de Brasilia não perdoariam aqueles capa-pretas que sempre foram pagos regiamente pelo serviços que prometeram fazer com total dedicação .
Mas foi o amor , a paixão por àquelas belas gauchas que modificou o caráter dos seguranças , vindo-se mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas que diz que mais puxa um par de pentelhos do que uma junta de boi brazino .
Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante . Tudo porque sabia que Aramis era do Taquarembó - um pueblo perdido no interior da República Oriental - também conhecida como república cisplatina . Pela sua forma de ver a vida , as pessoas , e o mundo , Pituca pensou que Aramis se emocionaria tanto , ao ver em suas mãos cem mil dólares , que não se daria conta da relatividade entre os valores que restariam para cada um dos hipotéticos sócios . Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados - , duzentas vezes o que caberia á Aramis .
O certo é que Pituca nunca desconfiou que isto poderia o seu plano ao fracasso . E , certamente , ajudou no seu fracasso . Imaginemos que Pituca dividisse meio a meio os vinte milhões . Provavelmente , nem assim Aramis trairia Os Mosqueteiros . Provavelmente .
Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .
Aramis despediu-se de Pituca , ficando certo que daí há duas horas encontrariam-se no saguão do hotel , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .
O dinheiro de Brasilia tornou-se agora a esperança de Pituca entrar numa bolada federal .
Enfim Pituca colocou a segunda marcha para com ela dar o tranco no carro que fez o motor pegar . Ainda que olhasse no retrovisor - e como ele olhava ! - o estancieiro nada via , só a escuridão do momento mais escuro da madrugada . Além disto , ele também nada ouvia , sinal evidente de que os Capa-Pretas dormiam não representando perigo algum para quem fugiu com , ou melhor , sem a carga dólares . Pituca e Aramis deram altas gargalhadas ao pensarem como os guardas despertariam . Será que entrariam em choque ?
Era provável ; muito provável , que eles queimariam as próprias naves para - então - estabelecerem-se naqueles pampas, porque se voltassem para o Rio de Janeiro os espertos , os que furtaram os dólares que acabaram de vazar ladeira abaixo , os construtores de Brasilia não perdoariam aqueles capa-pretas que sempre foram pagos regiamente pelo serviços que prometeram fazer com total dedicação .
Mas foi o amor , a paixão por àquelas belas gauchas que modificou o caráter dos seguranças , vindo-se mais uma vez confirmar o dito popular daquelas plagas que diz que mais puxa um par de pentelhos do que uma junta de boi brazino .
Como acontece com os muito ricos , Pituca não chegou a perceber que o dinheiro que ofereceu à Aramis era insignificante . Tudo porque sabia que Aramis era do Taquarembó - um pueblo perdido no interior da República Oriental - também conhecida como república cisplatina . Pela sua forma de ver a vida , as pessoas , e o mundo , Pituca pensou que Aramis se emocionaria tanto , ao ver em suas mãos cem mil dólares , que não se daria conta da relatividade entre os valores que restariam para cada um dos hipotéticos sócios . Ele ganharia - caso os vinte milhões de dólares viessem a ser confirmados - , duzentas vezes o que caberia á Aramis .
O certo é que Pituca nunca desconfiou que isto poderia o seu plano ao fracasso . E , certamente , ajudou no seu fracasso . Imaginemos que Pituca dividisse meio a meio os vinte milhões . Provavelmente , nem assim Aramis trairia Os Mosqueteiros . Provavelmente .
Amanhecia quando - por dentro daquela estância de Pituca - chegaram à Rivera .
Aramis despediu-se de Pituca , ficando certo que daí há duas horas encontrariam-se no saguão do hotel , ficando implícito que a sua hipotética parte seria-lhe paga neste encontro .
O dinheiro de Brasilia tornou-se agora a esperança de Pituca entrar numa bolada federal .
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Azul da Índia .
A reunião já estava marcada há quatro meses , mas ele não dera importância para o inverno de Moscou . Mas era inverno em Moscou .
Ainda sem pensar no problema , deixou para pintar os cabelos - já com uns sessenta por cento de brancos - no hotel .
No elevador ele e o indiano de enorme turbante azul sorriram um para o outro arriscando um good mornig também recíproco.
O frio lá fora não tinha precedentes para eles ; mesmo assim pediu para a mulher passar a tintura . Contou os minutos e foi para o banho. Segundos depois faltou energia elétrica .
" Comunistas filhos da puta ! " vociferou . Desesperou-se : as luzes de emergência se acenderam mas o chuveiro do banheiro que era igual aos do Brasil : não tinha um reservatório de água quente sendo , cada um deles , um aquecedor independente , e gelado . Sem energia , a água instantaneamente foi para quase zero grau .
A reunião , o cabelo empapado de tinta marrom ... água a zero grau ..... .
Chegou na reunião de turbante azul .
Ainda sem pensar no problema , deixou para pintar os cabelos - já com uns sessenta por cento de brancos - no hotel .
No elevador ele e o indiano de enorme turbante azul sorriram um para o outro arriscando um good mornig também recíproco.
O frio lá fora não tinha precedentes para eles ; mesmo assim pediu para a mulher passar a tintura . Contou os minutos e foi para o banho. Segundos depois faltou energia elétrica .
" Comunistas filhos da puta ! " vociferou . Desesperou-se : as luzes de emergência se acenderam mas o chuveiro do banheiro que era igual aos do Brasil : não tinha um reservatório de água quente sendo , cada um deles , um aquecedor independente , e gelado . Sem energia , a água instantaneamente foi para quase zero grau .
A reunião , o cabelo empapado de tinta marrom ... água a zero grau ..... .
Chegou na reunião de turbante azul .
quarta-feira, 31 de julho de 2013
77 - Julietinha e o Oficial do vapor - final B
Se olhassemos com uma lente que pegasse a amplitude do plano dos Mosqueteiros veria-se que boa parte dele estava fechado . Tudo vinha acontecendo como fora previsto . Pituca veio mesmo conversar com Aramis , que mostrou-se hábil na dissimulação de que estaria absolutamente comprometida com o estancieiro , inclusive mostrando-se muito feliz pelo prêmio que receberia . Mesmo assim , alguns problemas permaneciam . Um dos seguranças , dos Capa-Pretas , não bebia álcool . A questão agora - de Pituca e Aramis - era como embebeda-lo . Aramis lembrou que , apesar de beber somente sucos de frutas , sobressaia a fama dele ser muito interessado em sexo - nas suas formas mais , digamos , originais e excêntricas . Pelo menos foi o que confidenciou Prendoca , que era a moça que atendia o vigilante .
Foi quando Pituca sugeriu que um sonífero fosse jogado no suco que o homem beberia . Aramis lembrou-se que D´Artagnan certamente não concordaria com o artifício , eis que o alívio de excessos pecuniários só admitia meios naturais para a requisição deles . Também lembrou-se que Prendoca segredou que por mais de uma vez o amante sugerira que ela chamasse outras meninas para participarem de sexo a três , ou quantas mais quisessem divertir-se com a orgia .
Pituca exultou , dizendo que : " Contratarei desde já moças dispostas a tudo que passar pela cabeça do quéra ! " Prendoca , mais duas , teriam a missão mantê-lo totalmente envolvido no bacanal .
Fechando mais um pouco o foco : D ´Artagnan , sabendo que o acesso de carros ao Boca de Ouro ( que , aliás , estava de há muito tempo fechado para funcionamento exclusivo dos planos de Pituca ) concluiu que o pequeno caminhão adquirido por Athos deveria chegar com o motor desligado . Logo a seguir , já com os Capa-Pretas anestesiados pela atuação das prostitutas , D ´ Artagnan se apossaria da chave do caminhão , onde estava o dinheiro , deixando a chave do caminhão falso para que , em breves minutos , fosse furtado por Pituca , que também as chaves entregues por Aramis . A Mosqueteira informaria o Pituca da hora prevista para ele chegar , momento em que os seguranças estariam fora de combate .
D ´ Artagnan , por sua vez , também desceria a rua com o motor apagado , vindo a ligá-lo somente quando o ruído do motor já não pudesse ser ouvido pelos seguranças .
Aramis seguiria com Pituca , que tomaria a direção da República Oriental onde - ainda que fosse feriado - teria Don Paniagua a esperar-lhe , com funcionários de sua estrita confiança , prontos para conferir , receber e dar recibo do depósito .
Don Paniagua dissera à Pituca que tão logo o depósito fosse noticiado , e desde que o telex passado por Paniagua fosse recebido no paraíso fiscal , tudo isto resultaria em que tudo estivesse praticamente consumado : Sim , o dinheiro estando lá na Europa já seria , praticamente , uma propriedade de Pituca ; que mesmo assim , perguntou ao banqueiro :
" Vou ser franco , Don Paniagua ... não gostei do senhor ter usado duas vezes o tal de "praticamente " Minha pergunta é : e quando eu serei teórica - além de praticamente - totalmente dono do dinheiro ? "
" Usted solamente será dueño de la plata , en toda la plenitud del termo , después que se passar um dia , um dia de veinte e quatro horas pasadas , um dia después del dinero estar em mis manos , niño Pituca . "
Por tal aviso , Pituca soube que o dinheiro seria verdadeiramente seu somente depois de dormir por vinte e quatro horas com os banqueiros . Naquele momento o dinheiro seria definitivamente propriedade sua , nada mais podendo ser feito por quem quer que fosse para modificar tal estado de propriedade .
Aramis despediria-se de Pituca na entrada de Rivera , e desapareceria no interior do país . A moça seguiria para o pueblo onde nascera ; totalmente distanciado de qualquer novidade que pudesse ser filtrada , de Rivera para o pueblo . Além disto , em po ali ninguém sabia da profissão de Aramis .
Sim , o tesouro seria sepultado em trigo , dentro de um grande silo , onde o pequeno caminhão hibernaria temporariamente . Até mesmo as marcas dos pneus do verdadeiro carro transportador seriam apagadas , confundidas , de forma a impossibilitar a quem que - por remota possibilidade - ali passasse , mesmo que fosse no outro dia , pudesse perceber qualquer marca do carro pagador desaparecido .
Logo para o outro dia , D Ártagnan - com suas amizades aos gaúchos daquele fim de mundo , já programara a chegada de quatro grandes carretas de trigo a ser depositado no silo , que - por sinal - já estava limpo , tão somente com o pequeno caminhão que , não por acaso , ficaria exatamente onde a esteira despejaria o cereal .
Os Mosqueteiros sabiam que riscos sempre existiriam . Mas esta alternativa de esconderijo foi a escolhida porque concluiu-se que nenhum dos que se sentiriam prejudicados poderiam reclamar a perda do tesouro ; para quem quer que fosse , na República Oriental , ou mesmo no Brasil .
Restaria aos Mosqueteiros a missão de ocultação do alívio de realizações pecuniárias , até que a toda a areia passasse pelo buraco da ampulheta .
D ´ Artagnan , por sua vez , também desceria a rua com o motor apagado , vindo a ligá-lo somente quando o ruído do motor já não pudesse ser ouvido pelos seguranças .
Aramis seguiria com Pituca , que tomaria a direção da República Oriental onde - ainda que fosse feriado - teria Don Paniagua a esperar-lhe , com funcionários de sua estrita confiança , prontos para conferir , receber e dar recibo do depósito .
Don Paniagua dissera à Pituca que tão logo o depósito fosse noticiado , e desde que o telex passado por Paniagua fosse recebido no paraíso fiscal , tudo isto resultaria em que tudo estivesse praticamente consumado : Sim , o dinheiro estando lá na Europa já seria , praticamente , uma propriedade de Pituca ; que mesmo assim , perguntou ao banqueiro :
" Vou ser franco , Don Paniagua ... não gostei do senhor ter usado duas vezes o tal de "praticamente " Minha pergunta é : e quando eu serei teórica - além de praticamente - totalmente dono do dinheiro ? "
" Usted solamente será dueño de la plata , en toda la plenitud del termo , después que se passar um dia , um dia de veinte e quatro horas pasadas , um dia después del dinero estar em mis manos , niño Pituca . "
Por tal aviso , Pituca soube que o dinheiro seria verdadeiramente seu somente depois de dormir por vinte e quatro horas com os banqueiros . Naquele momento o dinheiro seria definitivamente propriedade sua , nada mais podendo ser feito por quem quer que fosse para modificar tal estado de propriedade .
Aramis despediria-se de Pituca na entrada de Rivera , e desapareceria no interior do país . A moça seguiria para o pueblo onde nascera ; totalmente distanciado de qualquer novidade que pudesse ser filtrada , de Rivera para o pueblo . Além disto , em po ali ninguém sabia da profissão de Aramis .
Sim , o tesouro seria sepultado em trigo , dentro de um grande silo , onde o pequeno caminhão hibernaria temporariamente . Até mesmo as marcas dos pneus do verdadeiro carro transportador seriam apagadas , confundidas , de forma a impossibilitar a quem que - por remota possibilidade - ali passasse , mesmo que fosse no outro dia , pudesse perceber qualquer marca do carro pagador desaparecido .
Logo para o outro dia , D Ártagnan - com suas amizades aos gaúchos daquele fim de mundo , já programara a chegada de quatro grandes carretas de trigo a ser depositado no silo , que - por sinal - já estava limpo , tão somente com o pequeno caminhão que , não por acaso , ficaria exatamente onde a esteira despejaria o cereal .
Os Mosqueteiros sabiam que riscos sempre existiriam . Mas esta alternativa de esconderijo foi a escolhida porque concluiu-se que nenhum dos que se sentiriam prejudicados poderiam reclamar a perda do tesouro ; para quem quer que fosse , na República Oriental , ou mesmo no Brasil .
Restaria aos Mosqueteiros a missão de ocultação do alívio de realizações pecuniárias , até que a toda a areia passasse pelo buraco da ampulheta .
domingo, 28 de julho de 2013
Dúvida Cruel .
Prezados 30 leitores !
Confesso que bateu de novo aquela dúvida de que só sou lido pelos computadores e olheiros dos Big Brothers . Sim , no plural mesmo . Isto porque - de longe - a minha maior audiência está nos Estados Unidos e .... na Rússia . Os dois lugares em que , segundo a grande imprensa , mais se valem das "escutas" computadorizadas . Mas , se assim for , será que pelo menos meus textos passam pelos computadores . Ou , por outra , será que eles despertam algum interesse , pelo menos dos computadores espiões ?
Será que as máquinas cospem o meu texto impresso na caixa dos de alto risco , os que , em papel , vão para que algum agente de óculos de vidro grosso o leiam ?
E se isto acontecer , será que o agente de óculos de fundo garrafa acha alguma graça neles ?
Será - caros perseguidores humanos - que o que eu escrevo é mesmo lido por um ser humano ? Nos Estados Unidos , ou na Russia ?
Não sei porque lembrei agora daquele lusitano de nome Manoel que ao ser chamado pelo amigo Joaquim para que constatasse que sua mulher estava entrando num motel com outro , aduziu ao amigo : " Esta dúvida é que me mata ... o que eles estão a fazer lá dentro ? "
Mas uma coisa é certa : já perdi todos os amigos que , de uma forma ou de outra , descobriram estas minhas poucas e mal traçadas linhas ( bota mal traçadas nisto ! ) . Nenhum deu continuidade normal à amizade : " Ele é um canalha e eu não sabia ... " " Não é que ele é um comunista disfarçado de americanólogo " " Quem diria ... ele que parecia ser uma pessoa tão legal ... "
O pior : troquei amigos de verdade , de carne e osso , daqueles que emprestam o ombro para as horas difíceis , os que já pagaram tantas cervejas ( um deles , um dos amigos que perdi , dividia pastel daquela pastelaria chinesa que fica em frente do Correio Central ... e sabem por que ? porque não tínhamos dinheiro no bolso para comprar dois pastéis ) . Amigo que , na hora da pior dureza ficava em casa para emprestar-me os sapatos para eu ir a uma entrevista para um novo emprego . Foi eles que eu perdi !
Perdi todos . Todos eles . Uns pela dúvida estética ( puxa , mas como o cara escreve mal ! ) . Outros pela certeza política ( enfim descobri que o cara é melancia : verde por fora , mas vermelho por dentro ) . E outros simplesmente por motivos que não consegui identificar .
Nem mesmo os amigos que eu tinha no estrangeiro arriscam um alô ! ("e se a ASN está na cola do cara ? " )
Todos trocados por quem ? Ou melhor : todos eles trocados por que ?
Como sempre , eu me respondo : Trocados pelos computadores espias de Tio Sam . Ou pelos contra-espias do Kremlin !
E eu , que só queria tentar a sorte como escrivinhador ...
PS : Absolutamente imperdível a crônica "Orégano " do Mestre Luis Fernando Veríssimo que trata deste mesmo tema . Agora sei - com um milhão de desculpas ao LFV - porque rezei tanto para que o cara não fosse prematuramente comer capim pela raiz : foi para não perder as suas crônicas .
Confesso que bateu de novo aquela dúvida de que só sou lido pelos computadores e olheiros dos Big Brothers . Sim , no plural mesmo . Isto porque - de longe - a minha maior audiência está nos Estados Unidos e .... na Rússia . Os dois lugares em que , segundo a grande imprensa , mais se valem das "escutas" computadorizadas . Mas , se assim for , será que pelo menos meus textos passam pelos computadores . Ou , por outra , será que eles despertam algum interesse , pelo menos dos computadores espiões ?
Será que as máquinas cospem o meu texto impresso na caixa dos de alto risco , os que , em papel , vão para que algum agente de óculos de vidro grosso o leiam ?
E se isto acontecer , será que o agente de óculos de fundo garrafa acha alguma graça neles ?
Será - caros perseguidores humanos - que o que eu escrevo é mesmo lido por um ser humano ? Nos Estados Unidos , ou na Russia ?
Não sei porque lembrei agora daquele lusitano de nome Manoel que ao ser chamado pelo amigo Joaquim para que constatasse que sua mulher estava entrando num motel com outro , aduziu ao amigo : " Esta dúvida é que me mata ... o que eles estão a fazer lá dentro ? "
Mas uma coisa é certa : já perdi todos os amigos que , de uma forma ou de outra , descobriram estas minhas poucas e mal traçadas linhas ( bota mal traçadas nisto ! ) . Nenhum deu continuidade normal à amizade : " Ele é um canalha e eu não sabia ... " " Não é que ele é um comunista disfarçado de americanólogo " " Quem diria ... ele que parecia ser uma pessoa tão legal ... "
O pior : troquei amigos de verdade , de carne e osso , daqueles que emprestam o ombro para as horas difíceis , os que já pagaram tantas cervejas ( um deles , um dos amigos que perdi , dividia pastel daquela pastelaria chinesa que fica em frente do Correio Central ... e sabem por que ? porque não tínhamos dinheiro no bolso para comprar dois pastéis ) . Amigo que , na hora da pior dureza ficava em casa para emprestar-me os sapatos para eu ir a uma entrevista para um novo emprego . Foi eles que eu perdi !
Perdi todos . Todos eles . Uns pela dúvida estética ( puxa , mas como o cara escreve mal ! ) . Outros pela certeza política ( enfim descobri que o cara é melancia : verde por fora , mas vermelho por dentro ) . E outros simplesmente por motivos que não consegui identificar .
Nem mesmo os amigos que eu tinha no estrangeiro arriscam um alô ! ("e se a ASN está na cola do cara ? " )
Todos trocados por quem ? Ou melhor : todos eles trocados por que ?
Como sempre , eu me respondo : Trocados pelos computadores espias de Tio Sam . Ou pelos contra-espias do Kremlin !
E eu , que só queria tentar a sorte como escrivinhador ...
PS : Absolutamente imperdível a crônica "Orégano " do Mestre Luis Fernando Veríssimo que trata deste mesmo tema . Agora sei - com um milhão de desculpas ao LFV - porque rezei tanto para que o cara não fosse prematuramente comer capim pela raiz : foi para não perder as suas crônicas .
76 - Julietinha e o oficial do vapor - final B
D - Artagnan , ao voltarem do almoço na reunião de Santa Maria , fez mais uma preleção aos Mosqueteiros , o que ele chamava de "base moral para os atos de alívio " .
" Não pensem , Mosqueteiros , que vocês serão os primeiros a porem em prática esta espécie de obtenção de propriedade numa de suas formas de aquisição originária . Não , muitos outros já o fizeram através dos séculos . Daí eu ter que , agora , fazer uma distinção entre o que diz o aforismo " Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " e o alívio que vamos em breves dias praticar. Embora nos seus aspectos religiosos o dito popular sirva para uma expiação prévia de algo - o roubo - defeso , eis que proibido pela leis da Santa Madre Igreja ; por isto é preciso diferenciar , separar mesmo , o joio do trigo . Companheiros , neste balaio , o roubo é o joio ; mas o trigo ... o trigo é o justo , é o natural alívio de excessos de realizações pecuniárias . A propósito : um exemplo recente , mas que já se tornou um clássico , deu-se quando um dos mais grandes maiorais de Brasilia - agora mesmo , com a construção da nova capital - usou daquilo que a gíria chama de "laranja" , para ampliar suas realizações excessivas .
Tal Maioral ( por sinal , de graduação máxima na hierarquia de tais peixes grandes ) tinha um preposto , uma terceira pessoa de sua absoluta confiança ; repito : um laranja . Sabe-se que o Maioral recebeu um edifício , de muitos andares , naquilo que chama de "dação em pagamento" , só que de origem corrupta . Ganhou , como parte de pagamento de uma excessiva realização pecuniária , um prédio numa das ruas mais valorizadas do Bairro de Ipanema , no Rio de Janeiro . Mas como o nome do Maioral não podia aparecer na transação , pediu para o terceiro de sua confiança receber como se fosse seu o imóvel , no que foi atendido pelo preposto sem maiores indagações . Tudo sob o juramento tácito de que o edifício ficasse às ordens do Maioral , inclusive para eventual transferência do domínio a quem ele mandasse . E não é que o preposto morreu logo depois e , vindo um terceiro moço de recados informar - a mando do Maioral - à viúva que ele queria que o imóvel fosse transferido a outro preposto . Mas a viúva respondeu que desconhecia qualquer acordo ou combinação de seu finado marido com quem quer que fosse ; e , que para todos os fins , o imóvel pertencia ao marido , mas também a ela própria , eis que casados em regime de comunhão universal de bens . É claro que o Maioral teve que comer com casca e tudo o fruto servido pela viúva . Pergunto-lhes , corajosos Mosqueteiros : o que fez a viúva ? Como pode ser classificado o ato praticado pela senhora ? "
Foi Athos o primeiro a responder : " Ela praticou um alívio de excessos de realizações " . O que foi confirmado pelos demais mosqueteiros com um balançar afirmativo de cabeça muito bem explicitado .
"Certo , Mosqueteiro Athos ! a viúva agiu como nós deveremos agir : sem violência - eis que o uso da força bruta descaracteriza o alívio , que jamais pode ser confundido com qualquer outra forma de aquisição da propriedade . Obter propriedade pela força caracteriza o roubo . Mas consegui-la - quando excessiva - pelo alívio , aí tem-se - seguramente - uma forma lícita de adquirir o que foi obtido - aí sim - de forma ilícita , criminosa mesmo . E , para concluir , pergunto : por que o objeto dos alívios tem que - antes - serem tisnados pelo crime , pela ilicitude ? "
D´Artagnan não demorou a , ele próprio , responder : " Porque também a obtenção da propriedade tem condicionantes a serem respeitadas . E se isto não acontecer de forma criteriosa , e - além disto - ela for excessiva , pode ser - tranquilamente - aliviada . " Concluiu D ´Artagnan sob aplauso dos companheiros.
" Não pensem , Mosqueteiros , que vocês serão os primeiros a porem em prática esta espécie de obtenção de propriedade numa de suas formas de aquisição originária . Não , muitos outros já o fizeram através dos séculos . Daí eu ter que , agora , fazer uma distinção entre o que diz o aforismo " Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão " e o alívio que vamos em breves dias praticar. Embora nos seus aspectos religiosos o dito popular sirva para uma expiação prévia de algo - o roubo - defeso , eis que proibido pela leis da Santa Madre Igreja ; por isto é preciso diferenciar , separar mesmo , o joio do trigo . Companheiros , neste balaio , o roubo é o joio ; mas o trigo ... o trigo é o justo , é o natural alívio de excessos de realizações pecuniárias . A propósito : um exemplo recente , mas que já se tornou um clássico , deu-se quando um dos mais grandes maiorais de Brasilia - agora mesmo , com a construção da nova capital - usou daquilo que a gíria chama de "laranja" , para ampliar suas realizações excessivas .
Tal Maioral ( por sinal , de graduação máxima na hierarquia de tais peixes grandes ) tinha um preposto , uma terceira pessoa de sua absoluta confiança ; repito : um laranja . Sabe-se que o Maioral recebeu um edifício , de muitos andares , naquilo que chama de "dação em pagamento" , só que de origem corrupta . Ganhou , como parte de pagamento de uma excessiva realização pecuniária , um prédio numa das ruas mais valorizadas do Bairro de Ipanema , no Rio de Janeiro . Mas como o nome do Maioral não podia aparecer na transação , pediu para o terceiro de sua confiança receber como se fosse seu o imóvel , no que foi atendido pelo preposto sem maiores indagações . Tudo sob o juramento tácito de que o edifício ficasse às ordens do Maioral , inclusive para eventual transferência do domínio a quem ele mandasse . E não é que o preposto morreu logo depois e , vindo um terceiro moço de recados informar - a mando do Maioral - à viúva que ele queria que o imóvel fosse transferido a outro preposto . Mas a viúva respondeu que desconhecia qualquer acordo ou combinação de seu finado marido com quem quer que fosse ; e , que para todos os fins , o imóvel pertencia ao marido , mas também a ela própria , eis que casados em regime de comunhão universal de bens . É claro que o Maioral teve que comer com casca e tudo o fruto servido pela viúva . Pergunto-lhes , corajosos Mosqueteiros : o que fez a viúva ? Como pode ser classificado o ato praticado pela senhora ? "
Foi Athos o primeiro a responder : " Ela praticou um alívio de excessos de realizações " . O que foi confirmado pelos demais mosqueteiros com um balançar afirmativo de cabeça muito bem explicitado .
"Certo , Mosqueteiro Athos ! a viúva agiu como nós deveremos agir : sem violência - eis que o uso da força bruta descaracteriza o alívio , que jamais pode ser confundido com qualquer outra forma de aquisição da propriedade . Obter propriedade pela força caracteriza o roubo . Mas consegui-la - quando excessiva - pelo alívio , aí tem-se - seguramente - uma forma lícita de adquirir o que foi obtido - aí sim - de forma ilícita , criminosa mesmo . E , para concluir , pergunto : por que o objeto dos alívios tem que - antes - serem tisnados pelo crime , pela ilicitude ? "
D´Artagnan não demorou a , ele próprio , responder : " Porque também a obtenção da propriedade tem condicionantes a serem respeitadas . E se isto não acontecer de forma criteriosa , e - além disto - ela for excessiva , pode ser - tranquilamente - aliviada . " Concluiu D ´Artagnan sob aplauso dos companheiros.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
75 - Julietinha e o Oficial do vapor - Final B
Em reunião , os Novos Mosqueteiros decidiram que haveria a cada dois dias , e por telefone , a coleta das novidades aliviantes . Os esgrimistas daqueles pampas usariam os aparelhos comunitários que a empresa de telefonia colocara nas ruas que permitiam o recebimento de ligações por quem estivesse por perto deles. Com este meio , D´ Artagnan saberia as novidades e daria as novas diretrizes aos colegas.
De agora para frente o mais importante seria que todos se recordassem de suas experiências de vida para que as soluções dos problemas tivessem base na realidade de cada um dos Mosqueteiros .
De agora para frente o mais importante seria que todos se recordassem de suas experiências de vida para que as soluções dos problemas tivessem base na realidade de cada um dos Mosqueteiros .
Foi para incentivarem-se mutuamente que marcaram a reunião de Santa Maria , uma cidade situada bem no centro do estado . Naquela reunião , D ´Artagnan mostrou o progresso nos planos , por ele denominado , agora oficialmente , de " Plano Geral do Alívio de Excessos de Realizações Pecuniárias " .
Por sua vez , o primeiro mosqueteiro refletiu interiormente sobre o amadurecimento mental por que passavam todos os outros . Mesmo os de origem mais humilde agora raciocinavam com grande lógica , o que vinha confirmar o que ele já desconfiara ; que a exclusividade na singeleza de idéias - ma maioria das vezes - é própria do ambiente de pobreza que cada um vive . A proximidade - ainda que como potência - da pecúnia ; a possibilidade de que cada uma daquelas pessoas viesse a - em breve - tornar-se alguém de posses fazia com que cada um deles raciocinasse como gente das altas finanças . Mas , é claro , a correção deste pensamento a que chegara D Ártagnan só seria comprovada com o sucesso do alívio de excessos pecuniários que estava em curso .
Por sua vez , o primeiro mosqueteiro refletiu interiormente sobre o amadurecimento mental por que passavam todos os outros . Mesmo os de origem mais humilde agora raciocinavam com grande lógica , o que vinha confirmar o que ele já desconfiara ; que a exclusividade na singeleza de idéias - ma maioria das vezes - é própria do ambiente de pobreza que cada um vive . A proximidade - ainda que como potência - da pecúnia ; a possibilidade de que cada uma daquelas pessoas viesse a - em breve - tornar-se alguém de posses fazia com que cada um deles raciocinasse como gente das altas finanças . Mas , é claro , a correção deste pensamento a que chegara D Ártagnan só seria comprovada com o sucesso do alívio de excessos pecuniários que estava em curso .
Athos informou que , ainda que usando seus últimos recursos , compraria na República Oriental um pequeno caminhão totalmente idêntico ao que os Capa Pretas chegavam com os dólares . Como Athos dispunha de um derradeiro dinheiro no exterior , e sendo a República Oriental um paraíso fiscal , isto facilitaria a compra . Outro ponto importante : Athos compraria o caminhão em nome de um terceiro , na verdade tal estratégia era algo comum entre os comerciantes do lado de lá da fronteira . Muito brasileiros faziam negócios , abriam contas bancárias , compravam bens com nomes chamados por eles mesmos de "frios" . Era um costume já pacificado nos usos e costumes locais .
Por sua vez , Aramis disse que o seu acompanhante costumava dedicar as duas primeiras horas de seus encontros para os jogos de amor , só depois deles entregava-se à bebida , tomando dois , quase três copos de uísque , passando logo a dormir com sono completamente profundo nas próximas três horas . A jovem propôs - a título de ideia possível de ser executada - o artifício usado por um cliente seu , um jovem - quase menino - que , apesar de ter pouquíssimos recursos , queria dispor de seus serviços amorosos . O jovem combinou o preço , chegando a mostra-lhe o dinheiro com que , certamente , honraria o contratado . Já no leito , o rapaz pôs o dinheiro da paga debaixo do travesseiro . Tudo aconteceu normalmente , tendo mesmo Aramis tecido algum elogio ao cliente. Admitido a permanecer no leito , o soldado , que por sinal cumpria o tempo de serviço militar obrigatório , avisou que teria que ir embora muito cedo . Assim foi , o sol ainda não se levantara quando o jovem propôs - e foi aceito por Aramis - um novo enlace - , agora matinal . Logo depois vestiu-se apressadamente e saiu quase correndo em direção ao quartel ; mas não sem antes puxar pelo lado de fora da janela o fio que amarrara ao dinheiro do hipotético pagamento . Ao acordar , a moça tateou , procurando o dinheiro embaixo do travesseiro do freguês , mas nada encontrou . Revistou o quarto , quando notou a janela estrategicamente entreaberta . Foi ao lado de fora e encontrou o fio de linha jogado ao chão , sendo ele a prova que permitiu que ela descobrisse a trama do gentil soldadinho .
Concluindo , Aramis informou que fora despertada para aquela solução do recruta pelo hábito do seu Capa Preta que , assim como soldado, guardava a chave do caminhão de dólares embaixo do próprio travesseiro. Sendo assim , ela lembrou-se que também os Mosqueteiros poderiam valerem-se da criatividade do recruta . Ela bem que poderia dar um jeito de amarrá-la a um barbante para que D Artagnan , ou mesmo Porthos , puxassem- nas para fora do quarto .
D ´Artagnan achou a ideia muito criativa . E disse que seria levada em conta na elaboração final do plano.
Neste momento interromperam a reunião para almoçarem .
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